Across The Ice Line.
8 Quebec.
Notas iniciais
Thalia e Clarisse passaram pela placa que dizia que haviam chegado a Quebec, passaram por casas antigas, prédios em estilo medieval e pessoas com estilos estranhos.
– Até que enfim. Quebec, uma das cidades mais antigas da America do norte fundada por volta de 1600. Temos que encontrar um prédio mais antigo que os outros um que parece um palácio.
– Acho que não vai ser difícil. – Thalia disse apontando para o enorme edifício a alguns quilômetros à frente feito de tijolos vermelhos e um telhado verde. Ela fez uma manobra e aumentou a velocidade.
Era a primeira vez que Annabeth andava de carro com Thalia e ela era ainda mais suicida que Clarisse. Gastaram quase metade do tempo que deveria, pois a garota praticamente voava na estrada e quase as matava em cada curva.
Elas não se preocuparam em estacionar o carro, largaram ele ali na rua mesmo e subiram as escadas da entrada do hotel. Ele era luxuoso e somente pessoas bem vestidas passavam por ali e havia vários seguranças vestindo ternos negros guardando as portas, elas provavelmente não estavam vestidas praquele tipo de lugar, mas o que mais chamava a atenção era os caras que também guardavam a entrada os dois possuíam asas. Assim que perceberam a presença delas foram ao seu encontro. Um deles era magro e vestia roupas coloridas num estilo que deveria fazer sucesso antigamente, mas que já caíra da moda à algumas décadas. O outro era enorme como um jogador de hóquei e parecia bem mais ameaçador que o primeiro. Os dois tinham asas de penas roxas.
– Semideuses não são permitidos aqui. – Disse o magrelo. – Vão embora.
– Podemos destroçá-los Cal? – Perguntou o maior.
– Ual que recepção. – Annabeth murmurou. – Estamos aqui pra falar com Bóreas, é urgente.
– Saiam ou vou deixar meu irmão Zetes fazer o que quer. – O mais magro Cal disse pausadamente como se falasse com crianças. Annabeth desejou que Clarisse estivesse ali, ela certamente acabaria com aquela discutição.
Thalia retirou ativou o escudo Aegis que ficava em seu braço em formato de bracelete e a figura da medusa assustou os dois ‘anjos’ recepcionistas, mas logo eles se recompuseram e ficaram ainda mais irritados.
– Eu vejo duas opções aqui, vocês nos deixam entrar ou vou transformas dos dois em poeira. – Thalia falou e Annabeth a olhou estranhando o comportamento dela que costuma ser sempre tão civilizada.
– Poeira. – Disse Zetes o mais burro.
– Quem você pensa que é para me ameaçar? – Cal tirou a espada da bainha e Thalia fez o mesmo.
– Sou Thalia Grace, filha de Zeus. – Um raio cortou o céu fazendo todos olharem para cima, menos Thalia que continuava a encarar Cal.
– E eu sou Annabeth Chase, tudo bem? – Annabeth se pôs entre os dois, sabia que um conflito não iria ajudá-las em nada. – Desculpem a minha amiga nós viemos de muito longe para falar com o senhor Bóreas e ela esta muito cansada e também fomos atacadas no meio do caminho então já sabem como é... Mulheres...
Cal não parecia muito convencido do que Annabeth dizia mas guardou a espada mesmo assim.
– Você sim tem educação.
– Destroçar? – Zetes perguntou.
– Agora não. – Respondeu o irmão. – Talvez mais tarde.
– Então podemos entrar? – Annabeth perguntou esperançosa.
– Olha, eu bem que gostaria de deixá-la entrar, mas nossa irmã ficaria furiosa e você não gostaria de vê-la furiosa. – Ele falou amargurado.
– Mas é exatamente por isso que estamos aqui, sua irmã nos mandou. – Annabeth disse. – Quione nos mandou para falar com Bóreas.
– Quione mandou vocês? – Perguntou ele franzindo a sobrancelha.
– Sim?! – Annabeth disse meio indecisa.
– Ok. – Disse ele. – Você não mentiria a respeito disso, pois Quione te mataria se soubesse.
Eles começaram a andar em direção ao hotel e Thalia e Annabeth os seguiram. Annabeth fez uma careta, mas Thalia se limitou a sorrir.
– Muito bem Annie.
