Adoentada.
15 Judgment Day – Part 1.
O dia do julgamento de Terry Spooner havia chegado. Sete jurados foram escolhidos. Homens e mulheres que passaram em verificações de antecedentes exaustivas.
O juiz escolhido de forma que só fosse conhecido no dia do julgamento.
Terry chegou ao tribunal escoltado por vários policiais. Câmeras, repórteres e muitos curiosos estavam do lado de fora quando ele chegou gritando que Abby deveria arder no inferno. Gibbs tentou desencoraja-la alguns quarteirões antes para que não passe por aquilo. Abby mantinha-se firme na idéia de acompanhar o julgamento. Abby não poderia depor pois o médico a proibiu de ter emoções fortes.
McGee, Ziva, Tony, Gibbs e até Vance foram convocados para testemunhas de acusação de Terry.
Abby chegou ao tribunal com Tony e Gibbs ao seu lado sempre a protegendo de tudo. Gibbs viu que Abby não desistiria da idéia então a levou para dentro do tribunal sempre evitando perguntas dos jornalistas. Abby não se sentia à vontade sendo filmada.
Gibbs e os outros agentes não poderiam ficar na sala de julgamento durante os depoimentos dos outros. Ducky e Palmer ficaram ao lado de Abby o tempo todo.
O juiz entrou e todos se levantaram depois de ter a ordem.
— Todos de pé! – Disse alguém no tribunal.
Todos levantaram.
— O tribunal está em sessão. – Disse a mesma pessoa. – O juiz Andrew Barrett preside esse tribunal.
O juiz entrou.
Andrew Barrett não era o que se poderia chamar de um juiz popular. Era conhecido pelo seu jeito autoritário com as pessoas. Fazia o que queria e quando e como queria. Não havia milhão que o subornasse. Tinha uma esposa e duas filhas. A única coisa que ele amava mais que o trabalho era seu casamento e suas filhas. 25 anos de casado com a mesma mulher Julliette Barrett. Mulher de poucas palavras. Era cinco anos mais nova de Andrew. A primeira filha Celine tinha 23 anos e fazia curso de arquitetura. Já Emily, a mais nova com apenas 18 queria ser uma agente federal. Andrew nunca escondeu a frustação de não ter tido um filho homem e que tivesse sua carreira.
Andrew se sentou no seu púlpito. Terry tremeu na base. Ele tivera um breve desentendimento com o juiz então a coisa não seria muito fácil.
— Como chamaram ele? – Perguntou Terry para seu advogado.
— Altas recomendações eu acho. – Respondeu o advogado.
Abby tremia na cadeira. Ducky colocou a mão na testa dela. Estava preocupado que algo acontecesse com Abby ali no tribunal.
— Abigail. – Disse Ducky virando para Abby. – Acho melhor a gente ir embora daqui.
— Eu... Eu estou bem. – Disse Abby. – Eu... Eu vou ficar bem.
— Se você ficar febril eu vou te levar para casa Abby. – Disse Ducky.
— Eu quero ficar Ducky. – Disse Abby.
— Você não vai conseguir se estiver doente. – Falou Palmer. – Acho que você não deveria vir aqui.
— Eu estou bem, Palmer. – Disse Abby virando para o julgamento.
Ducky olhou para Palmer e nenhuma palavra precisou ser dita.
O juiz Andrew começou a falar.
— Esse caso em todos os meus anos de judiciário é possivelmente o mais complicado. Em 30 anos sendo juiz não vi tamanha perversidade por parte de uma mesma pessoa. Essa mesma pessoa que já passou por este tribunal, que foi julgado por tentar matar uma jovem. Jovem essa que vem a ser vítima desse homem outra vez. – O juiz parecia querer provocar Terry.
— Porque ele está falando isso de mim? – Perguntou Terry. – Ele não deveria ser mais imparcial?
— Terry. Não se complica ainda mais. – Disse o advogado.
— Está bem. – Disse Terry.
