Notas iniciais
Eu já quero começar as notas do capítulo pedindo perdão! Foram semanas de muitos acontecimentos novos na minha vida então esse capítulo atrasou muito... De qualquer forma, estamos aqui para mais um capítulo! Eu espero que gostem muito e que estejam curtindo o feriado! Boa leitura!

Os olhos de Joaquin pairam sobre a casa. As luzes do lado de dentro estão acesas. O gramado não está iluminado. As únicas fontes de energia ou claridade que impedem com que eu ou qualquer pessoa seja impedido de tropeçar são as leds azuis envolvendo o perímetro da piscina e as luzes acesas dentro da casa de vidro. Há essa brisa leve levantando um pouco dos meus cabelos. Não diria que está frio, mas eu tinha uma tendência esquisita a sempre estar com os braços gelados, por isso estava envolvida em um casaco vermelho feito de crochê com os botões abertos, um short jeans surrado e um par de chinelos.

- Desculpe, Joaquin, aqui fora ainda não está muito iluminado, mas se quiser usar a lanterna do seu celular para enxergar melhor... — digo à medida que começo a subir a pequena e inclinada rampa até a casa.

Joaquin permanece onde está. Paro centímetros adiante dele olhando para trás. Tive de controlar o ímpeto de perguntar se ele estava com medo de mim. Era... engraçado e ao mesmo tempo intimidante a maneira como ele agia. Aquele homem parecia ponderar se eu era confiável ou não. Me pergunto que tipo de energia eu passava. Ele parece cair em si; talvez estivesse distraído... Ele pisca algumas vezes. Suas mãos estão nos bolsos da sua calça jeans preta.

- Desculpe. Quer dizer... não se preocupe com isso. — ele me acompanha, chegando até o meu lado.

Recomeçamos a andar lado a lado; por um tempo tudo o que pode ser ouvido é o som dos nossos passos contra a grama molhada que Carmen havia regado com uma mangueira.

- Se você quiser, também podemos discutir alguns pontos de iluminação estratégicos para o gramado. — ele diz.

Olho para o seu rosto. Tento sorrir de maneira simpática. Estou lhe dando um braço de distância do meu corpo. Talvez ele se sinta mais confortável daquela maneira. Estou com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco.

- Bem, acho que podemos falar sobre isso mais para frente também. Na verdade, te mandei mensagem para um outro projeto.

Chegamos até a entrada da casa. Eu entro e ele para à porta.

- Você quer que eu tire os sapatos?

- O que você preferir. Fique à vontade para tirar os sapatos ou... permanecer com eles... — dou de ombros.

Eu tiro os meus e estou com um par de meias vermelhas nos pés. Joaquin também opta por tirar os seus. Não faço isso como um gesto para me seguir.

- Eu tenho mania de andar descalça ou de meia pela casa desde pequena. — explico. — Não é nada com germes. Não sou uma pessoa que seja muito organizada.

Nós passamos pelo hall de entrada. Joaquin me segue até a cozinha. Como já são quase oito da noite, Elton já foi embora — ele trabalhava doze horas por dia — das quatro às quatro e Carmen tinha ido encontrar a sua irmã para um jantar em família para comemorar o aniversário de sua sobrinha. Isso reduzia o número de pessoas da casa a dois. Em cima da bancada de granito o meu notebook jazia aberto. Eu tinha preparado uma lasanha de presunto e queijo com molho de carne. Eu raramente cozinhava, mas às vezes gostava de me aventurar. Estive me sentindo bem desde a sexta-feira, por isso estive no humor de cozinhar. Uma pergunta me vem à mente.

- Como está Robert e sua namorada?

Joaquin sentou-se à uma das banquetas. Sinto-me aliviada por isso. Ele sempre parecia tão... tenso o tempo inteiro. Algo me dizia que era a minha presença. Talvez eu o deixasse desconfortável ou talvez ele fosse uma pessoa rude e amarga. Eu não sabia cem por cento; mas desconfiava que era a primeira opção — talvez ele me achasse uma mimada chata que não tinha mais o que fazer do que escolher quebrar paredes, escolher lustres extravagantes e gastar o dinheiro do pai. Eu estaria trazendo todas essas percepções do meu antigo envolvimento amoroso? Todos os homens me veriam assim?

- Ah Robert está bem, eu acho. Espero que menos bêbado.

Eu dou risada enquanto tiro a travessa de lasanha do forno.

