Notas iniciais
Enquanto Adão e Eva abriam caminho entre o povo, tentando aprender rápido o dialeto, os egípcios formavam uma avenida para eles passar, e assim que chegavam perto se ajoelhavam agradecendo aos “Deuses” por atender ao pedido do povo e dos sacerdotes. Quando Adão e Eva chegaram ao mais lindo palácio da Terra, não encontraram nenhum todo-poderoso nele. O trono estava vazio, com dois sacerdotes em pé, lado a lado, anunciando que os “Deuses” lhes haviam enviado finalmente “aquele” que ia sentar nesse trono.

Seguindo a trilha do Rio Nilo, viram o maior aglomerado de seres humanos da terra, numa civilização que já fazia construções de fino acabamento. Pirâmides pequeninas de pedra sobre pedra se alinhavam, e templos dedicados aos Deuses encostavam contra altas montanhas. Eles seguiam a técnica de construção dos indianos, esculpiam na rocha palácios montanha adentro, mas iam além, entalhavam homens gigantescos, de mais de 20 metros de altura, decorando a fachada desses templos.

Adão dizia a si mesmo que a inteligência desse povo era altíssima. Pelo menos naquele lugar. Além do bronze, conheciam o ouro, a prata, e faziam com isso obras de arte.

Eva só olhava para as roupas. As moças usavam vestidos apertadíssimos, que mostravam com sensualidade os corpos perfeitos. Os homens mostravam o peito nu, os mais ricos usavam peitorais com pedras, perucas, e pintavam os olhos para se proteger da luz do Sol.

Enquanto Adão e Eva abriam caminho entre o povo, tentando aprender rápido o dialeto, os egípcios formavam uma avenida para eles passar, e assim que chegavam perto se ajoelhavam agradecendo aos “Deuses” por atender ao pedido do povo e dos sacerdotes.

Quando Adão e Eva chegaram ao mais lindo palácio da Terra, não encontraram nenhum todo-poderoso nele. O trono estava vazio, com dois sacerdotes em pé, lado a lado, anunciando que os “Deuses” lhes haviam enviado finalmente “aquele” que ia sentar nesse trono.

Amon-rá caiu na gargalhada, e falou com seus pais com telepatia:

— Eles querem que você os governe, pai...

— Impossível filho... Nossa!... Como vamos sair desta?

— Hum, pense comigo, pai. Noemi, minha noiva, é quase um bebezinho. Se eu ficar aqui uns 10, anos ela cresce, se transforma em mulher, e eu volto para casar com ela. O que acha?

Eva entrou na discussão, sempre na telepatia.

— Pirou, filho? Quem vai cozinhar para você? Cuidar de sua saúde? E seus estudos? Não vai se formar na Universidade de Atlântida com Engenheiro Espacial?

Adão respondeu por ele:

— Meu amor, nosso filho não necessita aprender mais nada. Ele já tem experiência suficiente para governar um país como este. Sua inteligência é a mais alta deste lugar... E quanto a sua dieta, aqui a comida é muito boa. Só não vai beber cerveja, seu malandro...

— Prometo, pai, só suco de uva. Posso ficar?

— Pode, seu pirata. Mas, assim que completar dezenove anos você volta para casa. Vou pedir a Fernando que envie a fêmea de seu cachorro. Para você vou deixar duas bonecas de borracha. E nunca, filho, em hipótese nenhuma vai fazer sexo com escravas... Prometa para mim.

— Prometo. Mãe, eu posso ficar?

— Pode, mas eu vou pedir a Atlântida quatro robôs cozinheiras. E não se esqueça de me chamar com telepatia, todos os dias.

— Você cuida da Noemi para mim? Não deixe nenhum engraçadinho de Lemúria nem de Atlântida chegar perto dela.

— Escreva para ela, filho! Uma carta em cada Lua cheia. Ela nunca vai olhar para ninguém...

