Acluofobia

1 Prólogo / Capítulo I


Meu nome é Hayden e você está prestes a ler a minha história. Mas antes, uma pergunta: Alguma vez na sua vida, você já sentiu medo? Aquele que te faz paralisar, que faz as mãos suarem e o coração bater rápido e pesadamente. Se você não estiver preparado para ter tais sensações, não continue essa leitura. Foi muito difícil para mim, abrir mão dos meus segredos e expor tudo aqui. O preço que tive que pagar foi alto e eu não desejaria isso para ninguém. Decidi contar tudo exatamente como aconteceu. Se você não quiser se tornar paranoico com o escuro e evitar olhar para as sombras, sugiro que pare. Do contrário, se é exatamente isso que lhe deixa instigado a ler o meu relato, vá em frente. Mas lembre-se: é por sua conta e risco.

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Tudo começou em Novembro de 2005. Meus pais haviam se mudado para uma casa em Nova York, herdada após o falecimento do meu tio materno, John. A casa era gigante e eu me perguntava se alguém teria coragem de morar sozinho em um imóvel daquele tamanho. Eram 10 quartos, 9 suítes, sem contar com a cozinha, a sala de estar, a sala de cinema, o jardim de inverno, e etc. Confesso que, no início, a ideia de ir para um lugar assim não era tão ruim para mim, mas bastou uma semana naquele local e senti saudades do nosso pequeno e aconchegante apartamento na Califórnia. Sentia-me como uma formiga em meio à floresta. A mudança foi tão cansativa, que eu não cogitei sequer imaginar como estaria me sentindo no dia seguinte. Havia espaço demais e nossos móveis eram muito escassos. Por conta disso, minha mãe havia decidido descer até o porão para buscar o resto da mobília que a família do meu tio não quis levar embora. Até aí, nada de mais. O problema começou quando ouvi um grito agudo e desesperador lá embaixo.

- Mãe! — gritei, descendo e vasculhando o lugar escuro e úmido com uma lanterna. Eu jamais teria coragem de pôr meus pés naquele local se não achasse que minha mãe corria perigo. Era repleto de lama e de mosquitos. Dei mais alguns passos até encontrá-la paralisada em frente a uma caixa de madeira velha e embolorada.

- O que aconteceu mãe? — perguntei, me aproximando. Toquei seu ombro e ela pareceu assustar-se com a minha presença, como se não tivesse notado, até então, que eu estava ali.

- Acho que tinha alguém aqui, Hay. Ouvi passos e gritos, e quando me virei para cá encontrei essa caixa...

Ela parecia assustada, mas estava diferente. Mirei a luz da lanterna para dentro da caixa e pude perceber um amontoado de trapos velhos e fedidos. Tapei o nariz e me ajoelhei em frente à pilha de roupas. O fedor era insuportável. Algo parecido com uma mistura de peixe podre e terra molhada.

- Mas o que diabos aconteceu com isso aqui? — me levantei, ainda tapando o nariz. Olhei para minha mãe e ela retribuiu o olhar com certo temor. Durante toda a minha vida, nunca a vi daquela forma, tão assustada.

Parecia até que tinha visto um fantasma.

Notas finais
Deixe sua opinião sobre a história nos reviews! A escritora agradece, rs :)