Acordo Nupcial
11 Capítulo 11 - Isabella Swan
Notas iniciais
A avistei no instante em que saiu pelas portas de frente do colégio. Mesmo no meio da multidão de gente que deixava a escola naquele momento, foi fácil para mim reconhece-la.
Ela não demorou a me notar também e o sorriso que apareceu em seus lábios me encantou como na primeira vez. Tinha o sorriso mais doce e lindo que já havia visto.
Era toda linda na verdade. Dos pés a cabeça.
Se despediu rapidamente das amigas antes de caminhar em minha direção. O cabelo castanho saiu para dançar com o vento, arrumou o gorro vermelho na cabeça e apressou os passos para atravessar a rua antes que o ônibus escolar desse partida.
—Oi. – sussurrou ao parar a minha frente. Os olhos cor de âmbar brilhavam tanto quanto um diamante raro.
—Oi, princesa! – ergui as mãos até seu rosto frio e vi o sorriso crescer em seus lábios avermelhados.
—Estava com saudade. – proferiu baixo antes de encerrar a curta distância que nos separava e me abraçar apertado.
Rodeá-la com os braços e puxá-la para o meu peito era muito fácil, porque ela era tão pequena e delicada, mas o que eu sentia quando a tinha tão perto não era nada minúsculo. Sentia que estava segurando o mundo em meus braços!
—Eu também estava. – ela ergueu a cabeça e me olhou, o nariz estava um tanto quanto vermelho pelo frio intenso. —Vem, vamos para o carro, você está fria.
Ela não e opôs, apenas concordou com a cabeça e entrelaçou os dedos nos meus para seguirmos até o Mustang surrado.
—Foi esse carro que alugou? – perguntou ao se instalar no banco desgastado.
—Sim, sei que não é nada do tipo que está acostumada, mas...
—É perfeito. – me interrompeu tocando o meu rosto com a mão. —Já te disse, Edward. Não quero carros luxuosos, mansões, ou uma conta bancária cheia de dinheiro. – seus olhos cor de mel estavam fixos nos meus. —Só quero você.
Ela me encarava com tanta intensidade e verdade que era impossível não acreditar. E por mais que ela estivesse sendo sincera, tudo o que eu mais queria era poder lhe proporcionar tudo o que ela estava deixando para ficar comigo.
—Eu amo você. – corri o dedo por seu lábio inferior e o sorriso cresceu em seu rosto.
—Eu também te amo. – sua voz ficou ainda mais doce quando declarou.
Nós nos inclinamos no mesmo momento e nossas bocas se receberam com extrema receptividade. Em meio ao beijo, toda a saudade que sentíamos ficara completamente a mostra. Já tinha duas semanas que não a via, e nada doía mais do que ficar longe dela.
—Tem certeza que não tem problema de ficarmos aqui? – indaguei tentando recuperar o fôlego que ela me tirara.
—Sim, meus pais não sabem que a aula de hoje acabou mais cedo. – o sorriso em sua face tomou um ar sapeca. —Pode ficar tranquilo, estamos seguros. – me lançou uma piscadela antes de tirar o gorro vermelho, as luvas e cachecol.
Ela era tão linda que cada movimento que fazia era digno de ser admirado. A pele alva era macia como uma pétala de rosa branca, o cabelo castanho parecia fios de chocolate, eram sempre brilhantes e perfumados. Tinha os olhos mais lindos que eu já vi, eram um tom único de âmbar, as vezes ficavam levemente verdes, mas estavam sempre cheios de vida. O nariz arrebitado era tão delicado quanto um confeito de açúcar e os lábios pareciam ter sido desenhados.
Isabella Swan era perfeita!
E foi impossível não me apaixonar por ela no primeiro segundo que a vi.
—Edward? – a voz grave de Emmet me pegou de surpresa. Um pouco sobressaltado, virei a poltrona e pedi que ele entrasse.
Precisei afrouxar um pouco a gravata, aquelas lembranças sempre faziam com que eu me sentisse sufocado. Limpei a garganta em um pequeno pigarro enquanto Emmet se aproximava com o semblante analítico.
—Acabei de falar com Hurley, e o voo dele foi cancelado por causa do mal tempo. Só vai chegar depois das cinco. – informou em plena frustração.
