After Midnight
18 A Temporada da Heartbreaker.
Notas iniciais
P. O. V. Pâmela
Acordei cedo do meu jeito de sempre, e foi de um jeito bem estranho. Eu apenas abri os olhos, estava deitada de barriga pra cima e fiquei encarando o teto um longo momento. Peguei o meu celular e olhei, não havia nada em relação à Paloma, nenhuma mensagem, nem ligação, nem notificação no Twitter, no Facebook ou no Line, ela não havia falado nem comigo e nem com a Priscila a semana toda, e não havia dito nada sobre ir viajar ou qualquer coisa, mas ela estava incomunicável, não atendia o celular, não estava online em nenhuma rede social havia tempos, então a minha preocupação misturada com o meu mau humor prevaleceu em mim. Eu olhei levemente para o lado e o Max dormia num sono profundo respirando alto, fiquei lá por algum tempo quanto subitamente alguém abriu a porta sem bater.
_ Bom dia, eu... – minha irmã mais nova Katie disse muito animada, mas parou quando olhou pro quarto. – a desculpa, eu não queria incomodar, e nem ver... Nada indevido...
_ Não estávamos fazendo nada! – respondi um pouco rude demais. – Fala logo.
_ Só queria saber se você vai me levar mesmo ao boliche hoje. – ela falou já num tom menos animado e mais defensivo.
_ Eu não disse que ia? Então eu vou!Só espera! – ela continuou parada na porta do quarto lerdando – LÁ FORA! – Eu meio que gritei, ela saiu e o Max abriu os olhos ainda sonolentos.
_ Que horas são? – ele perguntou tirando a coberta e esfregando os olhos, nessa hora eu percebi que ele estava sem camisa.
_ Hora de acordar – falei me sentando – Você tem alergia a camisetas ou alguma coisa assim? – perguntei sem pensar muito.
_ Em? – Ele perguntou sem entender muito bem
_ Deixa pra lá – falei tentando dispersar o mau humor de mim
_ Você esta bem? É TPM ou alguma coisa assim? – ele perguntou incerto
_ Não, Max, não tem nada haver com isso, eu estou bem. – respondi me levantando e indo até o guarda roupa, escolhi alguma roupa e depois entrei no banheiro e me vesti, quando eu voltei o Max falou:
_ Pensei que íamos ficar de pijama o dia inteiro. – ele pareceu decepcionado.
_ Tenho que levar a minha irmã num lugar...
_ Ah esta bem, acha que pode passar lá em casa? Você podia dar um tempo lá... – ele sorriu maliciosamente, o sorriso que eu costumava gostar, mas não pareceu tão interessante agora.
_ Tudo bem, Max, tanto faz, só se veste, por favor, eu tenho que ir logo...
...
Depois de levar a minha irmã pra encontrar os amigos dela, eu segui pra casa do Max, em uma viagem longa e silenciosa, alguma coisa estava estranha hoje.
_ Quer fazer alguma coisa hoje? – Max quebrou o silencio.
_ Não tenho nada de especial em mente, queria ir até a casa da Paloma, não nos falamos faz quase uma semana...
_ Eu estou dizendo fazer alguma coisa comigo...
_ O mundo não gira a seu redor sabia Max? Ela esta com uns... Problemas. Pode ter ocorrido alguma coisa...
_ Se ganhar um carro, mudar pra uma mansão em um residencial chique, quase VIP, que ocupa uma boa parte do bairro inteiro e menos de setenta e cinco casas dentro são algum tipo de problema, eu quero ter esse tipo de problema...
_ Você não entende...
_ É! Não entendo mesmo!
E a viagem voltou ao silencio enlouquecedor. Mas acabou bem rápido, por que chegamos á casa do Max logo, ele me deu um leve beijo e saiu, depois olhou pela janela e perguntou:
_ Você quer entrar? Acho que meu irmão não esta em casa...
Parte de mim não queria ir, mas a outra parte sentiu que deveria então eu dei de ombros, desliguei o carro e sai e nós entramos na casa dele.
_ MASON? – Max chamou assim que entramos, mas não houve resposta – Ah ele não esta – ele relaxou um pouco, foi até o sofá e depois ele acenou pra que eu me sentasse ao lado dele, eu me sentei e ele passou o braço ao redor do meu ombro. – E então, o que você acha que pode ter acontecido com a sua amiga?
_ Ele pode... – eu senti que se começasse ia acabar falando coisas que não deveria – ter sido... Ah sei lá, alguma coisa pode ter acontecido, isso eu sei...
_ Você esta muito tensa, relaxa, pode também não ter acontecido nada, ela pode, sei lá ter perdido o celular, e estar sem internet, qualquer coisa assim, relaxa...
_ Não consigo relaxar, tem muitas coisas me incomodando.
_ Quer ir pro meu quarto? – ele sugeriu como se não quisesse nada.
_ E o que faríamos no seu quarto? – perguntei com desdém.
_ Eu te ajudo a relaxar. – ele colocou as mãos na minha nuca e eu coloquei as minhas por cima das dele.
_ Não Max, eu não quero ir pro seu quarto, eu quero saber da minha amiga. – eu retruquei e ele tirou as mãos.
_ E o que você espera que eu faça? Eu estou aqui tentando te ajudar, tentando conversar, estou me entregando pra você, e a única coisa que você quer é ir correndo atrás da sua amiga que você nem sabe onde esta. Passou pela sua cabeça que talvez ela tenha coisa melhor pra fazer? – ele se levantou levemente irritado.
_ Você não entende Max, aliás, você nunca entende nada. – eu me levantei com a irritação um pouco maior.
_ É! Eu não entendo mesmo, por que você nunca me explica! A gente não conversa mais, o que aconteceu com a semana em que estávamos nos conhecendo? Que ficávamos horas trocando mensagens?
_ Aquilo passou Max, agora já nos conhecemos, acabou, supere isso, não somos os mesmos...
_ Tem razão, eu já fiquei tempo demais na sua mão, eu agüentei muitos altos e baixos seus pro pouco tempo que estamos juntos, e eu nunca fiz isso por nenhuma outra.
_ É Max! E nem eu, sabe por quê? Por que eu sou uma Heartbreaker, e você, é um... Sei lá o que você é, mas nós já passamos tempo demais um com o outro, isso não acontece.
_ Achei que pudesse mudar isso. – ele parecia mais triste do que irritado agora.
_ Mas não posso, eu não posso mudar ninguém, talvez nem a minha mesma... Chegou à hora, Max. A hora que sempre chega pra nós dois. Batemos os nossos recordes, mas agora acabou. Isso não vai mais funcionar...
_ Não, Pâmela, você não quer terminar comigo... – ele deu um passo pra se aproximar, mas eu me afastei.
_ Talvez eu não queira, mas isso não funciona, Max, eu não agüento as suas amigas, as minhas amigas não agüentam você, e nós estamos esfriando aos poucos, vamos acabar de uma vez, pra que pelo menos ainda sobre alguma coisa de nós... – Senti lágrimas nos meus olhos, mas eu não me permiti chorar.
_ Não precisa ser assim... Você não precisa ser o que é pra sempre e eu também não.
_ Você tem razão. Mas não é agora que isso vai acabar Max. A gente acabou agora. – ele me olhava com uma expressão seria e perdida – Tchau Max – eu me virei e fui em direção à porta, eu abri e sai, entrei no carro e fui em direção à casa da Paloma, e só aí eu me permiti chorar...
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