Adventure Quest - A Chave De Cristal
2 O Continente Yhonu: A Cidade Subterrânea
“Era tarde, e ele estava correndo, o sol se punha no Oeste, em direção a um grande vale, ele corria e corria, enquanto outras pessoas o perseguiam, todas com algum tipo de arma diferente e gritando: “Não o deixem escapar!”. O terreno era rochoso e o garoto não conseguia correr e se equilibrar ao mesmo tempo, suas pernas já estavam machucadas de tanto cair sobre as rochas pontiagudas, sua esperança quase acabando, ele sentia que logo estaria morto, mas a razão de estar sendo perseguido ele não encontrou.
Ele era pacífico, não tinha feito mal a ninguém, apenas tentava ajudar a todos os necessitados, mas mesmo assim essas pessoas o perseguiam. Uma dor terrível surgiu em suas costas, e quando ele viu, alguém o tinha acertado com uma flecha, mas essa deveria ser uma flecha diferente pois ele sabia que flechas normais não poderiam lhe causar essa dor horrenda...”
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Stiles acordou assustado, ele estava suando, ardendo em febre. Ele apenas se lembrou do pequeno túnel pelo qual ele entrou para seguir a estranha luz que sussurrava, será que ele estava morto? Stiles não sabia dizer, mas ele não sentia nada diferente, então ele supôs que continuava vivo, e se acalmando lentamente percebeu que estava num quarto. Isso não poderia ser chamado de quarto, era uma árvore, ele estava dentro de uma árvore, e uma bem enorme, pois nela existiam diversos tipos de mobília e em cada uma diversos frascos com líquidos coloridos, cada um com uma cor vibrante.
Estranhos barulhos e ruídos aconteciam do outro lado da árvore oca, barulho de gente falando, de carroças sendo puxadas, de gente brigando, discutindo, vendendo... A cabeça de Stiles rodopiava num pensamento de desespero a ansiedade. Ele estava numa cama, feita com galhos, folhas e pele de animais. Só havia uma porta visível no casco da árvore, Stiles se levantou cuidadosamente, e ele se espantou com o que viu, suas pernas estavam curadas, nenhum arranhão sequer.
Ele decidiu que não tinha tempo de tentar descobrir como isso tinha acontecido, seu principal objetivo era sair dali e ir pra bem longe. Stiles andou sem fazer barulho e se aproximou da porta, a porta era toda feita de madeira e tinha uma fechadura muito estranha, ele colocou a mão na maçaneta e girou cuidadosamente, tentando não criar nenhum tipo de ruído. Quando a porta se abriu completamente Stiles não acreditava no que via, a árvore tinha diversos andares, com uma escada em formato de caracol no centro. E existiam também várias portas, do mesmo tipo que a que ele acabara de abrir, e observando bem, ele viu que em cada porta havia uma pequena placa, cada qual com um nome diferente, nomes de pessoas.
Rapidamente ele olhou pra cima da sua porta esperando saber mais sobre quem ele era, mas Stiles sentiu uma pontada de decepção, sua placa não continha nenhum nome, apenas um grande “X”, Stiles não sabia se isso era bom ou ruim, então apertando um pouco mais firme o que antes era um frasco vazio, ele começou a descer as escadas em formato de caracol.
Os andares eram sempre parecidos, todos tinham portas com algum nome em cima delas, ele desceu diversos andares, mas nunca chegava ao térreo, pelo que parecia essa árvore tinha mais de quinze metros de altura, Stiles já estava cansado de tanto descer a escada em formato de caracol, sua cabeça ainda ardia em febre, ele decidiu entrar em uma das portas do andar em que ele estava, então quando pôs à mão na maçaneta ele ouviu um sussurro, do mesmo tipo que ele havia ouvido anteriormente, antes de entrar no túnel.
Ele rapidamente levou as mãos aos ouvidos, achando que poderia abafar o som dos sussurros, mas ele estava enganado, os sussurros continuavam na sua mente, uma voz feminina o chamava, Stiles se recusou a aceitar o chamado da voz, mas ele não conseguia se controlar, suas pernas se mexiam sozinhas, o levando de volta, para os andares de cima, ele tentou se segurar no corrimão da escada, mas não adiantou, suas mãos também não o obedeciam. Com certeza este sussurro era algum tipo de feitiço, e um muito poderoso, pois ele não conseguia nem mesmo falar, o seu corpo o levou de volta ao andar que ele estava, com um “X” na porta.
O quarto agora estava iluminado, um tom azul banhava o quarto, ele entrou e avistou a mesma luz que o tinha feito entrar no túnel, desta vez a luz estava diferente, não era bem uma luz, era mais uma coisa, algo que emitia a luz, mas antes de olhar melhor a luz lançou um pó colorido no ar, o pó foi em direção a Stiles e ele aspirou na hora, seus olhos começaram a ficar pesados e tudo apagou.
