Adão e Eva, numa galáxia distante
16 Cap. 16. Soldados Lemurianos
Notas iniciais
As naves de Adão e Fernando desceram no centro de uma cidade, em cujo aeródromo um grupo de “Soldados Lemurianos” os esperava ansiosos. Assim que abriram a porta e desceram pela escada, um corredor humano se formou na frente deles, homenageando-os. No final dessa fila o sacerdote dessa cidade estava esperando-os ao lado do Comandante Abel, um homem de 2,15m que sorria e acenava com a mão, e Caim, recém-casado, e com um guri no colo. Depois dos abraços calorosos, derramando lágrimas de emoção, Adão e Evita conheceram a nora Délia e o primeiro netinho. Evita não parava de beijar o netinho, enquanto Amon-rá era beijado pelo irmão Caim.
Em seguida, eles subiram num carro aéreo para ir ao Ginásio da Escola de Aeronáutica, para Adão conhecer sua frota estelar. Rindo às gargalhadas, Caim falava para seu pai Adão, que ele havia se aposentado de todas as guerras. Que desde seu regresso só lutava em casa, na prática de um novo esporte, portanto ele não estava incluído nessa missão. Mas, porém, visitá-los-ia no futuro, numa viagem de turismo intergaláctico.
Num salão gigante, pois nesse mundo tudo era grande, e só Fernando conseguia ser mais alto do que a média dos homens, uma mesa em forma de U os esperava. Adão sentou no centro, ladeado de sua família, para falar à multidão. Ele se emocionou, pois os olhares de admiração e respeito o assinalavam como o próprio Deus entre os homens.
Durante seu discurso, Adão explicou que todos eles teriam que ficar em “Z de BETA”, até o dia em que um filho deles assumisse o seu lugar. Dali para frente, esses filhos teriam permissão para abandonar o trabalho quando um neto deles ficasse no comando, e assim por diante até os fins dos tempos. Explicou que “Z” nesse momento era um mundo pré-histórico onde haveria de ser ensinado tudo aquilo que uma mente inferior tinha capacidade de assimilar. Depois, através dos milênios, os Lemurianos seriam os guardiões desse conhecimento, cuidando para que ele nunca caísse em mãos erradas. Também acrescentou que os cabeludos além de feios, eram assassinos, ladrões, estupradores, briguentos e traiçoeiros. Pediu que todos inventassem a melhor maneira de ensinar o amor, a fidelidade, a bondade, além de escritas simples para dialetos guturais. Ele daria para o Comandante Abel os filmes trazidos desse planeta para análise desses dialetos, estudo desses seres primitivos, e queria ideias extravagantes para a missão o quanto antes possível.
O Comandante Abel falou que todos os viajantes eram profissionais em todas as áreas do conhecimento, e haviam estudado didáticas, metodologias de ensino, e usariam o cinto na testa para estudar os dialetos dos homens de “Z”. Além disso, os acompanhariam nessa missão robôs engenheiros, para construção de duas cidades com material superior, uma delas na superfície de “Z” e a outra embaixo do mar, para viver em segurança, longe dos olhares de todos os homens. Nessa cidade subterrânea estariam as bibliotecas, os computadores, laboratórios de pesquisas e os hospitais onde nasceriam os filhos de todos eles. Disse que a frota era composta de casais abençoados por “00” e que começariam a procriar no mundo de “Z”, depois que as cidades estivessem aptas para habitar.
Depois dos discursos, o banquete teve início.
Mais ou menos uns 330 robôs apareceram voando no ambiente, com pratos decorados com arte. Foram colocando, frente a todos, petiscos para servir com a mão. Eram delícias gastronômicas onde os bolos tinham tamanho minúsculo, para ser devorados de uma mordida só. O mesmo acontecia com maioneses em cestos de massa folhada, canapés multicoloridos, decorados com azeitonas, ovos de codornas e ervas.
