Notas iniciais
Adão começou a entender o que falavam depois de uns 25 minutos. Testou-lhes explicar que eles não eram divindades, sem sucesso algum. A maioria pedia milagres sobre saúde, amor, atropeladamente. Pouco a pouco, foram chegando até uma morada rica em ornamentos e esculturas, propriedade de um sultão, cujo governante morava com suas três esposas, e seus oito filhos. Foram convidados por esse homem a compartilhar de um banquete, onde as frutas e as verduras eram a comida principal. Convencer o Sultão de que eles não eram Deuses foi impossível.

O PRÍNCIPE RAMA

Entre os altos picos do Himalaia, Adão descobriu uma vila de tibetanos que sobreviviam pacificamente nas altas montanhas geladas. Desceu com seu uniforme estelar e um capuz na cabeça. Uns 40 guris sorridentes, lindíssimos, com brilho no olhar o rodearam imediatamente. Entrou num casebre, onde tomou bebidas quentes e gostosas, tentando entender o dialeto dos nativos. Quando finalmente se fez ouvir, os adultos se negaram com veemência deixar os filhos subir nessa nave voadora, para aprender coisas desnecessárias. Mas, aceitaram receber visitas futuras de professoras jovens, que lhes mostrariam as melhores épocas de colheita, e trariam sementes para o plantio.

Adão subiu para sua nave levitando, içado por Eva, e rumaram para a Índia.

Desceram no Planalto do Deca, em cujo lugar encontra-se a atual cidade Raipur.

Um grande povoado de gente seminua os rodeou, falando todos ao mesmo tempo, numa gritaria geral. Era um povo moreno de olhos penetrantes, uma miscelânea de negros africanos, mongóis, chineses, numa combinação estranha. Já conheciam o bronze, possuíam instrumentos agrícolas, e sabiam muito bem tecer os fios de linhagem.

Adão começou a entender o que falavam depois de uns 25 minutos. Testou-lhes explicar que eles não eram divindades, sem sucesso algum. A maioria pedia milagres sobre saúde, amor, atropeladamente. Pouco a pouco, foram chegando até uma morada rica em ornamentos e esculturas, propriedade de um sultão, cujo governante morava com suas três esposas, e seus oito filhos. Foram convidados por esse homem a compartilhar de um banquete, onde as frutas e as verduras eram a comida principal.

Convencer o Sultão de que eles não eram Deuses foi impossível.

Além do que, as lendas da Índia haviam formado uma filosofia de vida parecida a de qualquer mundo superior. Os indianos acreditavam no convívio baseado na não violência, na harmonia entre os homens e a natureza, cujas ideias nasceram no Vale do Indo na civilização dravídica, e que se estendeu até aquele lugar.

Adão preferiu ouvir, pois esse povo parecia mais inteligente do que os chineses. Sábios na sua maneira de explicar a existência. Os jovens que estudassem em Lemúria iam apenas acrescentar verdades, a uma “semiverdadeira filosofia”, que haviam encontrado por si só.

E como o Sultão deixou entrar todos os doentes da rua, que pediam por milagres divinos aos berros, Adão passou trinta horas a fio sarando pestes com pomadas, xaropes, que Fernando deixou-lhe cair do ar, às pressas. O Palácio do Sultão ficou lotado, com Eva, Inês e Amon-rá ajudando-o, numa maratona contra as doenças primitivas.

Extenuados, caíram nas camas ao anoitecer do dia seguinte. Amon-rá ficou numa cama coberta com panos, que o protegiam das picadas de insetos, no dormitório dos homens, e Inês ficou em outra cama, numa outra suíte só para mulheres, com cortinas lindas e coloridas.

Adão e Eva, numa outra dependência do palácio, numa banheira de madeira com pétalas de rosas, sorriram felizes. O Sultão ia permitir levar todos os jovens desse lugar para aprender medicina em Lemúria. O teste de Adão tinha convencido o Sultão de que era possível um indiano, um dia, saber tanto quanto um Deus. O Sultão achava, realmente, que sua cidade seria um reinado de homens sábios, tão inteligentes quanto Adão. Com a água até o pescoço, Eva abraçou seu homem, beijou-o, e ficaram fazendo amor com discrição, pois os espionavam dos esconderijos nas paredes. Uma vez na cama, se tamparam ao máximo, para cobrir o sexo que durou até o dia seguinte. Dormiram ao amanhecer, e, quando acordaram, um banquete os esperava ao lado da cama, com chás deliciosos, frutas frescas, leite, nozes, e uma massa crocante e fina, que comeram com gula.

