Notas iniciais
Fernando e Mônica tiveram que se mudar para um departamento na própria universidade de Lemúria, para lecionar cartografia e geografia e cuidar da filha. Foi a vez dos “Deuses” robôs entrarem no trabalho amoroso, pela segunda vez. O cabelo de Noemi enlouqueceu a tribo dos maias, e assim que encontraram um robô com cabelos vermelhos, iguais aos dela, a sedução em cima desse robô se iniciou, com mulheres trazidas das tribos indígenas.

Na escola de Lemúria, Areti ingressou na Escola de Alfabetização, junto aos recém-chegados enquanto Noemi entrava na Universidade com os chineses, egípcios, maias, sumerianos, indianos, e uns 200 colegas de Atlântida. Fernando e Mônica tiveram que se mudar para um departamento em Lemúria, para lecionar cartografia e geografia e cuidar da filha.

Foi a vez dos “Deuses” robôs entrarem no trabalho amoroso, pela segunda vez. O cabelo de Noemi enlouqueceu a tribo dos maias, e assim que encontraram um robô com cabelos vermelhos começou a sedução em cima dele, com mulheres trazidas das tribos. Para não dar maus exemplos para a garotada, os robôs com cabelos vermelhos iam para as Aldeias desta vez, deitavam com as índias num templo, erigido na sua homenagem, como uma pirâmide com escadas. Os “Deuses” entravam num recinto que havia no alto das pirâmides. Dentro dele, havia uma cama de pedra, onde as moças se deitavam de costas, na espera de serem possuídas. Os Deuses robôs então, as mantinham no clímax até desmaiarem exaustas. Em seguida, injetavam a medicação na coluna para mudar o DNA. As moças desciam as escadas adormecidas, nos braços de outros robôs, e eram entregues à família.

E, antes desse ano terminar, as primeiras meninas de cabelos vermelhos e ruivos nasceram na tribo dos maias.

Enquanto isso, a professora Eva iniciou suas aulas de pintura, escultura e cerâmica, com 20 alunos, com uma fila de espera de muitos alunos, pois todos queriam aprender sua arte. Havia outros mestres como ela, mas, sua fama a precedera com suas obras espalhadas nas paredes.

Para aprimorar o aprendizado, Eva iniciou suas aulas com o desenho da figura humana, com estudo das proporções. Ela escolhia um aluno musculoso, o fazia ficar na frente, e depois explicava que a beleza dos homens estava na matemática oculta. Ensinou o cânone de 7 cabeças, pois os antigos homens da Terra eram baixinhos, máximo 1,60 m. de altura. Faziam exercícios com carvão por cima de finos papéis vegetais. Os alunos que dominavam o desenho entravam nos ateliês de escultura, a entalhar em madeira, mármores, granitos, pedra-sabão, com martelo e formão, em aulas ao ar livre. As mesas eram levadas para fora da Universidade, tanto por causa do barulho das marteladas, quanto por causa da sujeira. Assim que terminavam as aulas, Eva desintegrava o lixo com seus olhos, deixando os discípulos mais uma vez com a boca aberta. Prometia ensinar “demolição” só a quem tirasse o primeiro lugar no dia da formatura.

Para ensinar cerâmica, Eva teve que pedir ajuda aos chineses. Percorreu com eles o interior do mato, em busca de argila, caulim, feldspato, areias finas, e teve alguns que sugeriram a mistura de carvão vegetal. Também recolheram amostras de terras coloridas, para pintar como engobes. Depois solicitou ajuda aos químicos de Atlântida, para fabricar esmaltes de vitrificação. Algo um pouco mais complicado. Também pediu 10 tornos, e a construção de 5 fornos para queima, além dos coxos para mistura das argilas. Como os chineses já sabiam tornear e eram excelentes ceramistas, Eva escolheu cinco alunos como ajudantes.

Foi dessa vez de Eva conheceu o cansaço.

Eva e Adão levantavam cedo, e partiam para Escola com Areti. Entravam no enorme refeitório onde o café suculento era servido pelos robôs cozinheiros, para dar beijos em Inês e Rama, e desfrutar da vida em família. Logo chegavam Fernando, com Mônica e Noemi, e a família ficava maior. Depois separavam-se. Noemi ia para as aulas de medicina, Fernando e Mônica a dar aulas de cartografia. Adão ia para o Ginásio ensinar esgrima, Eva para os ateliês, e Areti entrava numa sala a estudar sumeriano, sua primeira língua.

