Afraid To Love You
4 Chapter Three
Notas iniciais
– Pare! – gritou ela, enquanto via-o sobre o outro, socando o rosto do mesmo – Pare, pare, pare!
Mas, não adiantava. Quanto mais ela pedia para pararem, mais agressiva ficava a luta. Tomoe, foi arremessado longe, dando tempo para que o Tengu se levantasse. Sangue escorria pelo canto de sua boca, enquanto tanto seu rosto, quanto algumas partes de seu corpo encontravam-se feridos.
– É só isso que sabe fazer? – gritou Tomoe, levantando-se rapidamente e enfim sacando sua katana, um sorriso brotou no rosto da raposa. Sorriso este, que fez Nanami estremecer de medo. Era o mesmo sorriso, que ela vira quando viajara no tempo, para ver o passado de Tomoe. O sorriso sádico de um assassino.
Tomoe estava praticamente entocado, exceto por algumas escoriações em seu rosto, causadas por alguns socos que o Tengu havia desferido sobre o mesmo. Mas, tirando isso, não havia mais ferimentos. Nada de muito grave. Já o Tengu... Cada ferimento, mais profundo que o outro, todos causados pelas mãos de Tomoe. Nanami, nunca o vira lutando antes. Aquela era a primeira vez.
– Qual é o seu nome, Tengu? – perguntou a raposa, a voz carregada de sarcasmo.
O Tengu riu: — Não se lembra de mim... Tomoe?
– Me lembrar de você? Nunca o vi – e ficando em modo de ataque mais uma vez, Tomoe partiu para cima do Tengu – Não importa mesmo, irá morrer de qualquer jeito.
Tudo fora tão rápido, que se a raposa não tivesse ótimos reflexos, Nanami estaria morta nesse momento. Tomoe estava ao lado do Tengu, a espada esticada, pronta para acertá-lo no peito, mas em questão de segundos o outro sabe-se-la-Deus-como, havia pego Nanami e nesse momento a usava como escudo. Assim, que os olhos roxos de Tomoe, encontraram-se com os castanhos de Nanami, ele parou seu ataque.
– Maldito... – fora tudo que saiu de sua boca, enquanto a raposa desviava seu olhar para o loiro, que encarava-o debochado – Covarde!
O tengu sorriu: — Abaixe sua espada Tomoe – ele puxou uma pequena adaga, e a depositou no pescoço de Nanami, que arregalara os olhos, ao sentir o metal em sua garganta – Ou a Divindade da Terra, morre.
Tomoe soltou um baixo rosnado de frustração, enquanto apertava o cabo de sua espada com força. A raiva o consumia naquele momento, tudo o que ele mais queria era espetar sua espada, no peito daquele maldito Tengu e depois queimar seus restos, até que não sobrasse nada mais do que poeira. Ninguém fazia Nanami de refém. Aquele tengu não seria o primeiro.
Não mesmo.
Soltando um suspiro, Tomoe soltou sua espada. Um sorriso maior ainda surgiu no rosto do tengu, mas esse não durou por muito tempo. Antes mesmo, da espada cair no chão, Tomoe invocou uma de suas chamas e a atirou na direção do tengu, afastando-o de Nanami, que caiu no chão tremendo. Estava com medo.
A raposa voltou a atacar o tengu, mas o mesmo ao sentir o perigo, abriu suas asas e alçou voo, rindo ele sumiu no céu azul. Deixando um Tomoe muito puto para trás.
– Maldito – gritou o mesmo, enquanto pegava sua katana e a guardava em sua bainha – Irei matá-lo!
Foi então, que ele escutou o som do choro de Nanami. Ele virou-se rapidamente para ela, encarando-a enquanto a mesma ainda sentada no chão, cobria o rosto com as mãos e chorava desesperadamente. Ele suspirou, aproximou-se dela e agachou, ficando na altura da mesma.
