Adrenaline Void

7 Dúvidas - Naruto's POV


Notas iniciais
[Notas da SahhChan »»] Segundo Capítulo meu nesta Fic... Ou melhor, do Naruto... Ahh, vocês perceberam... xD Espero que gostem xD

Beijava-a ainda da mesma forma, deitado sobre ela na cama, descendo-lhe a boca pelo queixo em leves dentadas. Não estávamos naquilo há muito tempo... Pelo menos, não há tempo suficiente para que eu conseguisse esquecer que era ela e não a Ino que estava ali comigo, no meu quarto. Larguei a garrafa, ouvindo o som do vidro dela a partir-se mal a deixei cair contra o chão. Os meus lábios vagueavam-lhe ainda pela pele, aproximando-se do pescoço aos poucos. Do peito, depois. Tornando-se mais agressivos, à medida que eu roçava mais os dentes na sua garganta para conseguir ter margem de manobra para lhe desviar a camisola e a alça do sutiã, enquanto a minha mão lhe vagueava pela cintura, apertando-lhe as nádegas para chegar-lhe o corpo mais de encontro ao meu.

– Hmm... Naruto...

Acabei por desistir. Estava mais bêbado que um cacho, isso era certo, mas ainda conseguia distinguir bem as coisas que ouvia, e não era de todo a voz da Tenten que eu queria escutar a gemer ao meu ouvido daquela forma, naquela altura.

Apoiei-me na cama para me levantar mas a dormência nos músculos não deixou. Deixei-me cair no mesmo instante, o braço meio sobre o peito dela, a prendê-la ali do meu lado. Não que eu quisesse mantê-la ali mas, simplesmente, não conseguia mover-me. Fechei os olhos, exausto. Não disse uma palavra. Foi ela que falou.

– Não consegues... Parar de pensar nela, não é?

Não respondi. Aos poucos, fui conseguindo reunir forças para erguer a carcaça, ficando depois sentado sobre o colchão, mais mole que outra coisa. Tinha a cabeça às voltas... Mas ainda conseguia distinguir que ela não se levantara. Ainda conseguia perceber... A quem ela se referia. Mas será que... Ela não parava para pensar que eu não tinha a mínima vontade de falar daquela pessoa em particular?

Soltei um suspiro longo, antes de esticar um pouco o braço para pegar no isqueiro e num cigarro. O maço caíu direitinho no meio do chão mas nem liguei a tal coisa. Passavam-me umas coisas tão pouco aconselháveis de se fazer pela ideia ao olhar para a luz do isqueiro e lembrar-me daqueles dois a comerem-se à minha frente. Eu tinha vontade de fazer tanta coisa... Em particular de queimar uma certa parte abonativa ao menino Neji se o apanhasse à mão... Aquele... Cabrão de uma figa...

– Tenten... Eu dispenso... Conversas sobre isso...

Dei uma passa, tentando focar os olhos na pouca luz que me chegava da ponta do cigarro. Eu não queria falar sobre ela. Aliás, naquele instante... Tudo o que eu desejava era conseguir esquecer que ela existia. E, por maior esforço que houvesse da minha parte para fazê-lo, eu... Não era capaz de algo tão estrondoso assim.

Notei um movimento vindo da direcção dela. Por momentos, tentei focar a visão nela antes de levar de novo o cigarro à boca e travar o fumo para me anestesiar. Já não dava o mesmo resultado... Eu estava tão bêbado que para começar a ver as coisas mais enevoadas, era melhor optar por fumar um charro. Mas, de momento, a droga era escassa, então... Tinha de me garantir com aquilo que tinha à mão. Olhei-a sempre, observando bem o ar com que ela estava. Miserável. Lembrava-me demais de ver aqueles olhos, aqueles vestígios de lágrimas algures, agora que a encarava com um pouco mais de atenção. Lembrava-me. De facto. Seria de ver o meu próprio reflexo ao espelho que me recordava quando a via daquela forma?

– Não vale a pena... Pensares mais nele. – Disse simplesmente, apoiando o braço nos joelhos quando os aproximei da barriga. – Faz-lhe o mesmo. Deita-o fora. Livra-te dele. Expulsa-o da tua vida e não o deixes entrar mais nela. É o que... O que eu estou a tentar fazer.

