Notas iniciais
Mas a notícia que deixou o mundo em polvorosa, foi que “Z de ALPHA” fora escolhido por “00”, como um exemplo de vida universal. E “00” estava tão feliz, que ia escolher pessoalmente o primeiro Sacerdote desse mundo. Ele colocaria um medalhão no peito desse escolhido, que o faria seu representante oficial nesse planeta. Um homem com poder de tomar as próprias decisões, e que poderia transformar definitivamente “Z” numa sociedade superior.

No mundo de “Z de ALPHA” o tempo alastrou-se de forma lenta, calma, com Adão envelhecendo, seus filhos lhes dando netos, bisnetos, tataranetos, e muito amor-próprio, pois eles o amavam tanto, que nunca ficou sozinho depois que cada um tomou seu rumo na vida.

João e Adão possuíam as únicas linhagens de “Z” que se reuniam todos os fins de semana, unidos pelo amor aos pais, e pelo amor entre os irmãos. E cada família era enorme. As maiores. João tinha tantos netos, bisnetos e tataranetos, que geralmente confundia seus nomes provocando risadas gerais.

Tatiana teve três meninos. Ela e Mariuska chegavam abraçadas em casa de Eva com seus filhos, que eram amigos dos netos dela. De vez em quando iam para a lagoa, pois essa mansão ficara pequena para tanta gente. Os meninos corriam pela praia, enquanto as mulheres fofocavam, e os homens faziam jogos de bola, em duas equipes.

Adônis e Mariuska tiveram mais dois filhos, irmãozinhos de Adão, que adoravam chegar à mansão e montar nos pôneis. Os pôneis aumentaram tanto seu número que havia uma manada em casa de Adão, e outra em casa de Amon-rá.

E a morte dos velhos pôneis foi a dor mais triste nesta vida, para todos, pois eles morreram no colo de Amon-rá, tão velhinhos, que era impossível fazê-los viver por mais tempo. O cavalinho só falou antes de morrer: — Vou te esperar em A de ALPHA, mas não demora muito... Depois, foram enterrados na selva, como eram sepultados todos os bichos que conviviam com os homens.

Amon-rá teve seus filhos quíntuplos, após quinze anos de casado.

Eles nasceram na piscina de Adão, com Noemi tão gorda, que Adão cuidou dela na sua casa durante um mês, isolada do marido. Massageava o corpo para não dar estrias e ativar a circulação da pele, limpava os bicos dos seios, e lhe fazia massagens na cabeça para relaxar, dormir, deitada sempre na sombra, em meio ao jardim. Mônica e Fernando iam todos os dias verem a filha, apavorados, pois os médicos da Lua insistiam em fazer uma cesariana para retirar os quíntuplos. Falavam para Fernando que Noemi corria perigo de vida desta vez.

Mas Fernando tinha fé em seu amigo. Ajudou-o a fazer esse parto junto com Eva e Mônica, Diana, Inês, Sira, Nohiki, todas prontas para cuidar dos recém-nascidos. Amon-rá estava tão nervoso, que quase chorava. Sentado na beira da piscina, parecia um atordoado. Jesus o abraçava, acalmava, pois Adão era fera. O melhor parteiro de todas as Galáxias.

E um a um os quíntuplos apareceram na superfície, dando a primeira respirada, o primeiro sorriso, com Noemi subindo e descendo, para respirar, recuperar o fôlego e dar a luz a mais um. Amon-rá principiou a choradeira em público. Seus guris haviam corrido atrás dele, como ele mesmo cruzara o Universo atrás de Adão. Jorge nascera novamente um rapaz moreno igual a ele, Patrícia menos escura desta vez, Denis e Rubinho tão loiros quanto o Peter, e Júlia com os cabelos bem vermelhos, igual à mamãe Noemi. Diana lhe trazia os filhos um a um só para beijar, pois eles tinham que aprender a nadar. Ele os beijava e assoava o nariz, e recebia mais um, beijava, lacrimejava, pois estava tão feliz, que só chorando podia extravasar o que sentia.