— Estamos aqui hoje para decidir se o réu Terry Edward Spooner vai receber a pena máxima de prisão ou uma pena de morte pedida pela justiça estadual devido à gravidade dos atos ocorridos há quatro meses. – Disse Andrew. – A vítima, a cientista forense do NCIS, Abigail B. Sciuto. Ela foi drogada com uma droga para tentar morrer de uma doença pneumônica com uma droga de uso controlada e quando isso não foi o suficiente ele a sequestrou dentro do NCIS, fazendo o médico legista e seu assistente de refém, amarrando-os na mesa de autopsia.
Ducky e Palmer se olharam. Palmer tentava não lembrar daquilo. Ducky só queria ter uma chance de "pesar o fígado dele" como afirmara quando foi amarrado pelos capangas dele.
Os jurados se olharam. Terry sabia que suas chances de sair livre do tribunal eram no mínimo nulas então tentou ser positivo.
— Vamos começar agora os depoimentos da acusação. – Disse o juiz.
— A promotoria chama o agente especial do NCIS Leroy Jethro Gibbs. Agente responsável pela equipe e chefe da Senhorita Abigail.
Gibbs entrou na sala e subiu a cadeira das testemunhas.
— Levante sua mão direita. – Disse o assistente do tribunal.
Gibbs levantou a mão.
— Jura dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade? – Perguntou o assistente para Gibbs.
— Eu juro. – Disse Gibbs.
— Pode sentar agente Gibbs. – Disse o assistente.
Gibbs se sentou na cadeira e o promotor que estava do lado da acusação se aproximou.
— Agente especial Leroy Jethro Gibbs. A quanto tempo trabalha para o NCIS? – Perguntou.
— A no mínimo 20 anos. – Respondeu Gibbs.
— E a quantos anos trabalha com a senhorita Abigail Sciuto – O promotor quis saber.
— No mínimo 15 anos. – Disse Gibbs.
— E o quanto o senhor a conhece? — Ele perguntou.
— Eu a conheço o suficiente para me considerar pai dela. Abby e eu temos uma relação paternal. Tanto no trabalho quanto fora dele. Nunca deixei de protege-la em nenhuma das vezes que o trabalho a colocou em perigo junto com os demais agentes. – Disse Gibbs.
— Maravilha. – Disse o promotor. – Eu gostaria de saber. Quando e como você se encontrou com o réu, Terry Spooner pela primeira vez.
— Estávamos investigando uma cena de crime na pousada da marinha. Tínhamos algumas evidencias que mostravam que havia rolado um crime em um dos quartos do local. Analisamos as evidencias fotográficas e físicas como pedaços de pele e tecidos que estavam espalhados por lá e concluímos que a cena toda foi montada. – Gibbs parou e tomou um gole de água. – Abby havia deposto em um caso de fraude financeira contra o réu e havia começado a analisar uma maleta de drogas em seu laboratório. O agente Timothy McGee havia ido ao laboratório para ver os resultados da droga. Em um certo ponto, Abby sentiu um cheiro de amêndoas no local. Ela e McGee se jogaram no chão e McGee a arrastou para fora do laboratório a ajudando a lacra o local.
— E porque eles fugiram de repente? – Perguntou o assistente.
— Havia cianeto de potássio na droga e ele virou gás quando Abby colocou um regente próprio para testar a droga. – Respondeu Gibbs.
O advogado de Terry assumiu o interrogatório.
— Agente Gibbs. Havia um suspeito na época além do meu cliente está correto? – Perguntou o advogado.
— Está certo Doutor. – Disse Gibbs. – Na época pensamos que havia sido o ex namorado da Abby que queria matá-la por não aceitar o fim do relacionamento. Num primeiro momento ele foi descarto por ter um álibi quase solido afinal ele trabalhava como limpador de cenas criminais e ele estava com a polícia nos dois dias que o crime poderia ter acontecido.
— Como foi a abordagem ao senhor Mauher? – Perguntou o Advogado de defesa.
— Seguimos todo o procedimento. A agente Ziva já estava conosco então ela e Tony Dinozzo juntamente comigo fomos até a empresa em que o senhor Mauher trabalhava.
Alguns anos antes...
— Removedor de cheiro de decomposição grátis em todos os homicídios duplos. – Leu Ziva.