Durante o dia, saíram a caminhar pelas ruas, sempre rodeados de gente, que os seguia como bando. Chegaram numa construção, na beira de uma elevação, onde um exército de homens cavava a rocha para dar forma a um palácio maravilhoso, esculpido nas entranhas dessa montanha. Imediatamente, Eva juntou-se aos escultores, empolgada pelo magnífico trabalho. Pegou o martelo, pesadíssimo, a marreta, mais pesada ainda, e deu o primeiro golpe. Nossa! Doeu até a alma. Mas, como ela era uma “Deusa” ficou martelando, se ajudando um pouco com desintegração mental, levitação, dando forma às figuras, junto a pessoas seminuas que suavam com o calor do Sol. Adão, que também gostava de esculpir, entrou junto nos trabalhos, feliz que nem um guri.

Enquanto os pais trabalhavam na construção desse Palácio, Amon-rá examinava os jovens, e cutucava Inês ao lado, mexia os olhos, fazendo-a apreciar os adolescentes que a admiravam qual princesa que caiu do céu. Inês sempre respondia: — “É muito feio”- ou, — “É muito baixo”-. Ou seja, não gostava de ninguém.

Quando os filhos do Sultão apareceram nessa rua, seguidos pelos serviçais, um moreno de olhar profundo, ficou em frente de Inês, deixando-a nua com os olhos. Era como se ele falasse: — Ela me pertence! Como Inês ficou corada, coração palpitante, Amon-rá chamou Adão com telepatia, aos berros, pois seu futuro genro finalmente havia surgido vestido como um rei. Depois, hipnotizou seu futuro cunhado, para jamais avançar além do beijo. E os deixou a sós, pois o príncipe Rama estava convidando Inês a conhecer o reino na sua companhia.

A estada na Índia foi mágica.

Havia uma energia de encantamento no ar. Um mantra. Parecia que as divindades dravídicas, nos quais tanto acreditavam, viviam entre eles. E depois que Inês começou a namorar Rama, abençoados pelo Sultão e por Adão, sem beijos, pois nesse lugar do mundo os contatos físicos eram reservados para a noite de núpcias, partir ficou complicado. O Sultão queria que eles casassem e que Inês ficasse vivendo na Índia. Adão queria que eles namorassem e que Rama viajasse para estudar em Lemúria. E, finalmente, chegaram a um consenso. Casavam na Índia, e depois ambos iam estudar em Lemúria.

E o casamento foi apoteótico.

Fernando e Abel chegaram com as famílias e 50 robôs, carregados de presentes para fazer a festa, e o Sultão abriu as portas do palácio para todos os homens nobres dessa cidade. O povo ficou na rua, abençoando os noivos, num banquete atendido pelos robôs, que serviram comidas e bebidas para uma multidão. Dentro do palácio, os noivos casaram diante de um homem velho e sábio, conforme os costumes da Índia. Depois da cerimônia, foi servido o banquete do Sultão onde as comidas, bebidas, enfeites, eram deslumbrantes. Também houve danças indianas, para alegrar o festejo, e em meio da folia os noivos se retiraram para a suíte de núpcias, onde havia um caminho de pétalas de rosas formando um tapete longo, pétalas por cima da cama, dentro da banheira, e um perfume no ar.

Rama, que só sabia de sexo na teoria, deitou-se sobre sua esposa com delicadeza. Beijou-a pela primeira vez, delicadamente, puxando sua roupa com doçura. Inês, com uma cirurgia de regeneração do hímen, realizada pelo seu pai, sentiu a dor da perda da castidade tanto quanto o marido. Conforme as figuras do “Kama Sutra”, estudadas por Rama, ele tirou a virgindade de ambos com ele de joelhos na cama, e sua esposa sentada de frente. Dormiram ao amanhecer, extenuados, com um sorriso no rosto, pois a vida deles seria somente de amor, até que a morte os separasse.

A partida de Inês e seu marido Rama foram tristes. Eva, Adão e Amon-rá continuariam sua viagem ao redor do mundo e mãe e filha se separariam pela primeira vez. Eva achava que não havia lhe dado conselhos suficientes para ser uma boa esposa. Inês sequer aprendera telepatia para falar com ela a longa distância. Inês abraçou Eva chorando, beijou-os a todos, e subiu nessa nave de mãos dadas com Rama. Trezentos adolescentes partiram junto com eles, metade homens e metade mulheres, aos cuidados de Fernando e Mônica. Amon-rá enviou a Noemi um colar de pérolas, e uns brincos de esmeralda, que trocara com artesãos por 5 pratos de prata.