Concordei com a cabeça tentando não me estressar mais do que deveria por conta daquilo. Imprevistos aconteciam, principalmente quando o clima estava tão inconstante.
—Tudo bem, vou pedir para Bree remarcar a reunião. – não havia outra coisa a ser feita, a presença de Hurley Ford era de exima importância.
Ele estava vindo de Massachusetts para que pudéssemos detalhar cada ponto de interesse de uma possível parceria entre a minha companhia e a HJ Enterprises, uma das maiores empresas do mundo especializada em tecnologia.
—Ok, espero que ela consiga vir. – respirou fundo e soltou os botões que prendiam seu blaser antes de se sentar na poltrona de couro preto a minha frente. —Meu pai me disse o que aconteceu ontem.
É claro que ele diria.
—A Bella está bem?
—Está. – soltei o ar pela boca me sentindo mais uma vez aliviado. —Felizmente não aconteceu nada grave, mas ela destruiu dois carros.
Relembrar o estrago que o impacto causara no SUV blindado e na picape antiga me deixava com a espinha gelada. Ainda não sabia como o rapaz havia escapado sem nenhum arranhão, e não gostava nem de imaginar o que poderia ter acontecido com ela. Fora muita sorte os airbags não terem a esmagado diante a velocidade que ela estava e do impacto agressivo.
—Ainda bem que era o seu pai que estava lá, se fosse um xerife de outro distrito ele não teria tido tanta compreensão. – na verdade Xavier fizera uma vista grossa, já que consegui convencer o rapaz a não prestar queixa.
Claro que ele não aceitara aquilo de graça, em troca eu lhe daria um carro novo.
—Realmente... Se fosse outro xerife a Bella estaria com alguns problemas na justiça.
Assenti com a cabeça enquanto respirava fundo. Era impossível não me sentir culpado pelo o que havia acontecido. Se eu não tivesse lhe dito coisas tão idiotas, ela não teria saído de casa daquele jeito.
Sabia que tinha sido um babaca ao insinuar que havia lhe comprado, mas depois do esporro que levei de Alice consegui compreender com maior exatidão a gravidade do meu erro.
—Ela não merece ser tradada assim, Edward. – a voz de Alice saiu firme pela ligação. —Não se comporte como um idiota, porque você não é assim. – pediu. —Não interprete esse personagem com ela.
É claro que a minha relação com a Isabella era complicada. Ela era meu ponto fraco de várias maneiras possíveis. Nem mesmo os anos que vivi no orfanato a espera da adoção me abalavam tanto quanto ela. E o contentamento que senti quando assinamos o papel do casamento fora único. Não havia me sentido satisfeito daquela maneira nem quando fechei o primeiro contrato da minha empresa.
—E como estão as coisas entre vocês? – a pergunta de Emmet me fez ficar ainda mais pensativo.
Era difícil explicar como estavam as coisas entre nós dois. Principalmente depois daquela noite. Depois do sexo.
—Não sei... Complicadas? – dei de ombros tamborilando os dedos na mesa de branca. —Depois de toda aquela confusão, nós transamos. E acho que isso só piorou as coisas.
—E porquê? Sexo é sempre a solução. – Emmet assobiou certo da praticidade.
Rolei os olhos me sentindo um tanto quanto incomodo com aquelas palavras. Sabia do que estava acontecendo entre ele e minha irmã, e não queria pensar neles daquela maneira. Era a minha irmã!
—Não para a Isabella e eu. – dessa vez foi Emmet quem rolou os olhos. —Por um momento eu pensei em abaixar a guarda e tentar conversar, mas ela ficou extremamente defensiva...
Praticamente fugiu de mim para se trancar no banheiro. E não sabia exatamente como tinha me sentido em relação aquilo. Claro que aquela reação acuada me deixou com o ego ferido, contudo, não era só aquilo.
Tanta coisa nos envolvia que era difícil reconhecer todos os sentimentos que uma ação provocava.
—Porque não tenta conversar a noite? Ela pode estar confusa também.
Dei de ombros sem saber se era uma boa ideia.
—Não sei. – assumi com um suspiro cansado. —As vezes acho que é melhor deixa-la em paz. Não quero fazê-la sofrer.
Emmet bufou alto e se arrumou na poltrona antes de me encarar com firmeza.
—Você não pode fazer isso.