Quando Stiles acordou ele estava novamente na cama de galhos e folhas, sua febre havia desaparecido e rapidamente ele começou a procurar pela luz misteriosa no quarto, mas não havia nenhuma, apenas uma borboleta, uma bem grande, quase do mesmo tamanho que os frascos que haviam na sala, até que alguém falou.
“Você está acordado?”
Stiles não via ninguém no quarto, será que a voz ainda estava na sua cabeça? Então a borboleta se virou, e não era uma borboleta, era uma fada, mas na sua mente ele sabia que não era uma fada, uma recordação veio em seus pensamentos, ele sabia que fadas eram maiores, quase do tamanho de humanos.
“Está me ouvindo?”
Stiles saiu do transe e balançando a cabeça freneticamente disse: “Sim”, a fada apenas sorriu e se virou para continuar fazendo o que quer que fosse.
“Meu nome é Galia, prazer! Seu nome é Stiles, não?”
“Prazer, mas como você sabe meu nome?” Stiles ficou confuso. Será que agora ele descobriria quem ele realmente era? Será que ele conhecia essa fada?
“Bom, quando você desmaiou no túnel, você só repetia isso, então presumi que era seu nome... De qualquer jeito, você foi diagnosticado com perda de memória, mas não se preocupe, não é nada grave e aos poucos você se lembrara de tudo.”
Stiles se sentiu mal, mas ao mesmo tempo feliz, alguma hora ele se lembraria de quem ele era, mas no entanto teria que continuar buscando informações sobre seu passado.
“Onde estamos? Só me lembro de ser chamado por uma voz que me levou a um túnel, e depois eu acordei aqui.”
Galia fez uma cara de culpa, e começou a se aproximar de Stiles. “Bem... Fui eu quem te atrai para o túnel, eu vi você sozinho e pensei que você estivesse perdido e acertei, como não sabia se você era confiável usei um truque para te atrair.” Galia agora sorria, flutuando pela sala, mexendo nos frascos coloridos.
“Hum... Aposto que foi você quem me controlou quando eu estava em um dos andares lá debaixo.” Stiles estava agora olhando os frascos mais de perto, cada frasco tinha um cheiro diferente, alguns eram cheirosos, exalavam perfume de rosas, canela, jasmins... Outros pareciam estar podres, com cheiros nada agradáveis ao olfato humano.
“Sim, sim, eu te controlei. Eu cheguei aqui no quarto e você já não estava, nós temos muitos andares aqui, essa árvore é um hospital, o único de Nof. Então o único jeito de te achar seria se você mesmo viesse sozinho, mas com uma ajudinha, claro!”
Stiles agora estava assustado, se ela podia controlar pessoas com este truque será que ela não o controlaria de novo? E se ela o mandasse fazer algo ruim, como atacar alguém?
“Então você é uma fada... Ou uma bruxa? Não sei por que, mas acho que fadas são bem maiores...” Galia gargalhava, flutuando no ar dando piruetas, Stiles não sabia qual era a graça.
“Claro que não sou uma bruxa e muito menos uma fada! Eu sou uma Pixie, e eu sou a médica responsável por você agora.” Galia apenas fez um gesto no ar e as garrafas coloridas começaram a flutuar, todas indo para alguma direção da sala, novamente outro gesto e um frasco vermelho veio voando em sua direção. Para um ser com aquele tamanho, Stiles achou que ela era bem forte, abriu a rolha do frasco sem esforço, mesmo a rolha sendo um pouco maior que ela.
O frasco voou em direção a Stiles, tinha cheiro de maçã com cerejas, mas ele ficou meio relutante em tomar o conteúdo do frasco.
“Pode beber, seu bobo! É um revigorante, com todos os medicamentos que eu te dei você deve ficar com um pouco de desanimo, isso vai te ajudar a recuperar as forças.” Stiles tomou um golinho da bebida e ela não era ruim, até que era bom, então ele tomou todo o frasco, ele arrotou e saíram varias bolhas vermelhas voando pelo ar.
“Pronto! Agora me siga, precisamos de novas roupas para você, podemos comprar algumas no mercado de Nof...” Galia olhou para Stiles e percebeu o que ele iria dizer, então logo disse: “Não se preocupe, dinheiro não é problema, aqui eu sou sua responsável e irei te ajudar em tudo o que precisar.” Fazendo um gesto para Stiles se aproximar, Galia deu três toques na casca da árvore e então em um piscar de olhos a madeira se contraiu, abrindo espaço para um portal, por onde ela passou com Stiles logo atrás.
Os olhos de Stiles se fecharam bruscamente devido a mudança da iluminação, ao abrir os olhos e conseguir enxergar melhor, Stiles ficou boquiaberto, ele se encontrava numa cidade, banhada por casas de formas e cores diferentes, construídas com diversos tipos de materiais, as ruas estavam lotadas, humanos, gnomos, duendes, elfos, bruxas e etc. Uma variedade de seres mágicos e não mágicos.