— Dá para ver o porquê ela se apaixonou pelo cara. – Disse Dinozzo. – Eles têm até o mesmo gosto musical. – Tony completou a frase olhando pela porta.
Ele viu o que parecia ser uma cena de crime. Ele colocou sua arma na sua frente. Gibbs e Ziva fizeram a mesma coisa.
Tony abriu a porta e Gibbs entrou na frente e foram até a frente onde havia um corpo com um tiro na cabeça. Gibbs se virou ao sentir um flash no rosto.
O cara que supostamente estava morto abriu os olhos.
— Ei. Estragaram minha foto. – Disse.
Gibbs não entendeu o que estava acontecendo.
— Hum... Não ficou tão ruim. – Ele levantou e começou a guardar as coisas. – Estou refazendo as fotos para o catálogo. Para qualquer crime que or, limamos até o odor. – Ele pegou alguns folhetos. – Então. O que temos para hoje? Uma situação com explosivos? Descompressão de submarino? Eu nunca trabalhei com o NCIS antes.
Tony que estava com um folheto na mão olhou diretamente para ele.
— A ordem de restrição atrapalha isso. – Disse Tony se referindo a ordem de restrição que Abby havia pedido contra ele.
— Eu não sei do que você está falando. – Desviou Michael.
Gibbs se aproximou e apertou o ombro dele.
— Olha aqui. O único motivo de você ainda estar andando é porque ouvi falar de você só agora. – Gibbs parecia irritado.
Hoje...
— Então o senhor o ameaçou? – Perguntou o advogado de defesa.
— Eu exagerei eu admito. Mas eu e a Abby sempre tivemos um relacionamento mais de pai para filha do que de namorados. – Disse Gibbs. – Nunca me passou pela cabeça ter algo romântico com ela. – Gibbs estava desconfortável com aquele advogado.
— Estou satisfeito meritíssimo. – Disse o advogado.
— A promotoria ainda tem perguntas para o agente Gibbs? – Perguntou Andrew.
— Não meritíssimo. – Disse o promotor.
— Está dispensado Agente Gibbs. – Disse Andrew.
Gibbs se levantou. Ele passou por Abby e pode ver o quão desesperada ela estava com tudo aquilo.
— Desculpa Abby. – Gibbs disse quando passou por Abby.
— Eu entendo Gibbs. – Disse Abby para Gibbs, que deu um sorriso.
O julgamento prosseguiu.
— A acusação chama o Agente Especial Anthony Dinozzo Jr. – Disse Andrew.
Tony entrou no tribunal. Ele foi para seu lugar e em pé jurou dizer a verdade. Se bem que nem era preciso jurar.
— Agente Dinozzo. – Começou o advogado de defesa. – Qual é a natureza do seu relacionamento com a senhorita Abigail Sciuto?
— Somos colegas há muito tempo. E ela é como minha irmã. – Disse Tony já cortando a pergunta seguinte. – Não há como eu me envolver romanticamente com ela.
— Bom. – Disse o advogado. – Pelo que eu soube quando a senhorita Sciuto foi internada com broncopneumonia o senhor estava com ela e o agente Gibbs. Está correto?
— Sim. – Respondeu Tony. – Eu havia ido visitar a Abby na casa do agente Gibbs e.... – Tony tentou concretizar a frase, mas foi interrompido pelo advogado.
— A senhorita Sciuto estava na casa do agente Gibbs? – Perguntou o advogado.
— Ela havia passado mal na agência naquele dia. Desmaios, tonturas e falta de ar. Gibbs a levou para o Dr. Mallard examina-la. E Ducky a mandou para casa. – Disse Tony.
— Porque o agente Gibbs a levou para casa quando ele deveria manda-la para um hospital? – O advogado queria tentar acabar com Tony, mas Tony estava determinado em não deixar isso acontecer.
— Abby estava com febre e algumas perdas de consciência sinais claros de um forte resfriado. Ducky fez um exame rápido nela e Gibbs a levou para a casa dele porque seria mais conveniente e não desejava deixar ela sozinha. Você não deixa uma pessoa a quem você gosta muito sozinha quando ela está morrendo então Gibbs tomou a decisão de leva-la para casa com ele. – Disse Tony.
