Adão e Eva, e os filhos de Agarta. Primeira parte
6 Cap. 6. O nascimento de Areti
Notas iniciais
Como o povo africano Khoisans sabia que Adão era um ancestral, e que estava ali para fazer desse povo uma grande nação, suas palavras eram sempre ouvidas com atenção e o maior respeito. Os nativos nas suas festas noturnas contavam histórias, tanto dos mortos quanto dos vivos, e a ascendência genealógica era lembrada dia após dia, para que gerações futuras sempre soubessem que eles descendiam de ancestrais sábios e inteligentes.
Embora não existisse um culto a divindades sobrenaturais, como acontecia na Índia e no Egito, os Khoisans falavam do Universo, da terra, da natureza, unindo tudo numa corrente sem fim, conectados com a “Força Vital”. Essa “Força Vital” unia o mundo visível com o invisível. Não existia a morte para esses nativos, apenas a passagem de um estado para o outro, do qual eles voltavam, em encarnações periódicas. E Adão e Eva eram ancestrais que haviam voltado da morte. E seus nomes eram falados, unidos a nomes de outros ancestrais ilustres.
Adão se uniu aos relatos, acrescentando histórias de outras encarnações. Falou da evolução dos “Homo Sapiens”, das andanças desses antepassados, cujos caminhos se espalharam pelo mundo afora. Sempre rabiscava no chão um mapa mundial, para mostrar aos homens o lugar onde estavam, e os vilarejos onde havia outros homens, alguns de pele bronzeada, outros de olhos puxados, e a cidade dos alienígenas que vieram com ele, viajando através das estrelas.
Enquanto Adão falava com os mais velhos, rodeados de crianças que os escutavam como quem ouve um sábio, Eva entrava na dança com as mulheres. Só que aqui tudo era diferente. As mulheres em outros povos da terra dançavam para se divertir e excitar os homens. Na África tudo era místico. Os homens entravam em transe, as mulheres também, e viravam a noite mexendo o corpo ao ritmo dos tambores. Também rolava sexo, mas era na privacidade de suas malocas.
O mais extravagante desse povo era o costume de educar os jovens nas práticas amorosas. Mulheres viúvas seduziam rapazes, e os levavam para casa. Na intimidade, mostravam o que deveriam fazer quando escolhessem uma moça para viver junto, e gerar filhos saudáveis. Não havia viúva triste nesse lugar do mundo. Quando a folia começava, Eva mexia os quadris dançando de seios nus, suada, boca sedenta, pois sabia que Adão não resistiria a essa miragem. Os músicos que tocavam, eram geralmente jovens que ainda não entravam na maratona do sexo, ou velhos que se revezavam com eles.
Os caçadores saíam da tribo antes do raiar do Sol. Como Adão era considerado um “igual”, teve que pegar uma lança e se perder no mato com os homens, em busca da trilha dos cervos. Enquanto Adão caçava, Eva saía em busca das mulheres que preparavam a comida. Batia a mandioca dentro de um cocho, até fazer a papa da farinha. Colocava água e continuava a socar essa massa até ficar macia. Só então o biju era moldado com as mãos. Eram enfileirados entre as brasas quentes, e depois de cozidos ordenados em grandes pratos de madeira entalhada.
Eva observou esses utensílios magníficos. Tudo ali era de madeira. Assentos, o cercado da parede externa, e as armas. As pontas das lanças eram queimadas de leve, para dar firmeza na hora do abate. Eva examinou os telhados de paus firmes das moradias, onde repousavam as folhas trançadas das palmeiras, e entre o barro também achou uma estrutura interna de madeira. Começou a prestar atenção nas cores. Havia ébano, preto como os nativos, em forma de carrancas, uma acima da outra. Levantou as ondas telepáticas para falar com Mônica em Atalanta. Pediu que procurasse na sua casa os instrumentos para esculpir e que enviasse por um “pombo correio”.
