Adrenaline Void
1 Memórias
Notas iniciais
Esta história começou com um improviso mas logo percebi que dava uma história linda. Pessoalmente estou a adorá-la e espero que também gostem. Aqui está o primeiro capítulo.
Não conseguia parar de pensar naquela noite. Não era por ter tido a vitoria mais fácil desde que tinha começado as corridas mas... Mas sim pelo aconteceu depois. Era verdade que não estava sóbria quando tudo aconteceu mas também não podia dizer que me arrependia até porque das minhas loucas aventuras aquela tinha sido a melhor de todas.
Só tinha passado uns dias mas tinha saudades. Era melhor não o admitir porque se o fizesse tornava-se tudo bastante mais real. Tinha de deixar andar, ver no que dava era sem dúvida a melhor solução. No entanto não conseguia deixar de duvidar que passasse daquilo.
Ele andava estranho, tanto que nem ficava muito tempo ao pé de mim depois de estarmos juntos. Eu queria dizer-lhe. Queria mesmo mas não podia, tinha medo que se lhe contasse o resto do meu segredo ele não quisesse se aproximar de mim de novo.
A minha vida nunca tinha sido fácil e não tinha boas memórias de quase nada. Era triste mas era verdade, apesar disso não me fazia de vítima. Sim, fazia-me de forte. Sim, metia me em corridas de carros, drogas e álcool mesmo sabendo os riscos que corria. Ainda assim não fazia tenções de parar, pelo menos tão cedo.
Mais deprimente era a minha memória ser a daquela noite, aquele descampado... O que aconteceu até lá chegarmos... O que lá aconteceu... Já a minha pior memória era a de ver o meu pai matar a minha mãe à minha frente completamente possuído, sim que ele parecia estar assim na altura e não tinha sido a única em que o vi assim.
Como não me apetecia pensar naquilo tentei-me abstrair olhando de novo as estrelas. Estava deitada em cima do capô do carro desde que o tinha estacionado. Vislumbrar as estrelas fazia-me sentir bem, mas começava a achar que fazê-lo sozinha era um bocado... Nostálgico.
Ouvi uma voz na minha cabeça, aquela voz que não me conseguia esquecer. Aquela voz que... Que me guiava quando me sentia pior. Não, não era a da minha mãe. A voz... Era de outra pessoa que tinha-me feito ver as coisas de outra maneira com apenas um momento. Aquele momento que não me conseguia esquecer.
Às vezes arrependia-me da maneira como tinha falado da exclusividade. Só de me lembrar da expressão triste dele mas como também lhe tinha dito a seguir os meus namorados acabavam a fartar-se de mim.
Aquele momento foi...
- Que foi? — Perguntei ao vê lo assim. Ainda há pouco estávamos tão bem nos braços um do outro... Nunca o tinha visto com a cara que estava agora. Virei a cara dele pra minha e roubei lhe um beijo antes de lhe falar de novo — Naruto... Não quero obrigar ninguém a ter coisas sérias comigo. Se fosse do tipo namoro ias-te cansar de mim. Todos os meus namorados se cansaram de mim.
- Na boa. — Ele sorriu e encolheu os ombros. — Estas no teu direito, a sério. Eu percebo isso. — Vi-o morder o lábio e olhar a janela, tentei adivinhar o que ele estava a pensar mas nada. Até que o ouvi falar de novo. — Bem... Já está tarde... Vamos? Tenho de ir buscar o carro ainda.
- Vamos mas vai-me prometer que quando achares que não te saturas de mim me pedes em namoro. — Sorri lhe e acariciei lhe a cara. Ouvi o soltar um suspiro quase inaudível antes de acenar. Aquilo significava que ele entendia mesmo o meu lado.
- Certo. — Ele saiu disparado do carro assim que abriu a porta. Segui o com os olhos e vi o tirar um charro. Ajeitei a roupa e o cabelo e sai tirando também um para mim e dando umas passas nele.
- Queres ir dormir la a casa?
- Tenho umas coisas cenas para fazer. — Olhei o chão, desanimada enquanto ele fumava de olhar triste no céu.
