Acordo Nupcial
10 Capítulo 10 - Você o Deixou
Notas iniciais
Edward embrenhou a mão por meus cabelo e agarrou em minha nuca puxando-me ainda mais para ele, em meio ao beijo desesperado.
Seus lábios sugavam os meus com a mesma vontade com que eu me agarrava a ele tentando unir ainda mais nossos corpos. Queria acabar com aquela distância que nos separara por todos aqueles anos.
Suspirei profundamente em sua boca quando ele chupou meu lábio inferior e o mordiscou. Um arrepio intenso percorreu toda minha coluna me deixando de estômago gelado.
Edward soltou minha nuca para agarrar em meus quadris, automaticamente passei as pernas por sua cintura e ele não hesitou em me sustentar em seu colo. Ter a diferença de altura anulada permitiu que nosso beijo ficasse ainda mais profundo.
Segurando em seu rosto com ambas as mãos corri minha língua pela sua lentamente o que fez com que soltássemos gemidos baixinhos. Perceber que ele estava tão envolvido quanto eu, me deixou ainda mais entregue.
Talvez eu me arrependeria assim que aquilo acabasse, mas no momento nada me parecia tão certo do que estar ali em seus braços, beijando-o com toda minha vontade.
Ainda com a boca colada na minha, ele começou a caminhar pelo quarto. Não dei muita importância aos seus paços desconexos, a única coisa que tomava minha atenção era aquele beijo de encaixe único, que trazia à tona o sentimento intenso que inorei por uma década e meia.
Nós já tínhamos nos beijado antes, no entanto, fora completamente diferente do que estava acontecendo naquele momento. Dentro daquele quarto não era fingimento, não era mais um compromisso do nosso contrato nupcial, era apenas ele e eu.
Duas pessoas que se queriam muito.
Ele separou nossas bocas para que pudesse encontrar a cama e aproveitei a pausa para respirar fundo recuperando o fôlego que havia perdido. Minhas mãos saíram do seu rosto e desceram por seu pescoço até que meus dedos encontraram a gola da camisa de botões que ele usava.
No momento nada me incomodava mais que aquelas peças de roupas desnecessárias.
Meus dedos trabalharam rápido na missão de soltar todos aqueles botões, e quando Edward nos deitou na cama, a pele alva do seu abdômen já estava livre para que eu a tocasse.
Infiltrei as mãos por baixo do tecido fino que ainda cobria seu corpo forte, e corri as unhas pelas costas largas. Edward respirou fundo abaixando a cabeça para alcançar meu pescoço.
Um gemido baixo escapou dos meus lábios quando ele sugou aquele parte sensível. Afundei as unhas na sua pele aproveitando a sensação inebriante que os chupões que ele dava no meu pescoço provocava.
Muito provavelmente aquilo deixaria marcas, mas não estava nem um pouco incomodada. Deixaria para me preocupar com os possíveis hematomas depois.
Fechei os olhos e relaxei o corpo na cama quando sua boca desceu por meu ombro. Tentar conter toda aquele desejo que sentia era difícil, e ficava nítido o quão afetada estava pela minha respiração descompassada.
Senti a renda delicada da alça do meu sutiã ser puxada para baixo, mal tive tempo de processar qual seria seu próximo passo, pois Edward caiu de boca no meu peito no mesmo segundo. O gemido que soltei saiu alto, tão alto quanto o prazer que varreu meu corpo em uma onda violenta quando ele começou a sugar meu mamilo.
Embrenhei as mãos em seu cabelo apertando-o contra mim. Edward chupava com vontade, com fome, com prazer... Sua língua roçava no meu bico e os vez ou outra ele deixava uma mordidinha provocante.
Ele se afastou um pouco e a breve frustração que me abateu fora rapidamente anulada, já que ele resolvera chupar meu outro meu peito.
Ter aquelas partes tão sensíveis estimuladas era maravilhoso e sentir o quanto ele me queria era tão bom quanto.