– Oe... Nanami – disse, tentando ganhar a atenção da mulher – Não chore...
Nanami, afundou seu rosto em seus joelhos, enquanto suas mãos continuavam a cobri-lo. Não sabia distinguir o que sentia naquele momento, medo, alívio, felicidade, raiva. Tudo vinha em um turbilhão de sensações e emoções, que simplesmente tornou-se lágrimas. Ela não conseguiria parar de chorar tão cedo.
Notando isso, Tomoe fez o que ele sempre faria, se caso a visse naquele estado. Segurou o braço dela com delicadeza e a puxou contra seu peito, abraçando-a ternamente e surpreendendo Nanami.
– Por favor... – falou ele – Pare de chorar.
– T-Tomoe... – sussurrou ela, segurando o quimono do rapaz com força e voltando a chorar – “Senti tanto a sua falta” – finalizou em pensamento, afundando o rosto no peito do mesmo. Nunca diria aquilo em voz alta.
O cheiro de cereja, o toque delicado, a voz trêmula chamando por seu nome, os olhos amendoados, que fitou-o cheios de lágrimas. Aquilo tudo, mexeu tanto com a raposa, que deixou-o sem reação. Por longos minutos, eles ficaram daquele jeito, abraçados. Ele sabia que sentia falta dela, mas só naquele momento, ele percebera o quanto sentiu. Enquanto a tinha ali, em seus braços, ele sentiu como se metade de seu coração, voltasse a bater. Metade essa, que ele só havia percebido que havia sumido, agora que sentia voltando. Ele sabia, que a gora que a viu, que a tinha por perto, ele não iria embora.
Nunca mais.
Após, longos minutos, parados e abraçados, Tomoe percebeu a respiração de Nanami, ficando mais leve, o aperto em seu quimono, mais frouxo, até que enfim o braço dela, caiu ao lado do mesmo, inerte.
– Nanami? – chamou ele, enquanto abaixava seu olhos para o rosto sereno, da garota. Sorrindo levemente, depois.
Ela havia dormido.
Ele a acomodou em seu colo e se levantou, pondo-se a caminhar em direção ao templo.
O leve balanço que ela sentia, apenas lhe dava mais sono. Braços quentes e confortantes, seguravam-na com firmeza, e ela ouvia a descompassada batida do coração. O cheiro amadeirado que ele exalava, era mais que reconhecível, ela sabia que estava sendo carregada, e conhecia quem a carregava e por mais que seu orgulho dissesse, que ela deveria afastá-lo de si, berrando e mandando-o embora, ela não o fez. Apenas, deixou-se levar pela saudade que sentia, e aconchegou-se melhor no colo de Tomoe, sentindo-o apertá-la mais contra si.
Ela gostava, do cheiro amadeirado que ele exalava. Era forte e marcante, assim como o mesmo era. Deixando-se levar pelo sono novamente, ela caiu no mundo da inconsciência.
~*~*~*~*~*~*~*~
– Nanami-sama! Tomoe-dono! – exclamaram, Onikiri e Kotetsu, ao verem Tomoe, no topo das escadas do Templo, carregando Nanami, aparentemente adormecida – O que aconteceu?!
– Um Tengu a atacou – respondeu Tomoe seriamente – Por sorte eu estava por perto e a salvei – falou ele, nunca que diria que na verdade, estava a seguindo desde que a mesma saíra do templo.
– M-mas, Nanami-sama está desacordada! – exclamou, Onikiri
– Ela apenas dorme – respondeu a raposa, enquanto caminhava até o templo – Irei colocá-la em seu quarto.
Ele adentrou o templo com a morena sem seus braços, dando de cara, com Mizuki que sorria, com os olhos fechados para ele.
– Oh Tomoe-san! – exclamou Mizuki – Que surpresa não? A quanto tempo!
