Acquarius

6 Antiga amizade


Notas iniciais
Pessoal, deixem suas reviews ^^

A noite fazia frio, mas Ricardo não se arrependeu de ter decidido ir se encontrar com Barbara até o momento em que chegou ao lugar onde ela deveria estar e não a encontrou. Rodeou todo o terreno da casa a procura da ruiva, mas nem no quartinho dos fundos ela estava.

Irritado voltou para dentro de casa e trancou a porta, bufando de raiva subiu a escada sem se preocupar com o barulho que fazia. Já em seu quarto bateu a porta com força e deitou-se na cama.

Embrulhando-se e tentou dormir, mas o edredom não estava fazendo muito efeito contra o frio que entrava no quarto, só então percebeu que a janela estava aberta.

Mas eu tinha fechado antes de descer, não tinha? Pensou ele encabulado, será se tinha imaginado aquilo tudo? Será se não passou de um sonho? Será se a ruiva nunca esteve ali e aquilo tudo fora fruto de sua imaginação e desconfiança? Embora se indagasse com todas essas perguntas não podia responder nenhuma delas, estava confuso e achou melhor ir dormir.

Com a janela fechada o frio não era tão rigoroso quanto era antes e ele conseguiu dormir, até que o despertador tocou acordando-o algumas horas mais tarde, hora de se arrumar para ir à escola.

Tomou um banho rápido e vestiu o uniforme, abriu a janela e percebeu que a manhã estava tão fria quanto à madrugada, fechou-a imediatamente e, antes de descer para tomar seu café da manhã, pegou o mais espesso casaco que entrou no guarda-roupa, o frio estava descomunal.

Na cozinha sua mãe já estava de pé, criada na roça tinha o costume de acordar bem cedo e sempre preparava o café da manhã para os filhos, de modo que Ricardo percebia que agora era torturante para ela manter a mesma rotina, mas para apenas um filho.

Ele a abraçou e ela sorriu lhe entregando um prato com bolo de trigo e uma caneca com leite morno, ele começou a comer e seu pai se juntou a ele alguns minutos mais tarde.

_Já recuperou a matéria da escola? – perguntou seu pai, preocupado.

_Sim, peguei o caderno com o Lucas e fiz todos os deveres que perdi.

_Ótimo!

O pai sorriu, mas Ricardo sabia que não passava de uma fachada, era bastante comum o pai perguntar a Richard, o filho irresponsável, se ele tinha feito os deveres, mas agora...

Desconfortável, Ricardo subiu para o quarto a fim de pegar a mochila para poder ir. Ele a pegou e verificou se os livros que precisaria para o dia estavam lá, após desceu novamente a escada.

Para a sua surpresa alguém estava os visitando tão cedo da manhã, podia ouvir a voz desconhecida conversar com seus pais. Mesmo sendo estranho uma visita as 07h00min, achou bom ver os pais conversando.

Mas quando ele apareceu na cozinha para despedir-se dos pais levou um susto, era ela, a ruiva, que tomava café da manhã e conversava com seus pais, alegremente, como se fosse amiga intima e antiga da família.

_O que ela faz aqui? – perguntou ele quase em tom de acusação.

_Cadê a educação? – sua mãe o repreendeu.

– Eu a chamei para comer conosco.

A ruiva sorriu e ele rosnou, irritado com a idéia, apenas murmurou um “tchau” e saiu de casa, batendo a porta atrás de si. A garota nem começara a morar no quartinho dos fundos e os pais já a colocavam para dentro de casa, não entendia como podiam ser tão ingênuos.

A caminhada até a casa de Lucas pareceu ser maior e mais difícil de ser feita quando a sua única vontade era voltar para casa e expulsar a ruiva de lá, mas com muito esforço conseguiu chegar à rua onde seu amigo morava.

Lucas já o esperava no portão para seguirem o caminho, em seu rosto uma expressão de desculpas que Ricardo conhecia bem, parecia com a de um cachorro que faz bagunça e vem pedindo “perdão” ao dono, sorrindo ele cumprimentou o amigo e seguira adiante.

Ricardo não tocou no assunto da noite anterior, começou a falar sobre o que tinha acontecido na madrugada e agora na manhã. O amigo apenas assentia e algumas vezes murmurava um “estranho” ou franzia a testa.

_O que acha disso? – perguntou Ricardo quando terminou a história.

_No mínimo estranho, pelo que você já tinha me dito ontem...

_E agora acho que entendeu que tem que expulsá-la do clube! – Ricardo o interrompeu.

_Tudo bem, vou conversar com ela!