Depois do jantar, as mesas levitaram até encostar-se ao teto, e o salão foi iluminado por 50 lâmpadas coloridas. Uma música suave inundou o ambiente, e os guerreiros invitaram Adão a iniciar o baile com sua esposa. Caim lhe dava a maior força. Nossa! Eles nunca haviam feito isso. Haviam crescido abraçados, sentados longe das pessoas nas folias, aos beijos, enquanto Nestor e a Gangue pulavam que nem macacos. Mas, Abel deu uma de mestre, mostrando a Adão que a valsa era um passo para esquerda, um passo para direita. Rindo, eles ensaiaram, enquanto o pessoal aplaudia-os e encorajavam, pois eles na verdade eram péssimos bailarinos. Evita jurou a si mesma aprender a rebolar um dia, para não dar vexame como esse nunca mais na vida.
Enquanto os adultos bailavam, Amon-rá começou a fazer amizade com oito guris de sua idade, parentes dos guerreiros. Ele falava-lhes de seus bichos congelados, de seus planos de povoar “Z” com cavalos pequeninos, e de ensinar nas Escolas, pois os índios eram menos inteligentes que um guri como eles. Depois, pediu licença para seus pais para conhecer os jogos eletrônicos que os meninos jogavam em salas especiais. Atravessou um corredor, desceram escadas, e ele ficou de boca aberta frente aos enormes vídeos de TV onde dava a impressão que se corria atrás de bichos, ou se mergulhava, ou se viajava no espaço. Tomou os comandos e começou a fazer curvas perigosas.
Como Caim se ofereceu para cuidar do irmão, Adão e Evita saíram da festa, num carro voador, a conhecer esse mundo. Voaram na vertical, pois os edifícios não tinham fim de tão altos que eram e depois giraram contemplando a cidade, uma mistura de natureza abençoada com criatividade humana. Ao redor dela só havia areia, numa área sem fim. Voaram sobre o deserto até atingir um lago, bem longe dessa civilização fantástica.
Num lugar iluminado por três Luas grandes, Evita se estendeu na beirada de um lago, olhando as estrelas gigantes. Sentiu Adão beijando-a no pescoço enquanto suas mãos suaves apalpavam-na como sábio escultor. Depois de intermináveis beijos e carícias ardentes pularam no lago para nadar, com faziam em Atalanta. Saíram para namorar novamente estendidos nas areias, se perguntando quanto é que durava uma noite nesse mundo. Como essa noite era interminável, vestiram o uniforme ainda na escuridão, e saíram em direção ao aeroporto em busca de sua nave para terminar esse encontro de amor por cima da cama macia, onde desmaiaram ao amanhecer.
Abel veio tirá-los da vida mansa, para levá-los a conhecer as naves que os levariam ao “Mundo de Z”. Eram três aglomerados gigantes, cada um deles composto de 11 naves acopladas entre si e encaixadas uma acima da outra pelo centro delas como uma torta de grandes dimensões.
No agrupamento inferior estavam armazenados os materiais de construção, os aparelhos médicos, os livros, os computadores, os equipamentos escolares, mobílias para as casas e apetrechos sem fim. Também estavam as naves para passeios, e a nave de Adão seria colocada nesses hangares, na parte posterior, para sair ao espaço quando ele quisesse.
Os Espelhos falantes encontravam-se na segunda nave, juntamente com as hortas, e os laboratórios. Nessas hortas estavam catalogadas todas as plantas apropriadas para a cidade subterrânea, que planejavam construir em “Z”, enquanto nos laboratórios se achavam as sementes de todos os frutos de “L”, para plantar pomares com maçãs, abacates, e mais de 2.000 frutos na superfície desse mundo inferior.
A nave principal, que ficava na parte superior, era composta de 500 dormitórios, piscinas, áreas para dançar, cinemas, cozinhas, praças iluminadas para conviver, salões para fazer exercícios físicos, e outra horta cujos suprimentos alimentariam a frota durante a viagem.
