Across The Frontline

3 Capítulo 3 - Evitando o inevitável


Notas iniciais
Olá, amores! Aqui está mais um capítulo, com muito amor, dedicado especialmente para as meninas que me alegraram muito com os comentários nos capítulos anteriores. Espero que gostem, flores! Boa leitura!

O banho havia sido refrescante, especialmente para expulsar toda a tensão que o corpo grande carregava. Emmett havia passado bons minutos debaixo da água morna da banheira, tentando livrar-se de todos os pensamentos e sentimentos que lhe apertavam o peito. Embora essa fosse uma tarefa um tanto quanto difícil, havia tido sucesso nela desta vez.

Quando decidiu que já havia passado tempo demais demorando-se na banheira, levantou-se cuidadosamente, pousando os pés sobre o tapete macio, para depois enrolar-se na toalha branca, estrategicamente pendurada no cabideiro de prata ao seu lado direito. Saiu pela porta de madeira cara, com a toalha amarrada à cintura, dirigindo-se ao guarda-roupa da suíte. Vestiu uma roupa íntima qualquer, calças sociais na cor cinza, camisa branca de colarinho desabotoado e por cima, um suéter azul bebê de decote V. Nos pés, os sapatos menos formais que encontrou entre as prateleiras.

Depois de secar brevemente os cabelos com a toalha, pendurou a mesma no cabideiro do banheiro e concluiu que era hora de almoçar. Desceu as escadas sem fazer cerimônia, com os passos calmos ecoando à sua volta. Quando colocou os pés no último degrau, notou que não havia ninguém na sala. Imaginou que estivessem todos na mesa e então, dirigiu-se à cozinha. Antes de passar pelo grande arco que compunha a entrada do cômodo, ouviu uma voz com tom ácido nas palavras dirigir-se à Carlisle.

—Você planejou esse almoço para que eu tivesse que lidar com ele, não foi? — a voz da loira era ríspida e seu tom soava desafiante, embora, de alguma forma, fosse respeitosa por dirigir-se ao pai — Sabe disso. Diga, pai. — ela era insistente, embora Carlisle se mantivesse irredutível.

—Rosalie, já chega. — ele cortou-a de uma forma pouco gentil, com o semblante agora impaciente. — Emmett é da família e você já teve tempo o bastante para acostumar-se com isso. Não aja como uma criança frustrada, você é uma mulher adulta, com maturidade o bastante para encarar as coisas da forma como elas devem ser encaradas. — ele foi firme em suas palavras, fazendo Rosalie calar-se, embora ainda estivesse insatisfeita.

Ela não entendia por qual motivo seu próprio pai forçaria uma situação como aquela. Mesmo após passar longos minutos pensando em formas de lidar com "tudo aquilo" de uma forma menos ríspida, e sentindo-se culpada por imaginar que poderia estar ferindo Emmett — para ele, sem nenhum motivo aparente -, não conseguia enxergar outra forma de enfrentá-lo.

Se ela dissesse que era tudo por seu medo de ferir-se outra vez, ele certamente juraria ser diferente de Royce, mesmo que fosse uma promessa falsa — ao menos era o que ela imaginava -, e a tragédia aconteceria outra vez.

Emmett, parado ao batente do arco, tinha agora os olhos azuis fixos no piso de madeira, sem qualquer expressão definindo seu semblante.Simplesmente não entendia por que Rosalie agia assim em relação à ele.

De qualquer forma, pensou, não havia nada que pudesse fazer sobre isso — ao menos por enquanto -, então, embora seu coração ainda palpitasse com dor, encaminhou-se até a sala, onde ficou a esperar pelos irmãos.

No lado de fora da casa, aproveitando-se do grande jardim, estavam Jasper e Alice. Haviam chegado há pouco, antes de Emmett sair do banho. Esme estava mostrando a eles a nova coleção de flores que havia plantado no jardim, gabando-se com carinho de como eram coloridas, perfumadas e bonitas. Enquanto Alice interessava-se à fundo pelo assunto, Jasper esquivou-se para o lado de dentro da casa, procurando por Edward e Emmett.

—Edward está atrasado, outra vez? — o loiro perguntou à Rosalie e Carlisle, que distribuíam os copos pela grande mesa na sala de jantar.

—Parece que sim. — Rosalie falou, com a expressão ainda um tanto séria —

—Edward nunca foi bom com horários. — Carlisle comentou, com um sorriso suave no rosto — Além do mais, eu imagino que Isabella possa estar contribuindo para o seu atraso hoje. — comentou novamente, depois de uma pausa, fazendo os filhos rirem brevemente.

—Bem, sendo assim, vou até a sala esperar por eles e procurar por Emmett. — Jasper anunciou, antes de retirar-se a passos leves.

Chegando na grande sala de pé direito alto, Jasper aproximou-se do sofá em que Emmett estava sentado. Esse, por sua vez, parecia mergulhado demais em seus pensamentos — até para atentar-se que alguém estava por perto.

—Pensativo, irmão? — o loiro colocou-se sentado no sofá, ao lado do moreno. Esse, por sua vez, pareceu acordar de seus devaneios num estalo.

—Bem, na verdade, um pouco. — confessou, em seguida desviando o olhar para o irmão.

—Quer falar sobre isso? — Jasper ofereceu, com toda a gentileza e solidariedade possíveis embargadas na voz calma.