Quando Noemi deu à luz o último filho, saiu para a superfície a suspirar aliviada, pois tudo havia sido perfeito. Ela nem teve feridas internas, nem no colo nem no útero. Estava inteiriça. Amon-rá a beijou na boca e finalmente entrou nessa água, para abraçá-la, pois ele era o homem mais feliz do universo nesse dia. E ela era a mulher mais adorada. Não havia outra mulher como ela tão amada pelo seu homem. Noemi o beijava, e beijava, pois ela estava ótima. Sem barriga, e sem nenhuma dor.

Mais calmos, Amon-rá a tirou da piscina no colo, e a levou para a cama.

Colocou-lhe as fraldas para o sangramento, deitou ao seu lado, beijando-a muito, enquanto Eva corria a esquentar uma sopa de ervilhas com ovo mole por cima, para ela se recuperar do esforço.

Os quíntuplos tinham tanta mulher com seios fartos de leite, que mamaram de Diana, de Inês, de Délia, de Mônica e de Dina, que chegou por último a ver seus bisnetos. Depois passaram para os braços dos tios, dos primos, pois essa casa em pouco tempo lotou.

Estavam acampados, antes de esses partos ocorrerem, médicos prontos para cirurgia, se Adão fracassasse no parto natural. Antes de se retirar, pediram para examinar Noemi no dormitório, e por último felicitaram Adão. Realmente, ele era bom em matéria de nascimentos. O melhor.

Depois aconteceu a festa.

As mulheres estenderam toalhas no chão, foram depositando frutas, e o que chegava das mãos de alguém era colocado em pratos e bandejas, junto a jarras de sucos. Somente Noemi e Amon-rá ficaram isolados, pois o marido agora tinha que cuidar da esposa. Dar sopinhas na boquinha, e começar a lavação de fraldas dos filhinhos.

Adão e Eva sentaram no meio de todos, felizes, recebendo abraços dos amigos, beijos dos filhos, que falavam a mesma coisa: — Parabéns, pai, você arrasou! E os recém-nascidos passavam do colo de um tio para outro tio, que sempre falavam o mesmo: — Olha, é parecido comigo!

Nos dias seguintes a esse nascimento múltiplo, Amon-rá se aproveitou da hospitalidade do seu pai. Ele ficou no seu antigo dormitório, acampado com seus 5 filhos, cada um num berço para recém-nascido.

Adão examinava diariamente a elasticidade da pele de Noemi, passava cremes, fazia-a caminhar, fazer alongamentos, enquanto Amon-rá trocava fraldas dos filhos um a um, desintegrava os cocôs fedorentos, e colocava na máquina de lavar. Depois estendia tudo nos fundos da mansão, rindo, pois quem chegava a casa começava a fazer piada dele. Como eram cinco cagões, ele lavava 50 fraldas por dia.

Todas as irmãs de Amon-rá deram de mamar para os quíntuplos até a idade de seis meses. Depois, eles começaram a tomar sopinhas, no colo de todo mundo. Inês e Noemi davam de comer para as meninas, Julia e Patrícia, Eva para seu preferido, o Jorginho, e Adão e Amon-rá para os loiros Rubinho e Denis.

Quando Amon-rá voltou para sua casa em carruagem, todos os cinco filhos já sabiam comer sozinhos. Levou junto uma lavadora de roupas como presente, trazida pelo Peter de algum lugar, para continuar de lavadeiro.

Nohiki e Fernando Júnior casaram depois que ele se formou na Escola de Lenhadores. Construíram uma casa de madeiras na metade do caminho, entre a mansão de Adão e a mansão de Mônica. Mas demoraram bastante em ter filhos, pois eles só queriam fazer amor durante muitos e muitos anos.

Fernando Júnior saía a trabalhar com três antigos colegas da Escola, a cavalo, e chegavam juntos na Prefeitura. Olhavam para os mapas, onde os Estagiários da Lua marcavam as áreas do mato que necessitavam respirar. Examinavam o tamanho da clareira, para que entrassem os raios do Sol, e com o mapa embaixo do braço subiam em três caminhões gigantes.