- Ok... Eu entendo... — Dei mais uma, adorava aquele estado em que ficava. Fumar daquilo relaxava me tanto... Reparei que ele tinha acabado o dele e ainda continuava com aquele olhar triste. Só falou quando voltou a entrar no meu carro o que me fez dar umas últimas passas no meu e mandá-lo fora também. — Eu conduzo.
- Naruto... — Disse só ao entrar cabisbaixa ainda a pensar naquilo tudo, recostei me sem dizer mais nada.
- Diz... — Olhei o de novo, ele tinha o olhar parado em mim mas ainda assim punha o cinto.
- Achas que... Posso ir dormir a tua casa? Não me apetece ir para casa, para além disso o Sasuke deve estar lá e já sabes como aqueles dois nunca se largam. Só o vi encolher os ombros antes de responder mas a resposta que ele me deu a seguir não foi muito... Segura.
- Pode ser, por mim estás a vontade. Poe o cinto anda.
- Ok, ok. — Pus o cinto olhando o sempre. Agora que via bem... Ele tinha uns olhos tão lindos... Como é que nunca tinha reparado nisso? Será que ele me achava bonita, aliás... Tão bonita como eu o começava a achar. Talvez sim, talvez não mas no meio de tantos pensamentos lá o vi desviar o olhar e arrancar com o carro.
Não conseguia tirar os olhos dos dele e quando dei por mim estava a acariciar lhe a cara. Era estranho tendo em conta que me fazia sempre de durona mas... A verdade é que me apetecia fazer-lhe um carinho. Ele continuava com aquele olhar tristonho que não me fazia sentir no meu melhor, muito pelo contrário.
Parei com as carícias contra a minha vontade e acendi outro charro. Ele acelerava no caminho de volta ao arraial onde tínhamos feito as corridas e as tínhamos ganho nessa mesma noite. A falta de trocas de palavras só acabou quando ele estacionou o meu carro ao pé do dele.
- Eu sigo-te no meu carro. — Dei-lhe um beijo só por que sim. Apetecia-me beijá-lo e quando podia aproveitava. Ele correspondia sempre e desta vez não foi excepção mas logo a seguir foi para o carro dele.
- Não te percas, já sabes que não conduzo devagar. — Aquela fez-me rir enquanto passava para o lugar do condutor, até lhe pisquei o olho ao falar de novo.
- Eu também não conduzo devagar.
O Naruto arrancou logo, segui o sempre. Tal como eu, até a conduzir se conseguia apreciar um belo de um charro. Mas mesmo antes de ele arrancar vi a expressão de zangado dele e também não pude deixar de reparar que a condução dele também tinha mudado. Ok... Normalmente era fria "nestas coisas" mas... Ah, não sejas parva Ino! Dá la mais umas passas e aproveita as sensações boas que isto te dá.
Acelerei mais ao vê-lo fazer o mesmo, não o queria perder de vista mas uma coisa era certa... Nunca o tinha visto conduzir assim e a culpa devia ser minha. Tinha feito algo de errado pra ele passar de contente a triste e agora a fulo da vida. Não consegui evitar não me sentir ainda pior ao pensar ainda mais naquilo tudo. Talvez não lhe devesse ter pedido exclusividade, se calhar ele queria mais que isso. Parei o carro e estacionei e perto e fui até a janela dele mas ele virou a cara. Ele tinha estado a chorar?
- Hei... Estás assim por minha culpa? — Fi-lo olhar me de novo. — Se for desculpa, não te quis magoar, só pensei que... Eu sou mais danificada do que... — Ele interrompeu-me e olhou-me. Nessa altura já nem sabia do meu charro nem do dele mas também não queria saber... No meio daquela conversa...
- Cala a boca. Nunca mais digas essas merdas se não nunca mais olho para a tua cara — Dei-lhe espaço ao vê-lo abrir a porta e sair do carro e parar a olhar-me. — Eu... Dá-me só um tempo, ok? Dá-me um tempo.
