Adão e Eva, numa galáxia distante

14 Cap. 14. Mônica e Fernando


Notas iniciais
Quando sentiram os pontapés do filho na porta do dormitório, era a manhã do dia seguinte. Rindo, Evita abriu a porta ao pirata, que pululou na cama sem pena. Cavalgou aos berros por cima da barriga de Adão e depois lutaram com socos. A bagunça só parou quando Evita e o carrinho com os prazeres do desjejum chegaram. Delícia. Pai e filho estavam morrendo de fome. Ela preparou-lhes panquecas com mel de abelhas, salada de frutas, sucos de abacaxis e de tomates, descongelou uma torta de morangos, esquentou pão com queijo derretido, leite frio para Adão e vitamina de frutas para o filho. Completava o banquete matutino um bule quente com chá preto, pois Evita era viciada em chás e gostava de saboreá-lo nas suas lindas xícaras de porcelana.

Durante a longa jornada de Nestor, Adão acompanhou o trabalho dele passo a passo, frente ao grande espelho do templo, às vezes acompanhado de Evita, em outras ocasiões com sacerdotes. Eles avaliavam os resultados, e finalmente retransmitiam as novidades para todos os Mundos Superiores. Afinal, nesse lugar do Cosmos o conhecimento entre os mundos se retransmitiam dessa maneira, e a guerra nuclear era a matéria do momento.

Uma vez sozinho, Adão analisava tudo novamente, escrevia gráficos, e pesquisava em laboratório sobre os efeitos colaterais das bombas bacteriológicas. Também calculava o poder de contaminação entre os homens e quando tudo ficava escuro e sem respostas consultava para os gênios de “B de BETA” dados específicos, através desse espelho do templo. E depois lia e voltava a ler tudo que recebia: — “O trabalho dos Demolidores havia sido perfeito. As cidades desapareceram sem envenenar nem o ar nem o chão com restos de podridão. Haviam sido evitadas pestes, que sempre apareciam depois de uma guerra. Dos quatro males da humanidade, a guerra, a peste, a fome e a morte, em nesse mundo só havia acontecido uma guerra. A terra estava limpa, o ar sem nenhuma radiação, os sobreviventes sadios, o mato cheio de comidas e os responsáveis pela destruição do planeta castigada e evacuada para um mundo selvagem”.

Mas na casa de seu pai, Adão trocava conversa com ele, pois Adão achava que, seguindo coordenadas diferentes, poderiam ter salvado metade da população mundial. E se perguntava:

Por que motivo seu irmão deixou que os homens se matassem até o fim? Por que não parou a guerra no dia que chegou nesse mundo? Eram tantas as perguntas e tantas as incógnitas. Seu pai tentava passar para ele coisas que só a velhice ensina:

— A vida humana não nos pertence, filho. Ainda não somos Anjos. Apenas candidatos para Anjo, ou Estagiários. E seu irmão ganhou a nota máxima. “00” está mais do que satisfeito com seu trabalho... Eu também não entendo muito, imagine condenar homens a nascerem cobras. Só de pensar nisso, eu fico arrepiado até os ossos...

— Quer dizer, pai, nós não podemos mudar os destinos de ninguém, nem alterar o futuro?

— Mas, raciocine comigo, Nestor salva metade desse mundo, mas para quê? Os homens desse planeta compravam menininhas, violentavam-nas em casa, transformavam-nas em escravas, surravam-nas, matavam as filhas recém-nascidas. Você acha que com palavras a frota de Nestor poderia ter mudado os costumes deles, do dia para a noite? Mudar os destinos de um planeta é coisa para Anjo... Eles são os únicos que recebem a “Espada da morte”... Os únicos com licença para decidir sobre o destino e a vida de todos os homens...

— Estou tão desconcertado, pai... Como evitar que homens se matem como animais? Estou com medo pela primeira vez. Será que vou dar conta do recado, pai?

