Notas iniciais
- Quiron reúne o conselho para decidir o que fazer a seguir. - Thalia reflete sobre seus sentimentos. - Elas ganham uma missão e uma nova companhia. - Piper descobre quem é sua mãe. - Annabeth sente cada vez mais a falta de Percy.

O caminho de volta para o acampamento foi bastante turbulento e tenso. O sátiro que dizia se chamar Hedge não parava de falar o quanto queria voltar lá e dar uma surra naqueles monstros, mas ele era o único que falava. Clarisse pilotava a carruagem quieta enquanto a garota ao lado dela secava lágrimas que caiam a todo instante. Annabeth girava a adaga nervosamente pelos dedos e Thalia tentava concentrar seus pensamentos em Percy, pois sentia que Clarisse fazia de tudo para que aquele voou fosse o mais desagradável possível. Quando finalmente chegaram no acampamento Thalia ficou feliz por poder sair daquela carruagem maldita, eles seguiram para a casa grande e Annabeth escoltou a garota nova feito um guarda que leva alguém para a prisão.

Quiron convocou o conselho para decidirem como agiriam dali pra frente, acontece que a pista que acharam que tinham não os levava a muita coisa.

Thalia observava a todos em silêncio, durante muitos anos ficou presa a uma forma não humana e as vezes chegava a se esquecer de como se comportar com as pessoas, ela sabia que algumas pessoas a achavam estranha, mas isso não a incomodava. Clarisse estava sentada em cima da mesa de ping-pong batendo com a pequena bola na mesa impacientemente. Thalia sabia que Clarisse não gostava dela e o sentimento era recíproco, ela era impulsiva, mal educada e propensa a violência. Completamente o oposto de Annabeth, mas talvez fosse por isso que estavam juntas, pois eram o oposto uma da outra. Annabeth andava de um lado pra outro na sala, provavelmente contando até dez. Thalia conhecia Annabeth desde que era uma criança, a protegera uma vez, dera sua vida por ela. O que todos sabiam era que Thalia tinha ‘morrido’ para salvar a vida de Luke, Grover e Annabeth, mas a verdade era que Thalia nunca deixaria que nada acontecesse a ela, nunca. Podia ver na expressão dela que ela estava triste, teve esperanças de que encontraria Percy naquela manha ou que ao menos encontraria um jeito de achá-lo, mas nada tinha saído como esperado. Vez ou outra Annabeth lançava um olhar analítico sobre a garota, Piper, ela não sabia de que deus era filha, deusa na verdade, pois era a sua mãe que ela não conhecia. A garota estava sentada em uma das cadeiras visivelmente abalada o que não era pra menos, seu melhor amigo e seu namorado tinham sido levados pelos espíritos da tempestade e pouso depois de saber que tudo o que havia vivido ao lado do garoto loiro era uma mentira, uma ilusão causada pela nevoa. Ela pareceu ainda mais chocada quando Quiron apareceu com seu enorme corpo de cavalo. O sátiro Hedge vinha com ele.

– Então Quiron, alguma novidade? – Annabeth perguntou esperançosa.

– Sim, eu e o treinador Hedge conversamos e achamos que temos uma pista de como encontrar Percy e os outros. – Ele disse calmamente, passou por Piper que tinha a boca aberta e lhe deu um sorriso gentil.

– Não me importou com os outros. – Annabeth murmurou aquilo não parecia o tipo de coisa que ela diria. – O que temos que fazer?

– Segundo Hedge os espíritos que levaram Jason e Leo eram espíritos do norte, região dominada pelo deus dos ventos norte Bóreas. – Ele fez uma pausa. – Bóreas tem uma filha chamada Quione que por um tempo teve fama de congelar heróis e decorar suas salas com suas estátuas de gelo. Se Bóreas ou Quione estão sequestrando heróis devemos impedi-los.

– Mas isso não diz nada sobre Percy, ele pode nem estar lá. – Annabeth disse irritada.

– Mas é a melhor pista que temos Annabeth. Temos que segui-la. – Ele olhou Clarisse esperando por apoio.

– Ele tem razão Annabeth, mas acho que não devemos nos apoiar a isso. – Quiron estreitou os olhos para ela. – Ainda ah a possibilidade de o garoto peixe não estar lá então acho que devemos continuar enviando grupos de resgate a outros pontos, temos espiões em todos os lugares do país então acho que devem continuar trabalhando.

