Notas iniciais
Oiie

Espreguiçando-se sobre seu futon, a moça abriu seus olhos e encarou o teto de seu dormitório. Era domingo e ela queria tirar aquele dia, apenas para descansar. Virando-se para a direita, Nanami, pensou em voltar a dormir, mas...

– Ohayo Nanami-chan – disse o rapaz, fazendo a morena assustar-se e num pulo afastar-se dele – Dormiu bem?

– M-Mizuki-kun! – exclamou, sentindo seu rosto corar enquanto via a cobra sorrir para ela – O-o que faz aqui?!

– Eh... Nanami-chan, eu vim lhe acordar! Passou do meio dia, e você ainda está ai... Deitada.

Nanami arregalou os olhos com o que ouvira, achava que era mais cedo, umas nove da manhã talvez, não esperava que fosse tão tarde. Sorrindo envergonhada, ela pôs-se de pé, coçando a parte de trás da cabeça. A roupa que usará para dormir naquela noite, era apenas uma enorme camiseta de seu grupo musical favorito, deixando a boa parte de suas pernas. Seu rosto corou violentamente, ao lembrar-se de que estava praticamente nua, na frente de Mizuki.

Ela estava envergonhada. Muito envergonhada.

Percebendo o desconforto de sua mestra, a cobra soltou um risinho baixo e fechou os olhos — Seu desjejum a espera na sala, Nanami-chan – disse ele, levantando-se de onde estava sentado e aproximando-se da porta do quarto – Não demore, ok?

A morena assentiu, suspirando aliviada assim que o rapaz fechou a porta de seu quarto. Por mais que tenha dormido metade do dia, Nanami sentia-se totalmente cansada, afinal desde que, um certo ser saiu de sua vida, as coisas a sua volta ficaram mais... Pesadas se assim dizer, suspirando a moça decidiu tomar um banho para amenizar o cansaço, pegou suas roupas em seu armário e direcionou-se até o banheiro. Seu café da manhã teria que esperar mais um pouco.

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Era final de tarde, Nanami estava jogada no Hall do templo, olhando as nuvens e imaginando formas em cada uma delas, assim como fazia quando era mais nova, quando então ela escutou o barulho de asas batendo e algo surgir na sua frente, tampando o sol e impossibilitando-a de enxergar por breves segundos, assim que lhe foi possível focalizar corretamente, a primeira coisa que ela conseguiu identificar, fora um par de asas.

Asas negras. Belas asas negras.

Nanami pensou que conhecia o individuo. Só pensou. Mas, assim que as asas se fecharam e o rapaz a encarou, ela soube que não era bem quem ela pensava que era. Alto, com músculos bem talhados, cabelos curtos e loiros e olhos vermelhos terrivelmente assustadores. Ele sorriu enquanto a encarava, aproximando-se lentamente dela. A morena sentiu seu corpo gelar, e tudo o que conseguiu fazer foi gritar.

– Shhhhhh... – em questão de milésimos ele estava na frente da mulher, tampando a boca da mesma, impedindo que mais sons saísse – Não grite docinho... Não quero que...

Tudo aconteceu rápido demais. Ele mal terminou a frase e foi arremessado para longe de Nanami. A garota mal entendeu o que estava acontecendo, até ver Mizuki, sorrindo forçadamente para o individuo.

– Oras, que tengu mais mau-educado esse, não acha Nanami-chan? – ele encarava o mais alto, com certo desdém.

Enquanto Nanami ainda estava sem reação, o tengu simplesmente alçou voo, sabia que com a cobra por perto, ele nunca conseguiria nada. Mas, antes de desaparecer no céu alaranjado, ele gritou em alto e bom tom:

– Nos veremos novamente, Divindade da Terra.

E desapareceu no céu. Nanami tremia pelo susto que tomara, por mais que situações como essa, fossem frequentes, ela ainda não estava acostumada, com a mão sobre seu coração, a garota sentou-se direito, tentando normalizar sua respiração.

A cobra fitou Nanami e sorriu, aproximando-se da mesma e ajoelhando-se a sua frente: — Você está bem, Nanami-chan?

