Adorable
4 3 - Máscara Quebrada
Notas iniciais
Boa leitura ^o^
*Aoi's pov*
Nós estávamos tão felizes com a situação, que eu sequer pude reparar no momento em que Uruha disse "Vou deitar".
Eu encarei aquilo como cansaço, não conseguindo ler aqueles olhos.
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Acordei pela madrugada, por conta de sede, eu sempre acabava tendo o sono interrompido por causa da sede, era algo que eu simplesmente odiava: Ter a boca seca.
Andei a passos lentos até a porta de meu quarto, me escorando na porta, eu estava mole de sono, porém, meu sono se foi quando ouvi soluços altos vindos do quarto de Kouyou. E eu não pensei duas vezes antes de ir até a porta, batendo com certa brutalidade.
– Kouyou!!? O que está acontecendo!? Kou!! — Assim que o chamei os soluços se tornaram mais baixos, e sua voz saiu fraca.
– Ah... Yuu? Eu estou com soluços, só isso. — Tentou me convencer, sua voz saindo trêmula.
– Não tente me enganar... Abra essa porta Kou... Eu não quero ter de entrar sem sua permissão. — Pedi já aflito.
– Mas está tudo bem! Foi apenas um sonho ruim! — Novamente tentou me convencer.
– Kou...por favor...Me deixa eu te ajudar. Hein? Eu só quero ajudar. Não esconda de mim suas lágrimas, se eu decidi que iria cuidar de você, não se trata apenas roupa lavada e comida, eu também quero te fazer feliz. Abra essa porta? — Um sorriso se formou em meu rosto ao ouvir o barulho da porta ser destrancada.
Adentrei o local que apenas tinha o pequeno abajur ligado. O loiro estava á minha frente, de cabeça baixa, tentava esconder seu rosto com o cabelo.
Aquela cena me tinha deixado perturbado. Desde que o tinha achado, havia percebido o quanto ele era frágil, porém, eu tinha me esquecido disso por lhe ter arrancado alguns sorrisos... Eu era um completo idiota.
Abracei seu corpo com força, percebendo ele se agarrar em minha blusa, com medo, inseguro.
– Calma... Estou aqui. — Sussurrei depositando um beijo no topo de sua cabeça.
– Yuu... Eu só atrapalho, todo mundo me encara como lixo. — Arregalei os olhos, empurrando-o devagar e erguendo seu rosto, molhado por lágrimas, entre minhas mãos.
– Ninguém te vê assim Uruha! Eu o Akira, o Kai, o Ruki. Somos seus amigos! Ninguém te vê dessa maneira. — O olhei com intensidade, tentado mostrar que o que eu falava não era nenhuma mentira.
– Mas ainda vão me ver assim! Eu sempre atrapalho! Todos me abandonaram, nem mesmo os que tinham meu corpo me quiseram! Nem pra ser puta eu presto... — Ele voltou a soluçar alto, baixando a cabeça, me deixando sem reação. — Me deixa ir embora Yuu... Antes que vocês se cansem de mim e eu seja abandonado outra vez. — Aquilo me deixou perplexo. Algo como um fogo, uma raiva, cresceu em mim, uma vontade de dar um tapa nele, como ele já tinha dito para eu fazer.
– Olhe para mim! — Ergui seu rosto dessa vez com violência. — Entenda uma coisa! Você não tem um preço, você tem um valor! Você é um ser humano, não um animal selvagem que precisa de ser domado! Você não é um peso, senão eu não tinha resolvido te ajudar! E se você se acha um peso, eu gosto de pesos então!! Eu resolvi te ajudar, não para te abandonar depois! Eu quero te ver se reerguendo, quero te ver sorrindo, estudando e tendo amigos. Eu quero um dia poder olhar pra você e me orgulhar! Por isso, nem pense em sair daqui, caso contrário serei obrigado a te algemar! — Meu rosto fervia, o loiro me olhava ainda um pouco assustado, chorando ferozmente. Por um momento, cheguei até mesmo a pensar que o tivesse magoado com alguma coisa, mas só até sentir seus braços em volta de minha cintura e lágrimas descendo em meu pescoço.
– Obrigado... Obrigado Yuu... Eu prometo ainda ser motivo de orgulho pra você.
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* Cerca de um mês depois *
– Yuu… — Kouyou chamou quando voltávamos do escritório de Saga.
Finalmente ele estava a meus cuidados.
– Sim.
