Acquarius
5 Irritado
Notas iniciais
Quando já tinham ido embora Lucas e Ricardo começaram a limpar a bagunça, que nem era tanta quanto Ricardo imaginou que seria. Mas ele nem estava mais se importando com isso, na sua cabeça só se passava perguntas sobre a ruiva.
Ela havia conversado bastante com Lucas e quase não comeu e bebeu nada durante toda a noite, foi a primeira a ir embora e ao sair o clima do lugar pareceu aliviar-se. Desde que ela saiu Ricardo se perguntava o que ela queria com Lucas e agora era a sua chance de perguntar.
_Ei, Lucas, o que aquela ruiva queria com você? – perguntou Ricardo dobrando uma mesa.
_Prometi que não falaria!
_Como é que é? – Ricardo largou o que estava fazendo – Agora você jura segredo para estranhos também?
_Ela não é estranha!
_Não? Você a conhece de onde?
_Conheci ela hoje de tarde, ela é aluna nova na escola e...
_Aluna nova? Na nossa escola? – Ricardo o interrompeu.
_Sim, da nossa sala.
_Isso só pode ser brincadeira!
_Não consigo entender, o que você tem contra a garota?
_Nada! Eu só não a conheço e agora ela aluga o quartinho lá de casa, aparece aqui no clube e posteriormente na escola!
_Vocês já tinham se visto antes? – Lucas parecia confuso.
_Sim, duas vezes. Ela estava no enterro do Richard e apareceu lá em casa hoje à tarde.
_Agora que eu fiquei confuso mesmo! Ela me disse que chegou hoje na cidade!
_Ela mentiu! – Ricardo estava irritado – E você que mal a conhece já a chama pro clube!
_Eu sei, é que... Ah, eu não sei! Mas ela parecia tão desamparada e...
_Por favor, não fala mais nada! Vou embora.
Ricardo saiu da lanchonete a passos firmes, bufando de raiva e novamente invadido por a desconfiança de que aquela ruiva não era confiável.
Como era tarde, e ele deveria ter esperado para o pai de Lucas o levar para casa, esperou um ônibus passar e entrou. Lá dentro o motorista o reconheceu e acenou para ele, que retribuiu o gesto antes de pagar a passagem ao cobrador.
O ônibus estava vazio, só umas cinco cadeiras não estavam vagas e a maioria das pessoas que estavam ali vinham do serviço. Ricardo conhecia três daquelas pessoas, mas não as cumprimentou, só queria ir logo para o fundo do ônibus e chegar em casa o mais rápido possível.
Eram poucas paradas até a sua casa e o motorista não parou nas três primeiras, mas na quarta parada alguém deu sinal. Ao ver a cabeleira ruiva de alguém entrar no ônibus Ricardo quis descer, mas faltava apenas uma parada até a sua casa e ele desistiu.
No fim ele sentiu-se aliviado por não ter descido, aquela garota não era a ruiva que ele julgava ser, não era a tal de Barbara que alugou o quartinho dos fundos da sua casa. Estou ficando paranóico, pensou rindo.
Chegando á parada de sua casa desceu e sentiu o celular vibrar em seu bolso, julgando ser Lucas deixou cair na caixa de mensagem, não queria falar com o amigo agora, estava irritado com ele, mesmo sabendo que não era sua culpa e sim da ruiva que parecia ter um bom poder de persuasão.
Primeiro convencera sua mãe a alugar o quartinho e agora havia convencido Lucas e deixá-la entrar no clube, a ruiva era mesmo poderosa.
Chegou em casa e entrou, antes de subir ao quarto apenas olhou pela janela se alguma luz estava acesa no quartinho para saber se ela já tinha se mudado, mas estava tudo escuro e ele subiu para o seu quarto.
Desta vez pode tomar seu banho, o pai havia substituído o chuveiro que estava mesmo queimado e agora a água quente batia nas costas de Ricardo ele não se preocupava com mais nada nem mesmo em esfregar-se, apenas deixou que a água o molhasse.
Logo depois já estava na cama, tentando dormir, mas os olhos insistiam em ficar abertos, e assim passou-se uma, duas, três horas até que o sono apareceu e ele conseguiu dormir. Mas o sono não durou muito tempo, alguma coisa bateu na sua janela e ele foi ver o que era.
Quando ele abriu a janela uma brisa fria invadiu o quarto, olhou para o relógio na cabeceira da cama e levou um susto, já eram 3h da manhã. Resmungando foi verificar o que poderia estar batendo ali pela terceira vez e levou um susto quando uma pedrinha quase pegou no seu rosto, alguém as jogavam.
Ele queria gritar com a pessoa, mas ao ver quem era sua voz sumiu, Barbara estava lá embaixo jogando as pedrinhas e chamando-o.
Ele fechou a janela e pensou se iria até ela, depois de alguns minutos decidiu-se que iria sim, ela precisava dar algumas explicações a ele e aquela seria uma boa oportunidade. Vestiu uma roupa de frio e desceu a passos lentos sem fazer barulho.
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