Notas iniciais
- Thalia tem de contar a Annabeth que perdeu Piper e Clarisse. - Annabeth perde a calma e desconta em Thalia. - Piper e Clarisse se encontram perdidas...

Annabeth começou a abrir os olhos lentamente, parecia meio acordada meio apagada e Thalia decidiu encostar o carro para poder ter aquela conversa. Durante o tempo em que Annabeth passou desacordada ela pensou em várias coisas que poderia dizer, mas sabia que nenhuma aliviaria o golpe que seria pra loira saber que Clarisse tinha sido ‘engolida’ pelo redemoinho de areia junto de Piper e o ciclope. Annabeth murmurou alguma coisa antes de acordar completamente, talvez estivesse sonhando, era normal que semideuses tivessem sonhos estranhos.

Toda noite Thalia sonhava que era um pinheiro. Sonhava que estava presa aquela forma e que via as pessoas passando por ela achando que ela estava morta e ela não conseguia pedir por ajuda.

Annabeth abriu os olhos encarando Thalia a sua frente e sorriu, por uns instantes ela realmente não se lembrava do que tinha acontecido, mas no momento em que se deu conta de que não estavam mais no mesmo lugar e que estavam sozinhas dentro do carro seu coração parou.

– O que aconteceu? Eu apaguei? Onde estão as outras?

– Annabeth... – Thalia odiava ter que dizer aquilo, sabia que Annabeth ficaria chateada e odiava pensar que parte era sua culpa. – Aconteceu uma coisa...

Ela se endireitou no banco, Thalia estava quase em cima dela e a aproximação a incomodava.

– Cadê a Clarisse? – Perguntou, mas a outra hesitou. – Thalia, onde a Clarisse esta?

– O ciclope... – Ela disse letamente. – Ele levou as duas.

A expressão de Annabeth passou a ser de preocupação, ela abriu a porta do carro e saiu.

– Levou pra onde? Thalia...

– Eu sinto muito. – Thalia tinha os olhos marejados, mas não se permitiria chorar. – Eu não pude fazer nada... Aconteceu tão rápido...

Thalia contou a ela tudo o que aconteceu depois que Annabeth desmaiou. Disse como o ciclope pegou Piper e como Clarisse foi pra cima dele e teria dado tudo certo se o soldado esquelético não tivesse pulado em cima deles. Contou como todos eles caíram no buraco e desapareceram e de como ele se fechou no instante em que eles passaram.

Annabeth escutava com atenção, vez ou outra suspirava pesadamente e aquilo doía em Thalia, mas ela não diria isso.

– Precisamos mandar uma mensagem de Iris para Quiron, ele vai saber o que fazer. – Disse tentando manter a calma, sabia que Clarisse estava viva, não sabia como, mas tinha certeza de que ela estava viva.

Há dois anos quando Clarisse ficou presa no mundo inferior, Annabeth jurava que podia senti-la. Sabia que ela não estava bem, mas também sabia que ela estava viva e isso fora o suficiente para que ela não enlouquecesse. Apoiar-se-ia a isso outra vez.

– A mais coisas... – Thalia falou. – Precisamos continuar atrás de Percy...

– Eu sei... Eu só preciso saber se ela esta bem, ok? – Annabeth disse meio irritada, sabia que Thalia não gostava de Clarisse, mas não precisava lhe lembrar de que Percy estava em um perigo provavelmente maior.

– Annabeth...

– Eu só quero me certificar de que ela esta bem. – Annabeth deu as costas e pegou uma garrafa de água em sua mochila. Tentava fazer um arco Iris, mas era complicado.

Thalia observou enquanto pensava no que falar, não queria que Annabeth pensasse que ela não se importava com Clarisse, não gostava dela, certo, mas se importava com Annabeth e enquanto a felicidade dela dependesse de Clarisse é claro que Thalia se importaria de ela estar viva ou não.

