Notas iniciais
- Clarisse, Piper e Nico vão ao mundo inferior para uma aventura. - Clarisse tem devaneios bastante reais. - Thalia e Annabeth falam umas verdades...

Clarisse abriu os olhos desejando que estivesse errada, mas as vozes em sua cabeça lhe confirmavam o que estava acontecendo ela estava novamente no submundo.

Piper abraçava o próprio corpo, lá embaixo era frio, escuro e silencioso. Exatamente tudo o que ela mais odiava. Exatamente tudo o que Nico mais prezava.

Clarisse avançou contra ele assim que o viu. Pegou o menino pelo colarinho e o levantou até ficar da sua altura, seus olhos a milímetros de distancia.

– Nos tire daqui, Di Angelo. – Exigiu ela. – Nos tire daqui agora.

– Eu não posso. – Respondeu ele com um olhar sombrio sobre ela. – Você sabe disso.

Clarisse apertou mais as mãos no pescoço do menino.

– Se seu pai souber que estou aqui, e a essa altura ele já deve ter sentido, me matara. Matara a todos nós.

– Se sairmos agora, você morre.

Clarisse tinha tanto ódio no olhar, aproximou mais seus olhos do menino e então o largou violentamente no chão. Virou-se para não encarar nenhum dos dois e se agachou sentindo a dor invadir seu peito, a dor que sempre sentia quando precisava se controlar, a dor que sempre sentia quando estava perto de Annabeth.

Quando voltou a se levantar seus olhos estavam vermelhos e sua aparência cansada. Como se tivesse lutado mil guerras e de fato talvez tivesse. Piper a olhava com certa melancolia, mas ela não sustentou o olhar.

– Mostre o caminho. – Disse a Nico.

***

Eles andaram por quase meia hora e só o que Piper podia fazer era segui-los já que nenhum dos dois falava com ela. Cada segundo mais escuro, cada segundo mais frio... O silêncio... Foi substituído por vozes, vozes de pessoas suplicantes e agonizantes. Piper queria chorar, queria sair correndo dali e ir embora, queria ver a luz do sol, mas não podia, não podia nem ao menos perguntar o que estava acontecendo.

Clarisse andava o mais distante dela possível, talvez tivesse medo de que Piper pudesse fazer algo inapropriado e a filha de Afrodite entendia bem o porque de Clarisse querer afastá-la.

Quando Jason acordou ao lado dela ela achou que o que tinham fosse real, ela realmente desejou que fosse real. Desejou tanto que o assustou.

Durante a sua vida tivera poucas pessoas de quem realmente gostou, ou pelo menos pensou gostar e esse vazio a seguiu por todos os lados. Sua beleza atraia as pessoas, mas ela não era realmente interessante a ponto de fazê-los ficar por mais de uma semana, ela poderia usar o charme e pedir que ficasse, mas eles sempre voltavam a si e iam embora. Sempre iam embora, Piper estava cansada de ver pessoas irem embora.

***

Pararam de andar em frente a um rio. Piper pode ver o grande lixo da humanidade passar por ele, sua água era escura e provavelmente venenosa. Coisas como papéis, brinquedos, troféus, certificados... Tudo era arrastado por ele.

– O rio Estige é para onde vão todos os sonhos, vontades e desejos mortos. É considerado um rio sagrado, onde são celebrados acordos, promessas e juramentos. – Nico falou vendo a cara confusa de Piper. Acontece que ela só ficou mais confusa.

– O que estamos fazendo aqui?

– Eu preciso dar um mergulhozinho. – Clarisse disse dando um sorriso desconfortável.

Piper arregalou os olhos.

– O que? Você é maluca? Porque vai entrar nessa coisa?

Clarisse deu um longo suspiro, não queria ter de explicar aquilo, não queria nem ter de se lembrar.

– Longa história... Mas vou precisar de sua ajuda. Quando eu estiver lá dentro preciso que use o charme e me convença a sair.

– E se não der certo? – Piper não queria ser responsável pela morte de Clarisse.

– É o único plano que temos. Precisa dar certo e então poderemos voltar, encontrar Annabeth e salvar seu namorado e Percy.

Piper não disse nada, não havia o que dizer.