Podia sentir a saudade em cada toque, em cada pegada, cada beijo... E a reconhecia fácil porque era o mesmo que sentia.
Nossas vidas não tinham sido pausadas quando nos separamos. Edward e eu a seguimos, e obviamente conhecemos e ficamos com pessoas. Falando por mim, até consegui me entregar algumas vezes. Contudo, nada do que tinha vivido naqueles dezesseis anos se comparava com aquilo.
Nenhuma boca me envolvia tanto quanto a dele. Nenhum corpo se encaixava tão bem no meu quanto o dele. Ninguém mais conseguia fazer que meu coração disparasse no peito como ele fazia.
Era surreal. Transcendente.
Ele se afastou dos meus peitos deixando-os latejando e não perdeu tempo, deslizou para baixo e cobriu minha barriga com beijos molhados. O roçar de sua barba causava um atrito delicioso e instigante.
Suas mãos ágeis puxaram minha alcinha e ergui o quadril para ajuda-lo a tirar aquela peça logo. Tínhamos pressa, já havíamos esperado tempo demais!
Seu hálito bateu contra minha boceta e então botou a boca em mim. Sua língua macia passou por meu clitóris e pelos pequenos lábios, acariciando-os. Podia sentir sua barba espetando minha pele sensível, enquanto me contorcia ao toque quente de sua boca.
Edward segurou em meu quadril e me puxou para seu rosto literalmente afundando a boca em mim. Eu estava tão molhada que em meio a loucura do tesão podia sentir minha lubrificação se unir a dele. Seus lábios sugaram meu clitóris e sua língua fez movimentos circulares rápidos, o que deixou meu corpo vibrando.
Não dava para controlar os espasmos do meu corpo, a febre que aquecia minha virilha e se espalhava por minhas veias sanguíneas. Eu ia gozar em segundos.
—Edward... – eu o chamei em meio a uma lamúria, apenas para me certificar de que estava mesmo ali, e não em mais um sonho erótico, uma fantasia.
Agarrei em seu cabelo com as mãos, reclinando o corpo contra sua boca, buscando mais atrito, mais sugadas, mais estímulos.
Estava perto, muito perto de gozar, quando ele parou.
Arregalei os olhos e tentei buscar alguma coerência para perguntar o porque ele tinha parado, era difícil formular perguntas depois daquilo, mas desisti de questionar assim que o vi ficar de pé do chão.
Apoiei o corpo nos cotovelos e tive certa dificuldade em me manter firme, visto o tremor que o quase orgasmo me proporcionara, contudo não podia perder aquele “show” que era Edward se despindo.
Sem desviar os olhos de mim, ele puxou a camisa e a jogou para longe. Os dedos trabalharam rápido para soltar o cinto e o desejo aumentou em mim quando vi o volume na calça de corte fino.
Respirei fundo algumas vezes enquanto a calça descia pelas pernas grossas e mesmo tendo inspirado muito ar, perdi o fôlego quando ele ficara apenas de boxer preta a minha frente.
Era a visão do paraíso. Do meu paraíso particular.
Edward chutou a calça para longe e então me agraciou com a imagem do seu pau duro saltando para fora assim que abaixou a boxer. Engoli a seco olhando o membro duro e ereto, prontíssimo para me possuir.
A glande rosada estava inchada e mesmo com a distancia considerável podia ver as veias contornando todo o corpo grosso do seu membro.
Edward chutou a boxer para o lado e então pulou para cima de mim. Recebi seu corpo sobre o meu com prazer, entrelaçando as pernas em sua cintura e me esfregando contra sua virilha. Contra o volume duro do seu pau.
Nós dois gememos diante o encontro, minhas unhas deslizando pela pele de suas costas e suas mãos me pegando com ainda mais firmeza.