— Escute somente seu coração, filho. Nunca se aconselhe com ninguém, além de você mesmo. Com certeza você vai salvar “Z de BETA”, como seu irmão salvou esse planeta.

— Mas pai, eu não quero “Z” no meio de um extermínio atômico como aquele... Como é que vou evitá-lo?

— Você pode evitá-lo educando-os, mais do que isso não vai poder fazer. Se os cabeludos de “Z de BETA” destroem seu mundo reencarnarão no futuro como baratas, abelhas, ou quem sabe moscas. Já imaginou um homem voador comendo merda? Não se atormente antes de tempo, filho, não esqueça de que eles ainda não sabem nem escrever... A propósito ganhei um presente de seu irmão, enviado de “V”, antes de esse mundo soterrar seus tesouros. Ele resgatou-o de uma loja de brinquedos e quer que nós descubramos como é que se joga... Não consigo decifrar as instruções, olhe aqui na sala, filho...

No centro da casa, uma mesa baixinha decorada com quadrados, estava na espera.

Por cima dela, havia várias figuras nas cores preto e branco, esculpidas com grande arte, um casal de reis, dois cavalos, duas torres, dois sacerdotes e vários homens pequeninos. Adão virou a mesinha onde tinha uma escrita muito primitiva, e foi colocando as figuras cada uma em seu lugar. Na verdade era um jogo de guerra. Quem imobilizava o rei, ganhava a partida. Todas as peças tinham movimentos diferentes. Algumas pulavam como o cavalo, outras avançavam um quadrado de cada vez e a rainha era a que mais se mexia. Ela praticamente era a peça principal do jogo.

Quando Evita chegou à casa dos sogros com Amon-rá no colo, encontrou seu marido com seu pai “mudos” pela primeira vez na vida, e, além disso, convertidos em “estátuas”. Eles mal respiravam olhando para as peças no tabuleiro. Ela viu a beleza dessas figuras e começou a estudar como fazê-las maiores, esculpidas em ébano e pinho, para dar a diferença nas cores. Enquanto isso, Amon-rá, olhou as peças pretas de seu avô, pegou um cavalo, pulou sobre uma torre branca e falou:

— Xeque mate...

— O que é isso, filho?

— Significa “morte ao rei”.

— Mas, em que dialeto?

— Nenhum. Eu inventei sozinho...

Depois que Adão se convenceu de que não havia salvação para seu rei, seu pai tomou Amon-rá no colo para festejar a vitória, beijou-o, e disse-lhe:

— Meu neto, você vai ser um gênio quando adulto. E desde já estou muito orgulhoso...

O menino se abraçou ao seu avô no pescoço com amor verdadeiro, enquanto Evita olhava para ele com os olhos úmidos. Depois, olhou para Adão, e se perguntou a si mesma a qual deles amava mais. Como deu empate, beijou Adão docemente, cujo rosto estava triste por algum motivo.

Tarde da noite, eles voltaram para casa, caminhando pelo mato, com Amon-rá sentado nos ombros de Adão, agarrado nos seus cabelos, gritando como um índio em cima de seu cavalo. Na verdade, ele era abusado, malcriado, pois tanto Evita quanto Adão faziam todas as suas vontades.

Chegando a casa, Adão deu-lhe um beijo, e enviou-o para ir dormir imediatamente. Ele, que sabia que era pequeno demais para evitar o dedo hipnotizador, obedeceu antes que seu pai o convertesse num robô, caminhando como um idiota. No dia seguinte, ele se vingaria. Acordaria cedo, daria três pontapés na porta da suíte e depois tomaria o café da manhã sentado entre ambos.

Adão, que adorava o pirata, viu-o subir a escada, entrar no quarto, cair no sono com roupas, pois ele era preguiçoso para colocar pijamas e perguntou para Evita se não estava na hora de enviá-lo para a Escolinha Infantil.

-Bem... Ele já sabe mais do que você sabia nessa idade... O que é que ele vai estudar?

— Mecânica, ele vai adorar fabricar máquinas... Eu acho que é isso...