Tomoe o ignorou, passando por ele e caminhando em direção ao quarto de Nanami, sendo seguido pela cobra, que aparentemente fazia cosplay de sombra. A raposa suspirou, enquanto adentrava o quarto bem organizado da garota e se aproximava da cama da mesma, a depositando sobre o colchão. Instantaneamente, Nanami trocou o pescoço da raposa, por um dos travesseiros daquela cama, acomodando-se confortavelmente.
Tomoe sorriu. Ela continuava a mesma.
– Vai ficar? – perguntou Mizuki, atrás de si.
Tomoe virou-se, encarando a cobra severamente: — Que tipo de Mensageiro Divino é você?! – Exclamou, levemente exaltado – Deixando que Nanami saísse sozinha por ai, correndo risco de vida! – ele encarava Mizuki indignado, enquanto o segundo apenas sustentava seu sorriso, mantendo seus olhos fechados.
– Eu sabia que ela ficaria bem... – respondeu o mesmo – Afinal, tinha você como guarda – ele abriu os olhos e o encarou, ainda sorrindo – Não é mesmo?
Tomoe ignorou o que lhe foi dito, aproximando-se da porta e a abrindo, sem se virar para encará-lo, ele disse:
– Chame Onikiri e Kotetsu para trocá-la, irei fazer algo para que ela coma – e se retirou do quarto, fechando a porta atrás de si.
Mizuki, olhou para Nanami deitada. Aproximou-se dela, observando o rosto sereno, levemente marcado. Ela dormia tranquilamente, a tempos que ele não a via tão tranquila. Acariciando de leve o rosto da garota, ele logo se afastou. A deixaria descansar.
~*~*~*~*~*~*~*~*~*~
Era final de tarde quando ela despertou e como de costume, a primeira coisa que viu foi o teto de seu quarto. Estava confusa, como havia parado em seu quarto, quando até onde se lembrava, ela estava na rua?
Nanami, suspirou e se levantou, percebendo que não vestia mais, o vestido floral de mais cedo, e sim a enorme camiseta de sua banda favorita. Não lembrava de ter chego no Templo, se trocado e deitado para dormir.
– Até que enfim acordou – disse alguém ao seu lado, assustando-a – Pense que dormiria até amanhã cedo.
Nanami, virou-se lentamente sobre a cama e lá estava ele, com seus cabelos prateados soltos, e jogados sobre ambos os ombros, sentado no chão, de olhos fechados e braços cruzados, enquanto uma bandeja com comida estava posta a sua frente.
– T-Tomoe? – ela então se lembrou. Se lembrou do ataque, de Tomoe a protegendo, lembrou-se de ter chorado no colo dele e de ter dormido no colo dele. Imediatamente seu rosto, tomou uma cor de escarlate que, deixaria qualquer fruta, da mais vermelha, com inveja de seu rosto: — N-N-Não foi você que me trocou... Não é? – ele negou com a cabeça, ela suspirou aliviada – Que bom...
Ele a encarou sério: — Por quê, ao invés de ficar ai me olhando não se levanta e come?
Ela bufou de leve: — Fica quieto Tomoe – respondeu, levantando-se da cama e aproximando-se dele. Ela havia esquecido que usava apenas uma camiseta.
Assim que ela se levantou, ele prendeu a respiração. A camiseta que ela usava, apenas cobria até a metade de suas coxas, deixando boa parte delas a mostra. As pernas dela eram brancas como a neve, e tinham o aspecto de macias, como o algodão. Uma imensa vontade de descer e subir suas mãos, por elas o tomou. Soltando o ar pausadamente, ele desviou o olhar, encarando a parede do quarto.
– Deveria se trocar, antes não acha? Não sou obrigado a ver, essas suas pernas defeituosas.
Nanami naquele momento teve duas reações.
Primeira: Corou violentamente, ao perceber que ainda estava apenas de camiseta, tentando cobrir suas pernas rapidamente.
Segunda: Começou a gritar histericamente com o mesmo, após perceber que ele chamará suas pernas de defeituosas.
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