Até chegarem à escola o silêncio se fez presente entre os dois amigos, nenhum falava nada com o outro e nem tinham vontade, com aquele frio Ricardo só pensava em voltar para a cama.

Ao chegarem à escola o sinal ainda não tinha tocado e eles tiveram tempo de ir à lanchonete, Lucas reclamava de fome e queria comprar um lanche, já Ricardo pretendia tomar água no bebedouro perto da secretária.

_Enquanto você compra o seu lanche vou beber água, te encontro na lanchonete, me espera aí!

_Sim senhor! – gargalhando Lucas saiu andando para a esquerda e Ricardo ia para o lado oposto.

No bebedouro ninguém bebia água, o que era normal, para um dia frio como aquele era estranho ele estar com tanta sede, o caminho até a escola nem era tão longo assim.

Curvou-se sobre o bebedouro e começou a saciar sua sede, quando alguém deu um tapinha nas suas costas.

_Oi! – alguém o cumprimentou e a julgar pela voz era uma garota.

_Espera aí, apressada! – resmungou ele.

Ao terminar de beber água e ficou reto com o corpo pode ver quem o atrapalhava e preparava-se para fazer algum comentário irônico quando viu quem era. Aquela não podia ser Sabrina, será se era ela mesmo? A sua antiga amiga, e paixão, estava mesmo ali na sua frente? Ele a examinou por mais alguns instantes e teve a certeza de que sim.

_Sabrina! – sorrindo ele a abraçou.

_Eu!

_Você não mudou nada, hein! – Comentou ele quase culpado por ter tido duvidas se era ela mesmo ali.

Sabrina ainda era a mesma de quanto saiu da cidade, os mesmos olhos verdes, os lábios rosados, os longos cabelos castanhos ondulados e o formato frágil do rosto ainda era o mesmo, e embora tivesse crescido bastante ainda era baixinha e parecia uma boneca de porcelana, com sua pele pálida e avermelhada nas bochechas.

_Já você mudou muito! – Ela o examinava dos pés a cabeça.

_Pra melhor?

Sabrina não teve tempo de responder, uma garota resmungava querendo beber água e eles perceberam que impediam o bebedouro. Rindo ele segurou-a pelo braço e começou a arrastá-la para um banco no pátio, mas ela desvencilhou-se.

_O que foi? – ele perguntou.

_Minhas primas também estudarão aqui, e elas estão me esperando na secretária.

_Tudo bem, nos vemos depois, você deve estar na minha turma!

_Você é da turma “A”, não é? – Ricardo assentiu – Então não, estou na turma “B”, quando me matriculei já tinha uma novata que entraria na sua classe.

_Não tem importância, nos vemos no intervalo!

_Com certeza!

O sinal tocou e Ricardo despediu-se de Sabrina, mas enquanto andava para a sala de aula sua cabeça ainda estava pensando nela. Ainda não conseguia acreditar totalmente que ela estava de volta à cidade.

Há quatro anos ela começou a passar muito mal e teve que ir morar na cidade grande, a mãe solteira e ela foram morar com sua tia e desde então Ricardo nunca mais a viu.

Na época demorou muito para se recuperar da perda, embora tivesse apenas 12 anos já era apaixonado por ela, mas antes que alguma coisa pudesse rolar entre os dois ela teve que ir embora da cidade. Demorou um pouco para que ele conseguisse se recuperar, mas no fim ele conseguiu, embora, ainda se lembrasse dela algumas vezes.

Chegando à sala de aula o professor já estava lá e ele foi se sentar. O professor começou a fazer a chamada e quando chamou o nome de Lucas ele lembrou-se do amigo que a essa altura acabava de entrar na sala de aula, impedindo que levasse a falta.

Lucas o olhou furioso e sussurrou ao sentar-se.

_Obrigado por me encontrar lá na lanchonete!

_Desculpa, mas é que...

O professor chamou seu nome e ele parou para responder a chamada.

_Depois eu te conto.

Abrindo o caderno ele começou a copiar o que o professor escrevia no quadro, mas seu pensamento não estava ali realmente e sim em Sabrina, seu dia, embora estivesse começado mal, estava ótimo e prometia melhorar ainda mais.

Porém quando uma aluna novata chegou à sala de aula ele se perguntou se estava mesmo melhorando, com sua cabeleira ruiva e seu olhar todos os rostos se viraram para fitá-la enquanto ela ia sentar-se na única cadeira vaga na sala, bem atrás de Lucas.

Ao passar por mim ela me olhou e pareceu sorrir com os olhos, enquanto eu queimava de raiva por dentro.



Notas finais
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