Notas iniciais
Este capítulo aprofunda o passado da Ino que tem sido abordado aos poucos e poucos. Espero que gostem tanto como eu que fiquei a chorar a dada altura.

Passei o Domingo todo deitada na cama, só fumava charro atrás de charro sem uma pontinha de vontade de comer. Merda, tinha de arranjar mais! Tinha de parar de pensar se eles tinham visto aquilo ou não mas se tivessem... Não sabia como estava o Naruto se a Tenten ainda gostava do Neji... Coitada devia estar de rastos. És tão burra, Ino! Não tens de fazer os outros infelizes por mais que tu o sejas! Agora também não podia fazer nada, o mal estava feito. Aliás... A merda da asneira. Era normal sentir me tao mal? Ok até era, até porque não também gostava de ver o Naruto e a Tenten agarrados. Só de se tocarem já me dava uma coisinha má por dentro.

Ouvi baterem-me a porta mas ignorei, limitando-me a ficar de olhos postos no teto. Ouvi-a chamar-me mas não respondo. Só a olhei com cara de quem queria estar sozinho, sim ainda estava chateada com ela e com o seu cavaleiro andante motorizado. Era mais do que natural visto que eles sabiam de quem eu gostava mesmo que não lhes admitisse isso, só tinha dito ao Naruto num momento de descontrole emocional.

– Vá lá Ino... — Tanto a voz dela como a expressão facial estavam tristes. Bem ao menos isso, depois do que me tinha feito passar no dia anterior, era o mínimo. Lá lhe falei mas mantive me deitada com aquele ar de quem não tem paciência para porra nenhuma.

– Desembucha de uma vez.

– Ontem tentei falar contigo sobre o que aconteceu mas... Tu desapareceste e pensei que querias o teu espaço, então...

– Queria e ainda quero por isso desenvolve para tê-lo de novo. — Era a primeira vez que era fria com ela. Algo inédito, mesmo. Até aquela nossa situação era rara visto que nunca nos tínhamos magoado uma à outra, e eu tinha noçao que estáva a magoá-la a falar assim para ela mas naquela altura não o conseguia evitar.

– Só te queria pedir desculpa... o Sasuke também quer falar contigo mas achei melhor ser eu a falar primeiro.

– Fala por ti, de certeza que se sabe defender sozinho. — Sentei-me ao ouvir o suspiro dela, já ela estava sentada do meu lado de frente para mim. Não aguentei mais e rebentei. — Sim, eu amo-o! É isso que tens andado a querer ouvir de mim, não é? É a conta disso que eu não queria mais nada com ninguém por mais mínimo que fosse e agora tenho de me lembrar que curti com o ex da namorada do rapaz em quem não paro de pensar. Magnífico, não é? — Ironizei na ultima pergunta.

– Eu sabia que gostavas dele mas não tinha noção que...

– Desculpa a sério, nós só... Eu ouvi te a resmungar no corredor no outro dia por a Tenten estar com o Naruto que... Era só... Pensamos que podias fazer ciúmes ao Naruto e que te querias vingar dela...

– o Naruto nem estava la! Vingar, para que?! Tenho mais que fazer, sabes? Alem disso eles não estavam la.

– Estavam... eu vi os a chegar já tu e o neji estavam a... A expressão do Naruto e da tenten... Arrependi-me logo... Nunca os vi assim... Nunca o vi tão fulo... Não devíamos ter feito aquilo...

– Eles viram?! — Levantei me da cama ainda mais danada. Pela minha cabeça passava um turbilhão de coisas que nem sabia explicar. — Decididamente não devia ter alinhado naquilo, não devia . E vocês não pensaram em nada! Pensem em admitir que gostam um do outro e parem de estragar a vida aos outros a fazer de cúpido. Sim, que está provado não prestarem pra isso.

– Tu é que estragaste a tua vida! Já viste bem o que fazes a ti mesma?! Isolaste de tudo e de todos! Não lutaste pelo Naruto! Ele podia estar contigo em vez de estar com ela!

– Estar com ele para quê?! Para me lembrar constantemente do medo que tenho de o magoar?! Para me lembrar que ele merece melhor do que uma pessoa que matou o próprio pai?! — Não consegui conter as lágrimas, só me encostei a parede com as mãos na cara, de costas para ela, chorando tudo que tinha acumulado. Senti-a abraçar-me pelas costas mas não me mexi, só soluçava pelo meio daquela cascata de lágrimas.

– Isso não foi culpa tua, Ino.

– Foi, foi porque eu tinha de ficar igual à minha mãe! Foi porque não fugi assim que o vi a matá-la. A culpa foi toda minha, Sah.

– Ele matou a tua mãe e ainda tentou matar-te também, não tiveste escolha. Eras tu ou ele, e sinceramente prefiro ter-te aqui comigo do que saber que ele anda por ai a fazer mal a mais alguém.

– Também não me devias querer por perto, devias ter medo de mim. Tu sabes tudo o que aconteceu.