Sua boca voltou a se encontrar com a minha no instante em que ele deslizou a mão por entre nossos corpos. Rapidamente entendi o que ele iria fazer e abri ainda mais as pernas para facilitar o sucesso daquela missão.
Ele pressionou o pau contra meu clitóris e nós dois gememos com o encontro quente dos nossos sexos. Cravei as unhas em seus ombros sentindo-o deslizar por minha boceta lentamente, até encontrar a entrada da minha vagina e me penetrar com força.
Senti minha alma sair do corpo naquele momento. O prazer foi tão intenso que me sugou para uma espécie de transe. Era alucinante. Delirante. Mas voltei para a realidade na primeira estocada.
Seu pau quase saiu de dentro de mim e voltou com força. Nós gritamos em meio ao beijo sôfrego, ambos entregues, ambos sem ar.
Edward separou nossas bocas e afundou o rosto na volta do meu pescoço sugando minha pele enquanto estocava com vontade para dentro de mim. O prazer aumentava a cada investida e estava cada vez mais difícil me conter.
Me deixei levar por seu ritmo: Forte e rápido. Movimentos bruscos, para dentro e para fora da minha boceta encharcada, indo um pouco mais fundo a cada investida. Envolvendo as pernas em seu quadril eu me entrei. Total e irrevogavelmente.
Pude ver as veias de seu pescoço saltadas quando ele se levantou um pouco para mudar o ângulo das estocadas. Espremi minha boceta ao redor do pau, que latejava dentro de mim.
Soltando gemidos altos, Edward se reclinou um pouco para soprar baixarias deliciosas ao meu ouvido, sobre como era gostoso me foder.
Isso só me deixou mais louca.
—Edward! – gritei ao me entregar ao orgasmo.
Meu corpo convulsionou abaixo do seu enquanto a onda de prazer corria por minhas veias.
Aquela sensação era impossível de descrever com palavras. Chegava a ser surreal.
Edward não parou. Continuou me penetrando até chegar sua vez de gozar. Com o pescoço duro, os olhos inflamados, meteu com mais força ainda.
Arranhando suas costas, eu estiquei o corpo para acomodá-lo, no comprimento e na largura. Sabia que ele estava perto.
Cerrei os olhos e apertei as paredes da minha vagina com toda a força que pude sentindo-o enrijecer.
Seu gemido foi gutural, algo parecido com uma mistura do meu nome e um grito de guerra. Mais uma estocada e todo seu corpo tremeu antes de desmontar sobre o meu, os olhos verdes brilhando na luz do quarto.
Nossas respirações falhas se misturaram por um longo momento, era difícil acusar quem estava mais arfante.
Fechei os olhos para tentar me acalmar mais rápido, e foquei a atenção na respiração descompassada de Edward que colidia contra meu pescoço. Seus dedos começaram a subir e a descer por meu abdômen em um carinho ritmado.
Aquele havia sido um dia intenso. Tinha a sensação de ter vivido uma semana em apenas vinte e quatro horas, e encerrá-lo com aquele sexo maravilhoso fez que eu liberasse toda a tensão que havia acumulado.
Só me dei conta de que havia adormecido quando despertei, desorientada e perdida.
Sentei na cama assustada. As lembranças da noite passada voltaram com tudo e o medo de ter sido apenas um sonho se dissipou assim que vi as peças de roupas espalhadas pelo chão do quarto.
—O que eu fiz?
Sussurrei a mim mesma um tanto quanto perplexa pelo o que tinha acontecido. Aquilo deixava as coisas ainda mais complicadas e confusas.
Como se já não bastasse toda a complexidade da nossa relação, nós ainda transamos!
Afundei o rosto nas mãos e não evitei a careta ao senti meu ferimento latejar. No meio de tantos acontecimentos tinha até esquecido do corte!
Puxei o lençol para cobrir meu corpo e me dei conta de que estava sozinha no quarto, contudo o barulho do chuveiro me informou rapidamente onde Edward estava.