Adão contou para Abel que depois de sair da Quinta Dimensão, desejava abandonar essa frota e mudar seu rumo, para visitar seu irmão em “V de BETA”. Como Abel e os guerreiros chegariam à frente achou aconselhável escolher desde já um lugar para construir essas duas cidades no “Mundo de Z”.
Na cabine de Abel, junto à sala de comandos, havia um mapa de “Z” desenhado por Espiões, dividido em linhas paralelas na vertical e na horizontal. Estenderam-no numa mesa de vidro, e procuraram por sítios onde o mar tivesse pouca profundidade, e bem longe dos encaixes das placas tectônicas. Havia um continente longo, com uma cintura ao meio, e um conglomerado de ilhas ao lado direito, ótimo para uma cidade submersa. Marcaram com alfinete, analisaram os dados geológicos, e tomaram a decisão de construí-la nesse lugar. Para a cidade que ficaria na superfície, Abel apontou um espaço relativamente perto, na beira-mar do continente. Para confirmar projetaram um filme de “Z”, olharam para o continente escolhido e sorriram, pois o ambiente escolhido era onde viviam os silvícolas mais pacíficos de “Z”.
Depois Abel os convidou para almoçar no seu apartamento, na beira de um edifício enorme, no 60º andar, onde havia uma piscina na sacada para nadar, e tomar Sol estendido em assentos longos e confortáveis. Chegando no lugar, encontraram Fernando e Mônica de chinelos no pé, Caim, Délia, o neto, e Amon-rá acompanhado dos sobrinhos de Abel, que tinham idades similares.
Durante o dia, Adão finalmente perguntou a Caim sobre Nestor:
— Como ficou seu tio, filho?
— Feliz, pai! A gurizada o adora! Eles fazem tudo o que ele pensa. Nestor nem precisa abrir a boca, que os guris correm trabalhando, estudando, limpando ruas, na verdade esses coitadinhos não sabem o que fazer de tanta gratidão...
— Mas, eu ainda não entendo o que foi que matou essa gente, filho...
— O egoísmo, pai. Nunca imaginei homens pensando apenas em si mesmos, numa sociedade de 7 bilhões de habitantes. Não encontrei amor de pai e filho, amor de homem para mulher, amor entre amigos, amor de vizinhos, só amor em si próprios. Cada um puxando o tapete do outro. As pessoas boas, os Ecologistas, os Filantropos, eram uma minoria incapaz de se impor, de tomar a liderança. Por isso foram os primeiros a morrer nos confrontos.
— Você sabe que esses espíritos estão sendo encaminhados para “Z de BETA”? Eu vou encontrá-los transformados em índios seminus. Não vai adiantar esterilizá-los, pois vão morrer e reencarnar de novo, por milhares de vezes, nesse mesmo lugar.
— Posso dar um conselho de filho para pai?
— Agradeceria, filho...
— Inicie a guerra desde já. Sem descanso, encarnação após encarnação. Fortaleça os bons, ensine-lhes a lutar e defender sua tribo com astúcia, forme um exército de guerreiros do bem, para desta feita, lutem contra o mal, sem trégua em cada encarnação. Vão evoluir como “gênios do bem”, que lutarão com a espada, com o conhecimento, com a mídia, e olhando para o futuro distante, com alta tecnologia, me entende?
— Vai ser uma guerra de milhares de anos, filho...
— E você não vai poder acompanhar... Mas, seus discípulos farão seu trabalho.
— Mas, é claro, filho... Um dia, lá no ano 6.000, mais ou menos, os mais cerebrais guiarão os homens de “Z”. Os gênios, os intelectuais, os sábios...
— Isso! Mas, não se engane. Em “V” estava cheio de livros, filmes, tudo que a intelectualidade pôde inventar para alertar os homens. Tem que haver briga, pai. Revolução. Morte. Os “soldados do bem” terão que lutar com armas, também...