Foi a vez dela de não responder. Normalmente era assim entre nós. Estávamos juntos. Hipoteticamente, mas juntos. Não falávamos muito e quando o fazíamos, eram apenas frases soltas. Era rara a conversa que tínhamos um com o outro desde que estávamos numa “relação”. Usualmente, ela falava. Eu pensava na resposta mas não a dizia em voz alta. Depois, era a minha vez de falar. E ela optava por fazer o mesmo que eu fizera anteriormente. Simples desta forma. Como não conversávamos quase, havia pouco risco de nos magoarmos. De um magoar o outro. Era como se... Tentássemos que o que tínhamos fosse protegido por um escudo que ambos erguíamos, cada um do seu lado. As coisas com ela eram diferentes. Muito diferentes, se eu pensasse em como eu costumava pensar e sentir quando era a Ino que estava do meu lado.

– Vocês são engraçados... Hás-de explicar-me um dia por que razão é que, por muito que se esforcem, vocês acabam sempre a fazer as mesmas borradas.

Pois claro, Teme, como se eu em algum universo alternativo conseguisse ser estúpido ao ponto de fazer as coisas da mesma forma que ela. Tinha sido ela quem quisera que as coisas ficassem assim. Era uma escolha dela estarmos separados, era uma opção dela ter brincado com o que eu sentia. Porque ela tinha brincado comigo. Merda, ela tinha troçado de mim.

E depois... Eu tinha visto tudo... Ela, nos braços dele, aos beijos, no meio do parque. Lembrava-me perfeitamente de tudo... Até da cara da Sakura-Chan a olhar para mim ao longe quando notou que eu vinha a chegar. A sério... Logo com o Neji? Voltei a olhar para a Tenten, notando que ela continuava abraçada ao seu próprio corpo sem dizer nada. Ela... Também devia estar magoada. Eu... Conseguia perceber que ela tentava esconder as lágrimas, ao certo com receio de que eu as percebesse e lhe perguntasse por que razão ela chorava. Mas eu não iria perguntar. Ia dar-lhe espaço. Era disso que ela precisava de momento, certo? Um tempo para estar sozinha com ela mesma. Estendi só a mão livre aos poucos, mantendo o cigarro na outra enquanto o acabava. Livrei-me dele em seguida no cinzeiro que tinha ao pé da cama, acariciando-lhe os cabelos. Eu não ia... Fazer-lhe o mesmo que tinham feito comigo. Não ia deixá-la imersa naquela maldita solidão. Ela podia estar só nos seus pensamentos, eu não ia obrigá-la a falar se ela não o queria fazer mas... Não ia abandoná-la ali. Ainda... Éramos amigos, apesar de tudo, certo?

Deixei-me deitar depois, puxando-a para o meu peito. Suspirei antes de tentar fechar os olhos. Quando ela quisesse desabafar com alguém... Com certeza, eu estaria ali. Pronto a ouvi-la. Não ia cometer o mesmo erro que muita gente já tinha cometido comigo... Incluindo a Ino. Aquela... Traidora. A sério que o Sasuke tinha escolhido o Neji para...? Aquele... Judas. Que raiva, eu... Tinha quase tanta vontade de partir para cima dele por ter tido aquela ideia como do Neji por ter aceite assim, numa boa. Ao que parece, eu já não podia confiar em ninguém. Bem... Isso era uma constante, de facto. Eu nunca tinha podido confiar porcaria nenhuma a quem quer que fosse, então... Estava apenas a comprovar que essa era, efectivamente, a minha realidade mais evidente. O Neji, ele... Ele ia pagá-las. Ou o meu nome não era Naruto Uzumaki. Ele que nem pensasse que ficaria com o que era meu sem levar o troco, sem mais nem menos.

Olhei para a mão, prendendo o pouco que a minha vista conseguia fixar nas ligaduras. Estava ali um trabalho esperto. Para dizer bem da verdade, agora que me recordava... Se a Tenten não tivesse vindo atrás de mim quando saímos do parque nem sei o que mais podia ter feito para piorar a situação...

– TU PASSASTE-TE, NARUTO?

