Acorrentados

2 As aparências enganam


Charlotte acorda assustada no meio da madrugada, era só mais um de seus pesadelos diários, onde um homem encapuzado faz um ritual e parece ser ela a vítima dele. Então, ela desce as escadas para beber água quando novamente sua visão volta a escurecer. A garota corre até a pia e coloca sua cabeça embaixo da torneira ligada, para que não perdesse a consciência.

─ Charlotte, O que você está fazendo? Você está bem? Elizabeth diz em alto tom indo em direção a filha.

─ Estou bem mãe, é que está muito calor né? Vim me refrescar aqui. Disse Charlotte toda desajeitada, tentando esconder mais uma de suas recaídas para não ter que ir novamente ao hospital.

─ Não seria bem mais fácil regular o ar-condicionado?

─ Boa ideia mãe, obrigado! Disse Charlotte dando um beijo em sua bochecha e subindo as escadas rapidamente. Enquanto sua mãe tentava entender o que havia acontecido com a filha.

Charlotte entra confusa em seu quarto, procurando achar explicações para esses desmaios que começaram desde que trombou com aquele garoto.

— Bom, eu não sou médica para saber, deve ser só desidratação. Vou beber bastante água e comer alimentos saudáveis e tudo voltará ao normal. Disse a jovem com um tom de ironia.

Se deitou na cama e em questão de segundos, para ela, sua mãe dá um berro da cozinha:

— CHARLOTTE STANFORD! Vamos levantando já, não quero ninguém se atrasando hoje!

Elizabeth era solteira, seu marido, pai de Charlotte faleceu em um trágico acidente de carro quando a filha tinha apenas 6 anos. Ela se casou novamente, mas por alguns grandes desentendimentos se divorciou e seu ex-marido ainda estava preso. Ela era gerente de uma empresa de cosméticos, na qual lucrava muito bem.

─ Já estou me arrumando Mamãe. Disse Charlie já se arrumando, escovando os dentes e pegando alguns livros, estava bem animada, nem ela mesmo sabendo o porque.

Desceu as escadas, deu um beijo em sua mãe e pegou algumas barras de cereais que estavam em cima da mesa.

─ Ainda está cedo Charlotte, tome seu lanche com calma, não precisa de tanta pressa, se acha que vai sair do castigo hoje mesmo pode ir tirando seu cavalinho da chuva. Disse Elizabeth.

─ Não é isso dona Elizabeth, só quero ir para o ponto de ônibus mais cedo, não vejo problemas nisso.

─ Está bem, vá e tome muito cuidado, qualquer coisa me liga!

Charlotte saiu de casa e foi comendo até o ponto de ônibus, lá encontrou suas colegas Ellie e Julie.

─ Porque diabos você não foi pra escola ontem? As imãs Grownd deram uma surra no Billy por ele tentar difama-las, foi uma confusão em tanto! Disse Julie eufórica, já querendo contar até os mínimos detalhes.

─ Sabemos que você desmaiou lá no centro. Conte-nos o que aconteceu! Disse Ellie mostrando preocupação.

─ Bom, eu apenas fui dar umas voltas e não me senti bem. Tinha perdido o ônibus novamente e quis fazer algo diferente, mas quem contou pra vocês? Disse Charlotte já alterando seu humor de animação.

─ Sua mãe, é claro! Disse as duas ao mesmo tempo.

─ Como sempre, ela insiste em espalhar coisas que não devia. Disse Charlie já irritada.

O ônibus chega e elas o tomam rumo a escola, e durante todo o percurso Charlotte vai calada enquanto é observada por Julie e Ellie, que questionam sobre o comportamento estranho dela.

Chegando no destino, Julie e Ellie se misturam com os demais colegas e Charlotte apenas da um oi coletivo e segue o caminho indo direto para a parte interna do colégio.

─ O que ela tem? Diz Billy, um colega da turma.

─ Não sabemos, ela está estranha desde o nosso encontro lá no ponto! Diz Ellie.

Charlotte foi direto para a biblioteca deixar o livro que havia pego certo dia e procurar novos para ler, era um hobbie da garota, ler. Um livro havia chamado sua atenção, talvez porque na capa estava escrito "Não leia" e Charlotte amava bisbilhotar o que não devia. Logo que encostou no livro, levou um choque ou teve uma queimadura na mão, não sabia distinguir o que havia acontecido, mas mesmo assim colocou o livro na bolsa e seguiu para a sala de aula.

Era aula de biologia, uma das piores segundo Charlotte. O professor pegava em seu pé, pois achava a garota espetacular! Charlie odiava isso por mais que ele só se interessasse no bem da jovem.

─ Bom dia alunos! Hoje estudaremos sobre bactérias, e Charlotte por favor, levante a cabeça. Vem pra escola pra estudar, certo?

─ Quer saber realmente? Disse Charlie, como sempre irônica.

─ Não, prefiro não saber. Bom, mas vamos estudar ou teremos que convocar a Srta. Elizabeth e isso não seria nada legal pra você. Disse Pierre.

Charlotte então, abre seu livro e começa a fazer os exercícios sem mesmo a explicação, terminou rapidamente e pediu para o professor permissão para ir no banheiro, e ele a deixou.

Sem Pierre ver, Charlotte pegou sua bolsa e foi embora, quando estava próxima a saída, foi barrada pela inspetora.

─ Aonde você pensa que vai mocinha? Disse a Sra. Eleanor, uma velha chata e mal humorada.

─ Tenho permissão, pode ir na secretaria, minha mãe autorizou a minha saída.

─ Não saia daqui, vou verificar.

Dizer isso para Charlotte era o mesmo que: Pode ir, você está livre!

Foi direto para casa, como sua mãe estava no trabalho e só chegava as 18:00, era tranquilo para Charlotte. Logo subiu as escadas e foi logo pegando o livro tão misterioso.

Foi foliando as páginas e viu algumas imagens fortes, pessoas sendo queimadas, mas elas estava estranhas, os olhos delas brilhavam igual o de Christopher no parque. As datas no livro eram de 1715 a 1730, e dizia que todos os demônios deveriam ser extintos, que por menos danos que eles causavam o criador não os queriam vivos! Charlotte ficou com um enorme medo de que poderia ter trombado com um demônio. E então um novo bilhete adentra seu quarto pela janela e nele estava escrito as seguintes palavras:

"As aparências enganam sim, mas nem sempre devemos acreditar em tudo que lemos ou vemos, devemos procurar conhecer!" ─ Christopher Gordon