— Filho, deixou-me mais confuso ainda... Bombas atômicas me aterrorizam... Eu vi os cogumelos no Espelho falante... E desta vez “00” não vai enviar guerreiros intergalácticos a limpar o chão...
— Cidades subterrâneas, pai... Construa-a aos milhares... Morrerão um dia, os assassinos da superfície... Os bons viverão entocados embaixo da Terra, e um dia sairão a replantar esse mundo...
E entre conversa e risadas, pai e filho desenharam o futuro ideal para “Z”. Um ar de otimismo tomou conta do espírito de Adão.
Depois passaram o dia nesse apartamento maravilhoso, desfrutando do reencontro, e nos dias subsequentes passearam para que Adão conhecesse cada urbe desse mundo.
Cada cidade era em si mesma um grande edifício só. Todas gigantescas. Os homens se interligavam com ruas aéreas, escadas, bondinhos, aviões voadores, e todas elas eram autossuficientes. Tudo que os homens das cidades necessitavam produziam-nas eles mesmos, numa troca de serviços e produtos onde o dinheiro era coisa da pré-história da sociedade, fazendo com isso a todos os homens iguais. Diferentes entre si apenas pelos ofícios, ou pela aparência física. Apenas isso.
Quando não havia mais nada para se conhecer em “L”, se vestiram para os festejos de despedida. Uma festa sem uniformes, pois seria com vestidos de gala.
Evita desta vez escolheu um vestido preto, aberto até a cintura, num decote cruzado que mostrava parte de seus seios. Colocou pérolas brancas nas orelhas, no pescoço, nos braços, e no tornozelo. Deixou o cabelo preto como a noite solto, além da cintura, e pintou a boca de vermelho. Délia preferiu um vestido dourado, que realçava seus cabelos castanhos, pintou a boca de vermelho vivo, e caminhou ao lado de Caim que ria o tempo todo, com o menino no colo e o irmão Amon-rá ao lado dele. Délia era alta, magra, mas de seios volumosos e caminhar sensual. Depois de Evita, era a mulher mais linda dessa noite. Pai e filho nunca estiveram tão orgulhosos de suas belas mulheres. Mônica ficou em casa descansando com Fernando, em frente de uma TV panorâmica, pois eles lembravam sempre que a Lua de mel ainda não havia terminado.
E a festa foi sem discursos desta vez.
Dançaram, riram, jantaram, e esperaram pelo amanhecer do dia, para deixar esse mundo encantador.
Na madrugada, ainda vestindo os trajes de gala, encaminharam-se ao aeródromo, onde as naves os esperavam com a as entradas abertas. No centro havia uma luz lilás, que os deixaria em seus respectivos andares. Adão abraçou Caim pela última vez, com a garganta apertada:
— Não se esqueça de me visitar...
— Vou chegar a “Z”, antes do que você pensa, pai... Com certeza com mais uns netos no colo, pois quero ter uma dúzia nesta vida...
— Ótimo, meu filho...
E subiu numa plataforma ao lado de Fernando e Abel, abraçados nas suas esposas, para o pavimento superior, onde estava a sala dos comandos. Embaixo deles, os seguiram grupos de homens e mulheres, cujas habitações as havia em andares diferentes, e que já conheciam de antemão. Amon-rá abraçado a Mônica, que filmava tudo com uma câmera no ombro, foram os últimos a subir. Deu um abraço ao seu irmão Caim, e pulou na plataforma com um pássaro no ombro, um falcão negro, pequeninho, que comia minhocas vivas na mão de Amon-rá fazia uns três dias. Como na horta havia uns 50 falcões para limpar a horta de pragas, não foi necessário levar noiva para ele.
Caim viu sua família subir, e só então começou a chorar. Délia abraçou-o, e tentou o consolar, como pôde.
— Um dia você vai ser o primeiro filho deles, mais uma vez.