Como Adão estava depressivo, Evita invitou-o a nadar na “Ilha do amor”, onde namoravam quando eram noivos. Hipnotizaram Amon-rá num sono pesado, deixaram um robô aos seus cuidados, subiram num carro aéreo e voaram para essa Ilha. Pousaram nas areias brancas, nadaram, e no meio das ondas os beijos começaram. Deitaram sobre uma rocha, no meio do mar, onde Adão estendeu-se de costas olhando para as estrelas e as Luas de Atalanta. Tudo era tão harmonioso, tão perfeito, pois até o silêncio tinha seu som. Nenhuma nuvem escurecendo o luar, nenhum cheiro de poluição destruindo as camadas de ozônio. As águas se agitavam ao redor, numa sinfonia majestosa, que só a natureza sabia cantar. E tudo isso ia ficar para trás depois da partida.

Adão sentiu sua mulher acariciando-o do pescoço até os pés, suas mãos percorrendo-o por inteiro, sua boca deixando-o louco, pois tudo fazia parte do ritual do amor perfeito. Quando o Sol começou a raiar no horizonte, desgrudaram as bocas para olhar as maravilhas da natureza e receber o astro como faziam os Anjos. Adorando-o. Depois nadaram, mergulharam, e continuaram a namorar deitados nas areias quentes, onde Adão se dedicou a beijar e acariciar esse corpo perfeito. Vestiram as roupas, subiram no carro, e voaram para casa. Como Adão continuava deprimido, comeram no balcão da cozinha e em seguida rolaram na alfombra, ao lado dessa lareira quente. O robô havia colocado bastante lenha desta vez.

Quando sentiram os pontapés do filho na porta do dormitório, era a manhã do dia seguinte. Rindo, Evita abriu a porta ao pirata, que pululou na cama sem pena. Cavalgou aos berros por cima da barriga de Adão e depois lutaram com socos. A bagunça só parou quando Evita e o carrinho com os prazeres do desjejum chegaram. Delícia. Pai e filho estavam morrendo de fome. Ela preparou-lhes panquecas com mel de abelhas, salada de frutas, sucos de abacaxis e de tomates, descongelou uma torta de morangos, esquentou pão com queijo derretido, leite frio para Adão e vitamina de frutas para o filho. Completava o banquete matutino um bule quente com chá preto, pois Evita era viciada em chás e gostava de saboreá-lo nas suas lindas xícaras de porcelana.

Amon-rá começou a frequentar a Escolinha, contra vontade dele.

Rindo, Adão lhe dizia que um “fofolete” era igual a montar no pai. Podia dar pontapés, puxar orelhas, pois eles adoravam isso. Depois o acompanhou no primeiro dia nessa Escola, mostrando para ele as panteras negras, as cobras de 10 metros, e contando-lhe que foi nesse primeiro dia de aulas, que ele se apaixonou por Evita. Amon-rá, que era imune a mulheres, mexeu a cabeça, não acreditando em nada disso, e entrou numa sala com 40 guris, sérios, dedicados a estudar.

Na verdade, o filho tinha abusado do amor deles. Como Evita adorava o malandro, ele sempre estava no meio, escutando histórias de livros, ou olhando filmes em frente da TV. Nas horas de comer, na piscina, ou durante passeios estava sempre no colo da mamãe, ou no colo do papai. Adão ficou olhando-o por algum tempo, perguntando-se se estava fazendo a coisa certa, pois o dialeto que o mestre falava dentro dessa sala de aula, Amon-rá já sabia de cor. Sorriu para ele pela última vez e regressou para casa onde Evita o esperava de camisola e uma bandeja cheia de delícias.

