Notas iniciais
— Você pode me ajudar nisso?
Ele parou. O pedido era um tanto inusitado. Mas, por fim, assentiu lentamente.
— Eu só não entendo o porquê disso. Quer dizer, você é a filha do Imperador.
— Vamos lá, Leo. Você me conhece desde sempre! Sabe melhor do que ninguém que eu não suporto a ideia de passar o resto da minha vida servindo a um homem que eu deveria chamar de marido. Veja Hylla! Ela pode esconder bem, mas eu sei que não está contente! Quando ela fez dezoito anos, papai se encarregou de casá-la conforme os interesses do Império. Eu tenho dezesseis, mas não vou esperar para tomar uma atitude quanto a isso. Eu não poderia passar o resto dos meus dias com alguém que não amo. Isso pode parecer clichê, mas eu quero servir meu Império de outra forma... É aí que você entra.
— Está bem, está bem. Mas você sabe os riscos, se eu for pego...
— Você não vai ser pego. Faça tudo escondido. Você tem o dom de Vulcano, Leo. Conto com você.
Ela lhe deu um sorriso amigável. Fala sério! Com um sorriso desses, como posso negar a ela alguma coisa? pensou Leo.
O ferreiro sempre teve uma quedinha por ela. Mas é claro que nunca dissera isso a ninguém. Cara, ela é filha do Imperador de Roma. Que chance teria?
Mesmo assim eles ainda eram amigos. Reyna, apesar de ser elegante, não gostava do convívio com crianças da nobreza. Bajulação demais, frescura demais. Ela preferia conversar com Leo, o filho do ferreiro na época. No começo, ele apenas a chamava por apelidos formais, mas ela insistia que Leo parasse. Ele demorou para se acostumar.
Ninguém sabia da amizade deles. Na presença dos outros, ele a tratava formalmente e os dois evitavam conversar. Mas ela era uma amiga de verdade.
Quando a porta bateu, Reyna despencou sobre sua cama, ela estava aliviada. Finalmente, seu plano poderia dar certo. Ou não. Mas ela preferia morrer do que, como já disse, passar o resto da vida servindo um homem que seria seu marido.
Ela não pode acreditar no quanto aquilo é injusto. Tinha certeza que as mulheres podiam fazer muito mais do que serem simples acordos políticos. Reyna provaria aquilo. Nem que fosse a última coisa que fizesse.
Ouviu batidas na porta.
A filha do Imperador levantou-se e se dirigiu até a porta. Antes que chegasse, uma garota loira colocou a cara para dentro.
— Reyna, você não se esqueceu do jantar, esqueceu?
Reyna arregalou levemente os olhos para sua criada, a qual gostava mais de chamar de amiga, é claro que ela havia esquecido.
— Droga — Ela murmurou para si.
Annabeth sorriu carinhosamente.
— Certo, eu tinha certeza. Vamos lá, eu te ajudo.
Annabeth se encaminhou até o lugar que poderia ser chamado de closet. Não que fosse o caso, mas era onde ficavam as roupas dela.
Lá haviam togas de todos os tipos, tamanhos e cores.
Annabeth puxou uma toga cor-de-pele, longa. Um cinto dourado passava um pouco abaixo do peito e acima do ombro um delicado medalhão do Imperio de mesma cor sustentava a vestimenta. Em geral, era lindo.
— É perfeito, Annabeth. — Reyna sorri. Ela não está contente com o jantar, mas fingir é seu nome do meio.
Logo ela estava arrumada. O traje lhe caia perfeitamente. Era algo simples para que a filha do Grande Imperador vestisse. Algo que ela deveria vestir diariamente, e que, a contragosto, vestia. Mas ela não queria chamar atenção. Quanto menos pessoas a notassem, melhor. Nos cabelos foram feitos um coque alto entrelaçado com fios de ouro, o coque era leve, deixava metade do cabelo solto, a outra metade lhe caia sobre a cabeça como pernas de aranha. Estava bonito. Um batom nude foi colocado em sua boca. (N/A: Em todo caso, eu acabei de inventar a maquiagem. Alguém pode me responder se já havia algum tipo naquela época?)
Na parte próxima ao local em que seriam recebidos os convidados, já podia se ouvir barulho.
O jantar começara.
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