Notas iniciais
Como os nativos da Ilha sobreviviam dos peixes e dos frutos do mar, eles mergulhavam todos os dias com cestos de fibra e arpões de madeira com ponta afiada. Fisgavam lulas, furavam peixes enormes, e catavam mariscos aos milhares. Eles abriam as conchas e devoravam crus, ou, assados no meio das brasas. Todos os dias um grupo de alunos cozinhava.

A chegada de Adão com sua família na América Central revolucionou a Escola de Lemúria. Os alunos já os conheciam pelo nome, e sabiam que de todos os alienígenas da terra eles eram os principais. Os que chefiavam os outros mestres. Abel esperou-os na entrada da cidade, feliz, pois estava estressado de tanto trabalhar e Fernando filmava a chegada com a câmera, pois Areti era esperada com curiosidade. Todos queriam conhecer a filha do homem mais inteligente da terra e tanto os lemurianos quanto os alunos disputavam um lugar privilegiado para ver de perto a descida da nave.

Eva desceu com Areti no colo, e foi direto até Mônica, que a recebeu nos braços sorrindo. Abel, ao lado dela, não conseguiu segurar a piada, e falou-lhes:

— Parabéns, Adão, eu vejo que adotaram uma linda nativa...

Enquanto Eva ria às gargalhadas, Adão falou:

— Não estará me chamando de galhudo?

Em seguida, Abel e sua esposa Isabela abraçaram os amigos, gargalharam, pois Areti dava seu primeiro sorriso para a plateia. Ela era idêntica a Eva, diferente só na cor.

Inês chegou correndo com Rama, abraçando o pai, a mãe e tomando Areti no colo. Inês estava enorme, linda, radiante, cuja luz irradiava só felicidade. Rama continuava sério, com esse olhar profundo, como um monarca no meio do mundo, elegantemente vestido, enquanto em redor, todos os alunos luziam ao bel-prazer.

As vestes daqueles adolescentes eram as mais variadas, conforme sua etnias e costumes.

Os índios mais silvícolas vestiam apenas o “tapa sexo”, com o peito nu, colares, e cabelos soltos. Alguns africanos com tranças no penteado, já os americanos com cabelo solto além da cintura, e com colar de penas na cabeça. Os chineses trajavam vestes de linhagem simples, parecidas com camisolas. Os egípcios eram os mais elegantes, além da tanga de linho, luziam os peitorais pintados, decorados com pedras. Os sumerianos, uma tanga mínima, peito nu, e alguns aderiram à camisa sem mangas, usadas pelos mestres da Escola. Os indianos vestiam um tipo de panos atravessados e enrolados, bem parecido aos panos dos beduínos. Botar calças, como Abel, ou Fernando, não animava ninguém. Agora as moças, todas usavam blusa sem manga, para evitar os seios nus, e saias das mais diversas. Cumpridas, curtas, com sandálias de couro nos pés e gostavam de imitar a beleza das lemurianas. Enchiam-se de brincos, colares, cintos, pintavam a boca, os olhos, e faziam os penteados mais loucos. E como em Lemúria o estudo começava com aulas de artesanato, a prática das joias estava no início das aulas e a seguir esses artesanatos enfeitavam todos os peitos. Tanto masculinos quanto femininos.

E rodeado de todos, Adão se encaminhou para um edifício de três andares, habitado pelos mestres, no final dessa avenida.

No andar térreo, Eva e Adão ocuparam um departamento onde havia duas suítes, uma sala conjugada com cozinha, e um toalete enorme com banheira no chão, tampada com um grosso vidro, onde a água morna entrava e saía numa corrente sem fim. Os pertences pessoais, Inês os havia trazido de Atlântida e distribuído a seu gosto. Ela colocou as roupas de Eva e Adão nos guarda-roupas de madeira embutidos, os tapetes felpudos espalhados na sala, os cristais nas gavetas da cozinha, trazendo o mínimo, pois eles viveriam nas duas cidades.