Dali para frente, a vida deles voltou a ser de amor o tempo todo. Assim que Adão voltava da Escolinha, atacava fundo no café da manhã, entremeado com beijos na sua mulher. Almoçavam na cama, olhavam televisão, e o amor reascendia com o alimento. Quando era o momento de buscar o filhote, Evita ia buscá-lo no carro, enquanto Adão subia em Belzier para ir até o hospital, embora só fosse obrigado a trabalhar uma vez por semana. Mas quando uma parturiente aparecia de surpresa, Adão saía de casa ao galope para receber a criança no fundo desse aquário.

Cada vez que João invita-os para jantar, chegavam nessa fazenda os três abraçados. Amon-rá pulava nos braços do avô, contando que estava adorando aprender a pintar de verdade que nem a mãe. Ele sempre trazia algum desenho embaixo do braço para mostrar à família. Eram figuras humanas engraçadas todas de perfil com grandes olhos, ombros de frente, e os braços em postura de dança. E em todos os desenhos, ele escrevia histórias em dialetos primitivos, onde ele inventava a caligrafia. Só que esses textos eram o maior divertimento da família. Os desenhos eram bem pequeninos, em poses muito variadas, e só Amon–rá sabia-lhes o significado.

Conforme os sacerdotes de Atalanta, Amon-rá era um gênio, tão precoce quanto o pai Adão e o tio Nestor. Como Adão já era Comandante de uma missão, o destino de Amon-rá seria traçado por “00”, no “Mundo de Z”, em pessoa.

Mas, antes de Amon-rá terminar seus estudos nessa Escolinha, chegou ao aeroporto de Atalanta um casal de astronautas, desde o “Mundo C de BETA”.

No centro do aeroporto de Atalanta, Adão os esperou vestindo seu uniforme branco de Comandante, pois eles faziam parte de sua frota de guerreiros para a missão “Z”. Na verdade a abordagem desse casal marcava que a longa jornada, no meio da escuridão, estava para começar. Eles eram cronistas, que faziam trabalho de registro histórico quando uma missão acontecia em algum Mundo Inferior. Carregavam máquinas fotográficas, filmadoras, lentes especiais para analisar esqueletos humanos, e um artefato estranho que media o tempo e as características dos achados arqueológicos.

Fernando era enorme, gigante, uns 2.30 de altura, e sua esposa Mônica era tão magra, que dava a impressão que ia se partir em duas, como uma formiga. Sua cintura era mínima, seus cabelos curtos, loiros, e seus olhos azul-claros, lindíssimos. E como presente, eles entregaram em mãos um documentário do Mundo de “Z de BETA”, cujos registros haviam sido filmados por 3 Espiões.

Evita e Mônica simpatizaram imediatamente e sentaram no carro aéreo na parte posterior, para que os maridos se conhecessem, no assento da frente. Fernando contava que eles também eram Demolidores, de alta potência e podiam desintegrar um planeta num olhar. Adão, para não ofendê-los não falou que Evita podia desintegrar uma Galáxia. Mas ficou sério quando Fernando disse que entre “V e Z de BETA” havia tantos detritos no espaço, que atravessar a imensidão iria ser terrível.

Chegando a casa Evita serviu o almoço, composto de sopa verde de legumes, empadas de cogumelos, milho com molho branco, pastelão de legumes, saladas com ovos de codorna, azeitonas e óleo de olivas por cima, e de sobremesa serviu gelatinas com frutas, e cremes de 4 cores caindo por cima em forma artística. Também havia trazido sorvetes do supermercado, iogurtes, bananas, pois Evita achava que os convidados iam ficar com fome.

Enquanto se conheciam, falando os quatro ao mesmo tempo, Fernando contou que eles estavam recém-casados e que essa viagem seria sua Lua de mel. Adão contou que eles ainda não conseguiam sair dessa Lua de mel, pois ele trabalhava pouco e Evita o provocava o tempo todo. As gargalhadas começaram a aparecer mostrando o quanto os quatro se dariam bem. Mais tarde Evita os convidou a ocupar um aposento para dormir a sesta, pois ao anoitecer iam ter uma festa oficial de boas-vindas na casa de seus pais, onde todos seus amigos estariam presentes para conhecê-los.