A morena o encarou, esboçando um sorriso de canto, enquanto assentia com a cabeça. Mizuki, acariciou o topo da cabeça da moça, logo ajudando-a a se levantar.

– Sabe... Nanami-chan... – começou ele, enquanto caminhava para dentro do templo ao lado de Nanami – Acho que você deveria ir atrás do Kurama-san... Seria melhor para lhe...

– Não preciso da ajuda do Kurama – respondeu ela, cortando a fala do rapaz.

– Etto... Então, vá atrás do Tomoe... Ele...

Assim que o aquele nome, chegou aos ouvidos de Nanami, a garota parou de andar e encarou Mizuki seriamente: — Já conversamos, sobre isso Mizuki – disse ela séria, encarando a cobra – Não quero o nome dele sento citado quando eu estiver por perto... Não é a primeira vez que tentam me atacar e não é porque terei uma raposa mal agradecida ou um tengu convencido ao meu lado, que essas coisas vão parar de acontecer.

– M-mas...

– Sem mais Mizuki.

E sem dar chances para o rapaz responder, Nanami simplesmente virou as costas e se retirou rapidamente dali, caminhando para seu quarto. Não aguentava escutar o nome dele, não aguentava mais saber da existência dele, mas por mais que tinha vontade de enfiar uma faca no próprio peito, do que assumir, ela sentia falta dele. Das brigas, dos poucos momentos em queele era carinhoso, da voz dele e de sua companhia. Nanami preferia morrer do que assumir isso, mas... Era a mais pura verdade.

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Assim que o copo chegou até seus lábios, o liquido escuro que ali estava, foi derramado rapidamente, goela a baixo. O gosto forte da bebida ficou impregnado na boca do rapaz, mas o mesmo estava tão acostumado com aquilo, que pouco se importou. Alguns diriam que aquela bebida desceria pela garganta rasgando, que queimava por onde passava, mas já se fazia tanto tempo que ele bebia aquela mesma bebida, naquele mesmo lugar, que esses sintomas não lhe afetavam mais.

O jovem rapaz suspirou, pedindo para que completassem seu copo novamente. Sua calda remexia nervosamente para lá e para cá, enquanto as orelhas no topo de sua cabeça estavam atentas a tudo a sua volta. Seu humor, não era um dos melhores naquele dia. Na verdade, a um longo tempo, que seu humor não poderia ser considerado um dos melhores.

Sentiu o lugar ao seu lado ser ocupado, suspirou cansado quando uma pena negra, pousou a sua frente. Sabia quem estava ali, sabia o que este ser queria e sabia, mais do que ninguém, que aquilo ali terminaria em discussão.

– Olha só... Se não é a raposa selvagem – comentou, fazendo o rapaz encará-lo de soslaio.

– Sabia que eu estaria aqui – respondeu seco – Não se faça de surpreso... Kurama.

O ruivo soltou um riso baixo, enquanto pedia uma bebida: — Realmente... – ele soltou um suspiro e virou-se para o outro – E você sabe muito bem, o porque estou aqui... Tomoe.

A raposa ignorou o tengu, voltando a beber sua bebida calmamente. Sim, ele sabia o que Kurama queria, a tempos que o mesmo o importunava com aquele assunto, mas ele estava decidido. Nunca voltaria atrás de sua decisão.

A bebida que o ruivo pedira, logo fora entregue a ele. Dando um breve gole, Kurama encarou Tomoe de canto, pronunciando-se logo depois: — Ela precisa de você.

– Se precisa-se teria vindo atrás.

– Está sendo infantil. – argumentou, enquanto continuava a beber.

– E ela não está? – rebateu, encarando o tengu.

– Diferente de você, ela tem motivo – respondeu, encarando a raposa de volta – Já se passaram 5 anos... Poderia alguma vez na vida, deixar seu orgulho de lado?

Tomoe ignorou o que o Tengu havia dito. Já havia pensado inúmeras vezes, em simplesmente correr até o templo de Mikage e pedir para voltar a ser o Mensageiro Divino de Nanami, mesmo que odiasse assumir, estava louco para vê-la novamente, desde o dia que brigaram ela não fora atrás dele e ele orgulhoso negava-se a ir ate ela, 5 anos se passaram desde então. 5 longos anos –até mesmo para ele- sem vê-la, sem escutar a voz dela ou sentir o doce cheiro de cereja que ela emanava... Mesmo que estivesse louco para sentir tudo isso de volta, ele não o faria. Por puro orgulho.