Na hora do almoço, se juntavam pela segunda vez. Inês e Rama, ambos na Universidade aprendendo Construção e Medicina, correndo, e falando das novidades dessas aulas, onde tudo era novidade. Fernando e Mônica chegavam juntos, com Noemi. Comiam e usavam a telepatia para falar. Adão insistia que Rama e Inês também estudassem em Atlântida, pois Parapsicologia era algo que só se aprendia naquele lugar. Mas Rama não mostrava muito interesse. Falava que sabia ler nos olhos das pessoas, e cheirava venenos de longe. Mas Inês gostou de aprender a usar a mente e começou exercícios com Eva, nos fins de tarde, quando Rama e Adão lutavam no Ginásio. Estudou também levitação, e só não conseguiu demolir nada. Como Areti estava sempre junto, riam às gargalhadas, pois Areti podia fazer desaparecer pedregulhos com muita facilidade.

Ao pôr do Sol, mestres e alunos invadiam o refeitório pela última vez. Jantavam, escutavam música, e a maioria ficava por lá, à vontade. Tinham os alunos que adoravam filosofar sobre a vida e se enveredavam em longas discussões. Também havia os esportistas fanáticos que saíam a correr ao redor da cidade, e os casais que se perdiam no matagal para namorar.

Nenhuma briga em nenhum lugar. Os recém-chegados, que conseguiam finalmente encarar uma comunicação verbal, através da língua sumeriana, timidamente sentavam ao lado dos mais velhos para escutar suas palavras. Poderia se dizer que nesse canto do mundo nascia o entendimento entre as pessoas. Começaram a usar o discernimento para avaliar o que era a vida, e a analisar, principalmente, a injustiça que havia entre os homens da terra.

E o tempo rolou mais uma vez, na doce rotina.

Com passar do tempo, Adão lecionou cirurgia, além dos esportes, e Eva deixou a escultura para outros mestres. Ficou com ensinamento de murais, tanto com pincel quanto de mosaicos. As paredes do Ginásio foram todas decoradas, num trabalho que demorou quase um ano. Foram pintadas cenas esportivas com a técnica do afresco. Por fora colaram pedacinhos de cerâmica coloridos, em forma de mosaicos, com cenas do mato, sua fauna, e seus homens. Índios nus na floresta, em poses diversas, ficaram lado a lado, com fundos onde o céu e as águas do lago completavam a maestria dos trabalhos.

Para encerrar o trabalho de todo um ano, voaram mais uma vez para as Ilhas do Pacífico, onde a felicidade os esperava. E antes das férias acabarem, mais uma vez rumaram para o Egito visitar Amon-rá.

O Egito estava ainda mais belo. A Esfinge terminada, majestosa, deslumbrante, e os mestres de obras iniciavam mais um invento. A construção de barcos decorados com arte, pintados de dourados, cujas velas enormes empurravam a embarcação com rapidez através das águas. Também havia um moinho de vento para ajudar a moer o trigo e a cevada, e agricultores estavam extraindo açúcar de uma cana doce. Primeiro retiravam o suco, que era delicioso, depois secavam, transformavam em açúcar para preparar doces.

Só que ninguém no Egito sabia, que além do Faraó, os escravos imperiais que o cercavam eram robôs, que faziam pesquisas, e davam os resultados para o Faraó no fim do dia. O povo achava que o Faraó falava com as divindades do templo. Embora jamais Amon-rá entrasse num templo para falar com os Deuses, como faziam seus antecessores, o povo continuava acreditar que tudo na vida possuía causas divinas. Pensavam sempre que o sobrenatural guiava os governantes.

A fama de todo-poderoso e de ter poderes além dos homens fez de Amon-rá um Deus vivo, e o povo tanto o amava quanto o temia. Falava-se que de seus olhos saía fogo que matava, e podia adivinhar o pensamento de qualquer um. Até os sacerdotes o temiam, e mais ninguém se atrevia a atentar contra sua vida.

E os dias do Faraó com sua família, mais uma vez, foram maravilhosos.

Rama e Inês passeavam com carruagens pelas ruas, com Areti, enquanto Adão e Amon-rá corriam em cima de cavalos juntos aos soldados em corridas sem fim. Faziam competições, que levantavam o pó do deserto, cuja nuvem no ar fazia o povo fechar os olhos. Eva se perdia em meio dos artistas, que desta vez pintavam um templo inteiro, decorando colunas, com escritas intermináveis. Por cima de andaimes e pincel na mão, ela entrou na brincadeira, pintando cenas, figuras, decorando com arte.

Ao meio-dia, todos se juntavam para o almoço, e a sesta da tarde. Amon-rá desta vez ficava atendendo as consultas populares, pois assim que os pais saíam do descanso, ele os levava mais uma vez para conhecer uma novidade. Ao cair da noite, a música invadia o ambiente, as bailarinas alegravam os olhos, e a comida deliciosa se espalhava em toda parte. Mas Inês e Rama ficavam direto na cama até o dia seguinte. Amon-rá ficava curioso.