Ouvi algures a voz dela, em pânico, assim que os seus passos me seguiram para dentro da cozinha. O estrondo dos vidros da garrafa tinha-a quase abafado, mas eu percebera os gritos pelo meio de todo aquele barulho. Eu não estava em mim, de facto. Eu só queria desaparecer dali. Cavar um buraco bem fundo e esconder a cabeça para sempre. Ou então agarrar num caco daquela merda e cravá-lo nos pulsos.

– És louco... P-Pára, Naruto, não...

– O QUE É QUE TU PERCEBES?! – Limitei-me a perguntar por cima dos gaguejos dela, totalmente a sentir os miolos amassados de tão exaustos que eles me pareciam, no momento.

– PERCEBO MAIS DO QUE PENSAS, ERA O NEJI QUE ESTAVA COM ELA!

Parei no mesmo instante. A forma como ela soluçava... Céus, eu... Eu nunca tinha pensado que ela ainda pudesse ter ciúmes dele. Bem, era normal, verdade? Eu tinha ciúmes da Ino. Eu morria de ciúmes quando algum tipo a olhava, lhe tocava, quando se metiam com ela fosse pelo que fosse. Porque... Talvez ainda a amasse, acho eu. Com a Tenten devia ser igual... Talvez ela ainda amasse o Neji... Certo?

Não consegui lidar mais com as lágrimas dela e precipitei-me para lhas secar. Beijei-a na testa e, poucos segundos depois, acabei com a distância que nos separava. Abracei-a a mim. Notei que lhe tinha manchado o ombro da camisola de sangue mas nem por isso a afastei. Ela precisava de conforto naquele momento. Eu ia permitir-me confortá-la, fazer algo que pelo menos ela tinha deixado que eu fizesse. Passaram poucos minutos até que o seu sorriso voltasse, mesmo que ela só quisesse disfarçar o choro evidente com ele.

– Já passou. Okay? – Olhou-me por instantes. Os seus olhos castanhos roubaram o azul dos meus com tal intensidade que não me atrevi a desviar o contacto. O sorriso continuou nos seus lábios. – Vamos tratar da tua mão, seu pateta. Olha bem o que fizeste aqui.

Limitei-me a acenar, seguindo-a para a casa-de-banho. Não conversámos enquanto ela desinfectava a ferida que se abrira ali, palavras não foram proferidas. O único som que se ouviu, já as ligaduras me enfaixavam a mão direita, foi o do beijo que demos. Um beijo que levou às carícias. Carícias que levaram aos amassos. Amassos que nos levaram à cama.

Respirei fundo, novamente. Os soluços dela haviam acalmado um pouco mas nem por conta disso a soltei. Deixei que ela ficasse assim, sem dizer nada, protegida nos meus braços. Mesmo que esta fachada fizesse de nós mais do que cúmplices ou meros confidentes... Para mim, ela era ainda apenas uma amiga. Talvez uma amiga especial mas... Por enquanto, apenas isso mesmo. Porque eu próprio não conseguira esquecer a Ino quando impedira que acabássemos por fazer amor nessa tarde, agarrando-me à garrafa que tinha no quarto e despejando-a goela abaixo. Mas... Sabia de uma coisa: a Tenten dava-me alguma paz. Descobria agora que estar com ela me transmitia tudo aquilo que ter estado do lado da Ino nunca me dera. Nenhuma das vezes. Porque... A Tenten mostrava que era alguém que eu podia proteger. Alguém que daria um sentido à minha existência. Alguém que... Que precisava de mim, fosse por que razão fosse. E, principalmente, ela deixava que eu a protegesse, algo que a Ino nunca admitira que eu sequer tentasse fazer. Sendo assim, então... Bem... Pelo menos, eu tinha uma razão para viver. Tinha alguém que precisava de mim. Mesmo que eu não amasse directamente essa pessoa. A Tenten conseguia adormecer aquele demónio que eu tinha cá dentro, que lutava por sair a cada corrida, a cada vez que pensava na Ino ou fazia mais uma merda qualquer para tentar meter na cabeça que estar vivo podia até ter algum sentido. Isso era bom... Tanto quanto possível, não?

Notas finais
[Notas da SahhChan »»] Parece que alguém está com dúvidas... Coitadinha da Tenten, não acharam? Eu tive bastante pena dela, ao que parece está a sofrer bastante, tudo porque o Neji é um pouco... Como direi... Idiota? Sim, isso. Serve. Até ao próximo xD