– Sim, sei. Sei que tinhas nove anos quando o teu pai matou a tua mãe a facada mesmo a tua frente. Sei que cresceste com ele a bater-te e sempre com medo de ser a tu a seguir. Sei que quando fizeste dezoito anos ele tentou sufocar te com uma almofada enquanto dormias e ainda arranjaste força para lhe dar com o despertador na cabeça. Sei que fugiste pela casa com ele atrás de ti a tentar matar-te tal como matou a tua mãe. Eu sei disso tudo e sei porque me contaste tudo o que aconteceu, cada pormenor, cada pensamento que tinhas nessa altura. E em vez de estares grata por estares viva e lutares por ti, pelo teu futuro... Ino, tu passas as noites mergulhada em álcool, drogas e corridas tanto mortais como ilegais. Tu desististe de ti, de tudo o que não tiveste e ainda podias ter. Ainda podes ter... Podias contar isso tudo ao Naruto, podiam-se entender. Ele podia fazer-te ver as coisas de outra maneira, podia te fazer feliz que eu bem sei que não o és.

– Ele sabe... Eu contei-lhe algumas coisas depois de termos dormido juntos. Eu disse lhe que o meu pai tinha matado a minha mãe à minha frente e que tinha medo de o magoar porque era isso que tinha feito aos meus ex... Até que expliquei que não conseguia ter nada sério e pedi para sermos exclusivos mas ele chateou-se porque queria mais. Então, depois de lhe contar o meu passado perguntei-lhe se ele aguentava ficar comigo mesmo sabendo disso e ele... Ele nem respondeu, ele... E nem sequer contei o resto... Se ele soubesse nunca mais me olhava na cara. — Falei pelo meio dos soluços ao voltar-me para ela, os dedos dela limparam-me as lágrimas que ainda corriam pelo meu rosto sem cessar.

– Não sabes isso... Se falassem de novo lhe contasses o resto... Ouve bem Ino... Eu estou do teu lado desde que entraste pela porta desta casa, desde que nos reencontrámos. Luta por ele, larga essas coisas que só te fazem mal à saúde.

– Não consigo, Sah. Não consigo... Foi esta a vida a que me agarrei assim que o matei e vim para cá. Não conheço outra vida a não ser a da fuga dos sentimentos.

– Tu não foges do que sentes, Ino. Ninguém foge, é impossível... Por mais que ponhas para dentro ... Tu sentes e vais sentir sempre. É isso que as pessoas fazem, elas sentem, e tu não és diferente. Preferes ter a vida solitária a que estás habituada ou a lutar por algo melhor? Tu ainda podes ser feliz, tens a vida toda pela frente. Tu não morreste, Ino.

– Morri por dentro, Sah. Há coisas que nos mudam tanto que não há volta a dar. O que me aconteceu... Foi uma delas... Não vou depender de ninguém nem arriscar a magoar a pessoa que amo. Se ele está feliz com ela, deixa o estar.

– Mesmo que não vás atras dele promete-me que vais tentar não te matar. Promete me que vais tentar largar as drogas. Que vais tentar não te embebedar todas as noites.

– Não sei, Sah... Eu... Ok, eu vou tentar... — Abracei-a já sentindo os soluços no mínimo e as lágrimas a secar. Era hora de emendar as coisas com ela. — Desculpa ter gritado contigo, só me querias ajudar e eu... A culpa foi minha, não devia ter aceite a curte.

– Todos tivemos culpa nisso, eu falei com o Sasuke e ele provocou-te porque sabia que assim não ias recusar...

– Mesmo assim , eu magoei-te quando fui fria e gritei contigo. Esta frieza não vai embora mas posso sempre não a virar para ti. E podes dizer ao Sasuke que falo com ele se ele quiser mesmo falar comigo.

– Eu digo, mas agora vira-te é para ti. Ok? Deixa, já foi. É passado.

Depois daquela conversa exaustiva fui tomar um banho, precisava de ficar sozinha debaixo da água quente que caia pelo meu corpo, enquanto pensava em como tinha conseguido por tanta angustia para fora. Nunca tinha chorado tanto desde o dia em que tinha vindo morar com a Sah. Nunca tinha falado tanto sobre os meus sentimentos como desta vez. Nunca tinha me exposto desta maneira. E como odiava expor-me... Mas desta vez tinha sido diferente. Sentia que parte do peso que tinha sobre mim se tida ido embora. Ainda ia pensando naquilo tudo mas custava menos, era como se... Sim isso mesmo, processo de aceitação. Ainda assim estava confusa. Não sabia o que fazer mas estava grata por ter a minha prima do meu lado.

Notas finais
Será que a Ino vai mudar de ideias e lutar pelo Naruto ao mesmo tempo que tenta ultrapassar o trauma que tem com o pai? Será que a ela vai mesmo mudar o seu estilo de vida? E como será que vai correr a conversa com o Sasuke? Muitas perguntas, a serem respondidas nos próximos capítulos. ;)