Fernando Júnior olhava essa árvore milenar, e cortava todos os galhos com o olhar, em pedaços curtos, como madeira para fornos e lareiras. Em seguida desintegrava as raízes, e recebia a árvore no ombro. Depois, cortava os troncos em várias partes menores, e os levava sozinho no ombro até seu caminhão, amontoando-os, assobiando feliz. Já seus amigos levantavam os troncos um a um e enchiam os demais caminhões. Tudo com a força bruta. E por último recolhiam folhas para preencher os buracos de terra, com pá nas mãos. O único que levitavam com psicosinesse eram as fezes. Elas caíam entre as folhas, onde eram misturadas, socadas, até preencher totalmente o espaço vazio. Aplanavam, socavam com o pé de novo, colocavam água, socavam mais uma vez, até ficar pronto para plantar as mudas de novas árvores. E por último fazia os jardins, coisas que ele adorava. Também gostava de fotografar, com uma máquina maravilhosa trazida do Lixeiro. Automática. Podia tirar 10.000 fotos. Depois a colocava no álbum. Embaixo da foto, escrevia o tipo de árvore, data do plantio, para mostrar um dia a seus filhos.

Depois de descarregar os troncos e a lenha nos depósitos da Prefeitura, voltava a casa correndo em seu cavalo.

Nohiki fazia os jogos de pratos para a Prefeitura durante a sua ausência. Quando Fernando Júnior regressava a casa, ela corria se abraçar de pernas no ar, na cintura dele, e ele a beijava com afobação. Ficavam agarrados, boca com boca, e em seguida caíam em qualquer canto para fazer amor, pois o apetite de namorar de Fernando Júnior só era superado pelo apetite em comidas. E como Nohiki lhe fazia banquetes gastronômicos, ele era um homem bem-aventurado e feliz.

Sira e Tana construíram sua casa perto de Diana.

Tana adorava seu tio Aruma, e Diana amava sua irmãzinha Sira. Os quatro se juntavam sempre a conversar, pois Diana só teve um filho, Aruma Júnior, que a deixou logo. Ele se apaixonou de sua prima Maria, filha de Inês, que ficou grávida na primeira relação amorosa deles. Sequer terminaram o Ginasial. Aruma levantou uma casa de pedra para o filho, a uns 100 metros do castelo, para que ele fosse feliz para sempre.

Sira se formou em veterinária, para ajudar Diana a cuidar da bicharada que chegava todos os dias berrando de dores. Elas abriam as portas do castelo, e entravam porcos selvagens sangrando com dentes quebrados, depois de uma briga feia, girafas com pernas machucadas, elefantes velhos, bem ceguinhos. Diana imediatamente organizava o ambiente, e fazia as cirurgias, enquanto Sira atendia o berçário, o lugar onde ficavam os órfãos encontrados por Aruma em meio do mato. Havia gatinhos dormindo sobre almofadas, bezerros comendo capim ao redor do castelo, panterinhas, e pequenos leõezinhos.

Aruma ia sempre para o mato selvagem, muito longe das cidades, pois a Prefeitura lhe dava os piores trabalhos. Entrava em manadas de leões, onde sempre encontrava uma briga terrível. Tinha que os anestesiar a todos, com espingarda, para não ser comido vivo. Depois fazia cirurgias de estômagos, coração, pulmão, enfim. Esses leões quase se matavam uns aos outros por causa de fêmeas. O vencedor ficava com o harém, depois de matar os filhotes de seu rival. Aliás, evitar a morte dos pequenos tirava o sono de muitos veterinários como ele. Recolhia-os às pressas, e fugia de a cena antes dos machos acordarem do anestésico. Levava-os para casa, onde Diana os adotava como filhos.

Tana, como pedreiro, ia um pouco mais longe à busca de pedras. Desintegrava montanhas fortes, levitava com psicosinesse os pedregulhos para um caminhão, e voltava pelo meio do mato abrindo trilhas, até chegar à Prefeitura a descarregar o material. Depois voltava para casa a cavalo, correndo como um índio pelo meio da selva, cabelos longos ao vento. Quando chegava a casa, a veterinária cuidava do marido. Ele era tão fogoso, que caía por cima dela, com fome redobrada, pois a separação o deixava louco de excitação.