—Na verdade, eu posso sim. – voltei a dar de ombros.
—Claro que não, Edward! Vai desistir agora que estão casados? Agora que conseguiu se aproximar?
Prendi o lábio inferior entredentes e não o respondi. Não sabia o que responder.
—Vocês precisam conversar, Edward. – continuou diante o meu silêncio. —A Bella tem direito de saber tudo o que aconteceu.
Respirei fundo enquanto analisava mentalmente suas palavras. Sabia que ele tinha razão, só queria que tudo fosse mais simples...
—Ela não acreditar em mim, Emmet. – aquilo era uma verdade incontestável. —Não ainda.
—Pode ser que não acredite agora, por isso você precisa conquistar a confiança dela. – pontuou gesticulando com as mãos. —A Bella vai precisar de você, sabe disso, não é?
—Sim, eu sei.
Sabia muito bem o quão abalada ela ficaria quando eu lhe contasse toda a verdade, e era exatamente aquilo que me barrava de expor tudo o que havia acontecido. Ela não merecia sofrer ainda mais e tinha certeza que ficaria destruída quando soubesse de tudo. A decepção a deixaria completamente abalada.
—Então comece a fazer por onde! – pediu com um drama exagerado. —Meu amigo, quero ver você feliz com a mulher que ama... Por isso eu te peço, pare de se comportar como um babaca.
Desviei os olhos de Emmet e encarei a vista que as janelas grandes ofereciam da cidade. Não havia o que eu pudesse lhe responder, porque sabia que Emmet tinha razão. Tinha que focar no que interessava e lutar pelo o que queria, pelo o que esperei tanto para conseguir.
Prestar atenção no trabalho era algo completamente difícil quando estava com a cabeça tão cheia. Não queria estar naquelas reuniões longas, lendo aqueles contratos imensos e analisando os detalhes das transações futuras... Por mais que aquela empresa fosse uma das maiores conquista da minha vida, só queria deixar os negócios de lado para focar no que realmente me interessava: Isabella Swan.
Ou melhor, Isabella Cullen.
Era inegável o fato que me sentia orgulhoso quando ouvia alguém a chamar daquela forma. Ela era a minha mulher, a minha “Senhora Cullen”.
Fechei rapidamente a página do contrato que precisava ler para olhar a foto que era o papel de parede do meu computador.
A foto fora tirada no dia do nosso casamento. Ela estava absurdamente linda naquele vestido justo. Por mais que os sorrisos que ela dera tivessem sido forçados, nenhum perdera o brilho e a beleza.
A única coisa que me incomodava eram seus olhos. Estavam opacos e deixavam nítidos a dor que ela estava sentindo.
Corri a mão pelo rosto e expirei o ar com força.
Só uma coisa me incomodava mais do que a ver sofrer: ser o motivo de seu sofrimento.
Por mais que tivéssemos planejado de várias e várias maneiras a forma como nos casaríamos, sabia que quando o momento chegou ela não estava nem um pouco feliz. Se tivesse outra opção jamais teria aceitado aquilo.
—Acho que vou entrar sozinha na igreja. – observou com um suspiro.
Virei a cabeça para poder olhar em seu rosto, havia um leve sinal de desapontamento em sua face.
—Meu pai nunca vai aceitar nosso casamento. – completou em um tom amargo.
Nós dois respiramos fundo e ficamos um bom tempo em silencio. Encostada no meu peito, Bella acariciava meus dedos que estavam entrelaçados aos seus, enquanto a mão livre brincava com a barra do lençol que cobria seus seios nus.
—Mas quer saber? – rompeu o silencio com uma pergunta e se virou para me olhar. —Não me importo.
Sua sinceridade me deixou um pouco mais relaxado, contudo, era difícil não me sentir mal por saber que ela perderia um momento tão especial por minha causa.
—O azar vai ser todo dele... Vai perder a chance de ver a única filha se casando por puro preconceito. – ela estava decidida e firme, dava para perceber em seus olhos toda a determinação.
—Ah, vai ser um azar mesmo... Porque você vai ficar muito linda vestida de noiva.
O sorriso que nasceu em sua boca me deixou ainda mais encantado. Bella abaixou a cabeça e beijou rapidamente meu queixo antes de respirar fundo.
—Você vai chorar quando me ver vestida de noiva?
