Notas iniciais
Com o filho empolgado em tantas atividades, Evita e Adão passaram a ficar mais horas a sós. Saíam do quarto quando o almoço estava pronto e Mônica e Fernando chamavam aos berros, pois ele era faminto. Sentavam numa mesa redonda, ao lado de janelas onde se olhava para o espaço infinito, rodeados de plantas coloridas e na beira de uma pequena piscina. Às vezes Evita cozinhava torta, pois os robôs eram fracos em sobremesas. Após banquetes diários dormiam a sesta, até a hora do jantar quando comiam novamente no mesmo lugar. Depois, com o filho nos braços, Adão revistava o rumo dessa nave, calculava o tempo e a distância desse voo enquanto Fernando explorava o espaço em busca de meteoros desgovernados. Para acabar o dia jogavam alguma coisa para se divertirem. Fernando ensinara para eles o jogo do baralho e dos dados, onde competiam rindo alto. Amon-rá beijava seus pais, seus tios, pois passou a chamá-los assim com carinho, e corria a sua suíte a ver TV.

A convivência entre os cinco tripulantes dessa nave foi perfeita desde o começo. Fernando aprendeu a jogar xadrez, e sempre arriscava com Adão uma partida. Evita ensinou para Mônica tricô, crochê e bordado e ambas trabalhavam para se divertir enquanto falavam sobre suas vidas iniciando uma amizade que seria eterna.

Amon-rá, que havia aprendido Astrologia na “Escolinha Infantil”, dividia seu tempo entre a cabine de comandos, sentado numa cadeira enorme, o telescópio, pois ele adorava olhar para as estrelas, a horta onde havia formigas, baratas, cobras, lagartos, abelhas, cigarras e borboletas. Passava o tempo ajudando os robôs a recolher frutas, a limpar os corredores com pano seco, a regar as plantas nos vasos, pois os robôs o tratavam como alguém importante. Também tomava seu desjejum na suíte, pois tinha um robô pequenino que abria sua porta diariamente, colocava uma bandeja sobre sua cama, servia sua xícara, cortava seu pão, e dispunha o que ele quisesse comer. Depois, ficava deitado assistindo a filmes, ou, olhando na tela para ver seus avós em Atalanta, seus amigos da Escolinha, e algumas histórias de ficção próprias para meninos de sua idade.

Com o filho empolgado em tantas atividades, Evita e Adão passaram a ficar mais horas a sós. Saíam do quarto quando o almoço estava pronto e Mônica e Fernando chamavam aos berros, pois ele era faminto. Sentavam numa mesa redonda, ao lado de janelas onde se olhava para o espaço infinito, rodeados de plantas coloridas e na beira de uma pequena piscina. Às vezes Evita cozinhava torta, pois os robôs eram fracos em sobremesas. Após banquetes diários dormiam a sesta, até a hora do jantar quando comiam novamente no mesmo lugar. Depois, com o filho nos braços, Adão revistava o rumo dessa nave, calculava o tempo e a distância desse voo enquanto Fernando explorava o espaço em busca de meteoros desgovernados. Para acabar o dia jogavam alguma coisa para se divertirem. Fernando ensinara para eles o jogo do baralho e dos dados, onde competiam rindo alto. Amon-rá beijava seus pais, seus tios, pois passou a chamá-los assim com carinho, e corria a sua suíte a ver TV.

As roupas que todos usavam era a mínima possível.

Adão colocava uma calça, ficava de peito nu, sem sapatos, despenteado, Fernando preferia um pijama curto semiaberto. Mônica preferia uma bata, e Evita uma camisola até os pés, ambas despenteadas o tempo todo. Amon-rá pelo contrário preferia pentear os cabelos para trás, e usar roupas elegantes para impressionar os robôs. Calça justa como de bailarino, como era a moda de Atalanta, blusas de mangas largas, com golas altas, capas compridas nas costas até os joelhos, e um cinto na testa com uma esmeralda verde, que Adão insistia que usasse. Mas como ele ainda era imune a boneca de borracha, esse cinto servia apenas para deixá-lo mais lindo, pois combinava com seus olhos levemente esverdeados.

Na intimidade das suítes, Adão e Eva pulavam por cima de um cavalo artificial, que Adão mandou fazer antes dessa viagem. Ele sabia balançar, trotava, galopava, e para dar a sensação de estar em casa colocavam um filme de Atalanta em 360º. Depois, não davam trégua ao namoro. Se Adão seduzia sua mulher numa cavalgada, Fernando preferia as paredes macias onde atracava sua mulher assim que entravam na suíte. Numa partida de jogos, os quatros decidiram trocar de suíte, pois Fernando queria experimentar o cavalo de Adão. Evita deu alguns conselhos a Mônica para evitar as trombadas ao chão. Depois os viram caminharem abraçados para a nave contrária, enquanto eles iam para a parte posterior. Adão cruzou o túnel que unia as duas naves, iluminadas de verde, e abraçado em Evita entraram numa suíte grande onde não havia grande coisa. Uma enorme cama flutuante redonda e paredes peludas, macia, cheia de estrados em alturas diferentes. Como Evita e Adão eram da mesma altura, ela subiu numa plataforma baixa, abraçou seu amado, e o namoro de muitas horas começou. Na outra suíte, as coisas foram mais complicadas.