Clarisse tirou as botas, a jaqueta e deixou a lança nas mãos de Nico. Quando colocou o primeiro pé na água fez uma careta.

– Tenho a impressão de que vou me arrepender disso. – Disse sentindo a água a arrastar para o fundo.

– Lembre-se de se concentrar em um ponto de seu corpo que será seu ponto fraco. – Gritou Nico.

Clarisse sumiu dentro da água escura e o coração de Piper começou a bater desesperadamente.

– Quando saberemos que já é tempo o suficiente? – Perguntou.

– Já é. – Nico respondeu seriamente e então Piper começou a chamar por ela.

***

Clarisse escutou a voz de Piper chamar por ela, mas não conseguiu sair. A escuridão que a rodeavam começou a se mover e então ela passou a assistir todas as batalhas que já havia participado, viu todos os monstros que matou um por um, viu as garotas que se apaixonaram por ela e que sofreram, viu as vezes em que fez Annabeth chorar e viu Piper. Viu Piper a beijando.

Clarisse, Clarisse menina você não pode salvá-los. Não pode mantê-la a salvo, ela nunca estará a salvo com você, você sempre a fará chorar.

A voz de Thalia era lenta e arrastada, mas Clarisse a reconheceu.

Clarisse viu a sala de gelo desmoronar, viu Thalia a carregando nos braços e viu quando Annabeth deixou que ela a beija-se.

Isso é uma ilusão, isso nunca aconteceu. Disse a si mesma. Annabeth nunca faria isso, Annabeth é minha.

Clarisse! A voz de Piper estava cada vez mais distante.

Precisa se concentrar em um ponto. Nico sussurrou em seu ouvido a fazendo se virar violentamente, mas ele não estava lá.

Clarisse! A voz gritou atraindo sua atenção e tudo que estava vendo se desfez em névoa.Era ela, era a voz de Annabeth e de repente Clarisse não estava mais nas batalhas, ou em Quebec ela estava de volta ao Estige e estava se afogando. Clarisse saia daí eu preciso de você. Annabeth falou mais uma vez e então ela começou a nadar para superfície. Não era Piper quem a salvaria, era Annabeth.

***

Thalia sorria olhando os olhos de Annabeth tão pertos de si. Finalmente tinha tomado coragem, finalmente a tinha beijado, mas algo estava errado. O sorriso de Annabeth foi se desfazendo conforme ia se dando conta do que havia feito. Ela deu passos para trás se afastando de Thalia vendo o sorriso que a morena tinha também se desfazer.

De repente o arrependimento caiu sobre as duas, aquilo mudava tudo. Thalia viu no olhar arrependido de Annabeth que ela nunca a amaria, talvez a tenha amado um dia, mas agora seu coração pertencia a outra e agora que a tinha beijado não sabia mais como podia voltar a ser amiga dela.

– Me desculpe... – Thalia tentou dizer, mas Annabeth a cortou.

– Você não devia ter feito isso.

– Sinto muito, mas você não estava exatamente negando. – Falou com certa amargura na voz. – Você é quem não devia fazer isso Annabeth. Você acha que eu não vi o jeito que você tem me olhado? Acha que eu não sei que tem sonhado comigo? Acha que eu sou tão burra quanto Clarisse para não notar?

Annabeth se encolheu porque sabia que Thalia estava certa.

– Eu...

– Eu, eu, eu. Você só pensa em você, não é? O que? Queria experimentar pra saber se sentiria alguma coisa? É isso? E agora que viu que não sentiu nada vai me culpar e voltar correndo pra sua namoradinha idiota?

– Você não tem o direito...

Thalia se aproximou, lágrimas se formavam em seu rosto e o esforço que ela fazia para contê-las era em vão.

– Eu não tenho o direito de amá-la? É isso o que você acha? Eu discordo. Você é que não merece que eu a ame.

Thalia se virou e entrou no meio da floresta deixando Annabeth para trás. Mais uma vez ela a abandonava, mas dessa vez ao menos ela o fez por opção.

Annabeth não se deu ao luxo de permanecer ali lamentando, precisava encontrar Percy e Bóreas a havia dito exatamente onde devia ir antes de ordenar que a matassem.

Notas finais
Desculpem a demora? Saudades de vocês ein ;)