Seguiram Cal e Zetes até a suíte de Bóreas, o lugar parecia ter sido cenário de um filme da Disney, pois era todo coberto de gelo. Estalactites cobriam todo o teto.
– Se Nova Yorke estava ruim isso aqui... – Annabeth sussurrou.
– Zetes vá chamar Quione eu vou cuidar das nossas convidadas. – Cal falou e deu uma piscadela para Annabeth.
– Não é necessário chamá-la... Cal querido. – Annabeth disse e Thalia segurou um riso. – Só precisamos falar com Bóreas e iremos embora.
– Você pode ir porque é bem bonita. – Disse olhando Annabeth de cima a embaixo. – Você também é bonita, mas não pode ir porque é grossa.
– De jeito nenh...
– Ok, eu vou.
– Annabeth! – Thalia a repreendeu.
– Fique aqui. – Annabeth disse e começou a seguir Cal pelo corredor. Thalia ficou parada sem reação.
***
Quase meia hora já tinha se passado e nada de Annabeth voltar, Thalia já estava quase dando uma de Clarisse pra cima do grandão Zetes e indo atrás dela quando a porta se abriu, mas não foi Annabeth quem saiu de lá. Uma garota de mais ou menos dezessete anos, cabelos negros e grandes olhos claros vestindo um vestido branco entrou na sala e no momento tudo ficou mais frio e Thalia soube que ela era a princesa. Quine viu Thalia e cerrou os olhos na direção de Zetes que brincava distraidamente com a espada, ele era tão grande que ela parecia uma brinquedo na mão dele. Ela olhou Thalia dos pés a cabeça e parou seus olhos nos azuis escuros de Thalia.
– Quem é ela? – Perguntou.
– Poeira – Zetes respondeu e Quione revirou os olhos.
– Eu sou Thalia. – A semideusa falou sustentando o olhar desafiador da princesa do gelo. – Filha de Zeus.
– Interessante. – Quione se aproximou e deu a volta nela sem tirar seus olhos de Thalia. – E posso saber o que você faz no meu castelo filha de Zeus?
– Minha amiga esta falando com seu pai, eu estou apenas esperando.
– Já fazem alguns anos que as pessoas que entram por aquele corredor não voltam com vida. – Disse ela e dessa vez estava realmente perto.
– Veremos a respeito disso. – Thalia colocou a mão no punho da espada.
– Corajosa. – Quione sorriu de lado. – Zetes, hora do hóquei. – O grandão se levantou feliz e saiu correndo gritando ‘hora do hóquei’ – Eu já ouvi falar de você, é a garota que Zeus transformou em um pinheiro quando morreu e que depois voltou à vida.
– Fico feliz que saiba quem eu sou.
– Também soube que você se dá muito bem com os raios e trovões. – Quione passou uma mão pelo ombro de Thalia que sentiu um frio descomunal, era como se Quione a estivesse congelando, mas ela fingiu que a garota não a afetava. – Não é muito diferente do gelo, sabe acho que nos daríamos muito bem.
– Provavelmente. – Thalia murmurou sem humor. – Até quem enfim. – Disse vendo Annabeth vir em sua direção.
– Temos que sair daqui. – Annabeth falou antes de ver Quione que ainda tinha a mão no ombro de Thalia.
Ela parou de uma vez recebendo um olhar gélido da princesa, Thalia tirou a espada e se afastou dela.
– Vocês duas vão virar picolé. – Quione falou com a voz irritada.
Atacou Annabeth primeiro, mas ela pulou para o lado e desviou da luz azul que Quione mandou em sua direção. A loira escorregou no gelo e caiu no chão, Quione aproveitou a situação e atacou novamente, mas não teve tempo nem mesmo de ver o que a atingira. Thalia jogou Aegis na direção dela e a acertou em cheio, mas a princesa se levantou ainda mais furiosa. Thalia correu onde Annabeth estava e a ajudou a se levantar. Quione atacou novamente, mas Thalia desviou o golpe com a espada e contra-atacou, jogou todo o peso de seu corpo num golpe que fez com que Quione fosse jogada longe mais uma vez, essa era a intenção pois precisava de tempo para o que estava planejando fazer.
– Fique aqui e quando eu disser corra até mim e me abrace. – Falou quando voltou a se aproximar de Annabeth, Quione já voltava a se levantar.