—Chorar? – a encarei sem entender. —Acho que eu deveria sorri, não?
—Não! – respondeu como se fosse óbvio. —O noivo tem que chorar quando ver a noiva. – suspirou perdida em meio aos seus pensamentos. —Significa que ele está profundamente emocionado. – explicou voltando a me olhar.
—Entendi... – proferi retirando o cabelo do seu rosto. —Mas não acho que eu precise chorar para estar emocionado.
—Se você não chorar dou meia volta e não me caso! – brincou arqueando o queixo.
Foi impossível não rir alto de sua afirmação. Do jeito que ela se emburrava fácil, era bem provável que fizesse aquilo.
—E você acha que eu vou te deixar escapar? – indaguei nos girando na cama para poder deitar sobre seu corpo. —Agora você já não tem mais escolha... Vai ter que se casar comigo nem que seja amarrada.
—Ah, é? – questionou arqueando as sobrancelhas e passando os braços por meu pescoço.
—Sim. – balancei a cabeça distribuindo beijos por seu rosto. —Agora você já é minha.
—Sou? – sua voz saiu baixinho, ela esticou o pescoço liberando a passagem da minha boca para que trilhasse um caminho de beijos por ali.
—Uhum. – soltei mordiscando a pele sensível e sentindo-a estremecer em meio a um arrepio. —Só minha.
—Posso aprovar?
—O que? – desviei os olhos da tela do computador para encarar Tanya. Ela sorriu amarelo ao perceber que estava falando sozinha, visto o meu relapso. —Desculpe, eu estou um pouco aéreo hoje. – dei de ombros um tanto quanto sem jeito pela minha falta de concentração. —Vou fazer uma pausa para o almoço e continuamos depois, pode ser?
—Na verdade, Edward, eu preciso de todo o esquema aprovado antes da chegada do senhor Jones. – tomou cuidado ao explicar. —Já deveríamos ter acertado todas as questões...
—Eu entendo, Tanya. A culpa de estar atrasado é toda minha. – soltei o ar pela boca. —Podemos continuar no restaurante, então? Estou com um pouco de fome, não tomei café da manhã hoje.
—Claro, sem problemas. Também estou com fome.
Estar empenhado em ajudar Isabella a reerguer a empresa de sua família estava fazendo com que meus negócios ficassem um pouco congestionados. Era difícil estar nas duas empresas no mesmo dia por conta da distância entre elas. E as duas se encontravam em momentos completamente diferentes, o que deixava tudo aquilo ainda mais confuso e cansativo.
Almoçar no Flavor Great era uma escolha arriscada para uma pessoa que estava com pressa, mas ele era o meu restaurante favorito... Acho que foi isso que me fez tornar sócio do empreendimento.
—Amo vir aqui com você. – Tanya proferiu com um sorriso grande. —Nunca pegamos fila!
Foi impossível não rir de suas palavras enquanto seguíamos o maitre até a área mais reservada do restaurante. Felizmente estava muito bem movimentado e já passava da uma da tarde.
—Quando quiser vir aqui com a sua namorada, é só dizer que trabalha para mim e tenho certeza que estará em uma mesa em segundos!
—É tão bom trabalhar para um homem importante. – se virou para me olhar e me lançou uma piscadela. Abri ainda mais o sorriso em resposta aceitando sua brincadeira.
—De nada! – retribuí a piscadela e Tanya riu com vontade.
O clima mais leve que Flavor Great oferecia, unido a companhia de Tanya, se dissipou no instante em que avistei a mulher que caminhava em nossa direção. Eu a reconheceria de longe, sem me confundir ou precisar encarar duas vezes.
Ela ergueu o queixo e endireitou ainda mais a postura ao parar a minha frente.
—Olá, Edward.
—Como vai, Renée? – minha voz saiu mais seca e precisei me esforçar para ser o mais educado possível.
Era difícil estar à frente dela e não ser coagido por todos os acontecimentos do passado. Me lembrava muito bem de como aqueles olhos, tão iguais aos da filha, me encararam com nojo quando soube do meu envolvimento com Bella. A superioridade era quase palpável, a frieza dominava cada movimento... Ela era uma pedra, assim como Charlie.
—Quanto você quer?
—O que? – a encarei sem entender.