E como Sira o adorava, sempre o esperava com uma mesa com rodinhas, onde ela colocava pastéis de verduras, sopas deliciosas, bolos, sucos de frutas, que preparava quando ele estava para chegar, e o sentia telepaticamente cavalgando pelo matagal. Tana comia tudo com ela sentada por cima, e beijava a esposa enquanto o banquete desaparecia.

Marta e Stanislav foram os últimos a casar.

Enquanto noivos percorreram todas as cidades de “Z” com a Companhia de danças, junto a outros instrumentistas. Marta, uma vez ou outra, compunha músicas novas, mas tudo isso em nada se comparava a seu passado na Terra. Em “Z”, ninguém exigia de uma artista a perfeição, e se eles erravam uma nota, um compasso, só pediam perdão para o Peter, que tinha que improvisar um salto, ou um giro. Mas Peter tampouco reclamava. Adorava improvisar.

Depois de cada show, tanto os bailarinos quanto os músicos eram tratados com admiração e rodeados de mordomias. Pernoitavam em casas lindas, as pessoas lhes davam presentes, e eles descansavam bastante. Faziam passeios, namoravam, sem fazer nada além de se deixar adorar pela humanidade que os tratava com afeição.

Na verdade, Marta e Stanislav só casaram, quando Peter se aposentou.

Outras Companhias de danças nasceram imitando Peter e Miriam em todas as cidades por onde passaram. Copiaram seus passos, seus giros, e a música da Marta se internacionalizou. Aliás, os Vendedores espaciais levaram suas músicas gravadas para outros mundos e ela ganhou, sem pedir, nem dar exame nenhum, uma medalha dourada com o título de Doutora compositora. Stanislav ganhou outra, como Doutor em violoncelo e o resto dos musicistas medalhas parecidas.

Stanislav e Marta também ganharam do Prefeito Alain uma casa pré-fabricada de presente, para não machucar as mãos, levantando casa nenhuma. Stanislav era um homem de mãos preciosas. Era o orgulho dessa cidade. Stanislav a ergueu perto da mansão de seus sogros, pois Marta falava que viver longe da mãe era impossível.

Com o passar do tempo, Stanislav assumiu o trabalho de professor. Ensinava crianças na Escolinha Infantil, uma vez por semana. Violinos, ele ensinava para gurizinhos bem pequenos. Para os maiores era o violoncelo. Enquanto o marido estava longe, Marta escrevia em casa uma música de vez em quando, para o Prefeito Alain. Ele pedia aos Estagiários gravar essas músicas, numa caixinha, e a seguir essas caixas, com o nome de Marta ao piano eram guardadas nas lojas, para o povo levar para casa. Dessa maneira, a vida deles era uma eterna lua de mel. Como Marta falara, nesta vida ela só queria transar.

Jesus e Paulo pouco a pouco foram povoando sua ilha, com seus filhos. Jesus teve três. Duas meninas maravilhosas, doces, que amavam o pai com ardor, e um rapaz bagunceiro parecido com seus irmãos.

Paulo só teve oito filhos desta vez. Quatro rapazes fortes, morenos, e 4 meninas parecidas com Paulina, cabelos claros, olhos azuis, cílios longos e misteriosos, que derretiam de paixão os rapazes da Escolinha.

Todos eles nasceram no lago. Adão e Eva acampavam nessa ilha no último mês de gravidez, para controlar as gestantes e para mergulhar nessas águas mágicas. Eva, que conseguia aguentar a respiração durante muito tempo, ia para as profundezas, onde os grandes peixes pirarucus se exibiam com suas cores douradas e prateadas.

Para fazer o parto, Adão entrava nas águas, acompanhado dos filhos.

Eles seguravam sua esposa pela cintura, enquanto ele puxava a cabecinha do bebê com delicadeza. Saíam a respirar, mergulhavam, até o recém-nascido nadar sem medo, em meio da bicharada, dos irmãos mais velhos, e de quem chegava correndo com a notícia.

