Acquarius
15 A festa - parte 1
Notas iniciais
Ah, e tive que dividi-lo pois ficou enorme!
Uma semana se passou até o dia da festa de Sabrina chegar. Naquela manhã Ricardo acordou cedo, o sol ainda era fraco e podia-se ver que a grama perto de sua casa ainda estava levemente molhada pelo orvalho.
Ao abrir a janela um vento leve, mas gelado, adentrou seu quarto, percorrendo por todo o seu corpo e arrepiando os pelos dos seus braços e pernas descobertos de roupa e fazendo-o estremecer de frio.
Fechou a janela e saiu do quarto, a passos lentos e firmes. Sentia que seu corpo iria desmoronar a qualquer momento e ele rolaria escada abaixo até chegar ao térreo sem vida. Estava com uma sensação estranha, preocupado.
Suspirando tentou afastar a sensação ruim, mas a mesma não o largava por nada, nem mesmo quando ele chegou ao térreo da casa, sã e salvo. O estomago parecia girar como uma maquina de lavar gerando um estranho frio na barriga e um aperto no peito, algo lhe dizia que alguma coisa aconteceria naquele dia.
Na cozinha encontrou um bilhete da mãe avisando que seu almoço estava na geladeira. Lembrou-se então que seus pais tinha lhe dito que sairiam cedo naquele dia para resolver alguns problemas na cidade vizinha e só voltariam à noite, provavelmente depois que ele já estivesse na festa.
Estava sem fome e só de pensar em comida seu estomago embrulhava e girava mais rápido, sentiu que ia vomitar, mas nada saiu. Foi ao banheiro e escovou os dentes, ainda lutando para afastar a sensação ruim.
Não conseguindo fazê-lo saiu de casa, sem nem mesmo saber o que iria fazer. Decidiu-se por caminhar pela praia com o cachorro da família que estava no veterinário fazia uma semana e chegara agitado em casa.
A praia não estava cheia naquela hora da manhã, devia ser umas 7:00hs e a maioria das pessoas deveria estar dormindo, o que ele queria estar fazendo naquele momento, mas que infelizmente não conseguiu fazê-lo.
Quando as pessoas começavam a chegar à praia ele voltou para casa, o clima estava um pouco mais quente, porém ainda era frio e úmido, e isso durou até meio-dia quando o sol apareceu um pouco mais intenso do que na manhã e provocou um pouco de calor.
No almoço conseguiu comer, naquela hora a sensação ainda o amedrontava, mas a fome falou mais forte e seu estomago parou de embrulhar com o cheiro da comida e nem mesmo com o gosto.
Após o almoço jogou-se no sofá e passou a tarde toda ali, assistindo programas bestas na televisão e dando alguns pequenos cochilos até que dormiu como uma pedra e só acordou quando o sol já se punha.
O céu alaranjado indicava que ele deveria ir tomar banho, a festa começaria as 20hs, mas estava ansioso e queria arrumar-se logo, pois esperava que Barbara fosse demorar um século para se arrumar e ele teria que espera-la.
Quando terminou de se arrumar o sol já tinha se posto por completo e o céu estava escuro, sem muitas estrelas e apenas uma meia lua enfeitando e iluminando aquela noite fria como o dia.
Devia ter chovido enquanto ele dormia, pois quando saiu de casa para chamar Barbara o chão ali fora estava molhado e encharcou o seu tênis. Ignorando o seu pé que agora congelava e a mesma sensação que sentia pela manhã bateu a porta de Barbara.
_Entre! – gritou ela.
Ele abriu a porta e encontrou a garota, vestindo apenas roupas intimas, maquiando seu rosto que já se encontrava parcialmente pintado.
_Sente-se – disse ela sem olhar para ele – Não vou demorar.
Imagino, pensou Ricardo, mas não disse nada, apenas sentou-se na cama da garota e ficou observando-a se maquiar, ou observando outra coisa bem mais abaixo do rosto...
_Ansioso¿ — perguntou ela, acordando-o de pensamentos impróprios com a pessoa errada. Ela.
_Não, normal! E você¿
_Muito! Muito ansiosa!
_Porque¿
_E porque não estaria¿ Essa noite vai ser ótima!
_É engraçado como você tem tanta certeza. Está sabendo de alguma coisa que eu desconheça¿
_Ainda não!
_Ainda¿
_Ah, esqueça! – ela se virou para ele – Terminei de me maquiar, vou me vestir.
Depois de muitos minutos ela decidiu qual dos vestidos que comprara usaria. Optou por um preto, curto, que deixava seu corpo ainda mais curvilíneo e volumoso nas partes certas, segundo Ricardo, que tentava agora afastar certos pensamentos de sua cabeça.
_Vamos¿ — perguntou ela passando por ele e deixando o cheiro de seu perfume no ar.
***
Quando chegaram a festa já passava das 21hs, com a grande demora de Barbara, a grande demora do ônibus e ainda a demora do trajeto era inevitável que isso acontecesse, ele já imaginava mesmo.
Entrando na casa a primeira pessoa que viu foi Lucas e colada a ele Sabrina, que ao vê-lo entrando com Barbara sorriu para eles, ou parecia mais que para ele, estritamente para Ricardo, que retribuiu e levou uma pequena cotovelada de Barbara.
Sabrina estava linda, maquiada extravagantemente e com um vestido que deixava-a ainda mais bonita e escultural ela estava ainda mais sedutora do que Ricardo achava, mas infelizmente depois de cumprimenta-lo ela voltou para Lucas e beijou-o.
Lucas não parecia muito bem retribuir o beijo, embora seus braços estivessem envoltos na cintura de Sabrina ele estava com os olhos abertos e olhava para Ricardo, que desviou o olhar do traidor e puxou Barbara para a pista de dança.
_Ciúmes do casal da noite¿ — perguntou Barbara envolvendo os braços no pescoço do rapaz.
_Imagina se eu teria ciúmes do meu ex-amigo traidor e da garota que eu gosto... – respondeu ele ironicamente.
_Mas agora você está comigo! – ela fez biquinho.
_Supostamente sim, mas sabemos da farsa do nosso namoro...
_Que seja, mas eu exijo que seja fiel, não quero parecer, mesmo que supostamente, corna!
_Eu não te “trairia” – disse ele fazendo aspas no ar – Estou começando a gostar de você – ele fez uma pausa – Não daquele jeito, mas...
_Cala a boca e me beija!
_Han¿
_Ela está olhando – murmurou Barbara chegando mais perto do rosto de Ricardo, seus lábios encostando-se nos dele em um selinho rápido e se aprofundando em um beijo delicado até algo voraz.
Continuaram dançando e se beijando, Ricardo sentia suas costas pesarem com um olhar feroz caindo sobre elas, isso significava que Sabrina mordia-se de ciúmes, era algo bom para ele. 2 a 1 no placar, ela estava por baixo, ainda.
Ao afastar seus lábios do e Barbara, em busca de ar, foi pegar algo para beberem e cruzou com a ultima pessoa que ele podia imaginar que estaria ali: Manu. Ela também estava muito bonita naquele dia, com uma maquiagem forte e um vestido preto parecido com o de Barbara estava diferente do seu normal.
_Manu¿
_Ah, que bom que te encontrei! Cadê a Barbara¿
_Na pista de...
_Obrigada! – disse ela interrompendo-o e indo na direção da pista de dança.
Ele ficou parado ali, com a certeza de que as duas estavam aprontando algo, e ele não podia deixar que elas fizessem qualquer coisa que fosse a festa de Sabrina. Desistiu de pegar algo para beber e foi em direção a pista de dança encontra-las.
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