— Esse indiano continua fogoso, pai?

— Pior! Contaminou sua irmã. Eu estou cada vez mais surpreendido, filho. Os homens da terra sempre me espantam. São quentes, viciados em sexo, eles não perdem em nada para nós. E temos que admitir ainda que não se utilizam assentos eróticos para evitar o cansaço.

— Pois é. Os beduínos que chegam por aqui trazem consigo até 10 mulheres, pai. E comem todas, uma a uma. Não há reclamação das esposas.

— Estou cada vez mais convencido de que a sensualidade vai salvar este mundo. Em “V de BETA” não havia paixão. Não como aqui. Seu tio Nestor demorou em fazer a gurizada amar de verdade. Lemúria mais parece o barco do amor. Estão todos fazendo sexo, e dos bons.

— E Noemi? Tem homem atrás dela?

— Teria! Mas, Fernando não deixa ninguém olhar para ela. É não é por sua causa, não. Eles são ciumentos, filho. Eu até pensei em terminar a esterilidade deles, para que Mônica deixe essa menina respirar.

— Mas, que boa ideia. Nossa! Deve estar maravilhosa! O que faço, vou ou não vou vê-la?

— Espere mais uns anos. Ela vai menstruar logo. Pode entrar direto para o casamento. Ir para lá, voltar, vai ser doído para os dois.

— Puxa, pai. Invejo você. Cresceu ao lado da mãe.

— Minha sorte é que temos a mesma idade. Só isso. E eu tive que esperar muito para perder minha castidade. Tinha os pais de Eva, as irmãs, que me hipnotizavam desde sempre. Eu sofri, filho. Acredite.

O dia em que Inês apareceu durante um jantar, foi arrastada para a dança por Eva e Areti. Areti já sabia mexer o umbigo, como Eva, e as duas moviam os quadris de forma sensual. Inês, envergonhada, tentou a dança, e pouco a pouco foi rodopiando, pois Adão e Amon-rá incentivavam as bailarinas. Rama olhou e ficou admirando. Inês era tão linda, branca, cabelos esvoaçando, cintura mínima, nádegas firmes, que ficou mais apaixonado ainda.

Mas, além desse palácio havia outras delícias para se fartar.

Estavam as areias sem fim. Adão e Eva subiam na nave e se adentravam onde não havia nada além deles mesmos. Corriam e rolavam pelas dunas, como fizeram com os beduínos. Olhavam o pôr do Sol, cujas cores os fascinavam, e depois voltavam para tirar o pó, nas banheiras maravilhosas do palácio.

A despedida do filho foi mais uma vez com lágrimas. Areti lacrimejava, Inês choramingava e Eva mais ainda. Amon-rá viu a nave subir, cruzar o ar, e foi se consolar trabalhando.

Em Lemúria, Noemi os esperava com ânsia. Recebeu seus presentes, e correu com eles para casa. Vestiu as roupas maravilhosas, os colares, os brincos, e se olhou ao espelho. Estava linda. Saiu para dar um passeio, e um beduíno lhe deu um beijo furtivo, que a pegou de surpresa.

— Para ali, seu descarado! Meu noivo é o Rei do Egito, mais respeito comigo, viu!

— Majestade, eu sou o Rei da Suméria. Troca ele por mim...

E as gargalhadas os rodearam, pois ninguém nessa Escola acreditava que havia um rei apaixonado por ela, por mais linda que ela fosse.

E para espantar namorados, Noemi entrou nesse ano nas aulas de luta chinesa.

E mais dois anos se passaram.

Os primeiros formandos da Universidade ganharam uma medalha de ouro. Nela estava gravada a profissão, o nome do Profissional, e no verso uma figura de Lemúria cuja imagem ficava em alto-relevo.

Despediram-se com tristeza, pois o vínculo de amizade entre todos os jovens fora enorme. Os chineses partiram e os sumerianos também, igualmente os indianos, e só os maias ficaram por ali mesmo. Também permaneceram os filhos de Atlântida, muitos deles assumindo o trabalho de seus pais como mestres.

E algumas mudanças aconteceram.

Mestres viajaram para outros mundos, em período de férias mais demoradas, enquanto os filhos tomavam seu lugar em Lemúria.

Desta vez ingressaram na Universidade os japoneses, tibetanos, cretenses e homens do mediterrâneo. Para aprender o ensino básico chegaram novos indianos, outros chineses, muitos egípcios, acadianos, semitas, somalis, hititas, fenícios, amoritas e da América os maias de sempre.