Nunca uma foca, ou um mergulhão atacou esses meninos.

Como Jesus falava, os bichos eram inteligentes. Os homens cuidavam deles, portanto os bichos cuidavam dos filhotes dos humanos. Os meninos corriam pelas areias rodeados de gansos, marrecos, cisnes, pinguins, brincando com seres vivos de verdade. Quando alguém lhes levava um ursinho de pelúcia, eles terminavam na praia, destruído por bicos ciumentos.

Inês e Rama tiveram outro filho, depois do casamento de Maria com Aruma Júnior e de Sílvia com um rapaz loiro, estagiário de “V de ALPHA”, que decidiu ficar nesse planeta por amor a ela.

No meio tempo, Rama terminou sua carreira de construtor, e inventou a “casa pré-fabricada” com madeiras e tijolos. Fez a maquete com palitos, como uma casinha de brinquedo, e fez o cálculo de tijolos para empilhar tampando os vãos. A novidade era que as madeiras se podiam empilhar cortadas, prontas para levantar com sistemas de encaixes. Rama as inventou para que não fosse colocado sequer um prego nelas. O telhado ficou igual às casas de tijolos. Com telhas de cerâmicas. Fez maquetes de casas de dois quartos, três, e cinco, com dois andares.

E o tempo transcorreu, com o mundo de “Z” se transformando lentamente.

Peter, depois dessa aposentadoria, cansou-se logo de ficar sem fazer nada de nada.

Pediu para Rama e o esposo de Sílvia fazer o desenho de uma Escola de Música e danças, com palco, anfiteatro, lugar para 200 pessoas sentadas, e umas 50 salas para aprendizados. Com os planos prontos embaixo do braço, convenceu o Prefeito Alain para construí-la.

E Alain foi, além disso.

Junto aos Estagiários da Lua construíram a Escola de Arte, e o estudo das artes passou a ser profissão. Pelo menos na cidade de Alain, depois do Ginasial os adolescentes podiam estudar Artes, em todas as formas, e trabalhar naquilo que tivessem mais talentos.

Eva foi invitada de honras para ensinar Artes com metais. Nohiki para ensinar Artes com fibras, Stanislav instrumentos musicais, Marta composição e confecção de arranjos. Miriam assumiu como Professora de danças, e outros gênios foram chamados para ensinar entalhes em madeiras, esculturas em pedras, pintura em telas, cerâmica artística, e tudo que foi considerado arte por esse mundo.

E Peter assumiu o cargo de Diretor dessa escola.

E o início de uma nova era começou.

Quase todos os netos de Adão e dos amigos da gangue entraram a estudar artes, velhos aposentados, que não trabalhavam mais, entraram nessa escola junto com a gurizada. E cada vez que havia uma Lua cheia, era dia de concertos, dentro do teatro, ou, apresentação de balé. A cada 5 dias, quando ninguém trabalhava e se ficava em casa curtindo a família, a praça da cidade lotava para escutar uma sinfonia, sentados na grama, e comendo pipocas.

Mas a notícia que deixou o mundo em polvorosa, foi que “Z de ALPHA” fora escolhido por “00”, como um exemplo de vida universal. E “00” estava tão feliz, que ia escolher pessoalmente o primeiro Sacerdote desse mundo. Ele colocaria um medalhão no peito desse escolhido, que o faria seu representante oficial nesse planeta. Um homem com poder de tomar as próprias decisões, e que poderia transformar definitivamente “Z” numa sociedade superior.

Os Estagiários da Lua começaram erguer o templo divino em meio do mundo, em forma de pirâmide, com um grande espelho, onde “00” se comunicaria com os homens pela eternidade. Afinal, ele era o anjo mais velho da Criação. Em redor do templo os lenhadores limparam uma área para fazer um jardim redondo, enquanto os pedreiros colocavam caminhos de pedrinhas miudinhas em forma de cruz, para os homens que chegassem do Sul, do Norte, do Leste e do Oeste. Construtores edificaram oito chafarizes com peixinhos coloridos, e um bebedouro enorme para animais, e outro menor para pessoas.