Adão recebeu o novo lar com alegria, e sentou para ouvir novidades do dia a dia que Abel lhe falava aos berros. Abel na verdade parecia um garoto que vai sair de férias. Feliz. Pretendia ficar na Lua terminando os trabalhos da Base Lunar, e em seguida ficaria uns dois anos em lua de mel com sua mulher, por lá mesmo. Fernando dava gargalhada, pois Adão o que menos desejava era entrar no trabalho pesado.

E ao pôr do Sol, depois de um dia agitado, Adão e Eva ficaram a sós.

Abriram as janelas, enormes, olhando para a mata verde, bem perto dali. Dava para ver macaquinhos pequenos, comendo nos bananais, gatos selvagens, e milhares de passarinhos cantando alegremente, fazendo desse lugar um Paraíso terrestre. Eva deixou Areti com Adão e levou seus felinos para dar um passeio. Depois os soltou no mato, para se perderem correndo, em busca de grãos, pois não comiam mais carne de bicho. Deixou-lhes a porta semiaberta, e estendeu um tapete Khoisans na entrada, para que elas se deitarem no regresso. O casal de macacos de Adão ficou na varanda, onde havia uma bananeira em vaso, e um cesto com frutas para se deliciarem. Além do que podiam pular essa sacada para o mato e voltar quando quisessem.

Com a bicharada acomodada, Areti dormiu na sua caminha de princesinha, hipnotizada por 8 horas, enquanto Adão entrava na banheira a relaxar. Eva trouxe na mão uma taça de vinho escuro, delicioso, e entrou junto para brindar ao futuro. Enquanto se beijavam, o barulho do mato entrava pelas janelas, fazendo desse lugar um recanto de magia. Fazia calor, havia umidade no ar, e a noite começava a deixar cair seu manto negro. Desde longe se podiam ver luzes cintilantes de bichinhos luminosos, encantadores. Ficaram ali, até que sentiram ânsia de um encontro mais violento. De manhã cedo, Adão passou uma pomada na pele para mordida de mosquito, enquanto Eva acordava a filhinha para dar de mamar.

Depois dormiram. Adão só foi até essa Escola na manhã do dia seguinte.

Com o passar do tempo nesse apartamento haveria, além de macacos e felinos, um ninho de passarinhos, um lagarto, uma cobra, que entravam, comiam, e iam embora deixando seus cocôs como lembranças. Eva desintegrava o estrume, repunha as frutas, pois Areti amava os bichos com paixão. Areti os abraçava a todos. Adão também trouxe um gato branco, bem peludo, que ficou dormindo a maior parte do tempo, nas camas e nos sofás da sala.

E uma nova vida começou.

Adão começou a trabalhar na direção da Escola, e Eva a passear, pois Areti estava em primeiro lugar. Abordava na escola com ela na hora das refeições, e sentavam ao lado de Inês e Rama, para jantar junto dos seus amigos. Os robôs os serviam em mesas gigantes, onde havia de preferência saladas, molhos por cima de batatas fumegantes, mandiocas cozidas na água, batatas doces com calda de açúcar, e o “nutriente”, que era uma mistura de grãos enriquecidos com minerais, vitaminas, tudo que uma pessoa necessita consumir por dia. E o nutriente era cozinhado, de preferência, como recheio dentro de abobrinhas, pimentões, de morangas, massas, ou em forma de lasanhas, com muito queijo por cima, que com passar do tempo transformaram-se nos pratos mais consumidos. Completavam a dieta sucos de frutas, leite, queijos e pães em muitas variedades. Havia o pão egípcio, o pão dos nômades, o pão chinês, e o lemuriano. Cada um em formatos diferentes.

Com passar do tempo, o arroz dos chineses era trazido em naves desde a China e preparado com ervas finas, e que todos passaram a saborear com gosto.

Mas se na culinária todos concordavam, a variedade regional de línguas desses alunos era o mais engraçado.