Ele tinha-me mandado calar?! Isso não era nada bom sinal... Mas o que disse a seguir também não foi do melhor. Porque raio lhe tinha dito aqui? Não queria que ele descobrisse o meu segredo.
- Pergunta a Sah porque fui morar com ela. Pergunta-lhe e vais perceber o que quero dizer. — Entrei no carro a chorar sem conseguir controlar. Eu não era nada de chorar e agora... Ele tinha mesmo vindo atrás de mim? Fiquei ainda com mais vontade de me esconder num buraco assim que ele se apoiou na janela.
- O que é que queres dizer com isso? O que é que isso tem a ver connosco?
- Tem a ver comigo logo tem a ver connosco. — Limpei as lágrimas, não queria que me vissem a chorar, mas acabei por começar a contar, era tarde demais para voltar atrás. Eu sou agressiva com os meus namorados, posso ser querida de vez em quando mas... Depois tenho tendência para os tratar mal e é por isso que se fartam de mim. Eu sei que a culpa é do meu pai mas... Não te quero tratar mal, percebes?
- Eu pensei que fosse diferente para ti. Pensei que me visses de uma forma diferente, de uma forma que não vias os outros. Pensei que... Sentias algo diferente por mim, apenas isso. Mas tudo bem, já percebi que as coisas não são como eu pensava. — Ele afastou-se da porta do carro mas continuava a olhar-me. — Dá-me um tempo, ok? Dá-me um tempo para poder saber como lidar com isto. Para puder digerir esta merda. Dez minutos, só. Nem que seja só isso, Ino.
- Eu dou-te o tempo que quiseres quando entenderes o que quero dizer. — Sai do carro e fui atrás dele. — Eu fico agressiva porque o meu pai espancava a minha mãe e ainda a matou à minha frente quando eu era mais nova. Por isso é que... — Corri para o carro a chorar de novo e liguei o carro. Não conseguia falar daquilo, não agora... Doía demais. Ainda vi a cara dele de choque enquanto lhe contava aquilo tudo, até desejei ele não vir atrás de mim a seguir.
- Desliga essa merda! Agora.
Fiz o que ele disse mas escondi a cara nas mãos. Estava tão arrependida de lhe ter contado aquilo mas se não lhe contasse o resto talvez... Sim, não podia dizer mais nada daquele assunto. Não queria que ele tivesse pena de mim, principalmente ele.
- Não confias em mim?
- Eu confio em ti, por isso é que acabei de te contar. Só não contei antes porque não queria que tivesses pena de mim. Só queria... Só queria ter uma relação em que não acabasse a fazer merda percebes? É só isso. E é claro que te vejo de uma maneira diferente dos outros, se não não te tinha dito indirectamente que não te queria dividir com ninguém. Foi a maneira errada mas...
- Eu não queria só... Ser só sexo, entendes?
- E não és só sexo. Mas tenho medo de te magoar e... Só achei que estaria a proteger-te se não tornasse as coisas tão sérias.
- Eu não preciso de proteção, Ino. Caramba. Eu arrisco a merda da minha vida todos os dias. — Ele olhou-me fixamente e os meus olhos foram mais de encontro aos dele. Acariciei-lhe a cara.
- Queres ficar comigo? Assim... A sério mesmo sabendo o que posso vir a fazer?
- Eu só... Eu... — Vê-lo engolir em seco foi a minha resposta. Olhei o volante triste.
- Já percebi que não... É melhor eu ir, pediste um tempo para ti e...
Ainda estava na fase de "aluamento" quando ouvi uma voz familiar perto de mim. Foi isso que me fez voltar a realidade que também não era menos boa.
- Só podias estar aqui.
- Não me digas que vieste para me levar para casa priminha. — Não a olhei mas respondi.
- Ate parece que não a conheces, Ino.
- Man, vocês não se descolam mesmo. — Olhei os tentando disfarçar o meu "não melhor" estado, até porque o Sasuke me fez lembrar que ela estava sempre preocupada comigo e não a queria procurar mais do que já o fazia. Acabei por inventar uma desculpa e fui embora.
Notas finais
E aqui está, espero que tenham gostado. Até ao próximo capítulo ;)
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