Areti iniciou os estudos de Artes, de esgrima, enquanto Noemi fazia mais uma faculdade, Construção.

Mas, antes desse novo ano letivo começar, enquanto Inês e Rama viajavam para o Egito, Adão e Eva levaram Areti para conhecer a África, e a tribo dos Khoisans.

Assim que a nave desceu perto do Lago Vitória, 26 ex-alunos de Lemúria chegaram correndo, gritando, acenando para o alto, esperando ansiosos pelo abraço de boas-vindas. Areti desceu abraçando as mulheres, todas casadas, algumas com um garoto no colo.

Eva chegou cheia de presentes. Trouxe cerâmicas, pinturas, esculturas, tecidos, que foi entregando dentro da nave, para quem subiu nela.

Adão ria o tempo todo. Os homens estavam enormes e fortes, contando atropeladamente que ia ter uma surpresa.

E abraçados, num grupo barulhento, cujas risadas invadiam a mata, caminharam na trilha limpa, com pedrinhas miúdas, bem pequeninas, como um tapete que se estendia até a tribo.

A antiga Aldeia de madeira não existia mais.

Os homens haviam fabricado o tijolo de argila, e grandes casas com pedra e tijolos os receberam. Na parte externa, havia um muro enorme de pedras, cujo portão gigante abria cedo e fechava quando os caçadores voltavam com suas presas. Além das casas, havia a Escola, onde os meninos estudavam, com caracteres muito parecidos com a escrita egípcia, com cujos sinais se relatavam lendas cheias de sabedoria e misticismo.

A Filosofia dos Khoisans não havia mudado quase nada. Apenas haviam aderido ao conceito da reencarnação com mais clareza. Continuavam com a crença na “Força vital”, na harmonia da natureza, pois em Lemúria os mestres nunca falaram que isso fosse errado. Pelo contrário, as crenças africanas estavam registradas na Biblioteca como uma sábia teoria.

A enfermaria da aldeia cuidava da saúde do povo, desde partos até os doentes terminais. Haviam aderido à moda indiana de queimar os corpos dos mortos, e o funeral se fazia na beira do Lago, em cuja beira se sopravam as cinzas ao vento.

Os velhos reis dessa tribo não estavam mais entre os vivos.

A escultura deles se erguia no centro da tribo, entalhada na madeira negra, junto a figuras de outros ancestrais importantes. No lugar do chefe, havia um filho dele, que estudara em Lemúria.

O resto, no dia a dia da tribo, tudo continuava igual. A mesma música, com tambores gigantes desta vez que davam um som profundo, que batia na alma dos homens, alguns chocalhos, fazendo a farra noturna ao redor do fogo. Os homens também dançavam, excitando as mulheres, depois dançavam as mulheres excitando os homens e no fim tudo acabava em amor sem fim. As viúvas seduziam os adolescentes, como sempre fizeram, pois o amor não fazia mal à humanidade.

Areti entrou na dança, mexendo o corpo como uma cobra.

Adão teve que hipnotizar uns 200 rapazes, pois nenhum deles interessava a sua filha. Aliás, ela era totalmente imune a homens. Não gostava de ninguém, nem sequer dos garotos de Atlântida, que derretiam o coração das nativas. Olhou para Eva, que fazia a mesma coisa, dançar e mexer os quadris, e suspirou. Seu corpo exuberante, de cintura mínima e coxas fortes, o derretiam inteiro. Deixou a filha no divertimento e concentrou-se em Eva. Levou-a para uma casa reservada para eles. Adão abriu a boca, entrou a língua, quase a afogando, e namoraram com fervor africano.

Ao raiar do Sol, Adão saiu com os caçadores numa fila, cantando uma canção, sorrindo às gargalhadas, pois os amigos gostavam de fazer piadas por cima dele. Enquanto isso, Eva dormia, Areti ia para o Lago com amigas, e a vida entrava no ritmo primitivo encantador.

Notas finais
A Filosofia dos Khoisans não havia mudado quase nada. Apenas haviam aderido ao conceito da reencarnação com mais clareza. Continuavam com a crença na “Força vital”, na harmonia da natureza, pois em Lemúria os mestres nunca falaram que isso fosse errado. Pelo contrário, as crenças africanas estavam registradas na Biblioteca como uma sábia teoria. A enfermaria da aldeia cuidava da saúde do povo, desde partos até os doentes terminais. Haviam aderido à moda indiana de queimar os corpos dos mortos, e o funeral se fazia na beira do Lago, em cuja beira se sopravam as cinzas ao vento.