Os mestres usavam um cinto na testa que traduzia todos os dialetos falados. Agora entre os alunos, existia a mímica. Um idioma de sinais, inventado por eles mesmos. Cumprimentavam-se com o dedo maior para cima, para dizer “olha ali” colocavam dois dedos nos olhos, e havia os sinais mistos. Eva começou a desenhá-los, um a um, até formar uma linguagem de figuras, que foi registrado como idioma para surdos e para mudos.

Mas, com passar do tempo, todos eles finalmente se entenderam.

Adão escolheu o idioma dos sumérios, como língua oficial da Escola, e que todos deveriam aprender a ler e escrever. Ela passou a ser a língua mãe, e uma base para que os povos que não possuíam escrita se inspirassem e inventassem a própria.

Foi nessa época que Eva começou a desenvolver sua arte em casa.

Enquanto Areti brincava com a bicharada, ela pintava paisagens da mata espessa, com seus animaizinhos nos galhos, passarinhos voando, e imagens de pessoas. Retratava os alunos durante suas visitas a Escola com giz pastel, e em casa passava-os para a tela. Depois Adão carregava com suas obras para Escola enfeitando paredes, cujos alunos admiravam de boca aberta.

Dessa maneira, o crescimento de Areti era acompanhado com paciência, e as aulas de pintura em tela eram esperadas com ânsia, pois Eva só daria aulas no dia em que ela entrasse como aluna nessa Escola.

Curtir a vida familiar era algo que Eva adorava. Neste novo mundo tudo era igual a vida mansa de Atalanta, quando cuidava só de Amon-rá.

Eva começava o dia nos braços do marido, que jamais saía de casa sem fazer amor, e depois ficava preparando o café dela e Areti, pois Adão fazia desjejum na Escola junto aos mestres. Repartia comida para a bicharada, limpava a casa com um piscar de olhos demolidores, regava plantas, colocava música gravada, e pintava. Na hora do almoço, jantava com Inês e Rama na Escola, voltava a casa para dormir a sesta, pintava novamente, passeava, ia para o mato com Areti e recolhiam frutas. Quando Adão entrava em casa, Areti dormia até o dia seguinte, hipnotizada, e ela caía na banheira de águas mornas, onde o amor recomeçava, com um homem sempre sedento.

Nos fins de semana, viajavam para Atlântida, onde Fernando e Mônica os recebiam com festa. Era a vez de visitar os amigos que pouco e nada saíam dessa cidade. Bebiam, dançavam, Eva ensinava Mônica a dança do ventre aprendida com os beduínos, e os homens olhavam encantados.

Noemi estava estudando em Atlântida, onde o ensino era mais avançado. Ela já sabia 3 dialetos da Terra, conhecia o mundo palmo a palmo através de filmes, fotografias, desenho cartográfico, e era uma excelente fotógrafa que nem seus pais. Eva sempre carregava com fotos suas para pintar, e devolvia trazendo alguns quadros de presente. Noemi só falava em Amon-rá, só pensava em Amon-rá, e escrevia para ele quase todos os dias. Só não ia vê-lo, pois era ainda um bebezinho, como falava sua mãe.

E a vida transcorreu sem nada que abalasse o convívio, tanto familiar, como de trabalho, durante vários anos.

Quando os alunos se converteram em jovens fortes e belos, Adão começou a treinar lutas no Ginásio para os mais velhos, com espadas de madeiras, e finalmente espadas de aço. A esgrima era ensinada como em Atalanta, com uniforme, máscara no rosto, empolgando a todos os homens.

Durante os campeonatos, os maias, que eram os jovens mais antigos da Escola, davam espetáculos que entretinham os alunos e todos os mestres.

Com transcorrer do tempo os chineses ensinaram seus duelos para os colegas, os africanos seus combates em forma de dança, ao ritmo de tambores, e os egípcios a luta corpo a corpo que se usava em tempo de guerras.

As mulheres um dia perderam o medo e começaram a praticar as pelejas como esporte, mulheres contra mulheres, mas com passar do tempo as campeãs se mediam também com os homens.