“Bem vindo à Nof, a Cidade Subterrânea!”
“Meu Deus! Olha só esse lugar, é enorme. Essa árvore é o hospital?”
Stiles estava mais espantado ainda, a árvore não tinha mais de cinco metros de altura, mas como ela tinha tantos andares?
“Como você pode ver, toda nossa cidade foi construída abaixo do subsolo, não teríamos espaço para uma árvore tão grande para acomodar nossos pacientes, então o Conselho de feiticeiros de Nof criou um feitiço especial para expandir o interior da árvore, assim como várias outras melhorias, como você acabou de presenciar, um portal mágico.”
Stiles estava mesmerizado com todo o esplendor da cidade, era tão colorida, cheia de vida, ele queria conhecer tudo, mas Galia já estava bem à frente, entrando em uma pequena rua de pedras brilhantes, ele correu tentando alcançá-la, mas acabou trombando com uma figura alta, usando uma capa negra que cobria seu rosto, a figura apenas olhou para Stiles, mas ele não conseguia ver o rosto do homem, Stiles tinha certeza que era um homem. “Mil perdões, não estava prestando muita atenção...” O homem já tinha ido embora, deixando Stiles se desculpando, então ele se apressou para ir ao encontro de Galia.
“Onde você estava? Não saia do meu lado, temos guardas por toda cidade, mesmo assim ainda existem assassinos de aluguel, ladrões e caçadores por ai. Se você ficar perto de mim nada de ruim acontecerá.”
Stiles ficou colado a Galia por todo o trajeto que fizeram, ele ainda estava encantado com todas as pessoas, e seres de outras raças, algumas que ele nem sabia o que eram. “Essa cidade fica aonde exatamente?”
“A cidade fica localizada abaixo do Vale Fadan, onde dizem que aconteceu uma grande guerra entre os três continentes oficiais...”
Stiles começou a lembrar dos três continentes oficiais que existiam, cada um governado por um Conselho diferente, que criava regras e controlava todo o território.
“E os três continentes oficiais são: Yhonu, Asule e Perrt.” Galia ainda explicava sobre os continentes para Stiles, mas ele já estava perdido em seus pensamentos, lembrando-se de algumas coisas que ele não sabia se eram verdadeiras. “Existem outros continentes além desses três? Acabei de lembrar um nome de um continente, acho que eu vim de lá.”
“Sim, existem outros continentes, mas não os chamamos de continentes e sim de “Ilhas”, essas ilhas são controladas por reis, geralmente criaturas mágicas que evitam contato com o mundo exterior.”
“Não sei se existe essa “ilha”, mas é um nome que veio na minha mente, enquanto você explicava... O nome é ‘Erenth’.”
Galia ficou em silêncio por alguns minutos, pensando, Stiles achou que esse poderia ser o nome de outra pessoa, ou até mesmo seu sobrenome.
“Ah sim! Existe uma ilha com esse nome, mas eu não sei muito sobre ela, dizem que a ilha inteira é uma selva fechada, e que não há registro de humanos no local, acho pouco provável você ser de lá. Chegamos!”
Várias tendas estavam agrupadas num local da cidade, cada uma com diversos tecidos, peles de animais, joias, capacetes, capas... Stiles foi correndo em direção a uma tenda que vendia roupas de algodão. Como o inverno estava próximo, Stiles pegou algumas blusas de pele de bisão, outras de pelo de raposa, um par de botas de couro, e calças de lã. Indo embora Stiles se deparou com um vendedor que vendia mantos, Stiles gostou da ideia de usar o manto para cobrir seu rosto, caso quisesse sair escondido por ai, ele não iria querer Galia em seu pé o tempo todo, ele já estava se sentindo melhor, não havia necessidade para um médico o acompanhar. Ele comprou um manto vermelho-sangue, o manto cobria todo seu rosto, assim ninguém iria o reconhecer.
Galia levou Stiles de volta para o quarto do hospital, agora em vez de frascos coloridos o quarto estava repleto de comida, algumas ele nunca tinha visto antes. Depois de comer, Stiles disse que estava com sono e que iria se deitar, Galia foi embora e o deixou só no quarto.
Duas horas haviam se passado, Stiles levantou, pegou seu manto vermelho-sangue e o vestiu, ele queria explorar a cidade um pouco mais, Galia não havia o deixado andar sozinho nem por um minuto, sempre indo aonde ela ia, agora ele queria explorar por si só. Ele se aproximou da casca da árvore, deu três toques na madeira e imaginou o portal se abrindo (Galia havia lhe ensinado como usar o portal do hospital algumas horas atrás), então a madeira se contraiu novamente, revelando o portal por onde ele passou.
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