Notas iniciais
- Clarisse recebe ajuda de um amigo especial. - Annabeth tem uma visão. - Thalia tem medo de altura. - Elas chegam tarde para salvar Jason e Leo. - Piper conquista uma inimiga.

Clarisse acordou junto com o sol e não conseguiu mais dormir, sua cabeça estava pesada, mas ela se levantou assim mesmo. Todos no chalé de Ares dormiam quando ela saiu, pensou em ir falar com Annabeth, mas achava melhor que ela descansasse, afinal, os problemas dela eram maiores que os seus. Clarisse foi até a área de treinamento que estava deserta, pegou uma espada qualquer e começou a golpear o boneco feito de espuma, em poucos minutos ele estava completamente destruído.

– Preciso de algo mais resistente. – Murmurou para si mesma procurando por algo que pudesse quebrar quando viu o garoto. Nico tinha a péssima mania de observar as pessoas em silêncio e assustá-las, talvez sem querer, quando estavam distraídas. Clarisse apontou a espada pra ele num reflexo, mas logo relaxou quando viu que era ele.

– Me desculpe. – Ele murmurou. – Não tive intenção.

– Você nunca tem. – Ela acertou um outro boneco em cheio na cabeça a fazendo voar longe. – Esta ficando pior Di Angelo.

– Eu posso sentir. – Nico saiu do lugar escuro onde estava e Clarisse pode ver as marcas em seu rosto. O garoto não dormia há dias e se alimentava muito pouco também, Clarisse sabia que Percy era seu amigo, mas a esse ponto? – A benção de Ares se tornou uma maldição. Como isso aconteceu?

– Eu não sei, mas posso imaginar. – Ela suspirou pesadamente, deu mais um golpe no boneco, dessa vez arrancando um de seus braços.

Nico ficou em silêncio esperando que ela continuasse, sabia ser paciente e isso era algo que ela admirava. Ela começou a bater furiosamente com a espada no cara de espuma e em menos de um minuto ele se desmanchou assim como o primeiro, mas ela continuou a golpeá-lo e quando se deu por si tinha quebrado a madeira que o segurava em pé e a espada estava completamente rachada e inútil.

– Ares acha que não sou digna do poder que me ofereceu, acha que eu amoleci e de certa forma tem razão, Annabeth fez isso comigo. Agora ele esta brincando comigo, me fazendo perder a cabeça. É como se tudo que eu tocasse acabasse morrendo. – Ela andava de um lado para o outro tentando se acalmar, respirou profundamente contando até vinte, queria ser capaz de ser como Nico que apenas a observava. – Eu sinto tanta raiva o tempo todo. Antigamente eu costumava ter episódios de fúria, ataques de adrenalina, momentos em que eu perdia a cabeça. Mas agora eu me sinto assim o tempo todo. É sempre uma batalha dentro de mim, eu não sei por quanto tempo vou ser capaz de aguentar Nico.

O garoto a deu um olhar voluntário e se aproximou, ela não deixou que ele chegasse muito perto e ele entendeu.

– Por enquanto só o que posso fazer por você é ajudar que extravase o que esta sentindo, mas a longo prazo temo não ser a pessoa a resolver o seu problema. – Ele tirou a espada de ferro estígio da cintura.

– Eu não vou brigar com você, garoto. – Ela disse com olhar melancólico.

– Eu não sou tão estúpido. Vou trazer reforços. – O chão embaixo deles começou a se abrir, Clarisse sorriu de lado estava mais que na hora de um pouco de ação. Os esqueletos foram saindo do buraco formado por Nico um por um, todos vestindo armaduras gregas ou uniformes militares, alguns usavam espadas, outros usavam lanças, mas todos pareciam bastante ameaçadores. Clarisse pode ver a sombra de um sorriso nos lábios de Nico e o olhou desafiadoramente.

– Pode mandar ver Di Angelo.

– Com prazer La Rue.

Aquele tipo de combate já havia se tornado algo dos dois. Nico se sentia poderoso e incluído quando podia trazer seus soldados esqueletos para uma briga e Clarisse estava sempre disposta a quebrar alguns ossos. Aquele era o tipo de diversão para os dois e talvez por isso tenham se tornado amigos depois que Nico ajudou Clarisse a sobreviver no mundo inferior a dois anos atrás. Um de certa forma entendia os medos do outro.

Nico avançava junto dos esqueletos, golpeando sempre que via uma oportunidade, mas Clarisse sempre o bloqueava. Ela acertava a todos os soldados com uma habilidade e rapidez dignas de uma verdadeira filha de Ares, não sei como o deus da guerra podia pensar que ela não fosse merecedora de sua benção. Todos os quarenta soldados foram derrubados antes que Clarisse pudesse começar a se cansar. Ela usava tanta força que a maioria se tornava pó com apenas um golpe. O ultimo deles ela o rasgou de baixo para cima com um único golpe de espada. Quando a brincadeira acabou o sol já brilha quente acima deles e Nico decidiu que já era hora de se retirar.

– Preciso estar em outro lugar. – Ela somente acenou e ele se foi, acredite ou não era assim que os dois demonstravam amizade.