Depois de longos anos, Lemúria estava abarrotada de homens fortes, cheios de musculatura, excelente lutadores, e foi a vez de inaugurar a Universidade, onde seriam oferecidas as carreiras de Construção, Medicina, Astrologia, Filosofia e Artes. Quem quisesse, aprendia uma de cada vez, ou duas, ou três. Quem não quisesse estudar mais, podia voltar para casa.

Os africanos voltaram. Os beduínos também. Dos trezentos indianos ficaram Rama e mais oitenta homens. Agora, os chineses, os egípcios e os sumérios ficaram todos, e os maias, que viviam na vizinhança, também.

Para dar uma trégua aos alunos que permaneceram, Adão organizou um acampamento nas Ilhas do Pacífico, para mestres e alunos.

Para iniciar outra turma no aprendizado básico, Abel e sua esposa se ofereceram, pois queriam percorrer o mundo, e ficar viajando. Adão lhe pediu para passar no Egito, ver Amon-rá e Eva lhe enviou seus melhores quadros, com um retrato de Noemi, gigante, pintado com óleos.

As férias na Papua Nova-Guiné do Pacífico foram maravilhosas.

Fernando, Mônica e Noemi foram juntos, pois estavam com saudades dos amigos. O que foi ótimo, pois Areti e Noemi passaram a ser inseparáveis, correndo na praia em dois cavalos brancos. Um maior para Noemi, e um bem pequeninho para Areti, trazidos desde Atlântida, na nave de Fernando.

Adão colocou barracas enfileiradas na praia, e convidou a todos os jovens dessa Ilha a se unir ao acampamento. A praia ficou lotada de gente, que para começar essas férias adotou a moda seminua.

Eva e Mônica distribuíram shorts bem pequenos para as moças, e Adão uma cueca elástica para os homens. Eles mesmos usaram os mesmos trajes, passando no corpo óleos trazidos do Egito, para proteger a pele. Areti, que já sabia nadar na piscina de Lemúria, entrou nas águas do mar que nem peixinho. Eva imergiu com ela, ensinando-a a trancar a respiração, e a catar pedras no fundo do mar. Noemi nadou junto com Fernando, que dava braçadas como um campeão.

Como os nativos da Ilha sobreviviam dos peixes e dos frutos do mar, eles mergulhavam todos os dias com cestos de fibra e arpões de madeira com ponta afiada. Fisgavam lulas, furavam peixes enormes, e catavam mariscos aos milhares. Eles abriam as conchas e devoravam crus, ou, assados no meio das brasas.

Todos os dias um grupo de alunos cozinhava. E os chineses eram de todos os melhores cozinheiros. Eva adorava o arroz, que misturado com ostras ficava afrodisíaco. Os chineses descobriram também três tipos de algas marinhas comestíveis. Fizeram ensopados com mandioca e arroz, algumas ervas finas, ovos quebrados, que serviram para todos, em cumbucas de argila.

Os maias prepararam feijão com milho e abóboras trazidas de Lemúria. Os indianos faziam ensopados com tomates, pimentões, batatas, ervas, berinjelas, e muito alho e cebolas. Serviam junto ao arroz branco, pois misturados ficavam ótimos. No resto do dia, a turma usufruía das frutas, que nunca faltavam. O mato estava cheio de cocos frescos e deliciosos, bananeiras sem fim, laranjas, abacaxis, melancias, que os nativos traziam todos os dias, e colocavam na beira do mar para se manterem frescos.

Mas o melhor desse acampamento foi à perda da castidade.

Inês e Rama eram os únicos casados, que transavam a noite toda, acordavam tarde, olheiras na cara, pois dormiam pouco. Algumas sumerianas, que chegaram com filhos, haviam passado a viver junto com um companheiro. O resto dos jovens nunca namorou, por pura timidez. Os primeiros beijos ao anoitecer, quando as músicas tribais invadiam a praia, começaram com educação e respeito. Chineses se apaixonaram por sumerianas, egípcios por indianas, maias por nativas dessa Ilha, e teve os que se apaixonaram entre eles mesmos. Pouco a pouco, eles dançavam menos, e se perdiam na escuridão da noite, namorando onde dava. Por cima das areias, entre o mato, ou nas barracas. Como os nativos das Ilhas transavam sempre, rindo sem parar, o contágio do sexo a toda hora explodiu como uma bomba. Mulheres acordavam tarde, olheiras fundas e um sorriso de satisfação na boca.