—Até gostaria, mas talvez em outro momento. — Emmett sabia que o outro entenderia a mensagem por trás dessas palavras breves. Por isso gostava tanto de estar e conversar com Jasper: sentia-se imensamente confortável e compreendido, mesmo que não dissesse mais do que duas palavras.

—Está bem. — Jasper sorriu, tocando-lhe o ombro levemente, para depois levantar-se na direção da porta — Acho que Edward e Isabella chegaram. — comentou, fazendo o ex-soldado levantar-se e esperar ao lado do sofá em que antes sentava-se.

No segundo seguinte, observou Jasper abrir a porta e Edward e Isabella atravessarem-na, com sorrisos alegres nos lábios. O irmão que acabava de chegar cumprimentou o loiro com o usual aperto de mãos, seguido de um abraço breve, assim como fez com Emmett. Isabella, por sua vez, foi recebida com o também usual beijo em uma das mãos.

—Os outros já estão na mesa? — Edward perguntou, encaminhando-se lentamente para a cozinha.

—Rosalie, Royce e Carlisle, sim. Alice e Esme, acredito que ainda estejam no jardim. — Jasper respondeu, enquanto fechava a grande porta de entrada.

—Bem, de qualquer forma, já está na hora do almoço. — Emmett lembrou — É melhor irmos para a mesa. -Jasper assentiu, assim como Isabella, que seguiu o namorado até a sala de jantar.

Quando todos já se encontravam reunidos em seus respectivos assentos ao redor da mesa, com os pratos servidos e o vinho nas taças, Carlisle pediu licença para falar algumas palavras.

—Não vou tomar muito do nosso tempo, apenas pedi alguns instantes para dizer algumas palavras que gostaria que soubessem. — Emmett entreolhou Edward, imaginando se algo seria revelado, como pensou mais cedo — Eu e Esme nos enchemos de orgulho da família que formamos com o passar dos anos, e somos extremamente gratos por serem filhos de tão bom coração — fez uma pausa e lançou olhares afetuosos a todos, inclusive às garotas que eram, formalmente, noras dele e que, no entanto, tratava como filhas. Emmett aliviou-se ao perceber que era apenas um discurso afetuoso -. Queremos agradecer por estarem conosco e dizer que os amamos imensamente. É muito importante que nos mantenhamos unidos, como hoje estamos aqui. — Carlisle lançou um olhar final em direção à Rosalie, que desviou os olhos da figura paterna após alguns segundos.

—Amamos vocês também, pai. — Edward finalizou, erguendo a taça para o centro da mesa — Saúde! — ofereceu o brinde, e todos juntaram suas taças umas às outras, como tradicionalmente.

(...)

Mais tarde, depois de feito o almoço e passada uma longa tarde em família, ora no jardim, ora na sala de estar, Rosalie e Royce foram para casa — com este último alegando falsamente que trabalharia cedo no outro dia, quando na verdade iria para qualquer bar ou casa noturna, ainda naquela noite — , seguidos de Edward e Jasper, que foram levar Isabella e Alice até suas respectivas casas. Enquanto estavam apenas Carlisle, Esme e Emmett na grande mansão, a mãe retirou-se para o banho e os rapazes ficaram na sala de estar, em frente à lareira, aquecendo-se naquela noite fria. Carlisle fez uma breve ida até a porta, alegando ter ouvido o carro de um dos filhos aproximar-se na garagem, e notou dois itens a mais no cabideiro da entrada: a bolsa e o cachecol da filha do meio haviam sido esquecidos por ali. Imaginando que ela fosse precisar dos itens dentro da bolsa, recorreu à alguém que sabia que não se importaria em fazer o favor de devolver os objetos.

—Rosalie esqueceu-se da bolsa e do cachecol. — comentou, dirigindo-se à Emmett, que o encarou confuso com a informação. O que Carlisle estaria querendo dizer, falando aquilo justamente para ele? — Acha que pode entregá-los para ela amanhã cedo, antes de ir para o trabalho?

Emmett paralisou a feição confusa, com os pensamentos embaralhados de uma forma nada graciosa em sua mente. Depois de todas as atitudes frias de Rosalie com ele — e nelas incluíam-se o cumprimento ríspido naquela tarde e o incômodo que ela havia demonstrado ao cobrar Carlisle do motivo do almoço, na cozinha -, o homem loiro queria forçar mais uma situação desagradável entre os dois — ao menos, era o que Emmett imaginava -. Era a única explicação plausível que atingiu-lhe a mente naqueles breves segundos de silêncio.

O que mal sabia ele era que Carlisle era um homem sábio o bastante para vencer até a filha de personalidade mais fria pelo cansaço e, muito além disso, com motivos o bastante para insistir naquilo. Ele conhecia a filha que tinha e as lembranças e razões que guardava consigo só confirmavam mais aquilo. Sabia que Rosalie não era feliz como merecia e estava negando a oportunidade de ser por medo. Um medo que era inútil sentir com Emmett e que, mesmo não lembrando-se do que ele lembrava, logo ela deveria perder, conforme o inevitável derretesse a máscara de gelo que abrigava seu coração.

Notas finais
E aí? Alguém tem algum palpite do que vai acontecer pelo próximo capítulo? Beijões ♥.