Estava realmente escuro fora da árvore hospital, se não fossem por alguns cogumelos gigantes que brilhavam presos na parede Stiles pensaria que estava cego, a cidade era totalmente diferente à noite, poucas pessoas andavam pelas ruas de pedras brilhantes, não havia nenhuma barraca por perto, tudo havia desaparecido.

Ele vagou pelas ruas da cidade procurando se entreter com as coisas novas que ele nunca havia visto, andando por ruas cada vez mais sinuosas e estreitas, com pedras de mármore, brilhantes... Stiles estava perdido e não fazia a menor ideia de como voltar para a árvore, ele procurou por algum lugar confortável no meio das plantas que haviam pelo jardim que ele encontrou enquanto andava sem rumo. Stiles deitou no chão e se enrolou no manto, quando acordasse ele daria um jeito de voltar para a árvore e então ele dormiu.

Um grito agudo fez Stiles acordar assustado, ainda estava de noite, ele não conseguia enxergar bem, mas ele ainda estava no jardim onde havia deitado e adormecido. Ele se levantou, tropeçando no manto, então ele viu um vulto entrando numa casa a frente, chamar aquilo de casa era modéstia, no mínimo uma mansão, e agora ele percebia que o jardim fazia parte da mansão também.

Novamente um vulto entrou na mansão, Stiles não sabia o que fazer então silenciosamente ele decidiu chegar mais perto da porta, por onde os dois vultos passaram. Ele entrou pela porta, a mansão era enorme por dentro, vários corredores, com várias escadas, armaduras, prateleiras com objetos de ouro e prata e diversos espelhos. Ela tinha um ar tenebroso, várias velas iluminavam os cômodos, criando sombras esquisitas nas paredes. Stiles ouviu barulhos de passo no corredor, vindo em sua direção, ele correu e se escondeu atrás de uma armadura de ouro, umas seis pessoas passaram e subiram pela escada.

“Vai ser muito fácil! Não há ninguém aqui, podemos roubar tudo o que quisermos.” Disse um homem baixo, cheio de cicatrizes no rosto.

“Por mim, faça o que quiser, mas não se esqueça da missão, primeiro o item, depois objetos de valor.” Uma mulher magra, vestindo uma espécie de armadura vermelha falava sobre algo muito valioso e que renderia milhões.

Ela fez um sinal e os seis se separaram em dois grupos, cada grupo indo em uma direção, Stiles seguiu o grupo em que a mulher não estava, ele sentia que ela era perigosa. Eles chegaram a uma biblioteca enorme, num salão circular, então começaram a arrancar os livros das prateleiras, bagunçando todos os pergaminhos nas mesas. Até que um dos homens gritou: “encontrei!”. Stiles estava agora escondido atrás de uma prateleira cheia de livros que eles não haviam mexido ainda, quando o homem gritou que encontrou algo, Stiles ficou curioso em ver o que era o tal “item” e acabou esbarrando numa pilha de livros e pergaminhos que estavam apoiados na prateleira, eles caíram e fizeram um estardalhaço, Stiles correu para a porta que dava no corredor, mas acabou sendo acertado por um homem com um pedaço de madeira, ele caiu no chão, seu rosto doía.

O homem cheio de cicatrizes se aproximou dele e perguntou: “Quem é você?”.

Stiles não respondeu, o homem chegou mais perto e meteu-lhe um soco na cara, Stiles sentiu sua boca sangrar, mas continuou calado.

“Droga! Por que eu entrei nessa merda de mansão? Pra começo de conversa eu nem deveria estar fora da árvore...” Stiles começou a discutir mentalmente suas ações.

“Levem ele, a chefe decidira o que fara com esse bisbilhoteiro.”

Eles amarraram Stiles, e o levaram para outra sala, onde ficaram aguardando a “chefe” voltar, a sala estava escura mesmo iluminada por velas, ele achou que tinha visto dois círculos enormes e vermelhos perto da janela, mas com certeza era tudo sua imaginação, sua boca estava inchada e sua cabeça doía. A única coisa que ele queria no momento era voltar para seu quarto e deitar na cama.

A mulher de armadura vermelha entrou na sala, e ficou observando Stiles, ela se aproximou do homem com cicatrizes e ele se agachou. Ele ergueu um livro de capa marrom, cheio de diamantes e disse: “Aqui está! Athas, o livro da Guerra!” A mulher rapidamente tirou os livros das mãos do homem e começou a folhear o mesmo. “Vamos”, a mulher fez um gesto e começou a sair da sala então um dos homens perguntou: “E o garoto? Ele estava nos espionando.”

