Gibbs estacionou na entrada e desligou o carro. Ele olhou para Abby. Ela estava dormindo, mas não parecia ser um sono tranquilo. Ela estava tremendo o tempo todo e mudando de posição a cada poucos minutos durante a viagem.

Ele, por outro lado, estava suando porque tinha desligado o aquecedor em uma tentativa vã de mantê-la aquecida.

Gibbs saiu do carro, foi para o outro lado e abriu a porta e a chamou.

— Abby, acorde, eu preciso te levar para dentro. — Gibbs disse calmamente.

Não houve resposta.

— Abby. Gibbs disse um pouco mais alto.

Abby não respondeu outra vez.

— Abby! — Gibbs a sacudiu gentilmente.

Abby tremeu, mas virou a cabeça para Gibbs e abriu os olhos lentamente.

— O que foi, Gibbs? – Perguntou Abby. Sua voz quase não passava de um sussurro.

Gibbs suspirou aliviado.

—Chegamos Abby. – Disse Gibbs. – Vou te tirar do carro.

Abby acenou e virou-se no assento, colocando os pés no lado de fora do carro e segurando as mãos em direção a Gibbs. Ele a pegou e lentamente puxou Abby para fora do carro. Ele fechou a porta, depois pegou Abby e a levou diretamente para dentro de sua casa e subiu as escadas até seu quarto.

Ele deitou Abby na cama, mas ela se sentou e disse:

— Gibbs, eu posso dormir no quarto de hóspedes, para que você possa dormir aqui. – Disse Abby se levantando da cama.

— Está é mais confortável para você, Abby. – Disse Gibbs impedindo Abby de levantar.

Gibbs deixou claro o fato de que não planejava dormir enquanto Abby estava doente e precisaria de sua ajuda.

No entanto, Abby conhecia muito bem Gibbs e disse:

— Gibbs, você também precisa dormir. Eu vou ficar bem, e se você não dormir você também ficará doente. – Abby insistia nisso.

— Mas não sou eu que está doente agora, Abbs. – Disse Gibbs. — É você. Não se preocupe comigo. Agora deite e durma um pouco.

— Ainda não. Não poderei dormir com essas roupas. Abby disse enquanto tirava as botas.

— Ok, o que você quer para dormir? – Gibbs perguntou, indo para a gaveta que guardava suas roupas nos tempos em que Abby passava a noite em sua casa, geralmente depois de festas em clubes que estavam mais perto de sua casa do que a dela e quando ela estava muito bêbada para ficar sozinha.

— Não, não minhas roupas. – Disse Abby. — Posso usar algumas das suas calças de moletom e uma camiseta antiga?

— Claro. Pegue o que for. Você pode mudar enquanto eu vou fazer um café.- Gibbs disse enquanto os pegava e alcançava para ela. — E não, você não pode ficar com nenhum deles. Você vai dormir assim que você se trocar. — Gibbs acrescentou antes que ela pudesse pedir.

— Ah, Gibbs. Por que eu não posso ... — O resto da sentença se transformou em uma bagunça ilegível enquanto Abby tentava terminar sem bocejar.

— Porque não, Abbs. Se troque agora. Eu voltarei. – Disse Gibbs. Ele saiu e fechou a porta.

Abby ficou no quarto se trocando. Colocou a camiseta e calça que Gibbs havia lhe entregado e tentou dormir um pouco.

Gibbs estava na cozinha fazendo café quando ouviu um grito perfurar o ar silencioso da casa. Ele pegou a arma da mesa e subiu as escadas enquanto os gritos continuavam.

Gibbs abriu a porta de seu quarto, puxou a arma, mas não viu nada fora do comum, além de Abby, agitada e gritando, sentada em sua cama, com os olhos arregalados para o chão em frente a seus pés. Gibbs guardou a arma e começou a atravessar o quarto e os gritos de Abby mudaram de uma bagunça incoerente para palavras que Gibbs conseguia entender.

— Não! Gibbs! Eles vão pegar você! Você deve matá-los! Ajuda, Gibbs, ajude! Eles vão me comer! Gibbs! Socorro! – Abby estava agitada.

Gibbs estava confuso. Ele não se aproximou dela, mas ele olhou nos olhos dela. Ela ainda estava encarando seus pés. Ele olhou para baixo e viu nada além do velho tapete.

— Abby, acalme-se, não há nada lá. – Gibbs tentava sem sucesso acalmar Abby.

