Acluofobia

2 Capítulo II


Notas iniciais
Demorei mais do que o prometido para postar a Fanfic, mas espero que goste. Os capítulos em si, são curtos pois não quero tornar a leitura tão cansativa.

Decidimos que somente no dia seguinte iríamos nos preocupar com a tralha do porão. Meu pai resolveu comprar móveis novos ao invés de usar os do meu tio, por insistência da minha mãe. Ela realmente havia ficado abalada com o acontecido e isso já estava começando a me preocupar.

Organizei meu quarto da forma mais simples possível, porém, havia ficado do jeito que esperava. Escolhi o cômodo que dispunha de um banheiro, pois detestava ter que esperar meus outros dois irmãos se aprontarem para ir à escola.

Estava terminando de colocar alguns pertences na mesa de cabeceira, quando escuto um barulho esquisito. No início, não dei atenção, pois a casa era tão antiga que não me surpreenderia em encontrar uma família de ratos vivendo ali. Mas depois o som foi aumentando, e aumentando... Como se estivesse ficando cada vez mais próximo de mim. Parei o que estava fazendo e me concentrei em ouvir melhor. Parecia uma série de sussurros. Direcionei-me à porta, mas antes que pudesse passar para o corredor, a mesma fechou-se sozinha. Congelei e fiquei ali, pateticamente olhando para a porta, como se esperando que algo mais acontecesse. Depois disso, o barulho foi ficando cada vez mais distante, até que eu não consegui ouvir mais nada. Minhas mãos estavam suadas, assim como a minha testa e as minhas costas. Recuei um pouco até encontrar a minha cama e me sentei, respirando profundamente, na esperança de me acalmar um pouco. O que diabos estava acontecendo comigo? Ou melhor, o que estava acontecendo naquela casa? Deveria eu, contar para os meus pais esses ocorridos estranhos? Certamente iriam rir de mim só pelo fato de insinuar que a casa era mal assombrada. Nem mesmo eu acreditava nessas baboseiras. Mas que outra explicação eu poderia ter para o que acabara de acontecer?

–x-

Depois do que aconteceu no meu quarto, eu tinha certeza de uma coisa: não sabia que diabos fazer. Se eu contasse para os meus pais, provavelmente acabaria passando o resto das minhas férias em uma clínica psiquiátrica. Minha coragem não era grande o suficiente para investigar o assunto, mas era a única alternativa que estava ao meu alcance.

Estava perdida em pensamentos, quando ouço minha mãe avisando da cozinha que o jantar estava pronto. Fui até o banheiro e abri o armário de medicamentos que também servia de espelho. Peguei um comprimido de Paracetamol e enfiei goela abaixo, sem nem me dar ao trabalho de tomar água. Ao fechar o armário, me deparei com a coisa mais grotesca que já havia visto na vida: um ser sem a camada superficial de pele, deformado e sem lábios, o que lhe conferia um sorriso terrível. Naquele momento, senti meu coração disparar a mil. Mas que diabos estava acontecendo comigo?! Corri para fora do banheiro e, em meio ao meu desespero, acabei esbarrando em algo. Só depois de alguns minutos percebi que se tratava da minha mãe.

– O que aconteceu? Você está abatida. – perguntou ela, colocando a mão na minha testa.

Não consegui responder, apenas permaneci ali, ofegante e trêmula. Procurei minha poltrona e sentei-me lentamente, ainda em estado de choque.

– Hay? Fala comigo filha.

Antes que minha mãe tivesse um troço também, me forcei a respondê-la, ainda que balbuciando as palavras.

– N-não sei, não sei. Havia algo, havia uma coisa no meu banheiro. É sério, você precisa acreditar em mim! Havia algo ali, algo terrível!

Foi só depois de calar a boca que percebi o quão estúpido aquilo soara. Fitei os olhos da minha mãe e me surpreendi; ela não estava com aquele ar incrédulo que eu esperava, mas sim, parecia tão assustada quanto eu. Depois de algum tempo calada e pensativa, acariciou meus cabelos levemente e se dirigiu para a porta.

– Venha jantar, estamos todos lhe esperando.

Notas finais
Não esqueça de deixar um review, a escritora agradece! :)