— Pois é, na Pré-história da Terra eu era sempre o maior, e meu pai demorava a ter os outros irmãos... Mas, agora, esse pirata de olhos verdes não vai permitir, não...
E começou a gargalhar. Foram os últimos a sair desse aeródromo, que ficou desolado depois que essas naves desaparecerem.
Quando Adão deu o sinal de partida, sentado numa poltrona macia com Evita ao lado e seu filho entre ambos, vinte pilotos mexeram os controles e as três naves subiram devagar, verticalmente. Enquanto ascendiam, os guerreiros acenavam para as famílias, que chacoalhavam lenços coloridos nas janelas dos edifícios. Saíram para o espaço, e a seguir elas simplesmente desapareceram de todos os radares. Abel e Adão marcaram o rumo direto para a Constelação do Dragão, na Quinta Dimensão, quando Adão desviaria para “V de BETA”.
Amon-rá, a única criança dessas naves, em pouco tempo tinha ao seu lado uma nutricionista que cuidaria de sua dieta, uma costureira desejando fazer roupas para ele, uma professora que esperava ensinar-lhe a pintar óleo sobre tela, e um médico querendo examinar sua saúde completa. Havia até um veterinário querendo examinar o falcão. Para cúmulo, seus pais, que poderiam livrá-lo de tudo, estavam rodeados por 50 pessoas almejando coisas mais sérias. Amon-rá tentou pedir socorro a Fernando e Mônica. Como ambos estavam trancados na suíte, ele se entregou aos Lemurianos com resignação.
Nos dias que se seguiram, os professores da frota apresentaram para Adão um jogo de cordas, para o estudo da matemática, além de outros sistemas didáticos com círculos, com quadrados, como se ensinava aos meninos menores na Escolinha Infantil. Adão aprovou as ideias, e pediu continuar inventando símbolos. Também sugeriu sondar seu filho Amon-rá, que inventara escrituras simbólicas bem primitivas, com variados desenhos em cada.
Depois, Adão foi levado a uma sala para ver como os médicos pensavam cuidar da saúde dos homens de “Z”. Ele conheceu o sistema de Acupuntura, Reflexoterapia, Massoterapia, Massagem através de pancadas fortes na coluna, e a Yoga. Também experimentou irradiação de mãos sobre o doente. Em seguida, conheceu máquinas para observar os ossos, e os órgãos principais para detectar anomalias. Adão perguntou-lhes se sabiam o que era câncer e eles deram uma explicação brilhante, cuja cura residia na irradiação com luz vermelha, para reduzir o tamanho do tumor. Depois havia que puxá-lo do corpo com sondas e agulhas.
Na sala de cirurgias, ficaram frente a um corpo artificial para esclarecimento de extração de tumores, ou corpos estranhos como pedras no rim, pedras na vesícula, que eram as doenças mais comuns num mundo inferior. Envolviam o abscesso com a luz vermelha reduzindo-o ao tamanho de uma ervilha. Depois introduziram a mangueira que aspirava ao apostema. Antes de restaurar a pele, passavam sobre o pequeno buraco uma solução para recuperação dos tecidos.
Adão ficou encantado, e fez uma demonstração de suas qualidades médicas, que eram um pouco diferentes. Com a ponta do dedo mindinho, fez uma abertura com a unha, de 10 cm., no momento que todos gritavam um “ooiii” coletivo. Entrou a mão no corte da pele, colocou o dedo no tumor, e o desintegrou. Puxou a mão, enquanto os tecidos grudavam, cicatrizavam, sem deixar marca nenhuma da ferida manual. Rindo, Adão falou que era uma piadinha, pois isso havia sido uma cirurgia para animais selvagens. Acrescentou que em Atalanta os homens eram tratados diretamente no cérebro, em cujo lugar estava a origem de todos os males do ser humano. Abriu o boneco na parte da cabeça e foi assinalando, como num mapa, onde estavam à origem do câncer, das pedras do rim, dos cálculos biliares, desmaios etc. Bastava introduzir uma luz violeta até esses pontos, para acabar com a dor, o sofrimento e os tumores. Como os médicos ficaram fascinados, nos dias seguintes ele passou a dar aulas de medicina superior, no fim do dia, depois de sua sesta.