Adão continuou sua viagem, em direção ao Oriente Médio. Seguiu a direção dos rios Tigre e Eufrates, em busca das tribos do deserto. Quando viu uma construção enorme, rodeada por um muro gigantesco ao redor, desceu lentamente, pois ali só havia areia. Nenhuma pedra para esculpir, ou levantar uma parede. Só areia e lama, que os sumerianos secavam ao Sol, em forma de tijolos, coziam no fogo, e depois amontoavam um por cima de outros com sabedoria, dando forma a belas construções. Os sumerianos escreviam seu idioma em tábuas de argila, com um pequeno junco, dando forma aos símbolos cuneiformes. Enquanto Adão tentava aprender o dialeto falado e escrito, pasmo, pois eles já sabiam ler e escrever, Eva examinava os tijolos secando ao Sol, firmes, pois eram misturados com crinas de cavalo.

E sem perceber, uns 40 soldados os rodearam, com lanças, arcos e flechas, escudo de bronze no braço, e um capacete de couro na cabeça, montados em belos cavalos. No meio deles, havia uma carruagem puxada por 4 animais, com dois soldados em cima. Adão ficou pasmo. Eles queriam prendê-los, fazê-los prisioneiros, e queimá-los vivos.

Adão poderia ter desintegrado as armas, ou, hipnotizado os soldados. Mas, não conseguiu resistir à tentação e se aprontou para lutar. Puxou a camisa, tirou as sandálias, e deu um salto no ar, derrubando um guerreiro de sua montaria. Depois, foi só divertimento. Um a um, os combatentes caíam, apanhavam, perdiam as armas, de um lutador imbatível. O mais extraordinário foi à pirâmide humana de gente desmaiada que se formara, e que acabou por disseminar o pânico. O povo que chegou a ver a luta saiu correndo, apavorado, e Adão ficou só.

Amon-rá falou:

— Puxa, pai! Acho que você exagerou desta vez... Estão aterrorizados. Acham que você é Ninurta em pessoa, o Deus da violência. Minha mãe é Inanna, Rainha dos céus e eu sou Utu, Deus do Sol... Nossa! É muito divertido...

— Vamos fugir, ou, conhecer o todo-poderoso deste lugar?

— Eu vou à frente... Com certeza vamos encontrar todo mundo de joelhos...

E Amon-rá caminhou até a grande cidade de Uruk, contornada por um paredão fortemente vigiado, e finalmente entrou num edifício gigante, construído de tijolos cozidos, cujos Reis os esperavam de joelhos, aterrorizados, e suplicando pela sua vida.

Depois que Eva convenceu a rainha que os três eram pessoas do bem, da paz e do amor, e que não eram divindades, os diálogos finalmente começaram. Descreveram para os reis sobre os outros povos da terra, explicaram onde estava a Escola em Lemúria, e finalmente os reis aceitaram enviar 80 escravos para estudar naquele lugar, e no regresso trabalhar para eles com mais conhecimento.

Já num relacionamento de amizade, Adão foi com os reis conhecer os homens e as mulheres que trabalhavam de Sol a Sol semeando a cevada, que era o grão principal da alimentação desse povo, junto às cebolas, nabos, na sombra das árvores e as tâmaras. Além dos agricultores, havia os escravizados que procuravam por pedregulhos em canteiros secos, carregavam argila, ou sacos de areia nas costas. Todos esqueléticos, mal alimentados, cuja vida terminava aos 20 anos. Adão hipnotizou os reis, os deixou paralisados, e gritou com telepatia para Fernando buscar a todos, mais ou menos uns 2.000 homens à beira da morte.

Fernando chamou Abel aos berros, pois Lemúria estava superlotada e Adão estava enviando 2.000 semimortos. Abel chegou com um comboio cheio de habitações pré-fabricadas, que deixou cair em meio da cidade sem cerimônia. Quarenta robôs correram a levantar novos edifícios, se adentrando no mato, aumentando o tamanho da cidade. Do ar, a forma elegante do albatroz não existia mais, pois Lemúria mais parecia uma galinha cheia de ovos.

E, finalmente, foi à corrida de todos os médicos de Atlântida, que chegaram para receber os sumerianos, de todas as idades, pois havia até mulheres com crianças no colo. Mulheres abusadas pelos seus donos, cujos filhos eram escravos antes de nascerem.

Enquanto isso, Adão abandonava a Suméria, e vasculhava o deserto em busca de novos povos.

Uma caravana de nômades chamou a atenção de Eva.

Montados sobre camelos, num compasso cadencioso, eles cruzavam as areias de Oásis em Oásis, seguindo a rota do comércio entre as nações primitivas. Eram beduínos a caminho do Golfo Pérsico, que levavam pedras preciosas, óleos, aromas, especiarias e tecidos, trigo e tâmaras, que trocavam por moedas, ou por outras riquezas. Homens fortes, muito parecidos com Caim. Adão riu com ele mesmo. Pensando desse jeito, os beduínos podiam ser todos seus netos.