Depois, Amon-rá deu um abraço rápido em Eva, que estava quase chorando, outro em Adão, e subiu as escadas até o trono. Um sacerdote lhe depositou um pano azul listrado na cabeça, uma coroa por cima, e em seu peito nu, um peitoral dourado cheio de pedras preciosas. Depois, foi colocado um cetro numa mão e um chicote na outra. Amon-rá cruzou os braços, como faziam os Faraós, e o povo se ajoelhou na sua frente. Um sacerdote começou a tocar um gongo de bronze, e o povo soube nas ruas que havia um novo Faraó. A gritaria foi geral, e os festejos começaram dentro e fora desse palácio.

A festa foi maravilhosa. As melodias dos músicos eram tão sensuais quanto as dos nômades do deserto, e as bailarinas tinham muito talento. Tocavam com arte a harpa, as cítaras, flautas, tambores, crótalos e sistros, formando uma pequena orquestra. Enquanto a dança transcorria, dez escravas rodearam o Faraó para servir-lhe frutas frescas, pães deliciosos, de trigo e cevada, copos de alabastro com leite e ele só desprezara a carne e os peixes. Comeu com gula os ovos de codorna e as azeitonas. Delícia!

Estendidos em sofás longos, Eva e Adão começaram a se consolar mutuamente. Beijaram-se com doçura, comeram uvas vermelhas, pão com fermento, cuja massa tinha todas as vitaminas que um ser humano necessitava, e frutas secas. Uma mais gostosa do que outra. Beberam vinho, cerveja, e se encaminharam para o rio, onde um barco os esperava. Embaixo de uma Lua cheia, que deixava as águas prateadas, rumaram rio acima, namorando sobre almofadas gigantes, numa paisagem noturna encantadora. Ouviam o barulho dos remos ao bater na água, e um canto de remeiros, lânguido, que completavam o feitiço dessa noite. Sem dúvidas, a vida dos ricos egípcios era cheia de prazeres. Quando voltaram do passeio, era o amanhecer.

Durante esse primeiro dia, Eva e Adão examinaram esse Palácio palmo a palmo. A alcova do Faraó era aberta, e sua cama coberta por panos para evitar mordida de mosquitinhos, como se fazia na Índia e na China. Também havia uma piscina interna no chão, onde as escravas colocavam água quente com aromas. Adão hipnotizou todas as escravas, para nunca tocar no corpo de Amon-rá, nem fazer carícias, nem se oferecer para sexo, e jamais entrar na sua cama durante a noite. Teve que hipnotizar também os eunucos, pois havia homens que os usavam como mulheres.

Aos sacerdotes, que mandavam tanto quanto os Faraós, e vigiavam os monarcas através de esconderijos, os hipnotizou para jamais, em momento algum, caminhassem a uma distância menor do que dez metros dele.

Antes de terminar esse dia, seis robôs femininos chegavam desde Lemúria trajadas com roupas egípcias. Duas delas passaram a formar do grupo de escravas que serviriam o Faraó, e quatro delas preparariam todas as comidas para ele.

Enquanto isso, o Faraó Amon-rá dormiu nos seus aposentos como dormem os abençoados. Suas escravas tiraram sua roupa, e ficaram de joelhos com a cabeça baixa quando ele ficou nu e entrou na água morna. Esfregou os cabelos com sabão perfumado, e comeu uvas, de uma bandeja ao seu lado. Algumas escravas entraram dançando, outras tocavam flautas e harpas, e só se retiraram quando ele saiu do banho e entrou na sua cama. As escravas puxaram suas cortinas, fechando sua cama em redor, e foram apagando os lampiões. Ele ficou sozinho, um pouco assustado, se perguntando se aguentaria o tranco. Quando acordou, vestiu suas roupas elegantes, e tomou seu leite morno, rodeado de suas escravas maravilhosas. Só então falou a si mesmo que ia dar conta do recado.

Durante o dia, Amon-rá escolheu 30 guris de 10 anos, e os chamou para sua frente. Falou-lhes que iriam estudar no outro lado do mundo, e que o mais inteligente de todos eles ocuparia esse trono quando voltassem. Podiam levar a namorada, ou, uma irmã junto com eles.

Quando Fernando chegou para buscar esses últimos alunos, entrou no Palácio e caiu na gargalhada. Encontrou Amon-rá vestido de rei, cheio de escravas ao redor. Mas, que sem-vergonha! E para seguir os costumes e rir um pouco mais, se ajoelhou frente o monarca, entregou-lhe de presente o seu jogo de xadrez, a cachorra, seus livros, um desenho da Noemi, e lhe disse:

— Algum recado para sua noiva, majestade?