O advogado estava sem palavras. Ele achou que seria fácil Tony estragar o caso, mas ficou bravo por não conseguir fazer isso.
— Estou satisfeito. – Disse o advogado. Ele virou para Terry que estava totalmente desolado.
— A promotoria tem perguntas para o agente Dinozzo? – Perguntou o juiz.
— Sim meritíssimo. – O promotor se levantou e foi ao encontro de Tony. – Agente Dinozzo quando começou a desconfiar que o Sr. Spooner estava envolvido na doença de Abby?
— Começamos a desconfiar assim que fizemos alguns exames na Abby fora dos andares do hospital. Coletamos amostras de sangue e pele para determinar a droga utilizada em Abby. – Disse Tony.
— Porque achou que Abby havia sido drogada e não tinha ficado doente sozinha? – Perguntou o promotor.
— Era uma semana quente, estava 30 graus até na sombra. Abby não havia ido para nenhum outro local. Uma gripe de verão poderia ter sido um diagnóstico mais simples já que ela apresentava todos os sintomas. – Tony havia escolhido muito bem as palavras.
— Certo. Como ela foi drogada senhor Dinozzo? – Perguntou o promotor.
— Quando recebi as amostras dela eu as levei para o laboratório do NCIS direto. Nosso outro agente que consegue analisar provas, o agente Timothy McGee as analisou com a ajuda do assistente legista Jimmy Palmer. – Disse Tony. – Eles passaram a noite atrás de uma droga fora da lista fornecida pelo hospital.
— O que estava nessa lista? – Perguntou.
— Era uma lista com as drogas que estavam administrando em Abby no hospital no momento em que as amostras foram retiradas. – Tinha várias coisas.
Algumas semanas atrás...
"- Mande uma amostra de sangue para McGee e a relação de drogas que eles estão dando aqui na emergência. Peça para ele procurar qualquer droga fora delas. – Disse Tony."
Tony saiu do quarto e foi falar com as enfermeiras.
— Oi. Agente Tony Dinozzo. – Disse mostrando o distintivo. – Eu preciso de um favor.
— O que precisar senhor. – Disse uma enfermeira.
— Eu preciso de amostras de sangue da Senhorita Abigail Sciuto. – Disse Tony. – É para uma investigação.
— Ela é bandida? – Perguntou uma das enfermeiras.
— Não. – Disse Tony. – É uma agente federal. Queremos confirmar o que está errado.
— Não confia no hospital – Perguntou.
— Na verdade a gente precisa de um local fora do ambiente hospitalar para poder confirmar. É coisa de protocolo. – Disse Tony.
— Claro. – Disse a enfermeira. – Aqui está.
Ela entregou sangue e pele retirados de Abby.
— Eu também preciso de uma lista de drogas que estão sendo administrados nesse momento nela. – Disse Tony. – Protocolo. – Completou Tony.
— Claro que sim. – A enfermeira imprimiu o prontuário de Abby com todas as drogas que ela estava recebendo.
— Obrigado. – Disse Tony.
A enfermeira deu um sorriso para Tony e ele saiu.
Dias atuais...
— O que encontraram no sangue da Senhorita Sciuto? – Perguntou o promotor.
— Encontramos uma substância chamada Amiodarona. – Disse Tony. – Em pequenas doses é usada no controle de doenças cardíacas, mas seu uso a longo prazo ou sem controle pode acarretar em broncopneumonia que foi o que aconteceu com a Abby.
— Você sabe como ela foi drogada? – Perguntou o Promotor.
— Ela parava em um carrinho de refrescos antes de vir para o NCIS. Ele costumava ficar na Praça do NCIS. Mas quando Abby foi parar no hospital ele desapareceu e nunca mais visto. – Disse Tony.
— A promotoria não tem mais pergunta meritíssimo. – Disse o promotor.
— Este tribunal entra em recesso até amanhã as nove da manhã. – Disse Andrew.
Terry foi algemado e levado de volta a cadeia. Abby voltou com Gibbs para a casa dele.
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