Os mercadores já conheciam as naves voadoras, mas nunca haviam visto os viajantes de perto, cara a cara. Para não assustá-los Adão vestiu um lençol, amarrado na cintura, na moda deles, e desceu sozinho. Imediatamente, a caravana se deteve, e a um sinal do Xeque, o homem mais importante dessa tribo nômade, se formou uma linha de tendas levantadas com esperteza. Depois foram estendidos almofadas, tapetes dentro delas, enquanto as mulheres começaram a preparar uma ágape. Adão foi convidado a entrar na tenda mais importante.

Como Adão estava sozinho, três mulheres chegaram a se deitar ao lado dele, vestidas com sensualidade. Uma delas ofereceu-lhe uvas-passas para degustar, tâmaras e nozes. Adão chamou Eva telepaticamente, sem explicar mais nada, pois queria ver sua cara de ciúmes e dar algumas gargalhadas. Eva entrou nessa tenda vestindo uma saia comprida, um sutiã, cheia de joias, cabelos soltos, batom vermelho na boca. Um homem vestido com elegância convidou-a para entrar na tenda, e fez um sinal com a mão. Imediatamente, homens começaram a tocar flautas numa melodia cadenciosa e cinco mulheres, com menos roupas que Eva, iniciaram a dança mais sensual que Adão viu na vida. Eva entrou junto, pois ela também sabia mexer o umbigo. Ficou no meio, rindo sem parar, pois esses primitivos sabiam viver e se divertir, num lugar onde não havia nada além do deserto. Ficaram na farra, até que a noite mais escura os cobriu com seu negrume.

Adão e Eva ficaram por ali mesmo.

Num canto, por cima de almofadas e tapetes, deitaram com naturalidade um por cima do outro, aos beijos, enquanto um cheiro de aromas se espalhava no ambiente. Eram essências, que serviam para energizar os sentidos, durante o encontro noturno. Afinal, o dono dessa tenda charmosa tinha cinco mulheres para satisfazer até o amanhecer. Adão, que tinha uma mulher que valia por muitas, ficou na farra sexual horas ininterruptas, e só cessou seus embalos ao raiar do Sol. Para não fazer barulho, Eva enviou os gemidos para o espaço, e as falas de amor foram através da telepatia.

Amon-rá dormiu entre a garotada masculina. Ou seja, na parte de fora, com panos por cima, em meio dos camelos.

No dia seguinte, Eva fez um “pequeno milagre”.

Colocou o ouvido sobre o chão, e sentiu umidade subindo até seu nariz. Dilatou as pupilas e fez um buraco direto para as profundezas, em busca de água. Pouco a pouco, um fio fino começou a borbulhar. Aumentou o diâmetro, desintegrou uma quantia maior de terra, e uma lagoa foi se formando, até encher uma grande extensão. Depois, pularam na água com Amon-rá, dando risadas, rodeados de uns 60 guris, todos nus.

Nos dias seguintes, passearam em camelos, deslizaram pelas dunas de areia, e viram o mais lindo pôr do Sol do Universo. No horizonte, as cores verdes, laranjas, lilases se misturavam, formando uma obra de arte realizada pela mão da natureza. Simplesmente maravilhoso. O deserto os arrebatou de tal maneira, que prometeram para esses amigos visitá-los sempre, pelo resto da vida.

Dessa tribo de nômades, dez meninos e cinco moças partiram estudar em Lemúria. Fernando os içou no ar, e berrou para Adão que nessa Escola já não entrava mais ninguém.

Eva deixou com as mulheres todos seus vestidos, seus sutiãs rendados, as calcinhas bordadas, seus batons para boca, xampu para lavar os cabelos e todos os perfumes. Adão auscultou a saúde de todos, deu algumas vacinas, alguns xaropes na boca da gurizada, e os abraçou pela última vez. Com certeza esse povo era descendente de Caim. E eram netos de Adão. Pois uma ligação de afeto fora do comum ficou entre todos eles. Nenhum povo os beijou tanto nem os abraçou desse jeito. Teve as amigas de Eva que choraram.

Eles voaram para o Egito e a caravana de nômades continuou com destino ao Golfo Pérsico. Ficou para trás um lago, que com o passar do tempo seria um belo Oásis.

Notas finais
Quando os filhos do Sultão apareceram nessa rua, seguidos pelos serviçais, um moreno de olhar profundo, ficou em frente de Inês, deixando-a nua com os olhos. Era como se ele falasse: - Ela me pertence! Como Inês ficou corada, coração palpitante, Amon-rá chamou Adão com telepatia, aos berros, pois seu futuro genro finalmente havia surgido vestido como um rei. Depois, hipnotizou seu futuro cunhado, para jamais avançar além do beijo. E os deixou a sós, pois o príncipe Rama estava convidando Inês a conhecer o reino na sua companhia.