Com Adão dando aulas de medicina e seu filho ensinando desenhos para dialetos primitivos aos professores, Evita começou a fazer turno na cabine de comandos para demolição de entulho espacial. Sentava numa cadeira macia, olhava para a escuridão, dilatava as pupilas e desintegrava detritos em linha reta, para essa nave passar pelo meio da imensidão em segurança. Quando um soldado chegava para substituí-la, saía atrás de seus homens. Encontrava-os nos lugares mais inesperados, pois além de lecionar, haviam cismado em estudar o que os mestres queriam informar para eles. Amon-rá passou a ter aulas de caligrafia gótica em Latim, onde escrevia com letras complicadas, e Adão sabia fazer exame de tumores com computadores, fotografias internas, enfim.
Fernando e Mônica filmavam o dia-a-dia dessa nave, e, de vez em quando, jantavam com Evita e Adão no fim do dia, nas praças iluminadas com flores, música e onde as conversas eram animadas e deliciosas.
Como havia salas para dançar, depois da janta Adão enfrentava suas aulas junto com os bailarinos rindo sem parar, pois ele era péssimo nisso, não tinha ritmo nem remelexo. Evita, pelo contrário, subia sua blusa e a amarrava embaixo dos seios. Depois abaixava a saia, para mexer seu umbigo engraçado, ao lado de suas novas amigas. Depois provocava seu homem, que olhava fascinado suas reboladas. Mas, a paciência de Adão para suportar barulhos de discoteca durava pouco, e se retirava das festas para sua suíte. Na intimidade, sentavam frente a frente numa cadeira dupla, com dois respaldos altos para descansar as costas, e faziam-na mexer lentamente, aumentando o ritmo dessa cadeira na medida em que ficavam loucos de paixão.
Fernando, na suíte ao lado, deitava sua barriguda por cima de almofadas macias, e não a deixava fazer nada, além de abrir a boca para beijá-lo. Depois de fazer amor, dormia abraçado nela em forma de conchinha.
Amon-rá, com três robôs a sua disposição desta vez, tomava banho de piscina, vestia o pijama e ficava lendo revistas próprias para crianças até altas horas da noite. Dormia, acordava no escuro, preparava um lanche e ligava a TV para se sentir em casa. Colocava seus filmes favoritos, ele mesmo em Atalanta junto da família. Dormia novamente e acordava cedo, quando o robô trazia seu desjejum suculento. Saía para os Comandos, conversava com os pilotos, depois buscava seus amigos professores para estudar, ou ia direto para a biblioteca onde havia livros fascinantes. Depois do almoço, gostava de ver cinema, onde havia filmes próprios para ele, até a hora do lanche do meio dia. Dali para frente andava perto dos pais, até a hora de jantar. Sempre com seu pássaro no ombro.
Depois de 2 meses estelares dessa rotina, eles entraram na Quinta Dimensão.
Abel providenciou suprimentos para a nave de Adão, acoplada à nave de Fernando e num encontro da cabine de pilotagem lhes marcou a rota até a Sexta Dimensão. A seguir marcou o endereço de “V de BETA” e depois até “Z de BETA”, com ambos os planetas bem próximos um do outro, pois faziam parte da Via Láctea. Uma Galáxia jovem, forte, e que possuía vários planetas primitivos incipientes.
Depois de uma festa de despedida, e com o mapa estelar embaixo do braço, Adão deu um abraço nos seus mais recentes amigos, e subiu na sua nave com sua família. Fernando e Mônica subiram atrás, ela com uma barriga pronta para explodir.
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