Aconteceu Na Velha Roma
20 Capítulo Bônus 1 - LEO
Notas iniciais
Já se fazem dois dias que ela sumiu. Reyna foi embora. Nem mesmo se despediu. Pelo menos, era assim que pensava.
Já é noite. Quase um terceiro dia agora. Ele ainda não podia acreditar que ela seguiu mesmo com esse plano. Não que ele duvidasse dela, a futura Imperatriz sempre foi muito determinada. Mas Leo esperava que algo acontecesse, que algo mudasse e ela resolvesse ficar.
Aquele quase-beijo não saia da sua cabeça.
Havia alguma possibilidade, mesmo que remota, de Reyna sentir o mesmo que ele sentia por ela?
Antes a resposta poderia ser fácil, até mesmo para ele responder: “Não. Ela me considera como uma amigo. Apenas isso.”
No entanto, os fatos agora giravam em sua cabeça. A resposta poderia ter mudado para “Talvez”? Ou isso tudo é apenas mais um devaneio de Leo Valdez, ferreiro real e amigo da princesa?
Leo interrompe seus pensamentos por causa do imenso calor que estava ali. Ele era resistente ao fogo, mas achava que seu calor não tinha nada a ver com altas temperaturas. Mesmo não sendo, por pura força do hábito, levanta-se e vai em direção a janela de seu quarto. Ao abri-lá não percebe que algo cai e acaba pisando em cima.
Dá alguns passos antes de finalmente observar o barulho estranho que seu pé esquerdo, descalço, estava fazendo contra o chão. Como se sua pele e o piso travassem uma briga, gerando atrito. O que não era comum para pés. Nem pisos. Sentou-se em sua cama novamente e passou a mão pela sola de seu pé. Um pequenino pedaço de papel grudado.
Ele estranhou.
O que aquele pedaço de papel estaria fazendo lá?
Abriu-o.
"Ego iam sum. Temptabam dicere, sed non erant somno. Paenitet. Plus scire quod non valeant. Redibo ... diem". — "Eu já vou. Tentei te chamar, mas você já estava dormindo. Sinto muito. Mais saiba que não é um adeus. Eu volto... Um dia."
Não pode reconhecer a letra bem feita, porque obviamente nunca haviam lhe escrito nada. Mas ele soube de quem era assim que acabou de ler. Ela não havia se esquecido dele, então.
A ansiedade o preencheu. Como ele pode dormir enquanto ela fugia? Ela o havia chamado? Ou nem mesmo tentou?
De qualquer forma… Ela estivera ali. O pensamento foi o suficiente para que suas mãos pegassem fogo, queimando o papel. Droga de benção de Vulcano.
Ótimo. Leo queimou a única lembrança material que teria de Reyna.
“Parabéns, Valdez. Você é um gênio.”
Ele podia apenas esperar que ela cumprisse o que falou… Que ela voltasse. Voltasse para ele… Um dia.
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