Annabeth agradeceu com o olhar, era evidente que ela aquilo que precisava ouvir, precisava saber que continuariam procurando mesmo que uma pista fosse quente como aquela que não desistiriam por nada. Thalia desejou que aquele olhar fosse pra ela, desejou ter tido aquela idéia primeiro.

– Pois assim será feito. Imagino que não encontrarei objeções ao mandar vocês três ao norte, certo? – Ele perguntou se referindo a Clarisse, Annabeth e Thalia.

Thalia não gostava muito da idéia de sair em missão com Clarisse, mas precisava estar perto de Annabeth para protegê-la. A garota Piper se levantou meio sem jeito.

– Eu também vou. – Falou em tom decidido.

– Sinto muito Piper, mas não posso permitir isso. A algumas horas atrás você nem sabia que era uma semideusa, não posso te mandar em uma missão.

– São meus amigos que estão lá, fui eu quem os vi sendo carregados. – Ela estava quase gritando.

– Não sabemos nem ao menos quem é a sua mãe.

No momento em que Quiron disse isso o que aconteceu pareceu uma mensagem. Piper começou a brilhar. Ela olhou pra baixo assustada, suas roupas não eram mais as mesmas simples e sujas. Vestia uma túnica branca sem mangas com um decote em V bastante grande. Em seus braços havia delicadas pulseiras de ouro e um colar de flores pendia de seu pescoço nu. Seus cabelos caiam nos ombros, perfeitos, brilhantes cor de chocolate enfeitados com laços dourados. Estava maquiada e seus olhos mudavam de cor, uma mais bonita que a outra. Ela parecia aterrorizada, mas estava...

– Linda. – Disse Clarisse que recebeu um olhar de advertência de Annabeth.

– O que aconteceu? Essa não sou eu... – Ela tocava no vestido e nas outras partes de si como se não acreditasse.

– Acho que essa é a maneira de sua mãe dizer que eu estou errado, criança. – Quiron falou com a voz grave, estava admirado. – Você conquistou o direto de ir nessa missão filha de Afrodite, senhora das pombas, deusa do amor.

Piper não parecia estar gostando da situação, era filha de Afrodite então? Ela olhou timidamente ao redor e todos olhavam para ela. Annabeth deu-lhe um sorriso complacente e se retirou, não havia mais nada a ser dito e ela provavelmente não queria ficar ali vendo sua namorada babar pela rainha da beleza. Thalia a seguiu em silêncio, não sabia bem o porquê, mas algo a dizia que a garota não queria ficar sozinha.

Seguiu ela até a praia, Annabeth se sentou na areia branca tirando o tênis e colocando os pés dentro d’água. Pequenas ondas chegavam até ela e molhavam suas roupas, mas ela não se preocupava, pois a água salgada do mar a deixava mais perto do amigo.

Viu Thalia se aproximando, mas não disse nada somente desviou o olhar de volta pra água esperando que ela se sentasse ao seu lado.

– Ela é uma idiota. – Annabeth falou.

– O que esta acontecendo com vocês? – Questionou Thalia sentindo a água bater em suas pernas.

– Ela mudou. Eu não sei por que ela não fala comigo, ela simplesmente... – Ela apertou a areia no chão, falar sobre Clarisse doía e Thalia podia sentir aquilo, podia sentir que Annabeth estava sofrendo e isso fazia com que ela quisesse matar a filha de Ares. Clarisse tinha aquilo que Thalia mais desejava no mundo e estava desperdiçando.

– Ela não merece você. – Disse antes que pudesse se deter.

Annabeth a olhou com aqueles olhos que penetravam a alma. Thalia mantinha a expressão dura, rígida. O silêncio de Annabeth foi o suficiente para deixá-la desconfortável, ela desfez o contato visual, mas a loira continuava a encará-la.

– Nunca mereceu e você devia saber disso. – Ela dizia com as sobrancelhas franzidas. Queria que Annabeth parasse de encará-la, pois estava com medo de estar ficando vermelha.

– Porque esta falando isso Thalia? – Annabeth deu um risinho sem graça e voltou a encarar o mar. – Você sabe que eu a amo. – Nenhuma das duas disse mais nada depois disso. Thalia sabia e como sabia que Annabeth a amava, mas tentava não pensar no assunto, era doloroso de mais ouvir aquelas coisas da boca dela, mesmo com o coração apertado Annabeth ainda admitia amar Clarisse La Rue. Thalia podia entender, por isso somente suspirou e ficou ali até Annabeth decidir voltar. Entendia porque não importava o que ela fizesse ou com quem estivesse Thalia sempre amaria Annabeth.

Notas finais
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