“Não precisamos dele, já sabem o que fazer, se alguém souber que viemos atrás do livro mandarão tropas do conselho para nos prender”

Ela e mais alguns homens saíram da sala, Stiles viu um dos capangas que ficaram pegar uma espada, outros dois seguraram ele ajoelhado. Ele fechou os olhos então sentiu o sangue no seu peito. Ele abriu os olhos e os dois homens estavam caídos no chão, mortos, enquanto o outro estava sendo arrastado por um homem misterioso para fora da sala.

Pouco depois o homem misterioso voltou com uma adaga na mão, e cortou as cordas que amarravam Stiles, ele se levantou para agradecer, mas recebeu um soco e acabou desmaiando.

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“Eu não recebo tanto para cuidar de crianças...” Ele jogou o garoto na cama de folhas e foi se sentar em uma cadeira que havia no quarto do hospital.

“Como você está?” Era Galia que entrava pela porta do quarto e começava a misturar poções... “Estou bem!” Foi a resposta do homem.

“Não estava falando com você, e claro que você esta bem! Qualquer um com poderes de cura estaria bem... Stiles, você está horrível, tome isso, vai ajudar a aliviar a dor”.

Stiles tomou a poção e se ajeitou o melhor que pôde na cama, ele queria ver quem era o homem misterioso, mas ele estava usando um manto que cobria seu rosto por completo. “Você conseguiu o Athas?” Galia perguntava.

“Não. Seu amigo me atrapalhou, tive que salvá-lo e Shyvanna acabou fugindo com o livro. Agora tenho outro trabalho a fazer”.

O homem desapareceu nas sombras, do nada. “Pra onde ele foi?” Stiles perguntou.

“Não sei... Talvez pegar o Athas de volta... Agora o que você tinha na cabeça pra sair por ai? Eu te avisei que existem assassinos de aluguel e ladrões a solta...”

Stiles já estava dormindo novamente, Galia se aproximou e se certificou que desta vez ele estava dormindo mesmo, então foi embora. “Você não tem jeito Hale...”

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“Stiles estava numa vila deserta, várias casas feitas de madeira e palha, não havia sinal de vida, mas de umas das cabanas saia fumaça, uma fumaça negra e branca que rapidamente se dissipava no céu azul. Ele se aproximou da cabana, tinha alguém lá dentro, ele passou pela porta e viu alguém sentado no chão, de frente pra um caldeirão que fervia numa pequena fogueira dentro da cabana. Era um senhor de idade, vestido com palha, peles de animais e folhas, ele estava de olhos fechados, e ficava murmurando palavras enquanto o caldeirão expelia a fumaça branca e negra.

Ele se sentou na frente do caldeirão, no único lugar onde havia espaço para sentar, ficando de frente pro homem, ele continuava murmurando algo que Stiles não entendia e agora tremia também. Stiles chegou mais perto para ver o que tinha dentro do caldeirão e aspirou os dois tipos de fumaça então o homem abriu os olhos, eles estavam brancos, nenhuma pupila a vista e disse numa voz estrondosa: Stilinski!

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O barulho de vidro fez Stiles acordar, ele não se levantou imediatamente, ficou deitado com os olhos fechados e relembrando o sonho que acabara de ter... – Stilinski – O que isso significava? Obviamente era uma língua diferente, talvez se ele fosse à biblioteca ele pudesse encontrar algum livro que o ajudasse a traduzir essa palavra.

“Stiles sei que você está acordado, trouxe seu café da manhã”. Galia pôs o café delicadamente na cama de Stiles, ele abriu os olhos e tentou se arrumar na cama.

“Nessa cidade existe alguma biblioteca em que eu possa procurar sobre outras línguas?” Ele deu uma mordida no pão e tomou um pouco do chá de ervas que Galia havia lhe dado.

“Claro! Nof tem a maior biblioteca que eu conheço, existem livros sobre todos os continentes e ilhas, sobre todas as línguas existentes, sobre todas as criaturas mágicas, feitiços entre outras coisas que você possa imaginar”. Galia dizia.

Prechizo ir lá afora!” Stiles falava de boca cheia, levantou e se trocou. “Desculpe, preciso ir lá agora. Tive um sonho estranho e um homem em uma espécie de transe hipnótico me disse uma palavra, acho que tem a ver de onde eu vim”.