– Tem algo que eu realmente quero saber mas tenho vergonha de perguntar. — Falou corando, ri, isso era algo muito comum no Kouyou.
Ele já não era tão bruto comigo, nem eu com ele. Desde aquela noite em que ele me deixou entrar em sua vida, ele parecia conformado com o fato de ter alguém cuidando dele. Ele até se tornou um pouco mimado, sempre que não conseguia dormir, vinha até mim e me chamava para eu ficar ao seu lado, até seu sono chegar.
Tínhamos uma relação boa, ele me falava o que o afligia, e o que o deixava alegre, nunca deixava de falar da escola que começaria em alguns meses, estava sempre empolgado.
Mas se tem algo que realmente me deixou feliz, foi numa noite de pesadelos, ele ter admitido algo que eu queria ouvir já a algum tempo…
*Flashback on*
– Calma Kou, foi só um sonho ruim. Tá tudo bem — falei com ele entre minhas pernas a cabeça escondida no meu peito enquanto soluçava baixinho, chorando.
– Eu sempre quis… alguém como você… pra cuidar de mim… — E após isso seus soluços começaram a cessar e logo ele dormia calmo.
*Flashback off*
Foi desde aí também que os sorrisos e demonstrações de amizade começaram a surgir muito mais facilmente. Ele era um bom garoto, toda aquela rejeição inicial, era apenas para se proteger.
– E o que você quer saber Uruha? — Perguntei ainda de olho na estrada.
– O Reita é bi certo? — Estranhei a pergunta mas respondi.
– Sim.
– O Taka é gay. — Meneei um 'sim' com a cabeça.
– O Kai é hétero. — Olhei para ele já estranhando aquilo.
– E você é? — Entendi onde ele queria chegar e sorri voltando meus olhos a estrada.
– Hétero.
– Ah… Entendi. — Sibilou baixinho, talvez pela vergonha, não estava vendo a cara dele.
– E você? Tem noção do que é já? — Perguntei despreocupadamente.
– Eu sou bi… — falou ainda mais baixinho que antes, e eu encostei o carro na frente do prédio.
– Entendo. — Sorri para ele, confirmando que ele estava muito enrubescido. — Vamos?
Saímos do carro e eu o tranquei. Assim que chegamos ao apartamento me larguei no sofá ligando a TV e Uruha parecia meio perdido olhando para o chão.
– Tudo bem Uru?
– Sim. Vou tomar banho. — E foi para o quarto. Continuei vendo TV.
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*Uruha's pov*
Só Deus sabia o quanto eu havia engolido meu choro, e agora, debaixo do chuveiro chorava muito. A razão? Ela tem um nome. Shiroyama Yuu. Neste momento meu responsável legal. Desde o momento que ele me encontrou me senti diferente perto dele. Senti que ele poderia me proteger, e foi isso que aconteceu. O problema é que havia me apegado ao Yuu de uma forma diferente, eu comecei a amar cada pequena mania dele. Eu amava tudo nele. Em apenas um mês eu descobri o que era amor. E agora, pensando assim, descobri também o que era amor não correspondido. Yuu havia me negado, mesmo sem perceber, quando disse que era heterossexual. A culpa não era dele, eu sabia disso. Tudo o que eu pensava no momento é que iria enfiar a cara nos estudos assim que a escola começasse. Isso seria minha salvação.
E mesmo que ele fosse bi ou gay, porque ele se interessaria por um moleque? Eu havia sonhado muito. A única palavra capaz de me definir, com certeza é idiota.
Desliguei o chuveiro me enrolando na toalha e indo até ao armário separando uma roupa. Ruki havia me dado várias dicas de beleza e bem… eu estava adorando, me arrumava mais, principalmente para chamar a atenção de Aoi, mas de que adiantaria? Ele sequer gostava de homens, quanto mais de mim.
– Acho que vou dar uma volta… — murmurei para mim mesmo pegando uma calça jeans apertada e desbotada e uma regata negra, pondo uma jaqueta de couro castanha por cima. Calcei meu ténis também preto e pus uma maquilhagem leve. Finalizei com um brilho incolor nos lábios e pus o perfume que Kai tinha me dado de presente. Saí do quarto e fui até a sala para avisar a Yuu que ia dar uma volta.
– Yuu eu vou dar uma volta, coisa rápida tá? — Ele não me respondeu então me aproximei do sofá. Yuu estava dormindo, calmo e com um leve sorriso nos lábios grossos. Lindo.