Enquanto isso, os Prefeitos de todas as cidades faziam apostas sobre quem é que seria o indicado como o primeiro sacerdote de “Z de ALPHA”.

O Prefeito Alain escreveu o nome de Adão como selecionado, com sua assinatura embaixo como votante. Depois colocou uma urna na rua, para quem quisesse dar um palpite. Também colocou um cartaz, oferecendo um prêmio surpresa para quem adivinhasse o nome do escolhido.

Imediatamente Maria e Aruma Júnior, junto a Sílvia, correram para a cidade e colocaram na urna os nomes de Aruma e de Rama, assinado pelos três.

Nos dias seguintes, Malaqui e Paulina escreveram os nomes de Jesus e de Paulo assinado por elas mesmas. Délia escreveu o nome de Caim. Tatiana colocou o nome de seu avô João.

Mas, milhares de mulheres, dessa e de outras cidades vizinhas, escreveram o nome de Peter. Só podia ser ele, por ser inteligente e o homem mais lindo de “Z”.

Num almoço de fim de semana, Marta perguntou para Adão por que esse tal de “00” era tão machista. Porque tinha que ser homem, e não mulher. Adão explicou:

— Porque nos mundos superiores os homens não são mais UM. Todos os casados são uma pessoa só. Você não é mais Marta, é a metade de Estanislau. É um só. A esposa de “00” vai coroar a esposa do indicado, pois ela é a metade dele. Se eu ganhar, Eva vai ser minha rainha... Ou algo assim... Mas não vou ser eu o selecionado, não... Eu e Nestor estamos de férias...

Marta falou de novo:

— Férias do quê? Na nossa última reencarnação, você só deu pulinhos nas argolas... Quem ralou fui eu, que tive que estudar e ser enfermeira, cozinheira, lavadeira, dar concertos, sempre na corrida. Eu casei com Estanislau quase com 40 anos...

Eva explicou-lhe:

— Mas você só ralou 40 anos... Seu pai e eu permanecemos na Terra 5.000 anos... Para dar conta, tivemos que nos congelar, morrer e até nascer de novo. Trabalhamos muito... Acredite...

Jesus imediatamente perguntou:

— Eu não me lembro de nada... O que é que eu fiz na Terra, pai?

— Confusão! Agitação! Buchicho! Você e Paulo passaram mais tempo presos na cadeia, do que trabalhando. Eram perseguidos como ratos... Sua mãe saía no meio da noite, para tirá-los de todas as encrencas e eu ia junto para a fuga...

Paulo falou rindo. Quase se engasgando:

— Mas eu sou da paz e do amor, pai... Quem era os outros?

— Os piores assassinos do Universo... Teve uma ocasião, que nós três entramos num circo romano, para salvar pessoas que iam ser comidas por bestas famintas. Enfrentamos gladiadores, soldados, foi um massacre terrível! Mas conseguimos salvar muita gente! E depois de nossa morte, vocês dois governaram a Terra durante 2.000 anos. Jesus foi adorado pelo povo como “filho de Deuses”.

Malaqui se abraçou em Jesus, e falou quase aos gritos:

— Sabia que você só podia ter sido um homem muito valente! Meu herói! E esse tal de “00” vai escolher você!

Depois lhe tascou um beijo com orgulho.

Notas finais
O Prefeito Alain escreveu o nome de Adão como selecionado, com sua assinatura embaixo como votante. Depois colocou uma urna na rua, para quem quisesse dar um palpite. Também colocou um cartaz, oferecendo um prêmio surpresa para quem adivinhasse o nome do escolhido. Imediatamente Maria e Aruma Júnior, junto a Sílvia, correram para a cidade e colocaram na urna os nomes de Aruma e de Rama, assinado pelos três. Nos dias seguintes, Malaqui e Paulina escreveram os nomes de Jesus e de Paulo assinado por elas mesmas. Délia escreveu o nome de Caim. Tatiana colocou o nome de seu avô João.