Corri a mão pelo cabelo enquanto avaliava a bagunça na cama. Ele tinha dormido ali. O travesseiro ainda estava amassado e o lado da cama ainda estava quente.
Não sabia direito como processar todas aquelas informações. Era coisa demais para minha mente recém despertada!
O relógio na cabeceira apitou sete horas em ponto quando a porta do banheiro se abriu. Engoli a seco congelando na cama. Não sabia o que fazer, o que falar, como reagir... Era coisa demais para mim!
Senti meu rosto esquentar quando Edward saiu do banheiro, evitei olhá-lo, mas pude perceber certa surpresa em sua postura ao me ver acordada.
—Como você está? – Edward me olhou enquanto corria a toalha branca pelo cabelo. Engoli a seco ao ver as gotículas de água descer por seu abdômen, cruzando aquelas pequenas cicatrizes que desenhavam sua pele, até pararem na toalha que estava envolta de sua cintura.
Pigarrei ao desviar os olhos dele sentindo meu rosto esquentar.
Meu Deus, Isabella!
—O corte está doendo? – fez outra pergunta diante a minha falta de resposta.
—Não estou... – maneei a cabeça querendo me socar diante a confusão. —Quero dizer... Estou bem. E o corte não está doendo. – respirei aliviada quando consegui completar a frase com nexo.
De olhos baixos vi Edward jogar sobre a cama a toalha que usava para enxugar o cabelo e se aproximar. Meu coração parou por alguns segundos e de repente me esqueci de como se respirava.
—Tem certeza? – sua proximidade permitiu que sentisse o cheiro pós banho de sua pele. —Está vermelho e um pouco inchado.
—Estou bem. – reafirmei sem a menor certeza. Já nem conseguia sentir corte, tudo o que ocupava minha mente era aquela confusão que havíamos nos enfiado.
—Bella, o que aconteceu...
—Edward, eu acho que nós não precisamos falar sobre o que aconteceu. – o interrompi saltando da cama, e me arrependi no mesmo instante.
Toda aquela confusão mental me fez esquecer que estava completamente nua. A vergonha me fez corar ainda mais, e com desajeito peguei a toalha que ele havia abandonado sobre a cama para enrola-la em meu corpo.
—Tudo isso já é complicado demais. Nós não precisamos de mais um problema.
Não sei exatamente o porque tinha dito aquelas palavras, mas fora o único discurso que consegui preparar.
—Mas...
—Eu vou tomar banho. – o interrompi mais uma vez. —Não quero atrasar a gente. Com licença.
Aquele quarto nunca me pareceu tão grande quanto naquele momento. Tive a impressão de que corri uma maratona até poder me resguardar em segurança no banheiro ainda vaporizado pelo banho dele.
Fechei a porta e me recostei contra a madeira fria, fechei os olhos ao respirar fundo.
Estupida. Idiota. Otária.
A cada segundo mais e mais palavras surgiam em minha cabeça, todas se adequando ao quão imbecil eu estava me sentindo. Queria me socar por ter cedido, queria me socar ainda mais, por ter gostado.
Merda, merda, merda!
A angustia apertava meu peito, me deixava com a boca seca e mãos geladas.
Porque eu tinha feito aquilo? Porque eu tinha permitido que Edward entrasse novamente em minha vida? Será que não bastava a catástrofe que ele causara uma vez? Será que eu era masoquista a ponto de permitir que ele me machucasse de novo?
Corri a mão pelo cabelo e parei a frente do espelho que mesmo embaçado permitiu que eu visse todos os hematomas em meu pescoço e ombros. Cobri a boca com a mão completamente desorientada.
Minha mente estava tão confusa, cheia de pensamentos, lembranças... Tudo o que eu queria naquela momento, era poder me livrar daquele frio na barriga, parecido com nervosismo, que tinha se apossado de mim.