***

Quando Clarisse chegou à casa grande os outros já estavam lá. Annabeth estava quieta em uma cadeira meio longe de todo mundo. Thalia estava em pé e carregava seu escudo e espada. Tyson tinha uma cara de choro lamentável. Quiron andava/trotava de um lado para o outro, o silêncio na sala era tanto que o barulho de seus cascos fazia eco no assoalho. O senhor D não estava, como de costume não se importava com os assuntos de campistas em perigo.

– Clarisse... – Quiron começou, mas foi interrompido por Annabeth.

– Pelos deuses até que enfim. Já começamos sem você. – Ela se levantou visivelmente irritada. Clarisse revirou os olhos e a ignorou.

– Quiron, você dizia...? – O centauro pigarreou e recomeçou.

– Temos uma pista de Percy, três de vocês serão mandados em uma missão de reconhecimento. Se a informação proceder irão retornar com um grupo de resgate. – É claro que ele sabia que isso não aconteceria, se Annabeth encontrasse o lugar onde Percy estava sendo mantido prisioneiro, isso é, se ele estivesse mesmo preso, ela não esperaria por reforços para atacar.

– E que pista é essa? A fonte e segura? – Clarisse perguntou, odiava não ter todas as informações.

– Eu sou a fonte. – Annabeth falou. – Eu tive uma visão essa noite. Um garoto com um sapato só no Grand Canyon, eu o vi ser levando pó um espírito da tempestade. Tem uma garota com ele é com ela que devemos nos preocupar.

Clarisse a olhava estranhamente, sabia que Annabeth estava escondendo alguma coisa a conhecia o suficiente para saber disso.

– E quando partimos?

– Agora.

***

Clarisse pilotava a carruagem com precisão, era diferente quando se usava cavalos alados no lugar de cavalos comuns. Ela estava adorando. O contrario de alguém no banco de trás. Thalia fazia um esforço descomunal para não vomitar, tentava não olhar pra fora e se agarrava ao escudo. Pra uma filha do deus do céu isso era bastante confuso. Clarisse se divertia com a situação e vez ou outra fazia uma manobra mais arriscada. Lá em cima no território de seu pai a filha de Zeus não parecia tão durona como fingia ser lá embaixo.

Mesmo antes de chegarem ao destino o céu começou a se agitar em volta delas, um espírito da tempestade avançou contra a carruagem dourada, mas Annabeth foi rápida e o acertou com o escudo antes que ele pudesse ver. Clarisse viu a batalha sendo travada ao longe, um sátiro com um bastão de basebol, um garoto parecia estar voando para cima do Canyon segurando uma menina nos braços, eles pousaram e mais espíritos da tempestade avançaram contra eles que não sabiam se defender direito. Logo o sangue de Clarisse começou a ferver e ela quis entrar no jogo. Antes que a carruagem pudesse pousar elas viram um espírito carregando o garoto loiro inconsciente do jeito como Annabeth tinha previsto. A garota que estava com ele gritou e tentou jogar alguma coisa no espírito da tempestade, mas não foi sucedida. Annabeth pulou da carruagem antes de ela pousar e começo a golpear as criaturas que apareciam, não eram muitas, mas não foi capaz de ajudar o garoto.

Thalia também se juntou a briga feliz por sair daquela carruagem e a Clarisse sobrou à tarefa de ir até a garota e trazê-la para dentro. Transformou algumas feras em pó no caminho, mas quando chegou à garota ela não se mexeu estava em choque.

O sátiro começou a gritar para que ela se levantasse e fosse com eles, pois esse era o reforço que estavam esperando, mas a garota não se mexeu, Clarisse não via alternativa. Agachou-se e passou o braço da garota no seu pescoço a levantando do chão. Quando a menina percebeu que estava sendo carregada somente a olhou se expressão, provavelmente estava apavorada.

– Vamos. – Annabeth gritou entrando na carruagem seguida por Thalia e pelo sátiro. Clarisse já estava sentada na frente com a garota estática ao seu lado. Annabeth a puxou fazendo com que ela ficasse de frente para ela e apontou a adaga para a menina que arregalou os olhos. – Onde ele esta?

– Aquelas coisas do vento o levaram. – A menina gemeu.

– Não estou falando dele, estou falando do outro. – Annabeth encostou a adaga nela, mas Clarisse interveio.

– Annabeth se acalme.

– Não me mande ficar calma. Onde ele esta?

– Leo? – O sátiro perguntou se pondo entre elas. – Ele também foi levado um pouco antes de vocês chegarem.

– Não. – Annabeth urrou. – Percy, o nome dele é Percy Jackson.

– Não sabemos do que esta falando mocinha. – O sátiro disse um pouco irritado e não era pra menos Annabeth estava apontando uma faca pra garota que ele estava tentando proteger.

– Vamos voltar para o acampamento, lá saberemos o que fazer. – Clarisse sugeriu já fazendo com que os cavalos levantassem vôo. A garota ao lado dela suspirou aliviada quando Annabeth guardou a adaga e se sentou olhando para o nada. Ela era linda de um jeito não tradicional, tinha traços indígenas e olhos que ficavam mudando de cor. Ela também ficou olhando para o céu, para o lugar onde os espíritos da tempestade tinham levado Jason.

Notas finais
Agora sim rsrs'