Quando os caçadores voltavam, era sempre ao entardecer. As portas se abriam e os homens entraram como heróis. Todas as mulheres os abraçaram, beijaram, os filhos os rodearam, pois a caçada era sempre farta, e duravam muitas Luas. Adão também trazia peixes do Lago, ostras, que limpava e colocava no fogo junto com os animais. Depois, tudo era festança, mais uma vez. Os homens contaram suas lendas, enquanto comiam com educação, por cima de folhas de bananeiras, sem pressa, escutando os mais velhos falar. Todos de barriga cheia, o som dos tambores cruzava a selva, mexendo com a alma dos homens. Haviam alimentado o corpo, e agora era a vez de alimentar o espírito. Ou seja, dança e sexo, até o amanhecer.
Quando não havia caça nessa tribo, havia esporte. Os jovens lutavam dando saltos, acrobacias, sempre ao rimo de tambores, pois a música entrava para complementar os movimentos. Adão entrava no meio. Contente que nem guri. Eva o olhava, e lembrava que nunca o havia visto tão feliz e tão solto. Não era mais o homem sério preocupado em salvar o mundo. Era apenas o homem, que havia retornado às origens. Elevou uma prece para o alto, e pediu a “00”, que depois dessa missão os enviasse para um planeta igual à África. Exatamente igual em tudo, pois seu marido merecia um descanso.
Eva terminou sua escultura de ébano, rodeada de mulheres que admiravam seu talento. Uma escultura de um homem ajoelhado, abraçando as pernas, no estilo das carrancas. Cortes estilizados, angulares, decorados com pedras incrustadas. As mulheres na verdade eram as que mais trabalhavam, pois além de caçar, dançar, contar histórias e fazer amor, os homens não faziam mais nada. Eva, além de esculpir, saía com suas amigas a percorrer a floresta em busca de cocos, bananas, mamão, pois a selva estava cheia de frutas. Carregava nas costas, como todas elas, se ajudando com levitação, e desintegrava bichos peçonhentos num diâmetro de 10 metros. Os felinos manchados chegavam sempre junto, para o abraço de sempre. Dois filhotes recém-nascidos que já eram seus, pois lambiam as pernas de Eva com adoração.
Com o passar do tempo, Adão hipnotizou elefantes, para que se deixassem montar, e Eva com as mulheres tiveram dias mais festivos. Os elefantes aguentavam pesos maiores, e se podia extrair das árvores frutos mais altos. Eva subia nos galhos que nem macaca, e lançava de tudo para baixo, por cima das amigas, que acumulavam o banquete nas costas dos animais.
Dentro da tribo, Eva fez muda de árvores para fazer o pomar, e Adão ensinou aos homens plantar a mandioca, marcando os dias mais propícios do ano. Também ensinaram os nativos a puxar leite de zebus, de cabras, para alimentar os mais jovens.
Como as mulheres já sabiam tecer a linhagem e costuravam com agulhas de cactos, Eva só lhes ensinou a cultivar o algodão, transformar em fio, e a tecer de diferentes formas. Tricô com agulhas de madeira, mantas no tear, e a fazer cordas com a mão.
Adão decidiu ensinar aos homens edificações maiores em madeira. Mostrou que uma viga podia encaixar na outra, formando as bases firmes de uma construção. Fez moradias de dois andares, em forma de palafitas, com escadas externas, janelas grandes, e colocou no telhado as folhagens, numa amarração mais firme. Ensinou-lhes a fazer mesas e cadeiras, para colocar dentro de casa. Eva teceu tapetes para o chão, cortinas para portas e janelas, toalhas para colocar por cima da mesa, e esculpiu pratos de madeira, individuais.
Enquanto passavam os dias, Adão devolveu a si mesmo a fertilidade, e esperou que a natureza reagisse por si só. No meio do amor noturno, Adão perguntou a sua mulher se adoraria ter uma filha.
— Amaria. Mas, gostaria que fosse preta, com eu estou neste momento...
— Seria linda demais... Você nunca esteve tão sensual, tão ardente, me deixa louco só de olhar para essa negrura.
— Eu gostaria de nascer preta na próxima reencarnação...
— E eu? Quer-me loiro de olhos azuis?
— Não, o quero bem negão. Quase com pele azul...