Durante esse verão, houve 50 casamentos, nessa mesma praia, onde um velho da tribo os casou ao luar. As noivas colocaram flores nas cabeças, roupas brancas, e todos prometeram fidelidade até a morte. As mulheres tiveram que jurar a seus homens, a segui-los aonde fossem, pois depois dos estudos viajariam para terras distantes.

No fim das férias, as nativas dessa Ilha que casaram, também foram estudar em Lemúria.

Um dia, Inês, sentada na areia, bocejando, perguntou para sua mãe se seria escrava do sexo a vida toda.

— Vai! E a mulher que não sabe a bênção que é quando seu homem só pensa nela, é burra...

— Mas, eu nunca mais vou dormir?

— Vai! E vou indicar um truque, filha. Não ensinei antes, pois eu não sabia se era necessário. Mas não conte para suas amigas, a menos que alguém esteja passando o mesmo drama.

— Prometo, me diz o que tenho que fazer?

— Apertar a vagina. É um pouco difícil ao começo, mas depois se acostuma. Contraia toda a musculatura interna, e deixe seu homem imóvel. Preso. Ele vai enlouquecer, pois vai ficar mais excitado ainda, mas muito cansado. Vai atingir os orgasmos mais fortes, mas vai desmaiar sem saber do motivo.

Começaram a gargalhar. Depois correram para o mar com Areti e mergulharam fundo, rindo como três gurias.

Durante essa noite, Inês deu início a sua nova experiência. E, como falara sua mãe, Rama desmaiou de cansaço. Mas, com o passar das férias, Inês foi igualando seu homem na sensualidade. Tomava guaraná e comia ostras cruas, como as nativas dessa Ilha, e pimenta trazida pelos maias, todas as comidas afrodisíacas que circulavam no dia a dia. E a fome de amor cresceu, e cresceu tanto que não conseguiam mais viver um separado do outro.

Antes de voltar para Lemúria, Adão pediu para Fernando cuidar dos rapazes e convidou Inês e Rama para visitar Amon-rá, no Egito. Noemi, que sabia que não a deixariam ir, enviou para ele uma concha de mar gigante, maravilhosa, que pegara com os nativos. Depois ficou a olhar a nave subir, se perder entre nuvens, se perguntando como é que estaria seu namorado.

Quando Amon-rá viu a nave de seu pai no céu, ele estava em cima da Esfinge examinando o acabamento. Desceu correndo, subiu na sua carruagem real, e cruzou as areias, feliz como nunca. Abraçou primeiro Areti, logo Inês, seu cunhado, seus pais, quase chorando, pois estava com peito doído de tantas saudades. Os soldados trouxeram outras carruagens, e viajaram para o palácio, numa caravana alegre, enquanto o povo nas ruas se curvava em sinal de respeito, e abriam caminho para o cortejo real.

Rama adorou esse percurso, esses carros, esses cavalos, e se prometeu copiá-los no seu regresso à Índia. Também gostou da roupa dos soldados, dos escudos, das armas, pois formavam um exército com autoridade. Ninguém invadia o Egito. A fama desses bravos combatentes cruzara os confins da Ásia, e eles eram célebres pela valentia.

E foi com Amon-rá que Rama aprendeu a governar. Os três homens saíram nas carruagens durante o dia a percorrer o reino, onde Amon-rá mostrou-lhes as casas dos agricultores, as casas dos homens ilustres ligados ao reino, os palácios dos sacerdotes e seus templos, explicando a Rama em detalhes como empilhavam as pedras com tanta exatidão.