Como Adão havia anunciado que passaria a visitar Nestor, em “V de BETA”, a Gangue queria enviar cartas, lembranças, fotos dos filhos, piadas gravadas em disco, documentários de todos eles, e agora queriam que Fernando filmasse essa festa para registro histórico. Todos queriam falar frente às câmaras, para fazer chorar o loiro, onde quer que ele estivesse.

Ao entardecer, Adão e Evita deixaram os convidados na casa de Dina, e foram buscar o filho. Adão retirou-o das aulas e Amon-rá ficou feliz, pois voltaria a dormir até tarde, acordaria seus pais com pontapés na porta e ficaria em casa olhando TV. Mas Adão cortou seus planos falando sério de homem para homem. Contou-lhe da viagem, da despedida da família, da chegada dos amigos de “C”, e avisou que nunca mais veria essa cidade nem essas pessoas. Ele começou a chorar baixinho. Ele só ficou feliz quando soube que era a primeira vez que um homem com 5 anos partia para uma Missão. Ele era o recordista. Ninguém em Atalanta havia cruzado o espaço com essa idade num encargo tão importante. Amon-rá poderia, quem sabe, ensinar a uns homens primitivos a ler e escrever.

— Será, pai? Não está me enrolando, ou está?

Evita falou:

— Que é isso, filho, seu pai é o homem mais honesto deste mundo...

Adão caiu na gargalhada. O pirata estava começando a ler seus pensamentos...

Quando chegaram à casa de João, havia a baderna de sempre.

Gente comendo, rindo, fazendo piadas por cima de Fernando cujo apelido de “elefante” caiu por cima dele assim que chegou. Desta vez, tudo era filmado pela Mônica com uma câmara no ombro, enquanto Fernando gravava entrevistas com microfone e ria às gargalhadas. Ele estava adorando o bom humor do povo de Atalanta.

Mas, Dina e João, sentados quietos num canto, estavam arrasados.

Joana estava morta, Ana num Mundo selvagem, Mariuska e Tathiane passavam mais tempo em Esparta do que em Atalanta e finalmente Evita partiria e nunca mais a veriam. Ficariam órfãos de filhas “para sempre”. Por esse motivo, Dina havia pedido ao marido que a engravidasse de 15 homens desta vez e enquanto essa festa acontecia, ela estava prenhe de quatro meses. Mesmo assim, eles estavam sedados com calmantes para não se derrubar com a partida da última filha.

Nos dias seguintes, Adão inspecionou pessoalmente o acoplamento da nave de Fernando com a sua, cuja conjuntura adotou uma forma de borboleta. Grudaram lado a lado, abriram um corredor, que se converteu num grande salão com jardins e assentos. Depois ele iniciou a revisão de tudo que havia dentro delas, a horta, as cozinhas, e as reservas alimentares. Adão condicionou os robôs, para tarefas diferenciadas, e selecionou mais 10 robôs Demolidores de meteoros candentes.

Depois pediu para Evita pôr o que ela quisesse, em três depósitos enormes.

Ela pediu ajuda a seu pai para levar no caminhão suas esculturas, seus cristais, porcelanas, alfombras, seu tear, tintas, telas, pincéis, formões, martelos, tudo o que necessitava para trabalhar sua arte. Conforme os filmes de Fernando, esse mundo tinha ovelhas com lã, para fazer fios para tecidos, pedras maravilhosas para derreter e transformá-las em vidro, terra para porcelana, ébano no mato para esculpir. Para prevenir, engavetou sementes de algodão, aniagem, linho, como também de mime e taquara, para fazer cestos. Lembrando-se da Ana carregou dez máquinas de costura, agulhas, linhas, para costurar durante uns 100 anos.