- Emília está bem. Obrigado por perguntar.

- Ela parece ótima. — olho para ele depois de pousar a travessa de lasanha em cima do granito da pia. — Tão simpática! — minha cabeça tomba para o lado.

Meu olhar analisa seus movimentos. Joaquin pousa ambos os antebraços em cima da bancada de granito branco. Ele usa uma camisa 3x4 verde musgo, o que cobre seus ombros e superiores, mas deixa o antebraço respirar. Sua pele tem um tom claro, mas bronzeado. O castanho do cabelo, as sobrancelhas escuras, os olhos no mesmo tom... Tudo lhe favorece. Ele era realmente lindo. Não era uma beleza incomum, mas nada convencional. Ele faz um breve movimento com a cabeça.

- Ela é.

A maneira como ele diz aquilo é pensativa. Ele fita o piso da cozinha. Volto-me para a lasanha. Minhas mãos estão geladas. Penso no dia em que ele pareceu desconfortável bebendo o chá gelado. Robert tinha me dito sobre o pai dele de maneira vaga depois... Mordo minha língua. Talvez eu deva parar por aqui. Estou com uma espátula vermelha de silicone na mão e a forma em cima do cook top.

- Joaquin, posso te oferecer um pedaço de lasanha para comer? Não sei se você já jantou, mas não quis que você viesse até aqui sem eu te oferecer nada. Gosto de ser uma boa anfitriã. — dou de ombros como se eu me desculpasse e sorrio de maneira afetada.

De certa forma, acho que estou me desculpando. Acho que uma parte de mim gostaria que ele fosse embora. Eu preciso de alguém para me ajudar com o novo local de gravação, montar um estúdio do zero, mas ele estava ali só por isso? Eu não precisava me enganar... Eu queria a presença, a mera presença de Joaquin ali. Estive ensaiando o dia inteiro como agir ou o que falar. Tudo havia ido pelo ralo, é claro!

No momento em que estou pronta para voltar a minha atenção à lasanha intocada e esperar por sua recusa, seu olhar encontra o meu. Se ele pondera, faz por poucos segundos.

- Obrigado, eu aceito.

Acho que estou tremendo. Coço as sobrancelhas.

- Por que fez isso?

- O quê? — pergunto sem entender e volto minha atenção para ele.

- Por que coçou as sobrancelhas? A lasanha está ruim? Você vai me envenenar?

Eu sorrio genuinamente enquanto pego um prato quadrado branco e imaculado. Coloco um pedaço quadrado e generoso de lasanha. O molho de tomate vermelho em grande quantidade viola a imacularidade da louça. Os fios de queijo derretido se quebram antes de se enrolarem novamente pertinho da massa. A carne moída dá textura ao prato. Pego um garfo prateado. Caminho até Joaquin. O prato faz um barulho surdo na bancada.

- Você sempre enxerga o pior nas pessoas?

Ele parece mortificado com o meu comentário. Volto até a pia para servir um pedaço para mim.

- Não. — ele parece respirar fundo. — Me desculpe. Eu... — ele ri. Parece uma risada nervosa. — Desculpe.

Caminho lentamente até a bancada. Nossos olhares se cruzam em silêncio. Eu engulo em seco. Estou tão nervosa... Sinto-me pateta e adolescente.

- Me desculpe. — ele diz mais uma vez. Seu olhar agora é intenso e analisa o meu rosto. Eu posso perceber os seus olhos se movendo de maneira lenta da minha testa para a minha boca e depois para os meus olhos... — Não só pelo comentário; acho que foi uma coisa estúpida a se dizer, mas se causei essa impressão das outras vezes. Estou passando por alguns conflitos pessoais e acho que o meu humor tem estado afetado.

Eu não esperava por aquilo. A saliva em minha boca quase me engasga. O garfo paira entre o prato e o caminho até a minha boca.

- Eu entendo. — meus traumas passam como uma estrela cadente veloz em minha mente. — Está tudo bem.


Notas finais
E aí?!! O que acharam desse capítulo? Como se sentiriam se fosse Emília? O que vocês acham que significa toda essa tensão entre eles? O que será que vai acontecer entre esses três?!!! São tantas perguntas... Espero que tenham gostado! Estou me comprometendo a postar um novo capítulo na terça-feira!! Aguardem por mais :) Obrigada por ler!!! Isso me deixa muito feliz! Um beijo, Eliemesse.