Acorrentados
4 O então encontro
Um novo dia se incia, e por mais incrível que pareça, Charlotte acorda sem ser alertada por sua mãe. Desce as escadas e usa o banheiro do andar debaixo, pois o do seu quarto estava com um vazamento na pia.
─ Bom dia bela adormecida, acordou sem o sinal da rainha? Diz Elizabeth preparando o café da minhã.
─ A minha noite foi agradável, acordei sem despertador até! Disse Charlotte já entrando no banheiro quando da um grito de aviso a sua mãe:
─ Se não for pedir muito, dá pra fazer um suco natural de laranja hoje? Bateu uma vontade enorme!
─ Ta pedindo muito, mas eu vou fazer.
Charlotte aproveita e toma um banho relaxante, fecha os olhos enquanto se ensaboa, tirando todas suas tensões e preocupações decorrentes da semana, seu cabelo ruivo e longo fica com uma cor vibrante e seus olhos castanhos davam um toque de suavidade. A garota e enxágua e sai do banho, coloca a roupa dentro mesmo do banheiro.
Saindo dele e se dirigindo a cozinha sua mãe a alerta:
─ Pra que essa blusa do colégio? Hoje tem seus exames de sangue que o médico pediu Charlotte!
─ Hoje? Logo hoje mamãe? Sacanagem!
─ Sim sim, e a senhorita já se apronta porque após tomar o lanche iremos ao hospital! Não vai me dizer que está com medo de tomar injeção?
─ Claro que não, estou indo já trocar essa roupa e aproveito pra secar o cabelo. Diz Charlotte subindo as escadas e indo até seu quarto.
Enquanto secava seus cabelos, Elizabeth ligava para confirmar os exames da filha e também se dirigia ao seu quarto para se arrumar.
Charlotte desce e começa tomar café com sua mãe, até que ela resolve lhe contar do acontecido na noite passada.
─ Ontem James estava aqui querida, parado no meio da rua e com os olhos fixos em seu quarto, tenho quase certeza que ele está com problemas mentais e a prisão só os piorou. Foram 10 anos lá dentro e agora ele ficou biruta, só te contei para ficar em alerta, irei te levar para a escola agora.
─ Não acredito que aquele filha da puta estava aqui! Porque não me chamou? Eu iria acabar com a cara dele, e você não vai me levar pra escola coisa nenhuma, o rumo do seu trabalho é outro. Mãe, você tem que confiar em mim, tenho 16 anos e não 12. Disse Charlotte muito irritada.
─ Isso mesmo Charlotte, 16 anos, isso é idade pra se defender de um homem de 35? Não!
─ Está bem, está bem! Mas nem pense em me levar pra escola, e eu irei sair hoje a noite.
─ Ah mas não vai mesmo!
─ Veremos. Disse Charlotte desafiando.
─ Está bem Charlotte, veremos! Agora vá para o carro enquanto fecho a casa, já estamos mais que atrasadas!
As duas vão até o hospital, o caminho é um pouco longo e elas não trocaram nenhuma palavra até o destino. Charlotte com seus fones de ouvido e Elizabeth com sua música country no som do carro.
Elas chegam e já entram dentro da clínica responsável pelos exames, dão a guia para a recepcionista e em cerca de cinco minutos Charlotte adentra a sala para recolher o sangue.
Após sair, se despedem das pessoas que estavam na sala de espera e entram dentro do carro. A mãe de Charlotte pergunta se ela gostaria de entrar no segundo horário da escola, uma pergunta tosca, claro, a filha não gostaria de ir.
Elizabeth, por mais preocupada que estava, parou o carro 1 quarteirão antes de sua casa pois estava atrasadíssima e dali mesmo pegaria um atalho até seu trabalho. Charlotte, por milagre não reclamou e deu um beijo de despedida em sua mãe.
Caminho à sua casa, Charlotte tromba novamente com alguém, era uma senhora que por sinal era muito desbocada:
─ Você tá cega garota? Com uma idade dessa ainda anda sem olhar pra frente! Disse a velhinha.
─ Desculpe senhora, é que eu estava entretida no meu celular.
─ Cala essa boca e me ajuda a levantar sua imprestável.
─ Estou ajudando. Disse Charlotte, dando a mão para a senhora, como apoio ao seu levantar.
Ao olhar para o lado, Charlotte encontra novamente o tal garoto do parque, chamado Christopher.
─ Ei, você, me espere! Grita Charlotte.
O garoto para no mesmo lugar em que estava, e pergunta:
─ Posso ajudar? Era uma voz doce e ao mesmo tempo estranha.
─ Qual seu nome?
─ Christopher, Christopher Gordon.
─ Era você que estava no parque aquele dia em que eu desmaiei, foi em você que eu trombei certo?
─ Ah, sim, Charlotte Stanford, a garota desajeitada. É um prazer conhecer!
─ Como sabe meu nome? Como me mandou aqueles bilhetes? Como eles sum... Charlie perguntava freneticamente, quando Christopher a interrompeu.
─ Vamos com calma, acabamos de nos conhecer. Temos muito o que falar pela frente.
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