Amon-rá, que teria nessa nave uma suíte de gente grande só para ele, decidiu levar todos seus brinquedos, todos seus bichos de estimação, todos seus livros, toda sua roupa, e ficou pasmo quando percebeu que nessa suíte não entraria tudo isso. O que é que ia fazer? Inspecionou a nave de Fernando e sorriu! Sobrava espaço para carregar com tudo aquilo. E com seu melhor sorriso, explicou para Mônica que viver sem seus animaizinhos ia ser impossível. Ia morrer de dor. Contou-lhe dramaticamente que seu cavalo havia nascido no mesmo dia em que ele nascera e que era pequenino, não ia ocupar muito espaço, além do que, poderiam colocá-lo numa geladeira, para ele não incomodar durante a viagem. E como encerrou o discurso com lágrimas nos olhos, ela se derreteu toda. Quando Adão viu esse pônei convertido em picolé, suspenso no ar, no meio do caminho da nave central, ficou pasmo, pois além do cavalo havia 5 tartarugas escondidas embaixo das cadeiras, 50 peixes coloridos num aquário embutido, 60 passarinhos na horta comendo as bananas sem dó, e um cachorro peludo escorregando nos corredores, e latindo loucamente.

Mexeu a cabeça e não teve coragem de desfazer o feito.

Para piorar, teve que acrescentar uma fêmea para o cavalo, um macho para as tartarugas e uma cachorra peluda, pois nenhum animal podia viajar sem par. Depois, abriu uma geladeira maior, e colocou toda a bicharada a dormir um longo sono, para não perturbar durante essa viagem. Adão falou para o filho que noiva para ele não ia incluir, pois em “Z” havia índias de sua idade, para ele um dia casar e ser feliz. Ele sorriu, pois achava que seu pai ia dar-lhe uma bronca.

E, por último, Tathiane e Percis vieram tomar posse dessa casa de madeira. Tathiane estaria mais perto de Dina e João, para consolá-los dessa viagem, e cuidariam de Belzier, das panteras, de 8 gatos, e daria de comer para mais ou menos uns 50 bichos que apareciam perto de casa todos os dias. Adão e Evita deixavam bananas penduradas de galhos para macacos, pratos com frutas para uns 20 guaxinins, nozes para, quem sabe quem, e Evita a fez jurar que faria isso pela eternidade.

Como João estava com depressão profunda, não teve festa de despedida para eles. As duas famílias e a Gangue preferiram ir até o Aeródromo ver partir as naves, e Adão achou ótimo, pois ver chorar as mulheres era terrível.

Todos ficaram atrás de uma vidraça olhando as naves subirem lentamente, com Amon-rá, Adão e Evita fazendo sinais de adeus nas janelas. Depois essa nave simplesmente desapareceu no ar, e ficaram olhando as estrelas, sem falarem nada, abraçados e entristecidos.

Adônis disse que um dia, em ALPHA, todos os que partiram, e eles mesmos, iriam ser novamente uma grande família e nunca mais se separariam. Era só esperar pelas vidas futuras. Depois Percis convidou todo mundo ir à casa a fazer qualquer coisa para matar a dor. E uns a um subiram em carros voadores, e cruzaram o mato rumo a essa casa, que um dia fora de Evita e Adão.

João e Dina preferiram subir num navio, visitar as Ilhas e ter o filho no fundo do mar.

Notas finais
Amon-rá, que teria nessa nave uma suíte de gente grande só para ele, decidiu levar todos seus brinquedos, todos seus bichos de estimação, todos seus livros, toda sua roupa, e ficou pasmo quando percebeu que nessa suíte não entraria tudo isso. O que é que ia fazer? Inspecionou a nave de Fernando e sorriu! Sobrava espaço para carregar com tudo aquilo. E com seu melhor sorriso, explicou para Mônica que viver sem seus animaizinhos ia ser impossível. Ia morrer de dor. Contou-lhe dramaticamente que seu cavalo havia nascido no mesmo dia em que ele nascera e que era pequenino, não ia ocupar muito espaço, além do que, poderiam colocá-lo numa geladeira, para ele não incomodar durante a viagem. E como encerrou o discurso com lágrimas nos olhos, ela se derreteu toda.