Renée rolou os olhos e se arrumou na cadeira do restaurante antes de voltar a me encarar. Conseguia sentir a diferença que ela fazia entre nós. Era como se ela estivesse a frente de um verme.
—Quanto você quer para deixar a minha filha em paz? – foi direta.
Recuei o corpo sentindo o impacto da surpresa. Era difícil processar aquela pergunta sem me sentir ofendido e humilhado.
—Acho que não entendi...
—Não se faça de burro, Edward. – me interrompeu com impaciência. —Sei muito bem o que te interessa na minha filha, então vamos direto ao ponto. – ainda petrificado a vi abrir a bolsa e retirar o talão de cheques. —Me diga o valor... Peça o que quiser. Vamos te dar a quantia que desejar.
Renée me encarava como se estivesse fazendo a maior boa ação do mundo. Era como se estivesse salvando uma vida em perigo.
—Algo errado, senhor Cullen? – Mateo me perguntou assim que percebeu que deixamos de segui-lo.
—Não, Mateo. Está tudo sob controle. – o olhei ao responder ainda sob a presença impassível de Renée. —Tanya, Matteo, essa é a senhora Swan, minha sogra. – apresentei com cordialidade.
—Prazer em conhece-la. – Tanya sorriu tentando ser o mais simpática possível. Renée a olhou de cima a baixo e abriu um pequeno sorriso frio.
—Se me dão licença, já estou de saída. – intercalou os olhos entre nós três. —Bom revê-lo, Edward.
—Uhum. – soltei dando um passo para o lado para que ela passasse.
Renée se afastou, mas o clima pesado continuou presente. Era incrível como ela e o marido conseguiam contaminar o ambiente.
—Acho que sua sogra não gosta muito de você. – Tanya comentou um tanto quanto sem jeito.
—Nem ela, nem o marido dela. – soltei um riso amargo arrumando o guardanapo no colo.
—Complicado... – suspirou pesarosamente. —Foram eles que...
—Sim. – assenti rapidamente sem esperar que ela completasse a pergunta.
Sabia o que viria a seguir e não queria falar sobre o acontecido. Tanya percebeu de imediato a minha recusa e felizmente não insistiu, ela sabia muito bem onde acabava nossa intimidade. Me entregou o iPad com o contrato aberto e começou a narrar todos os pontos que precisavam ser revisados antes da reunião com Hurley Jones.
Estava difícil manter a concentração no trabalho, por algum motivo a chuva que caía do lado de fora estava mais interessante do que aquele assunto sobre negociações.
Aquele casadinho de chuva e neve era típico do inverno em Chicago, e era exatamente o clima que embalava aquela tarde desastrosa de quinze anos atrás.
Encarei o relógio mais uma vez e respirei fundo ao perceber que já passava das cinco.
Ela estava atrasada e a chuva não parava de cair.
Não sabia o que me deixava mais angustiado, a ideia de pegar estrada naquele mal tempo, ou o atraso de mais de uma hora dela.
O medo de que ela tivesse desistido me deixava com o estomago enjoado.
Sabia que ela estava com medo. Ela tinha me externado aquilo no nosso último encontro..., Mas também tinha me garantido que viria.
Me encolhi dentro do casaco de couro tentando enxergar algo pelo retrovisor, no entanto, a chuva estava tão intensa que mal conseguia ver o fim da rua.
Apoiei as mãos no volante desgastado e tentei acalmar toda aquela ansiedade que me consumia.
Logo ela chegaria e nós partiríamos. Tudo iria dar certo. Tinha certeza que iria!
Arrumei o corpo no banco de couro assim que avistei luzes amarelas de um carro. O mal tempo me impedia de ver o veículo com exatidão, mas tinha certeza que era ela. Ela tinha me dito que a amiga a levaria até mim.
O carro parou a frente do meu, muito próximo, quase colado. Destravei a porta do passageiro assim que a do outro carro se abriu, e quando voltei a olhar para fora me deparei com os homens cercando o carro.
Um calafrio correu minha espinha quando comecei a entender o que estava acontecendo.
Não era a Bella que estava ali.
Tudo ficou ainda pior quando reconheci um deles. Nem mesmo o mal tempo me faria confundir aqueles olhos furiosos.
Rapidamente, toda a ansiedade que sentia fora substituída pelo medo. Sabia que estava com sérios problemas.
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