– O que? – Annabeth perguntou confusa.
– Só faça o que eu disse.
Thalia correu até o centro do salão chamando a atenção de Quione, ergueu a espada pra cima rumo as estalactites e um raio atravessou o teto destruindo tudo, pedaços de gelo caíram e Annabeth gritou achando que Thalia havia sido atingida, mas somente Quione tinha ficado sobre os destroços. Zetes, Cal e os espíritos da tempestade surgiram de todos os lados certamente atraídos pelo barulho.
– Annabeth! – Thalia gritou e Annabeth fez o que ela disse correu e a abraçou.
De repente seus pés não tocavam mais o chão, estavam voando. Annabeth apertou seus braços com firmeza em volta de Thalia e elas voaram por cima da cidade de Quebec.
Quando pousaram bem distante de onde pudessem achá-los Thalia tremia e respirava com dificuldade, ela encostou em uma árvore tentando recuperar o fôlego e a sanidade. Annabeth a olhava espantada ainda sem acreditar que estava viva.
– Eu não sabia que você podia fazer isso... Quer dizer... Como... Thalia você pode voar.
Thalia balançou a cabeça e estendeu as mãos para que Annabeth pudesse ver como aquilo a afetava, sabia que podia voar a muito tempo, mas tinha jurado a si mesma que nunca faria aquilo.
– Mas você tem medo de altura.
Thalia não disse nada só balançou a cabeça novamente.
– Você esta bem?
Balançou a cabeça negativamente dessa vez. Annabeth foi até ela e a abraçou.
– Esta tudo bem agora, ok? Não vamos precisar voar de novo eu prometo. – Ela disse tentando acalmar a garota. Os olhos de Thalia estavam assustados e ela estava vulnerável como Annabeth nunca tinha visto.
Thalia ainda estava encostada na árvore e agora tinha Annabeth com seu corpo contra o dela em um abraço que ficou pela metade. Era bom sentir o calor do corpo dela depois de ficar frente a frente com a princesa do gelo.
– Só consegui fazer isso por sua causa. Você me faz querer enfrentar todos os meus medos. Eu não teria conseguido fazer isso por mais ninguém.
Annabeth ficou sem fala e Thalia soube que aquele era o momento perfeito, estava cansada de ser a garota certa e séria que nunca tomava riscos, estava cansada de sentar e esperar que as coisas boas acontecessem e de por a felicidade das outras pessoas na frente da sua.
Quando os olhos confusos de Annabeth captaram os seus tão próximos dos dela ela pode ver toda a sua existência resumida naquela imensidão cor de tempestade. Ela invadiu o espaço da loira que não a impediu, Annabeth permitiu todas as suas investidas e ela não pode deixar de tomar aquilo como uma chance que talvez os deuses estivessem lhe dando. Resolveu aproveitar a oportunidade que poderia nunca mais aparecer.
Thalia encostou sua testa na da filha de Atena passando sua mão pelo rosto dela acariciando-a. Desfrutou daquela aproximação por alguns segundos ainda esperando que Annabeth voltasse a realidade, sacasse o que estava acontecendo e a afastasse, mas ela não o fez então Thalia a beijou lenta e calorosamente.
Um trovão cortou o céu iluminando tudo a volta delas, mas o beijo continuou. Thalia pressionou Annabeth para o mais junto de si possível como se aquilo fosse um sonho que pudesse se desfazer a qualquer instante.
Annabeth não conseguiu pensar nas consequencias que aquele beijo traria, nunca conseguia pensar direto com Thalia por perto. Seu coração batia tão fortemente que talvez a outra pudesse senti-lo. Não sabia se era porque Thalia era filha do senhor dos raios, mas uma eletricidade inconfundível atravessou seu corpo.
O beijo foi demorado, mas quando elas se separaram parecia ter se passado apenas alguns segundos. Annabeth sorriu, apesar de saber o quão errado havia sido o que fez, ela sorriu e Thalia não pode deixar de sorrir também, era um sorriso surpreso, mas era um sorriso. Thalia nem se lembrava da ultima vez em que tinha dado um sorriso tão verdadeiro assim, na verdade ela se lembrava sim, tinha sido há anos atrás quando o Velocino de ouro a trouxe de volta e ela pode ver os olhos acinzentados de Annabeth novamente.
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