Queria chorar, meus olhos ardiam tanto quanto meu peito, contudo eu não sabia se o motivo daquilo era o arrependimento. No fundo, bem no fundo, eu sabia que não estava arrependida do que tinha acontecido e tentava me convencer a todo instante que transar com meu marido havia sido um erro.
Era tanta coisa, tantos sentimentos conflitantes. O medo se sobrepunha em alguns momentos, esses que, geralmente, eram comandados pelo amor e saudade.
Maneei a cabeça e tentei me focar no momento presente. Precisava de um banho. Eu estava cheirando a ele, cheirado ao sexo que eu fiz com ele e aquilo era demais para mim.
A água fria do chuveiro correu por todo meu corpo e me esforcei para deixar todas minhas questões irem para o ralo com ela.
Estava cansada, me sentia esgotada, tanto mentalmente quanto fisicamente, mas não podia ceder. Eu precisava me arrumar e ir trabalhar. Talvez se enfiasse a cara no trabalho conseguiria deixar de lado essa confusão que estava minha vida.
Tentei me arrumar o mais depressa possível, mas perdi um bom tempo tentando cobrir as marcas arroxeadas em meu pescoço, e quando nenhum corretivo ofereceu uma cobertura boa, decidi vestir uma blusa de gola alta. Assim não iria correr o risco de a maquiagem sair e alguém ver aqueles chupões.
Vesti a calça de couro e calcei minhas botas antes de vestir meu casaco. Prender o cabelo em um rabo de cavalo alto me permitiu colocar brincos mais chamativos.
—Vamos lá, Bella... Você consegue. – proferi de frente ao espelho assim que terminei de passar o batom vermelho.
Desci até o primeiro andar com pernas trêmulas e estomago gelado. Eu era boa em neutralizar pensamentos e sentimentos, mas fingir que nada tinha acontecido na noite anterior estava muito difícil.
E ficou praticamente impossível quando vi Edward parado em meio a sala de estar. Ele era tão lindo que negar sua beleza ou não parar para admirá-lo era inadmissível.
Naquela manhã, ele vestia um terno bordo slim que moldava muito bem seu corpo atlético. O qual tive o prazer de rever, tocar e amar.
Maneei a cabeça e me repreendi diante tais pensamentos. Precisava focar no trabalho, mais tarde eu tentaria colocar todos aquele pensamentos e sentimentos em ordem.
—Acabei de falar com Xavier. – ele disse assim que me viu. —Seu exame deu negativo para álcool e drogas.
Aquilo era óbvio para mim, felizmente não havia dado tempo de beber na casa dos meus pais, e drogas não faziam parte da minha vida.
—Isso quer dizer que estou livre de maiores problemas?
—Sim. – assentiu olhando para o celular. —Agora que está avisada, preciso ir trabalhar. – não deixei de reparar em como sua voz estava fria e seu comportamento distante.
Respirei fundo sentindo um grande incomodo por aquilo.
—Você não vai me esperar?
—Hoje não vou para a Gamovies.— informou para minha surpresa. —Tenho uma reunião importante no meu escritório. – completou antes de pressionar o celular contra o rosto. —Frederick está a sua disposição.
—Ok. – depois do acidente de ontem a noite, nunca mais iria recusar os serviços dos motoristas.
Edward me deu as costas e abriu a porta, entreabri os lábios tentando dizer alguma coisa que o fizesse voltar a prestar atenção em mim, mas não havia nada que eu pudesse dizer.
—Bom dia, Tanya. Tudo certo por aí? – tive tempo de ouvir sua pergunta antes que ele saísse e fechasse a porta.
A raiva inundou meu peito. Cerreis os dentes e fechei as mãos em punho.
Para Tanya ele dava bom dia.
Bufei alto recolhendo minhas coisas e saindo para trabalhar. Já não tinha fome de manhã, depois de tudo o que tinha acontecido e daquele “bom dia, Tanya” a vontade de comer diminuíra ainda mais.