Me ajoelhei à sua frente e meu sorriso nasceu inconscientemente. Fiz um leve carinho em seus cabelos vendo seu sorriso se alargar.
– Cheiro bom… — falou abrindo os olhos devagar. — Uru? — Yuu estava com os lábios entreabertos e a voz sonolenta os olhos ainda se abrindo aos poucos.
– Quê? — Praticamente sussurrei e ele fechou os olhos, manhoso, com meus carinhos em seus cabelos.
– Você tá querendo seduzir alguém lindo desse jeito? — E disse aquilo com aquele rosto sereno e eu apenas sorri com certeza enrubescido com o comentário.
– Estou. — Falei sem pensar.
– Quem? — Perguntou ainda manhoso. Só aí percebi o que havia dito e me apressei a retirá-lo.
– Brincadeira. Não quero seduzir ninguém. — Ele sorriu largo.
– Melhor assim. — Prendi a respiração, será que ele se importava? Resolvi provocar.
– O quê? Ficou com ciúmes? — Meu coração estava quase saindo pela boca.
– Muito mesmo. Você é só meu. — E com isso ele voltou a dormir, me deixando ali com o coração na mão quase desmaiando. Peguei as chaves que estavam em cima da mesinha da sala e saí de casa, precisava esfriar a cabeça, imediatamente.
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*Aoi's pov*
– Uru!? — Andei ansioso por toda a casa. Uruha não estava em lugar nenhum. Me lembrava dele me avisar de que iria tomar banho e depois peguei no sono, depois disso não me lembrava de mais nada. Já estava com o celular na mão quando a porta de entrada se abriu e Uruha passou por ela com a expressão despreocupada.
– Tadaima. — Me encarou de cima a baixo, eu tinha noção de que estava pálido e ofegante.
– Yuu, tudo bem? — Perguntou se aproximando de mim rapidamente. — Você está pálido.
– Porque não me avisou que iria sair!!? — Gritei descontrolado e Uruha deu dois passos para trás.
– Eu avisei… Você até conversou comigo… Não se lembra?
– Eu provavelmente estava sonolento Uruha! Eu sou assim! E se você falou comigo quando eu estava sonolento é o mesmo que falar com alguém que tem amnésia, eu esqueço! É apenas momentâneo! Você deveria ter deixado um bilhete! Ou mandado uma mensagem para meu celular. Eu fiquei louco, eu pensei que você tinha fugido!! Que saco Uruha! Vê se toma jeito!! — Ele apenas me encarava calado, seus olhos presos em mim, mas ele não parecia realmente ouvir, estava em outro mundo.
– Seu… IDIOTA!! — Berrou saindo correndo para seu quarto e esbarrando em mim quase me levando ao chão. — EU TE ODEIO SHIROYAMA! — Gritou do quarto e aquilo foi como uma espada atingindo meu coração.
Me sentei no sofá da sala encarando a tela da TV desligada. Eu havia errado. Uruha não tinha culpa. Estava a pouco mais de um mês morando comigo e eu tinha falado como se nos conhecêssemos há anos. Depois de pensar por mais de uma hora me levantei indo até ao quarto de Uruha e bati na porta hesitante.
– Uruha, abre a porta por favor… — ele não respondeu, me ignorou. — Por favor Kou, eu errei, me perdoa, abre a porta. — Ele continuava calado, ignorando meus chamados, não se ouvia qualquer barulho do quarto. Tomei uma decisão não muito certa, peguei nas chaves de reserva de toda a casa e voltei ao quarto de Uruha abrindo a porta e encontrando Uruha dormindo o rosto ainda húmido, ele havia chorado, meu coração se apertando, a culpa me consumindo.
– Yuu seu idiota… — murmurou em meio ao sono e eu olhei indignado para Kou. Até durante o sono ele me xingava. Realmente ele estava nervoso. — Eu eu… — olhei com cara fechada para ele novamente já sabendo que ia receber um "eu te odeio" e um Uruha sonolento. — Eu… te amo… — minha boca se abriu várias vezes e as lembranças do dia vindo em minha mente.
" — E o que você quer saber Uruha?
– O Reita é bi certo?
– Sim.
– O Taka é gay.
– O Kai é hétero.
– E você é?
– Hétero.
– Ah… Entendi.
– E você? Tem noção do que é já?
– Eu sou bi… "
Uruha estava apaixonado por mim…? Saí com passos apressados do quarto, eu não podia ter ouvido aquilo.