E as risadas se confundiram no ar, com os gemidos da paixão, dos tambores, enquanto suavam no calor tropical. Aliás, foi na África que descobriram o cheiro do corpo. Acostumados a banhos perfumados, na selva não havia sequer sabão de coco. Somente água do Lago, onde os homens tomavam banho esfregando folhas, ou pétalas de flores. Só. O cheiro do suor era afrodisíaco, excitava os sentidos, e o odor forte entre as pernas, era mais estimulante ainda. Adão acordava de manhã e sentia o cheiro de sua mulher subir até suas narinas. Eva estava sempre suja. Era mistura do suor da dança, do amor noturno, da cozinha, pois ela fazia a comida por cima de fumaça. Tinha vezes que subiam na nave, para tomar um banho com sabão. Também Eva aproveitava para fazer um jantar sofisticado e ver televisão. Tinha vezes que namoravam durante uma semana a fio. Lá embaixo, os homens riam entre si nessas fugidas de Adão, pois todos sabiam que o homem estava comendo a mulher que nem cão. Quando finalmente desciam a se misturar entre o povo, as mulheres rodeavam Eva, enquanto os homens enchiam Adão de piadas:
— Está mais magro, né?
— Está fraquinho? Cansado?
E riam em coro com gargalhadas gostosas.
Os dias vividos nessa tribo foram a melhor época, a mais feliz, a mais longa, de todos os dias vividos nessa viagem. Em Atlântida e Lemúria, os professores cansaram de esperar a chegada do “Chefe Supremo Adão” e Abel coordenava o trabalho do ensino dos professores, organizava a construção da Base Lunar, ajudado por Fernando e Mônica.
Enquanto isso na África, na tribo dos Khoisans, a barriga de Eva crescia, o algodão florescia e os canteiros com legumes eram cuidados com zelo. Os filhos de outras mulheres também nasceram. Adão recebia os bebês, cuidava das mães, e ensinava medicina para quem quisesse aprender. Mostrava como puxar o recém-nascido entre as pernas, como fazê-lo respirar, como limpar seu corpinho, e de que maneira se cuidava da mãe para evitar-lhe hemorragias. Também instruiu aos homens na fabricação de mistura de ervas para abaixar a febre, para mordidas de cobras, para gripes, tosses, pois o bosque tinha a maior farmácia de remédios naturais da terra.
Quando a barriga de Eva estava de oito meses, Adão decidiu dizer adeus à África. Elevou as ondas telepáticas para Fernando, e pediu 5 robôs agricultores para continuar ajudando a tribo africana, e para que os protegessem nas caçadas. Fernando escolheu os mais escuros, cabelos negros, vestiu-os de índio, e enviou-os para a selva.
Adão abraçou os amigos pela última vez, prometendo voltar, subiu na sua nave, e voou para o Norte. Carregou junto um casal de macacos, os felinos manchados de Eva, sua lança de caçador, algumas joias feitas com sementes coloridas, pérolas de moluscos, frutas deliciosas, e sementes de frutos para semear. Elevou as ondas telepáticas para seu filho, e lhe disse que estavam chegando.
A chegada ao Egito foi com todas as cerimônias que o povo dava aos visitantes ilustres. Uma caravana os esperava, para homenageá-los, acompanhá-los, e carregar os presentes para o Faraó. Eva entregou uma escultura de ébano, cocos suculentos, mangas deliciosas, mandioca, tudo em sacos de linhagem, e depois viajou nos braços de Adão, pois sua barriga estava fazendo-a sofrer. Seus felinos caminharam ao seu lado, brincando, mas pareciam dois gatinhos crescidos. Adão desta vez vestiu uma calça, uma camisa semiaberta e sandálias, pois no Egito também estava quentíssimo. Era o verão.