Annabeth estava muito nervosa e por isso não estava conseguindo alcançar o seu objetivo. Thalia olhou pra cima o céu estava claro, mas ela queria que chovesse. Já tinha feito isso antes e aquela garrafinha de água não ajudaria em nada.

Annabeth começou a ficar irritada, jogou a garrafa longe e a chutou para ainda mais longe.

– Você precisa se acalmar. – Thalia falou, mas só conseguiu irritar ainda mais a menina.

– Porque você não fez nada? – Perguntou quase gritando.

– Eu...

Um raio cortou o céu e mesmo de dia foi possível vê-lo.

– Você podia ter feito qualquer coisa. – Disse sem pensar. – Você não tem o direto...

Thalia não entendia o que ela queria dizer, mas não estava gostando do tom que ela usava Annabeth não sabia como aquilo a machucava.

– Não tem o direto Thalia. Você não sabe... – Annabeth começou a chorar. – Não sabe quanto tempo eu passei ao lado daquela árvore... Ao seu lado... Esperando.

– Annabeth do que você esta falando?

– Esperando... Você voltou quando eu não estava mais esperando... Quando eu já tinha cansado de chorar a sua morte... Você não tem o direito...

Annabeth chorava tanto que não conseguia mais falar. Thalia finalmente entendeu.

O céu começou a fechar e escurecer, Thalia puxou Annabeth para dentro do carro e a abraçou. A loira se aninhou nos seus braços deixando que as lágrimas caíssem.

Thalia nunca tinha pensado nisso, na bagunça que deveria ter feito quando voltou à vida, mas ela não tinha pedido por isso. Quando acordou a primeira coisa que quis saber foi de Annabeth se ela estava bem, onde estava... Nunca chegou a imaginar que Annabeth tinha um dia lhe amado e isso fazia com que as coisas fossem mais difíceis. Ela tinha razão, não tinha direto de aparecer depois de tanto tempo querendo um amor que Annabeth lutou para superar, mas como poderia fazer isso, como poderia se afastar? Ela sabia como.

***

O ar na Califórnia estava quente e abafado. Não tinha ninguém nas ruas devido ao tremor que balançou a terra á algumas horas atrás, mal sabiam os mortais que havia sido Gaia, a mãe dos piores monstros e gigantes quem tinha lançado sua fúria sobre a cidade.

Na beira da estrada algo estranho começou a acontecer. O chão começou a tremer e as pedras a balançar. Um redemoinho começou a se formar na terra fazendo com que voasse areia, pedra e terra para todo canto. Assim que se tornou grande o suficiente o buraco no chão ‘cuspiu’ Clarisse e Piper lá de dentro ambas muito confusas.

Clarisse logo se pôs em posição de batalha esperando que o ciclope saísse atrás delas, mas nada aconteceu. Elas estavam na beira de uma estrada quente e deserta mais longe do norte quanto poderiam estar.

Piper estava assustada, Clarisse tinha caído naquele buraco por tentar salvar sua vida e agora ela lhe devia isso.

– Onde estamos? – Piper perguntou olhando em volta, o céu era claro e azul e o sol queimava em cima delas.

– Em algum lugar quente, o que quer dizer que estamos muito longe de onde deveríamos estar.

– Espero que não seja Índia ou algo assim.

Piper caminhou até o local de onde elas tinham vindo, não havia marca de que duas semideusas tinham passado por lá, na verdade a única coisa anormal eram as pedras espalhadas.

– Vamos, não podemos ficar aqui sei por experiência própria que o mais seguro para semideuses é sempre continuar se movendo. – Clarisse tomou a frente, se estava brava por Piper tê-la separado de Annabeth não demonstrou.

Elas seguiram rumo a cidade sem suprimentos, sem rumo, sem um plano. Clarisse só queria encontrar um jeito de chegar até Annabeth e Piper estava a cada dia odiando mais ser uma semideusa.

Notas finais
Tenho a impressão de que a sequencia flopou, mas vou continuar postando.