******************
5:30 da manhã, eu não tinha conseguido dormir, teria que sair as 8 hoje e não havia dormido nada, eu tinha quase dormido quando eram 3 da manhã, mas as lembranças de Uruha me avisando que ia sair surgiram. E aquilo estava me fazendo sentir ainda mais culpado. Eu tinha de ter dito que ele era 'só meu'?
– Merda! — Me levantei da cama me dirigindo até a cozinha, iria tomar um café bem forte e depois um banho frio para acordar. Não queria deixar Uruha sozinho, mesmo que já confiasse nele depois da noite anterior estava apreensivo.
******************
7 horas. Ouvi a porta do quarto de Uruha se abrir e ele surgir sonolento, os olhos vermelhos, cabelos bagunçados, o lápis borrado e a mesma roupa que tinha usado para sair no dia anterior. Se aproximou de mim, mas passando reto, e indo até a geladeira tirando o leite e misturando com o café que eu havia feito.
Tomou, e comeu com uns biscoitos e saiu sem dizer nada. Havia ignorado a minha presença ali. Tudo bem que eu merecia, mas eu odiava que me ignorassem.
Fui para meu quarto me arrumar para o trabalho e ouvi o barulho do chuveiro do quarto de Uruha ser ligado. Pouco tempo depois ele surgiu com uma calça preta apertada e uma blusa grossa de manga comprida com um capuz, devido ao dia frio. Olhei para ele e novamente ele me ignorou. Peguei nas chaves do carro e abri a porta do apartamento passando por ela e vendo Uruha me seguir se apressando em descer as escadas enquanto eu trancava a porta.
O caminho para a agência foi silencioso, o rádio tocando uma música de uma banda que eu gostava. Uruha havia se sentado nos bancos de trás, ele realmente queria fingir que eu não existia.
Suspirei assim que cheguei a agência, vendo-o sair do carro apressado e passando pela porta principal da agência cumprimentando todo mundo com um sorriso que não havia mostrado para mim durante toda a manhã. Bufei stressado pegando o elevador. Vi que ele conversava com a recepcionista e por isso me apressei, estava atrasado.
Comecei a trabalhar tentando conter minha preocupação com Kouyou, mas pouco tempo depois ele surgiu com um sorriso nos lábios se sentando no lugar de sempre e me vendo trabalhar. Uma modelo loira chamada Eri se aproximou de Uruha sorrindo e indo falar com ele.
Enquanto fotografava outra modelo via de rabo de olho Uruha conversar com aquela modelo com sorrisos predadores, aquilo estava me irritando. Ela tinha que se oferecer tanto assim para o Kouyou? Eu estava muito incomodado com isso, e fiquei ainda mais quando Eri e Kouyou saíram. Agora sim eu estava com muita raiva. Antes ele me avisava até se ia ao banheiro e agora saía com aquela modelo para um local desconhecido e não me dizia nada? Ah, mas ele vai receber um belo castigo!
Algum tempo depois olhei no relógio, já havia conseguido fotografar quase todas as modelos, por isso, guardei minhas coisas me preparando para o horário de almoço e assim que virei o corredor vi algo não muito agradável. Uruha e Eri se beijando, ela gemendo baixinho enquanto ele por vezes se largava do beijo e sussurrava coisas no ouvido dela. Ok. Ele queria me irritar? Ele conseguiu!
Me aproximei dele o puxando pelo braço e ele fez uma expressão raivosa.
– Kouyou isso é um local de trabalho! Que palhaçada é essa!!? E você Eri!? Onde está seu profissionalismo?! — Gritei irritado. Olhando para os dois.
Kouyou sorriu cínico para mim, finalmente se dando ao luxo de me mostrar sua voz pela primeira vez no dia.
– No mesmo local onde você e Kate-san deixaram mês passado. Quem você acha que é para gritar assim comigo e com a Eri-chan? Não tente corrigir os erros dos outros quando comete erros iguais. — Aquilo foi o golpe final, apesar de cínico Uruha estava certo. Eu havia feito o mesmo. Não podia reclamar.
– Seja. Vou almoçar. — Olhei para o Uruha esperando reação, porém ele só olhava Eri com desejo, apenas desviou o olhar para falar algo ainda mais irritante.
– Peça desculpas ao Ruki por mim. Vou almoçar com a Eri.
Auto-controle do Yuu se esgotando em 5…4…3…2…1…
– Certo. — Saí pisando duro.
Definitivamente ele não tem nada de adorável!
Notas finais
Bom... Reviews? Onegai... eu amo quando vocês mandam *-*
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