O Faraó os esperou no trono, sentado, braço cruzado no peito, olhos maquiados de negro, parecendo mesmo um Deus encarnado. Depois, foi caminhando de fininho para seus aposentos, e quando Adão chegou a seu lado pululou no abraço como o guri que era. Adão mexeu seus cabelos rindo, pois ele havia crescido 10 centímetros. Em seguida, Amon-rá abraçou Eva, feliz com essa barriga gigante. Beijou esse ventre, para cumprimentar sua irmã. Depois foi tudo alegria. Eva foi tomar um banho com as escravas do Amon-rá enquanto pai e filho se perdiam nesse palácio a ver novidades.
A primeira surpresa de Adão foi ver os desenhos do Faraó em forma de friso, alinhados através dos corredores. Entre as figuras havia escritas simples, contando a vida do Faraó e de sua família. Os mesmos retratos esquisitos que Amon-rá desenhava em Atalanta, corpo de frente, pernas de perfil, rosto de perfil e olhos de frente. Mas, nos ateliês dos escultores havia estátuas bem reais. Esculpidas em pedras duríssimas, como o granito, o basalto, e pedras calcárias, com o rosto de Amon-rá em todo lugar. Havia até uma escultura de madeira banhada em ouro. Magnífica. Amon-rá falou telepaticamente que essa estatuária seria colocada sobre seu túmulo. Adão sentiu um arrepio. Esse povo esperava que Amon-rá ficasse bem velhinho e os governasse até a morte. O Faraó falou-lhe:
— Fica frio, pai. Minha fuga já está planejada...
Depois, saíram desse canteiro de pedras abraçados, para um banquete, com música, dança, enquanto Adão descrevia para ele um resumo dos dias vividos em meio da tribo dos Khoisans.
Dez dias após a chegada ao Egito, nascia Areti dentro do Rio Nilo. Eva mergulhou nas águas, nadou, encostou-se ao chão arenoso, numa pequena profundidade, e Areti saiu dessa vagina que nem peixinho. Adão subiu com ela, a fez respirar, e depois foi boiando para a beira desse rio, onde o Faraó, os sacerdotes, e uma multidão esperavam o nascimento da “Deusa das águas”. Passou a criança para o Faraó, e foi em busca de sua mulher. Nadou com Eva, estendeu-a numa cama, e seis escravos carregaram-na para os aposentos. Todos os curiosos foram atrás. Amon-rá começou a dar risadas na intimidade, pois jamais passou pela sua cabeça que teria uma irmã negra.
E começou a fazer piadas:
— Tens certeza que é tua, pai? Olha que esses negros são bons de cama...
E ria até as lágrimas.
Adão explicava, também entre risadas:
— Culpa de sua mãe... Ela ficou tão linda tostada pelo Sol, que pedimos a “00” uma filha preta. Mas, olhe nos olhos, filho, são de cores lilases. Nossa! Como ela é linda...
— Verdade! E quem é ela, pai? Quero dizer das vidas passadas?
— Nossa Areti. Ela é a segunda depois de Caim, e na Pré-história ela foi tão negra quanto agora...
— Só eu então que nasci com carinha de anjinho, pai?
— Isso! Todos seus irmãos um dia no passado foram pretos como o ébano, que nem eu e sua mãe...
— E nasceram dessa tribo Khoisans, pai?
— Mais ou menos... Pelo menos essa tribo é a mais antiga que há nesta terra...
Alheia aos devaneios familiares de seu pai e irmão, Areti grudou nos seios cheios de leite, enquanto Eva deixava rolar uma lágrima. Adão chegou perto, beijou Eva nos cabelos, e Amon-rá beijou os três, num amontoado de pessoas felizes com o nascimento dessa menina negra como o povo africano.
Nos dias seguintes, Areti viveu seus primeiros dias de vida como uma princesa, nos braços das escravas, que só a traziam para Eva nas horas de mamar. Ela na verdade nascera em berço de ouro. Usava roupas lindíssimas, tomava banho com pétalas de flor, perfumes, e em seu corpo as escravas passavam óleos para protegê-la do Sol. Eva caminhava pelo Palácio com Areti nos braços de alguém, sempre rodeada de gente, que cuidavam das duas.