— Sim. Leve para ela este cofre de joias, como mostra de meu amor...

Depois, caíram na gargalhada juntos. Abraçaram-se, percorreram o Palácio em busca de Adão, que examinava as carruagens, de duas rodas, enfeitiçado pela beleza dos cavalos. Longe deles, Eva ensinava às robôs preparar as comidas preferidas de seu filho.

Adão e Eva ficaram no Egito longo tempo. Percorreram os lugares onde escravos puxavam pedras pesadas através da areia, suando num Sol candente. A maioria era estrangeira, que chegaram ao Egito em busca de comida, à beira da morte, pois as terras desse lugar eram fartas e alimentavam tanto os pobres quanto os ricos.

Adão ficou nas colheitas dando conselhos aos homens de como aproveitar melhor as águas do Nilo. Ensinou-lhe a fazer caneletas para manter o chão úmido, a selecionar melhor as sementes, enquanto Eva examinava as árvores. Pegou sementes de frutos, enterrou-as em vasos de argila com terra adubada com estrume de animais, ensinando aos homens de como fazer novas mudas para um pomar. Quando essas mudas foram transplantadas, Adão e Eva deixaram o filho a sós com seu reinado.

Nessa altura, Amon-rá havia percorrido todo o reino com seus pais, eliminado os açoites nos escravos, melhorado a comida deles, aumentando as horas do descanso, e estava construindo um bairro com casebres de pedra e tijolos, para todos eles.

Adão subiu na nave triste, mas orgulhoso. Seu filho havia-o superado em tudo. Apaixonou-se por uma mulher antes dela sequer nascer, e agora começava sua missão na Terra ainda um garotinho. Como Eva chorava que nem guria pequena, ele rumou para o Sul, em cujo território estava o silvícola negro, o mais negro deste mundo. Um povo que já visitara muitas vezes desde sua chegada. Percorreu o Continente Africano em busca do “Planalto dos Grandes Lagos”, em cujo lugar vivia seu povo a vida simples dos silvícolas da terra.

Como Eva estava deprimida, Adão desceu no meio do mato, longe da tribo. Entrou nas águas do Lago Vitória, nadaram, rolaram por cima da grama, com Adão consolando a si mesmo e confortando sua mulher. Namoraram até o momento que sentiram olhares furtivos sobre eles de gente no meio da floresta. Eva vestiu seu sutiã e cingiu um pano em redor dos quadris, e Adão colocou uma bermuda. Saíram do lago de mãos dadas, buscando pelos nativos.

Como não os acharam, abriram caminho desintegrando galhos e folhagens do chão, numa trilha reta, com 3 metros de largura. Dois felinos manchados chegaram perto. Adão os hipnotizou, e ficaram mansos que nem gatinhos. Eva se abraçou aos bichos, chorando de saudades de suas panteras pretas de Atalanta, e Adão prometeu fazê-las dar filhotes, pois ele mesmo as adestraria. De repente, foi um macaco que permaneceu no ombro de Adão, engraçadíssimo, e que não o abandonou mais. Também apareceu um elefante caminhando atrás, uma girafa, que os seguiam na maior naturalidade.

Quando chegaram à tribo, os homens os receberam com afago. Os reis vieram abraçá-los, mostrando-lhes a existência de uma casa especial para eles desta vez, que estaria sempre os esperando. Adão e Eva os abraçaram com carinho, e depois se deixaram amar. Abraçados a crianças alegres e festivas, sentaram no chão, para comer uma massa de mandioca, recém-saída das brasas.

No dia seguinte, 26 garotos de 15 anos, voaram para Lemúria, levitados por Fernando.

Notas finais
Adão e Eva ficaram no Egito longo tempo. Percorreram os lugares onde escravos puxavam pedras pesadas através da areia, suando num Sol candente. A maioria era estrangeira, que chegaram ao Egito em busca de comida, à beira da morte, pois as terras desse lugar eram fartas e alimentavam tanto os pobres quanto os ricos.