Acorrentados
5 O Maverick
Charlotte criava cada vez mais dúvidas em sua cabeça enquanto caminhava pela cidade com Christopher.
─ Então, você não vai falar nada? Eu estou andando com um estranho ainda, minha mãe odeia isso. Disse Charlotte querendo abrir um diálogo, para quem sabe, ele se abrir um pouco mais e falar sobre sua vida.
─ Bom Charlotte, sobre como sei seu nome é simples, eu pesquise nas redes sociais. Os bilhetes era mandados de sua calçada e com a pontinha em chamas, por isso o fogo depois, você que não percebia. E sobre saber de suas dúvidas, é que eu tenho amigos que estudam na mesma escola e eles viram você pegando livros sobre demônios. Disse Christopher com um tom de leveza, fazendo-a acreditar em tudo.
─ Mas e o desmaio? Seus amigos me viram pegando os livros, mas como souberam que eu passei a tarde inteira pensando nisso? Eita história mal contada Christopher! Acho que não devemos andar juntos. Charlotte diz as palavras a um tom alto de voz e dá meia volta, indo em direção ao seu bairro.
Christopher então, volta a acompanhá-la dizendo que a levaria em casa.
─ Eu sei andar Christopher, não preciso de sua companhia. Charlotte conversava com ele como velhos conhecidos se falavam, ela tinha a sensação de já ter estado com ele.
─ Eu tenho carro Charlotte, não é um dos melhores, mas dá pra te levar. Chris diz rindo.
─ E aonde ele está? Porque você circulou comigo e deixou o carro sozinho? Como é idiota.
─ Ele está logo ali na esquina.
Era um Maverick (clique para ver o carro), vermelho com listras pretas. Charlotte era apaixonada por coisas antigas e ficou fascinada logo ao ver o carro. Tinha uma ótima aparência tanto externa como interna, era um dos carros mais valorizados na época, valendo uma fortuna!
─ Você tem um Maverick? Eu não estou crendo nisso! Diz Charlotte surpresa.
─ Pode até ser um carro velho Charlotte, mas ele é o meu xodó.
─ Velho? Este carro é uma lendo meu caro, estou apaixonada por ele!
─ Pensei que você não gostava de coisas antigas.
─ Eu não gosto de coisas atuais, antigas me fascinam!
Christopher então destrava o carro e Charlotte já entra em disparada, respira fundo e sente um cheiro bom dentro do carro, era o perfume de Christopher, quando ele liga a máquina, a garota sente a vibração incrível.
─ Isto é incrível! Vamos dar umas voltas Christopher, se não for incomodo.
─ Como quiser.
Charlotte ao olhar pra cima, vê que tem um teto solar, logo pede a Christopher abrir para sentir a brisa.
Ela sobe no banco e fica com metade do corpo pra fora, seus longos cabelos ruivos ficam ao vento e ela com seu óculos de sol se sente talvez uma estrela, sendo aplaudida por todos.
Ao abrir os olhos, vê seu cabelo todo enroscado no rosto, com uma cara de psicopata e um mosquita entra sua boca.
─ Cadê os aplausos? Cadê os fãs? Podem sair gente.
Charlotte, por mais confusa que era, tinha um dom de fazer os outros rirem incrível, mas ela odiava fazer gracinhas a todo momento.
Ela volta a se sentar no banco, enquanto Christopher está morrendo de rir, e então o sorriso dela o faz rir também.
─ Agora precisa me levar Christopher, antes que minha mãe chegue e se depare com minha ausência em casa. Ela vai pirar!
─ Já estamos a caminho.
─ Você acredita no inferno Christopher? A pergunta de Charlotte deixa um silêncio constrangedor dentro do veículo, até que Christopher responde:
─ Pra quem não acredita no inferno, um olhar a sua volta basta Charlotte.
─ E em Deus, você acredita?
─ Claro Charlotte, ele é o nosso criador, o criador de tudo e todos!
Christopher fica meio sem graça com as perguntas de Charlotte, já que ela queria descobrir coisas que ele não poderia relevar. O resto do percurso os dois vão calados, até que eles chegam a casa de Charlotte.
─ Obrigado pela carona e os esclarecimentos.
─ Não tem que agradecer Charlotte, eu devia isso a você. Nós veremos novamente?
─ Talvez, afinal, quantos anos você tem?
─ Dezoito Charlie, apenas dezoito.
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