Mônica queria sentar de costas para se segurar nas crinas do animal artificial e Fernando queria ela ao contrário, de frente para ele. Como ele era teimoso, ela ficou de frente, e se deixou seduzir. Para piorar ela estava nos dias febris, quando as mulheres estão prontas para procriar. Bem, Fernando queria engravidá-la na noite de núpcias e ela dissera que não. Telepaticamente Mônica pediu desculpas, por todos os “nãos” de sua vida, e disse que ser mãe de um filho dele ia ser a sua maior felicidade. Fernando lhe respondeu com telepatia, pois sua boca não parava de beijar:

— Ela vai ser menina, meu amor... Igual a você em tudo...

— Achei que queria um garotinho...

Como ambos enlouqueceram com o namoro por cima do cavalo, Fernando falou telepaticamente com Adão que estava em “Lua de mel” e devolveria essa suíte em mais oito dias. Em seguida chamou o robô assistente e pediu uma bandeja de comida, almoçou com Mônica no colo e dormiu com ela deitada por cima, estendida no seu corpo forte. Ao acordar, cavalgaram no cavalo novamente, com ele encantado.

Adão contou para Amon-rá que ia existir mais uma criança nessas naves. Uma menina muito linda que, num dia no futuro, ele poderia namorar. Ele respondeu seriamente:

— Eu gamaria, pai, se ela nascesse com o cabelo vermelho como o de minha tia Ana...

— Hum... Quando Mônica tiver uns quatro meses, peça isso para a criança, pois ela vai ouvi-lo... Se ela quiser, vai fazer maquiagem intrauterina... Pode crer...

— Mas ela nem me conhece...

— Claro que sim, meu anjo... Essa menina está conosco desde que saímos de Atalanta, em forma de espírito... Sabe o que é isso?

— Fantasmas... Mas eu nunca a vi, pai...

— Será? Com sua mãe estamos juntos e nos amamos faz milhões de anos... O verdadeiro amor é eterno, filho...

— Nossa! Mas como vocês são velhos, pai...

— Isso ali... Muito velhos... E no futuro, eu sempre vou casar com sua mãe. O que acha?

— Legal... Espero que não abram mão deste filho...

— Claro que não, meu anjo... E é bom que saiba que estamos decididos com sua mãe em procurar seus irmãos das nossas vidas anteriores...

— Nossa! Quantos são?

— Uns dez, filho... Eles devem viver em algum lugar e nós vamos buscá-los, um a um...

Quando Adão viu o mundo de “L de BETA” do tamanho de uma laranja, pediu para todos vestirem suas roupas oficiais para falar no Espelho com o Comandante dos guerreiros. Adão colocou seu medalhão de ouro, camisa semiaberta, sem capa desta vez. Fernando colocou seu macacão dourado e Mônica e Evita seu uniforme verde. Ficaram frente a um vidro gigante de cor azul, onde pouco a pouco a imagem de um homem vestido de branco ficou nítida. Ele deu as coordenadas para pouso, mostrou-lhes a cidade onde deveriam abordar e a localização detalhada no mapa desse mundo.

Quando essas naves aportaram em “L”, Fernando saiu com a câmara de filmagem no ombro e Mônica com um gravador pequeno onde falava tudo que estava acontecendo, iniciando ambos os trabalhos oficiais nessa Missão. Amon-rá, que não se separava de Mônica desde que sua barriga começara a crescer, ajudou-a como o melhor assistente cinematográfico.

Notas finais
Adão contou para Amon-rá que ia existir mais uma criança nessas naves. Uma menina muito linda que, num dia no futuro, ele poderia namorar. Ele respondeu seriamente: — Eu gamaria, pai, se ela nascesse com o cabelo vermelho como o de minha tia Ana... — Hum... Quando Mônica tiver uns quatro meses, peça isso para a criança, pois ela vai ouvi-lo... Se ela quiser, vai fazer maquiagem intrauterina... Pode crer... — Mas ela nem me conhece... — Claro que sim, meu anjo... Essa menina está conosco desde que saímos de Atalanta, em forma de espírito... Sabe o que é isso? — Fantasmas... Mas eu nunca a vi, pai... — Será? Com sua mãe estamos juntos e nos amamos faz milhões de anos... O verdadeiro amor é eterno, filho... — Nossa! Mas como vocês são velhos, pai... — Isso ali... Muito velhos... E no futuro, eu sempre vou casar com sua mãe. O que acha? — Legal... Espero que não abram mão deste filho... — Claro que não, meu anjo... E é bom que saiba que estamos decididos com sua mãe em procurar seus irmãos das nossas vidas anteriores... — Nossa! Quantos são? — Uns dez, filho... Eles devem viver em algum lugar e nós vamos buscá-los, um a um...