– Ela corre grande perigo – disse Kurama – Aquela cobra fedelha não pode protegê-la da forma certa, e ela simplesmente nega minha ajuda... Odeio ter que ficar no seu pé, mas Nanami precisa realmente de você – finalizou, ele se importava com a humana.

Kurama o observou por longos minutos, esperando que Tomoe esboçasse alguma reação, mas nada veio do Ayakashi. Suspirando, ele simplesmente se levantou e retirou-se dali. Estava cansado daquilo, odiava ter que ir atrás daquela raposa teimosa e tentar fazê-la voltar ao templo, afinal ele sabia que o único que Nanami deixaria que a protegesse era Tomoe, mas... As coisas estavam realmente difíceis para ele.

Assim que Kurama retirou-se dali, Tomoe largou o copo sobre o balcão e depositou dinheiro sobre o mesmo, sem nem ao menos esperar pelo troco, a raposa retirou-se de lá e pôs-se a caminhar pelas ruas do mundo dos demônios. Seu cabelo agora longo estava preso em um baixo rabo de cavalo, enquanto sua katana repousava calmamente em sua cintura. Seu rosto, demonstrava muito mais do que mau humor.

Ele estava nervoso. Muito nervoso.

“Ela precisa de você”

– Humpf! Como se realmente precisasse... – resmungou, cruzando os braços.

– Disse algo?

A raposa assustou-se quando a segunda voz, simplesmente surgiu ao seu lado, primeiramente porque estava distraído e em segundo, porque aquela voz era muito mais do que reconhecível.

Saltando para o lado, ele o encarou incrédulo. Não sabia se começava a gritar histericamente ou se simplesmente, continuava a fitá-lo. Não o via a tanto tempo, que até desacreditava no que seus olhos estavam captando naquele momento.

– Ah quanto tempo... Tomoe.

O jovem ayakashi ficou sem reação por alguns segundos, enquanto via Mikage sorrindo de canto para si, como se nunca tivesse sumido da face da Terra. Quando finalmente ele tomou consciência de que, seu ex-mestre estava realmente ali, seu rosto mudou de surpresa para aborrecimento.

– Mikage! – exclamou ele, totalmente exaltado – Por onde você...

– Cale-se por alguns momentos Tomoe... – respondeu o loiro, agora esboçando uma expressão no mínimo, intimidadora para cima da raposa – E apenas me escute...

A raposa abriu a boca novamente para falar, mas fora cortado novamente por Mikage, que levantou a mão sinalizando que o mesmo deveria ficar quieto.

– Eu só lhe digo uma coisa Tomoe... – ele suspirou, encarando Tomoe seriamente – Engula este maldito orgulho e vá atrás da Nanami. Ela corre grande perigo, já que o mensageiro divino que sempre a protegeu fora expulso de lá, a mais de 5 anos...

– Ela sabe se virar sozinha! – exclamou ele, gesticulando comas mãos – E ainda tem aquela cobra maldita, para protegê-la, por que precisaria da minha proteção?

– ... Ela é humana, por mais que seja uma Divindade, não deixa de ser humana – continuou, ignorando a fala da raposa – Precisa de você, mais do que ninguém... Da mesma forma, que você – ele apontou para Tomoe tocando o peitoral do rapaz com o dedo – Precisa dela!

E antes mesmo que o ayakashi pudesse responder, Mikage transformou-se em sua borboleta azul, voando para longe daquele local, deixando um Tomoe desesperado para trás.

Notas finais
Enfim pessoal, é isso ai!! Me digam, Tomoe é orgulhoso hein :') E Nanami mal suporta ouvir o nome dele :') Eita situação hein SHUASHU' Vi, que algumas pessoas estão acompanhando a fanfic >< Então, por favor comentem >< Comentários me deixam felizes >< Falando em comentário, obrigada Girl of the blue eyes por ter comentado *uuuuuuu* Beijinhooos Até quarta