Frederick me recebeu com a simpatia de sempre e teve o cuidado de perguntar como eu estava. Ele era um senhor muito amigável e amava ouvi-lo falar sobre sua família. Aquilo me deixou mais relaxada e fez com que eu deixasse minhas questões de lado.
—Bom dia, Bella! – Angie me cumprimentou assim que cheguei ao andar da minha sala.
—Bom dia. – sorri vendo-a se livrar das várias camadas de casaco que cobriam seu corpo esguio.
—Fiquei sabendo do que aconteceu ontem. Como você está? – seus olhos castanhos demonstraram preocupação atras das lentes dos óculos de grau.
—Estou bem, Angie. – mentir sobre aquilo estava cada vez mais fácil. —Foi só um susto. Felizmente nada grave aconteceu.
—Ah, que bom. Fiquei muito preocupada! – suspirou profundamente. —Quer que eu busque um café?
—Sim, por favor. – respondi ao entrar na minha sala que estava completamente limpa e organizada. —Alguém limpou minha sala?
—Sim. Os faxineiros.
—Faxineiros? – me virei para olhá-la.
—Uhum. Eles chegaram bem cedo, pelo o que Alice disse, trabalham para o seu marido. – explicou pacientemente.
Meu marido.
—E a cantina também está funcionando.
—Está? – não escondi a surpresa. Angie sorriu ao concordar com a cabeça. —Nossa. – assobiei tirando o casaco de couro.
—Tudo está voltando ao normal. – ela não escondeu a felicidade ao falar.
—É, está mesmo. – tentei mostrar algum animo, mas acho que não obtive muito êxito.
Tudo estava voltando ao normal. A vida dos meus pais, a empresa.... A única coisa que seguia um caminho descontrolado e perdido era a minha vida.
Nunca tinha me sentido tão confusa. Tinha tantas questões na cabeça, tantos problemas... Todos ligados diretamente a Edward. A nossa relação. Ao nosso passado.
Era difícil separar o Edward Masen, do Edward Cullen. Era difícil olhar para ele e não sentir toda a dor do passado, mas era ainda mais difícil olhar para ele e não dar voz aquele amor que eu ainda sentia.
Porque mesmo no meio de toda aquela complexidade e tormento, tinha certeza de uma coisa: Carregava uma mágoa imensa de Edward, mas ainda era loucamente apaixonada por ele. E o sexo na noite passada serviu para que aquele sentimento se libertasse das amarras de uma vez por todas.
Só não sabia qual sentimento falava mais alto. E aquilo estava me levando à loucura.
—Com licença. – Alice pediu após bater na porta.
Desviei os olhos do computados para olhá-la, ela me lançou um sorriso doce ao fechar a porta atrás de si.
—Como você está? Fiquei tão preocupada quando Edward me contou o que houve.
—Estou bem, Alice. Felizmente nada grave aconteceu. – suspirei verdadeiramente agradecida pelo livramento. Só de pensar que poderia ter machucado uma pessoa ficava arrepiada de horror.
—Graças a Deus. – soltou aliviada. —Se você tivesse se machucado gravemente eu iria dar uns bons tapas no meu irmão.
—A culpa não foi dele. – não diretamente.
—Será? – cruzou os braços e me olhou desconfiada. —Ele me contou tudo o que aconteceu.
Um calafrio correu minha espinha, minhas bochechas esquentaram e engoli a seco.
—Contou? – Alice concordou com a cabeça. —Contou o que exatamente?
—Que vocês discutiram, e que ele te disse aquelas coisas horríveis.
Soltei o ar pela boca e concordei lentamente com a cabeça.
—Porque? Aconteceu mais alguma coisa?
—Não. – neguei rapidamente puxando a gola da minha blusa verde folha para aliviar um pouco o aperto em meu pescoço.