— Sim, há, Gibbs, e eles vão me comer se você não os matar! — Abby não podia ser acalmada.

Gibbs pôde ver que ela estava histérica e não sabia o que fazer. Ele não conseguia descobrir o porquê de ela estar gritando ou como acalmá-la, já que não queria que ele se aproximasse dela.

Então ela bateu em Gibbs quando ele se aproximou dela. Gibbs entendeu que ela estava confusa e tratou de achar uma maneira de acalma-la. A febre alta estava fazendo com que ela alucinasse.

Ela estava vendo algo que Gibbs não podia ver o que a assustava. Ele lembrou uma vez em que isso aconteceu com Kelly. Ele de como havia lidado com a situação, e ele estava certo de que poderia fazê-lo agora.

— Ok, o que eles são Abby? O que vai te comer se eu não matar? – Gibbs entrou na alucinação de Abby.

— Serpentes! Em todo lugar! Serpentes! Gibbs, me ajuda. – Abby estava mais histérica agora.

Não desejando fazer buracos em seu chão, Gibbs colocou sua arma na cômoda e começou a pisar em seu quarto como se estivesse matando as criaturas.

— Estou vendo eles, Abbs? Eu estou matando eles? – Gibbs dizia enquanto pisava.

— Gibbs! Há muitos! Você não pode mata-los todos! – Abby ficava mais histérica a cada minuto.

— Oh, sim, eu vou! – Gibbs sabia o quanto estupido era, mas se ajudasse Abby ele se sentiria bem. Ele continuou a pisotear. — Matei um! – Dizia cada vez em que seu pé batia no chão. Então fez um gesto de coletar cachos das criaturas invisíveis e jogar fora da sala.

Ela começou a se acalmar até que algo a fez voltar a gritar.

— Ahhhhh! Gibbs! Me ajuda! Elas estão na cama! Gibbs! – Abby gritava o quanto poda coma voz rouca. Ela precisava descansar para se recuperar.

Gibbs entrou na cama e fingiu capturar e matar as cobras invisíveis.

— E agora, todos se foram! Não? – Gibbs se virou e olhou para Abby.

— Sim, obrigado Gibbs. –Abby recostou no travesseiro, esgotada e imediatamente adormecida.

Passado o susto Gibbs puxou sua velha poltrona ao lado da cama, sentou-se e pegou o celular.

— Dr. Mallard falando. – Disse Ducky ao atender o telefone.

— Oi, Ducky, sou eu. – Respondeu Gibbs sentado na poltrona ao lado de Abby. Ela parecia dormir tranquilamente se poderia dizer isso.

— Ah, Jethro, como está a Abigail? – Perguntou Ducky preocupado com Abby.

— Bem, nós tivemos uma experiência interessante, e eu preciso saber se preciso levá-la ao hospital ou se ela estiver bem aqui. – Respondeu Gibbs. Ele a levaria se fosse preciso.

— Oh, Jethro. Bem, o que aconteceu? – Perguntou Ducky.

— Ela alucinava que havia cobras na sala. Ela acordou histérica e gritou que cobras iriam comê-la. – Disse Gibbs. Ele podia imaginar a cara de espanto de Ducky.

— Bem, ela ainda os vê? – Perguntou Ducky ainda mais preocupado.

— Não. – Disse Gibbs sempre de olho em Abby.

— Por que não? – Perguntou Ducky.

— Ela está adormecida.— Gibbs estava com um sorriso de orgulho.

— Jethro, mais informações, por favor, como você conseguiu fazer ela dormir se ela estava histérica? – Perguntou Ducky intrigado.

— Eu os matei. – Disse Gibbs com o orgulho de si mesmo quase transbordando.

— O que? Você matou o quê? – Ducky estava cada vez mais curioso.

— As cobras invisíveis. – Gibbs levantou-se o suficiente para checar Abby dormindo.

— Oh, Jethro, muito inteligente! – Disse Ducky. — Bem, eu acredito que a nossa jovem Abigail vai ficar bem. Provavelmente foi apenas o corpo dela lutando contra a pior febre que ela já teve. – Ducky estava preparando uma xícara de chá. — Ele provavelmente vai melhorar depois disso. Basta colocar um pano frio na cabeça e deixar. Se ela acordar e ainda estiver com alucinações, então teremos um problema. Mas acho que ela está em boas mãos com você e não precisa de um hospital. – Finalizou Ducky.

