Notas iniciais
Ora aqui está o 2º capítulo...

Aquele já era outro dia mas a minha cabeça não parava de viajar até ao que já tinha passado, para piorar não tinha voltado a falar com o Naruto desde que lhe tinha contado parte do meu segredo. Parte era culpa minha que também andava a evitá-lo por não saber bem como o encarrar. Mais uma madrugada fora de casa... Nada de novo tendo em conta que correr é o que me faz fugir da realidade vazia que vivia. Naquele tempo não existe mais nada, só eu e a adrenalina.

Já fazia um tempo que andava por ai a conduzir sem rumo longe de tudo e de todos. Estava na altura de voltar... Não pude evitar pensar em como seria vê-lo de novo mas também não o podia censurar por já não querer nada comigo depois do que lhe tinha contado. Quando dei por mim estava à frente do bar onde ele trabalhava. Mandei mensagem a Sah a dizer que estava tudo bem para descansá-la e depois vi as chamadas do naruto. Ele tinha me ligado? Dei um último gole na garrafa que ainda trazia comigo, estava bêbeda e com a moca mas já era um estado tão natural para mim... Não tardei a ver o carro dele estava ali e entrar. Lá estava ele ao balcão tão ou mais bêbedo do que eu, fui até lá e sentei-me ao lado dele ao vê-lo pedir mais e a Tenten e recusar se.

– Dá-lhe que divido com ele.

– Eu quero beber sozinho. — O humor dele estava péssimo, caramba.

– Trás um para mim, entao.

– Não vos vou servir nada. Já viram bem como estão? — E lá foi ela atender outra pessoa, não reclamei só me voltei para ele.

– Desculpa não ter devolvido as tuas chamadas eu... Tive uns dias fora, precisava de estar sozinha e... Tenho saudades tuas... — Ora ai está uma coisa que nunca digo mas para ele foi igual porque fingiu não ouvir, só bateu no balcão e falou para a Tenten.

– Ok, não dês. Eu vou a outro lado, entao. — Vi-o levantar se e caminhar pra saída de casaco e chaves do carro na mão, fui atrás dele e puxei-o pelo braço. Ele estava mesmo zangado, ou comigo ou por não lhe darem mais nada para beber. Ou talvez fosse das duas coisas.

– Fala comigo.. Por favor. — O olhar dele de zangado veio na minha direção.

– O que queres? Ainda não te cansaste de me ver fazer figura de estúpido? Não. Aliás... Melhor: não te cansaste ainda de me ver correr atrás de ti feito idiota?! — O nível de voz dele subia cada vez mais. — Achas o quê? Que estou garantido para ti, é isso? Que vou sempre ser um parvo que vai estar à tua espera mesmo que desapareças durante dias sem dar cavaco a ninguém? Achas?

– E porque é que achas que me fui embora, ahn?! — Levantei também a voz. — Eu perguntei-te naquela noite se aguentavas ficar comigo e tu não conseguiste responder, então eu achei que não tínhamos hipóteses. Por isso fui embora uns dias andado por ai feita perdida. Até andava de telemóvel desligado por isso só vi as tuas chamadas quando cheguei ainda a pouco. Como ia saber que andavas atrás de mim?!

– Tu foste embora! Nem me deste tempo de pensar o que responder! Simplesmente viraste me costas e pronto! Cagaste completamente em mim! — Quando se voltou para mim baixou o tom de voz. — Não me vou dar mais ao trabalho. Não me vou dar mais ao trabalho. Para mim, chega. Não estou disposto a ser um banana a vida inteira. Não estou disposto a ficar preso a alguém que não se importa nem um pouco com o que sinto. És livre. Faz da tua vida o que quiseres, Ino. — E foi desta que saiu disparado mas não o ia deixar ir assim, ele ia ouvir o que tinha a dizer-lhe! E não ia chorar na frente dele!

– Lembraste da tua cara quando te fiz a pergunta? Lembraste como hesitaste? Tu hesitaste quando chegou a hora da verdade. O que achas que senti, ahn?! — ele olhou-me meio embasbacado sem reação mas la voltou a falar.

– E tu? Lembraste quando me pediste para sermos um do outro para sexo porque não querias nada sério? Lembraste disso?! — O olhar dele já não era de raiva e sim de mágoa. — Eu não esqueço essas coisas, ok? Posso parecer um idiota mas sei bem o que sinto e sei bem por quem sinto, por isso não me venhas acusar de algo que foste tu mesma quem começou!

– Já te tinha pedido desculpa por isso ou não te lembras?! Eu admiti que não devia ter dito aquilo e só o disse para não ter de te dividir! Disse ou não disse?! Era como se te estivesse a dizer que te amava na minha linguagem fria! — Àquela altura já não conseguia conter mais as lágrimas.

– Então... Faz-me um favor... Tenta não ser fria comigo. Sabes é que... Eu nunca o fui propriamente com ninguém então... — Depois de tanto grito veio um silêncio que não durou muito.

– Vou tentar... Mas talvez tenhas razão numa coisa... Não sou a pessoa certa para ti, mereces melhor do que eu. Desculpa por tudo eu... — Acariciei-lhe a cara depois de limpar as lágrimas. — Sê feliz. Se nos odiássemos era mais fácil acabar com isto mas... Desculpa, afastar-me é o melhor que posso fazer por ti. — Dei-lhe um abraço rápido e afastei-me a chorar de novo. Entrei logo no carro e deixei-me chorar, era a última vez que ia chorar à frente de alguém e por um homem.

Fui diretamente para casa mas quando cheguei já não conseguia chorar, já não sentia nada. Limitei-me a deitar-me na cama ainda vestida e nem dei por adormecer.

Notas finais
Espero que tenham gostado. O terceiro capítulo está a caminho... ;)