Inês, pela sua vez, soube o que era ser tratada como rainha. As escravas lhe deram banho, massagens, vestiram-na de princesa com lindos vestidos, seu rosto foi maquiado, encheram-na de joias, perfumes, e por último fizeram uma escovação nos cabelos, que deixaram suas mechas suaves, lisas, sedosas, balançando ao passo. Seu vestido egípcio marcava seu corpo em detalhes, deixando-a sensual ao caminhar. E foi com essa pinta que seu marido encontrou-a. Ele atracou-a contra parede, rindo, e ficaram nas delícias do amor até o dia seguinte.

Na festa dessa noite, Areti dançou com Eva entre as bailarinas, as duas rindo que nem garotas, ao ritmo dessa orquestra maravilhosa, composta de 20 músicos. Adão, estendido ao lado do filho, sobre almofadas no chão, faziam planos para o futuro.

Amon-rá falou para Adão:

— Como o tempo passou rápido, pai. Em mais três anos eu me aposento, vou encher minha mulher de filhos, e viver o resto da vida viajando... Estou planejando ir ver o tio Nestor...

— Se aposentar? Tem que me ajudar na Escola, filho. Vamos inaugurar a Universidade.

— Poxa, eu já fiz minha missão, pai. Não vou ter nenhuma folga?

— Hum... Um ano! Depois, quero que me ajude nas aulas de esporte. Estou planejando preparar os homens da terra em duas frentes. Intelectualmente, através da Filosofia, e na luta como os mais exímios combatentes do mundo, capazes de enfrentar os bárbaros e defender o povo.

— É um bom plano, pai. Mas se esqueceu de uma coisa. Os homens mais inteligentes do Egito são os artistas e os construtores, todos pobres. Os mais ricos são os sacerdotes, preguiçosos, burros e cheios de ambição e malícia. Se eu não fosse telepático, teria morrido envenenado 3 vezes. Aliás, eu me descuidei um dia, e morreram cinco escravas que beberam de um suco de uva destinado a mim.

— Matou os assassinos?

— Fiz melhor. Tem uma tribo no deserto que gosta de castrar os prisioneiros e depois os usam como mulheres. Os robôs os deixaram cair no meio deles.

As gargalhadas cruzaram o ambiente estrondosamente. Em seguida Adão perguntou:

— Mas, onde você quer chegar com essa análise, filho?

— Seus gênios vão morrer muito jovens. Seria melhor educar filhos de reis. Como Rama. Ele vai poder fazer da Índia uma grande nação. O resto de seus discípulos vai voltar a semear algodão, trigo, e construir palácios onde nunca vão viver. E o que eles escreverem, ninguém vai compreender. E um dia, seus livros vão ser queimados e destruídos por algum conquistador...

— Me deixou muito confuso, filho... Temos que ter um plano para o futuro...

— Prepare-os mais na elocução do que na palavra escrita. Ensine-lhes oratória e expressão oral. Dramatização. Nossos filósofos terão que hipnotizar a multidão com a palavra. E quem vai redigir o que eles falarem, serão os seus discípulos.

— Filho, obrigado. Seu velho pai agradece seu conselho...

— Pai! A propósito de velho, Rama e Inês vão viver no máximo uns 80 anos...

— Eu sei... Por isso mesmo estou os alimentando com “nutriente”. Vão morrer com 300 anos...

— Poxa! Todos eles? Meus egípcios também?

— Também! Eles vão ser lembrados como velhos patriarcas que tiveram pelo menos uns cem filhos...

— Nossa! Você sempre me surpreende, pai... Parece que sempre tem uma cartada na manga...

Notas finais
. Os homens mais inteligentes do Egito são os artistas e os construtores, todos pobres. Os mais ricos são os sacerdotes, preguiçosos, burros e cheios de ambição e malícia. Se eu não fosse telepático, teria morrido envenenado 3 vezes. Aliás, eu me descuidei um dia, e morreram cinco escravas que beberam de um suco de uva destinado a mim. — Matou os assassinos? — Fiz melhor. Tem uma tribo no deserto que gosta de castrar os prisioneiros e depois os usam como mulheres. Os robôs os deixaram cair no meio deles. As gargalhadas cruzaram o ambiente estrondosamente.