Enquanto Eva era tratada com rainha dentro desse palácio, em cima de uma carruagem puxada por dois cavalos, o Faraó mostrou ao seu pai o trabalho realizado em mais de um ano. Havia erguido uma escultura gigante no meio do “Vale dos Reis”, em cujo lugar os Faraós construíam seus túmulos. Ela fora feita em forma de Esfinge, um personagem da mitologia. Uma mulher com corpo de leão, lindíssima, gigantesca, com mais de 20 metros de largura. Ajudado pelos robôs, Amon-rá havia levitado pedra sobre pedra, e colocado uma em cima da outra, formando um morro gigante de forma retangular, e finalmente os mestres escultores haviam ajudado Amon-rá a entalhar o corpo e o rosto.
Entre as pernas da Esfinge, escavara-se um templo secreto, destinado a guardar livros sagrados, escritos em papiro. Algo assim como uma biblioteca. Amon-rá acreditava que a sabedoria teria que cruzar os milênios, enterrada, escondida, pois os bárbaros, mais cedo ou mais tarde, os invadiriam.
Depois, visitaram as lavouras. Homens bem alimentados, fortes, se ajudavam com cavalos e bois para lavrar a terra com instrumentos agrícolas de madeiras. Enriqueciam o chão com estrume, folhas secas, e entre os espaços sempre havia árvores refrescando o ambiente. Os canais que traziam água do rio tinham pequenos diques, que abriam e fechavam para molhar o chão. Dessa maneira se evitavam as enchentes, e em todo lugar se plantavam árvores com frutos suculentos, fazendo do Egito um país verde. O trigo, a cevada, o algodão cresciam junto às tâmaras, as azeitonas, as nozes, as uvas, que se alinhavam como avenidas. Adão abraçava o filho com orgulho, pois estava sendo um ótimo governante.
Os agricultores agora eram homens livres. Homens que trocavam seus produtos, e trabalhavam para o Faraó. Os escravos de antigamente haviam partido, e em contrapartida estava cheio de estrangeiros. Nômades que ouviam falar dessa abundância chegavam todos os dias, aumentando o tamanho desse reino. Havia núbios, negros como a noite, fortíssimos, e inteligentíssimos. Como eram ricos, vestiam-se com elegância, cuidavam do comércio com outros povos, receberiam os mercadores, ou trabalhavam para o Faraó. Também havia homens da Líbia, da Somália, Fenícia, Ilha de Creta, que abordaram como mercadores e decidiram ficar.
A fama do Egito havia cruzado todas as fronteiras do deserto. Seus grãos que davam de comer a todos os homens, e seus produtos de metal, ouro, alabastro, móveis, e seus finos tecidos de linho e algodão trouxeram esses aventureiros dos mais diversos lugares. Chegaram junto mercadores que proviam o Egito de madeiras para os barcos, prata, estanho, cerâmicas de luxo, pedras de lápis-lazúli, enriquecendo ainda mais esse reino.
Mas, como em todo lugar onde há riquezas, existia também as desavenças. A mistura multirracial do Egito gerava brigas, roubos, que o Faraó punia com severidade. Para fazer justiça, Amon-rá recebia no seu Palácio os briguentos, todos os dias, depois de sua sesta. Mandava dar chicotadas nos ladrões, e os assassinos os castigava com o exílio. Nunca mais houve morte como castigo e muito menos castração, seja das mãos, ou dos testículos. Amon-rá havia proibido a castração de meninos, e havia trazido de Atlântida 5 médicos, que operaram os eunucos numa suíte de seu Palácio.
E três meses se passaram, com Areti crescendo nesse Palácio, cujo lugar era o mais rico e luxuoso da terra. Quando Adão marcou a data da partida, Amon-rá desta vez enviou para Noemi um pequeno tesouro, cheio de joias de prata com lápis-lazúli, feitas pelos seus artistas mais talentosos. Também lhe mandou vestidos bordados com fios de ouro, que a fariam a mais linda menina de Lemúria. Como Noemi já sabia ler e escrever lhe enviou cartas, dizendo que sentia saudades e que amava mais do que nunca. Eva também fez retratos dele, vestido de Faraó, que Amon-rá colocou junto nos pacotes.
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