“Licença!” Stiles saiu da frente, então Galia encostou a palma das mãos na árvore e disse: “Biblioteca Central”. Os dois foram sugados por um vórtex que se abriu onde ela estendeu as mãos, e num segundo os dois estavam em uma sala cheia de estantes com livros e pergaminhos.

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“Wow! Como fez isso?” Stiles estava espantado.

“Depois... Mayse!” Galia gritava procurando por alguém. “Aqui!” – Stiles se virou e viu quem era Mayse, uma mulher alta, linda, com cabelos brancos e compridos.

“Stiles essa é Mayse, a bibliotecária de Nof, o que você quiser saber é só pedir que ela achara o livro ou pergaminho com as informações...”

“Ei! Essa é a mesma biblioteca de ontem! Onde aqueles caras pegaram o tal do livro Athas...” – “Isso mesmo, é uma pena que nosso livro mais valioso tenha sido roubado, mesmo assim espero que eu possa ser útil em algo”. Disse Mayse e fez uma reverência para Stiles e Galia.

“Stiles você fica aqui com a Mayse e procure o que tem de procurar, eu preciso ir até o Conselho de Yhonu resolver alguns assuntos. Te vejo mais tarde...”

“Em que posso te ajudar Stiles?”

“Preciso saber sobre uma ilha chamada “Erenth” e sobre uma palavra: “Stilinski”. Stiles disse ansioso.

“Sim, como quiser”. Mayse foi até o centro da Biblioteca onde havia no chão o desenho de uma estrela, se posicionou em cima do desenho e então o seu cabelo branco e comprido começou a se mexer, como se estivesse vivo. O cabelo começou a passar entre as prateleiras e estantes de livros, era como se cada fio de cabelo fosse uma mão. Alguns segundos depois Stiles avistou dois livros vindo em direção a Mayse, segurados pelo cabelo.

“Aqui, tudo o que você quer saber sobre estes dois assuntos, em toda a biblioteca está contido nestes dois livros”.

“Hum... Parece que vai demorar um pouco até eu achar o que quero...” Stiles apontava para os livros, os dois eram enormes, grossos e com capas de couro preto e inscrições em tinta amarela.

Mayse levantou a mão para interromper Stiles e falou: “Eu te ajudo!” Mayse segurou os dois livros, cada um em uma mão, fechou os olhos e começou a falar numa tom de voz sobrenatural: “Erenth, ilha pertencente ao continente de Perrt, não há vestígios de vida humana no local, selva fechada onde animais mágicos vivem, dizem lendas que havia uma pequena aldeia no local, porém poucos são os que entram em Erenth e saem de lá para contar algo”.

Stilinski, suposto nome de um antigo clã que habitava Erenth. Não existem provas que confirmem a informação”.

“Só isso?” Stiles perguntou esperando mais informações.

“Sim”. Respondeu Mayse. “O resto das informações a respeito destes dois assuntos estão no Athas, desculpe-me, como informei o livro foi roubado, mas quando nossos funcionários o recuperarem você poderá consultar as informações contidas nele”. Então Mayse foi embora com os dois livros.

“Espera!” Gritou Stiles, mas ela já tinha desaparecido entre as estantes de livros. Stiles agora tinha pistas de onde ele veio e de quem ele pudesse ser, membro do clã Stilinski de Erenth.

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Stiles voltou para a árvore pensando sobre o que tinha acabado de descobrir, ele estava agitado, queria saber mais sobre o clã Stilinski, mas toda a informação que ele precisava tinha sido roubada no dia anterior. Stiles deitou, estava cansado e sua cabeça doía de tanto pensar no assunto, resolveu que iria dormir e conversar com Galia mais tarde para ver se eles podiam fazer algo.

Stiles acordou, não sabia que horas eram, mas estava tudo escuro e não havia nenhum sinal de Galia no quarto. Então ele acendeu uma vela e foi até a estante onde Galia deixava os frascos com os remédios que ele tinha que tomar. Ele reparou que havia um pergaminho enrolado com um símbolo estranho nele. Stiles abriu o pergaminho e estava escrito: “Se você quiser ajuda para obter as informações do clã Stilinski me encontre na praça secundária de Nof assim que terminar de ler essa mensagem”.

Stiles não pensou duas vezes, pegou seu manto vermelho e saiu para encontrar quem havia lhe mandado o pergaminho.