—Hum. – sua resposta me soou um tanto quanto desconfiada. —Bom, preciso te dizer que eu o repreendi muito pelo o que ele te disse e que não concordo com o que ele fez.
Olhando-a vi a sinceridade em seus orbes claros, foi impossível não sorrir.
—Obrigada, Alice. Você sempre foi muito boa comigo.
—Não tem que agradecer. Edward não tem o direito de te tratar mal só porque ficou com ciúmes...
Ciúmes.
Repassei a palavra um tanto quanto surpresa.
—Ciúme? – indaguei de olhos cerrados. Sentando a minha frente, Alice assentiu com a cabeça. —Não acho que ele tenha ciúme de mim...
—Pois eu tenho certeza que ele tem ciúme de você. – respondeu em plena convicção. —É bem nítido na verdade.
Mordi meu lábio inferior processando aquela informação com cuidado. Claro que era bom saber que ele tinha ciúme de mim, mas Alice poderia estar enganada.
—Eu não deveria estar te dizendo isso, mas sou uma pessoa muito observadora. – colocou com certo cuidado. —E eu percebo o jeito que ele te olha, e age quando estão juntos... – tirou a franja do rosto antes de continuar. —O meu irmão ainda gosta de você.
Aquelas sete palavras causaram um impacto imenso dentro de mim. Entreabri os lábios e busquei responde-la de alguma forma, mas nada coerente passava por minha cabeça. Na verdade, aquilo não fazia o menor sentido para mim.
—Você não acredita? – perguntou sorrindo com o canto dos lábios, ainda petrificada discordei com a cabeça. —Bella, você acha que em um ano a Gamovies estará plenamente reerguida? – voltei a negar com a cabeça. —E supondo que esteja, acha que o meu irmão vai recuperar rápido todo o investimento que está fazendo, mesmo que ele fique com os trinta por cento de ações que combinaram?
Mordi a ponta da minha unha refletindo sobre sua pergunta. Não precisava saber muito sobre administração para perceber que a Gamovies ficaria em débito com Edward por um bom tempo. Sendo muito otimista, ele recuperaria todo o investimento que fizera em, no mínimo, três anos. Isso se não colocasse mais nenhum centavo...
—Isso não faz sentindo...
—Ele ainda gosta de você. – Alice proferiu quando minhas palavras se perderam no ar. —E, me desculpe se estou sendo invasiva, mas acho que você ainda gosta dele também.
Ergui os olhos até os seus e não consegui negar. Eu ainda amava o irmão dela, e estava cada vez mais difícil dizer “não” para aquele sentimento.
—Alice, nós temos um passado muito complicado. Cheio de mágoa e desencontro. – gaguejei um pouco ainda perdida do no meio de tanta informação. —E por mais que eu ainda goste dele, superar o fato que ele me abandonou... Sabe, isso trouxe tantas consequências...
—Ele te abandonou? – Alice me interrompeu com a voz perplexa. As sobrancelhas estavam cerradas e os lábios curvados em um biquinho confuso.
—Sim.
—Ué, não foi isso que ele me disse.
Soltei um riso amargo diante aquilo. É claro que ele iria se fazer de vítima para a família dele...
Como eu sou estúpida!
—Bella, vocês já falaram sobre o que aconteceu? – neguei rapidamente a pergunta de Alice. —Você pode até me chamar de intrometida, mas acho que vocês precisam conversar sobre o que aconteceu.
—Acredite em mim, isso não é uma boa ideia...
—Bella! – ela aumentou a voz para atrair minha atenção, encarei-a um pouco assustada pela abrupta mudança de tom. —Eu conheço muito bem o meu irmão e sei que ele não mentiria sobre isso. Eu vi a dor nos olhos dele. – colocou firmemente. —Não sei exatamente o que aconteceu entre vocês, Edward foi vago, me contou por cima..., Mas ele me disse que você o deixou. Que você desistiu dele.
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