— Ok, então você acha que quando a febre baixar ela vai ficar bem? – Perguntou Gibbs.

— Sim, ela provavelmente voltará ao normal em alguns dias. – Disse Ducky com um toque de ironia.

— Normal. Essa é uma boa piada, Ducky. – Disse Gibbs dando uma risadinha.

— Oh, Jethro, você sabe o que quero dizer, seu eu normal. – Ducky completou

— Ok, obrigado Ducky. – Disse Gibbs.

Ele desligou e foi ao banheiro para pegar uma toalha. Molhou-a e colocou-a na testa de Abby. Ela se agitou, mas não acordou. Gibbs se sentou em sua cadeira e retomou a vigília, rezando para que ele não tivesse que matar mais cobras por muito tempo.

Gibbs acordou no outro dia. Havia pego no sono enquanto cuidava de Abby. Ela ainda dormia quando ele acordou. Gibbs checou a temperatura de Abby. Ainda estava alta. Foi pegar outro pano molhado para colocar na cabeça dela e fazer café. Ele não voltaria para a agência tão cedo.

Tony e McGee foram à casa de Gibbs visitar Abby.

— Oi Dinozzo.- Disse Gibbs atendendo a porta. – Oi McGee.

— Oi chefe. – Disse Tony. – Viemos ver Abby.

— É... Desculpe vir sem avisar. – Disse McGee envergonhado.

— Não precisa se desculpar. – Disse Gibbs. – Eu já ia ligar para vocês dois. Entrem. – Disse Gibbs convidando Tony e McGee para entrar.

— Obrigado. – Disseram os agentes juntos.

Gibbs levou Tony e McGee para cima onde Abby estava.

— Tivemos uma experiência muito interessante ontem à noite. – Disse Gibbs.

— Que tipo de experiência chefe – Perguntou Tony.

— Ela alucinava com cobras. – Disse Gibbs.

Tony e McGee se olharam assustados.

— Provavelmente a febre dela a fez alucinar desse jeito. – Completou Gibbs. – De qualquer jeito a ajudei a melhorar. – Gibbs se sentia orgulhoso.

Eles chegaram ao andar de cima e Gibbs tocou a maçaneta.

— Antes de entrar coloquem o celular no mudo. – Disse Gibbs. – Porque se ela ainda estiver dormindo e o celular tocar ela pode se assustar.

— Tudo bem Gibbs. – Disse Tony. – É justo.

Tony e McGee colocaram seus telefones no mudo. Gibbs apertou a maçaneta e os três entraram. Abby não estava na cama. Gibbs foi para o outro lado e encontrou Abby no chão.

— Tony. McGee. – Gritou Gibbs para os dois agentes que vieram correndo. – Ajudem aqui.

— O que aconteceu? – Perguntou Tony.

— Ela provavelmente caiu tentando se virar. – Disse Gibbs.

Tony pegou Abby junto de Gibbs e McGee e a colocaram na cama. Gibbs tocou a testa de Abby e percebeu que a febre ainda não tinha baixado.

— O que ela tem? – Perguntou Gibbs. – Porque a febre não baixa? – Gibbs se sentou na beira da cama do outro lado de Abby.

— Não seria melhor chamar Ducky ou leva-la para um hospital? – Perguntou Tony.

— Vou chamar Ducky primeiro. – Disse Gibbs pegando o telefone. – Oi Ducky. É Jethro. Preciso de você aqui.

— Qual o problema Gibbs? – Perguntou Ducky preocupado.

— Abby ainda está com febre alta. – Disse Gibbs com uma voz preocupada. – E ela não baixa. Há pouco ela estava no chão quando entramos aqui.

— Entramos? – Perguntou Ducky.

— Sim. Eu, Tony e McGee. – Disse Gibbs. – Eles vieram visitar Abby. E me ajudaram a levantar Abby.

— Quer que eu vá até aí? – Perguntou Ducky.

— Seria ótimo. – Disse Gibbs. – Estaremos esperando. E traga Vance aqui.

— O diretor? – Perguntou Ducky.

— É. Se Abby precisar ser internada ele pode fazer os arranjos rápidos. – Disse Gibbs. – Se for preciso.

— É claro. – Disse Ducky. – Estaremos aí em pouco tempo. – Ducky desligou e chamou o diretor.

Eles foram direto para a casa de Gibbs.