Acorrentados
1 Talvez um novo dia
Notas iniciais
— Eu apenas me pergunto o por que. A vida tende ser cruel com pessoas tão boas, talvez eu só tenha me transformado na garota amarga e orgulhosa hoje pelos obstáculos que a vida me colocou. Disse Charlotte, logo ao acordar.
Já era 07:10 da manhã e Elizabeth, mãe de Charlotte, dava seus berros diários para que a filha despertasse. Por mais que a moça transmitisse uma aparência obediente e correta, era muito preguiçosa e desajeitada.
Já me levantei caralho, não sou surda! Disse Charlie retribuindo o grito recebido.— Ninguém merece acordar cedo, vida ingrata essa a minha! Sussurrou a jovem.
Charlotte tomou seu café da manhã já discutindo com a mãe, já que a tal queria leva-la para cortar o cabelo e isso para Charlie era pesadelo! Correu para o ponto de ônibus, e viu que pela terceira vez na semana tinha o perdido, e andar 2 km até a escola não seria nada legal.
Charlie então teve a famosa lâmpada acima da cabeça, uma ideia fora cogitação, andar por ai, sem rumo, nas ruas de Little Rock — Arkansas, sua cidade natal. A garota não era muito de pensar, tinha opiniões formadas e era cheia de atitudes, então, deu meia volta e foi para sua casa buscar grana, já que precisaria se acontecesse algum imprevisto.
Entrou as escondidas pela porta do fundo, subiu as escadas na ponta dos pés, entrou em seu quarto e pegou uns trocados em seu casaco. O plano foi um sucesso até ali, então ela desceu e saiu, indo para o centro da cidade, onde se concentrava lojas, bares, entre outros entreter imentos.
Logo ao entrar em um parque, da de cara com 3 malabaristas fazendo sua arte, eles estavam com um sorriso estampado no rosto e logo a chamaram para entrar na festa. Colocaram uma música cheia de batidas e começaram a dançar, Charlie com seu jeito tímido em público não se remexia muito, mas logo entrou na dança. Deu umas gorjetas a eles, já que tinham feito uma grande diferença em seu dia, e ao se virar para continuar a caminhada, tromba em um garoto e derruba todos os livros que estavam em suas mãos. Os dois, se abaixam sincronizadamente para recolhe-losquando Charlie observa profundamente os olhos do garoto, que pareciam incendiar, e ela aos poucos foi perdendo a visão.
Enquanto Charlie permanecia desacordada o garoto some feito fumaça, e as pessoas em volta se preocupam e correm para chamar o socorro. Já no caminho para o hospital, os enfermeiros procuram se informar sobre a garota e comunicar familiares mais próximos.
Quando Charlie acorda, já começa ouvir broncas de sua mãe, sobre o porque dela não ter ir a escola e de estar no centro de Little Rock, a garota ainda confusa se pergunta o que aconteceu pra ela ter ido parar em um hospital.
Após muita falação de sua mãe, o médico adentra a sala e diz com um tom superior e uma voz forte:
— A Senhorita Charlotte Stanford já esta de alta, foi apenas um desmaio qualquer, talvez por uma má alimentação. Nós iremos pedir alguns exames para semana que vem e entramos em contato com você.
Elizabeth agradece ao bom atendimento e leva Charlotte para casa.
Ao chegar, Charlotte já vai subindo para seu quarto quando sua mãe a interrompe pegando-a pelo braço:
— Hoje você passou dos limites mocinha, está de castigo pelo resto de mês, sem colocar um pé pra fora de casa.
— Está bem, agora dá pra me soltar, não sou uma de suas cadelinhas! Disse Charlotte em um tom de ironia.
Ao se deitar na cama tentar lembrar sobre o ocorrido, quando algo esquenta em seu bolso. Era um bilhete do tal garoto, na qual dizia:
Me desculpe pelo ocorrido, eu não tive a intenção de machuca-lá, eu fiquei nervoso, não sei ao certo o que aconteceu. Beijos e um abraço, Christopher Gordon.
A cabeça de Charlotte rodava, não sabia decifrar a sensação no momento, e só de ler o nome que não era estranho para ela, o fazia estremecer.
— Mas que diabos eu estou fazendo? Sentindo? Meu Deus, acho que estou enlouquecendo. Sussurrou ela indo pegar um único maço de cigarro que tinha escondido dentro de um fundo falso na gaveta. Era uma de suas manias, fumar quando estava, sentindo demais.
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