Acidentes do Destino
9 Espreitando o Desconhecido
Luísa ouvia os contos animados de Dohko e Shiryu, eles eram espectaculares, ficava cada vez mais encantada com o sentimento “pai e filho” que eles tinham, mesmo os dois aparentando quase a mesma idade. Ficou sabendo um pouquinho mais de Rozan, do treinamento do Cavaleiro de Dragão e ficou mais feliz em saber que Shunrei era de verdade namorada dele. Mais carnes deliciosas estavam sendo servidas o que fez o paladar da gaúcha pedir por um belo de um chimarrão.
— Calisto, me ajuda a preparar um chima? — chamou a canceriana que estava próxima conversando com Hyoga e Camus.
— Opa, mas eu quero um tereré, tá calor pra burro!
As duas deram as mãos e foram até a cozinha, o que não passou despercebido por um certo loiro que não deixava de acompanhar cada passo das garotas, se levantou e calmamente foi atrás das duas.
— Segura aí a erva Cali, vou pegar a cuia que eu guardei hoje aqui no armário, nossa o Deba tem tantos apetrechos de cozinha. Humm. cadê, cadê…. o Deba é um fofo, não é mesmo?
A canceriana estava imóvel olhando para o Cavaleiro apoiado com a lateral do corpo na batente da porta.
— Oi Milo! — Calisto disse sem graça. Ao ouvir o nome do escorpiano, Luisa quase deixou cair todos os potes do armário tamanha foi sua afobação. — Luísa acho que o Camus tá me chamando, senhor Milo, você pode segurar essas coisas aqui, por favor? Ela vai te ensinar a fazer chimarrão. Tchau Lu, divirtam-se!
A gaúcha arregalou seus olhos azuis, mal acreditando que a amiga tinha saído e a deixado sozinha com o grego. Já começava a sentir suas mãos tremerem e o rosto esquentar, maldita timidez!
O escorpiano por sua vez achou ótima a ideia, porque assim poderia saber o motivo da reação diferente dela quando estava com ele, já que com os demais ela era descontraída. — Até mais Calisto, mas por favor só Milo! — a canceriana olhou para trás e devolveu uma piscadinha, o loiro sorriu e se voltou para Luísa se aproximando, ele se apoiou no armário em que ela estava, percebendo ela se encolher um pouco.
— Oi — desviou a atenção brevemente para o pacote em suas mãos — O que é isso?
Luisa olhou o pacote, depois para Milo, depois para o pacote de novo e por fim voltou-se para o grego e dessa vez sustentou o olhar no dele.
— É...é erva para fazer chimarrão. — Virou-se de costas para ele e colocou a chaleira com a água para esquentar e também para tentar esconder o rubor que estava, depois foi até a pia onde lavou a cuia.
— E o que seria chimarrão? — ainda olhando o pacote como se fosse de outro planeta.
— É uma bebida típica do sul do Brasil. — Riu e balançou levemente a cabeça — Quem diria que existiam várias dimensões e que elas eram muito parecidas, não é?
Milo a observava com um semblante sério, atento a todas as reações da castanha. Apesar dela ainda estar corada percebia que ela estava começando a ficar mais solta, tentaria descobrir o porquê dela ter optado ficar em touro e não em escorpião.
— Sim, isso é intrigante! — respondeu por fim a pergunta — E mais ainda por você conseguir encontrar essas coisas por aqui.
— Pior que é mesmo! — ela voltou a fitá-lo com um largo sorriso e uma empolgação na voz — Jamais imaginei também que existiria uma loja especializada em vender produtos do Brasil aqui. Se bem que…. — levou os dedos ao queixo e fitou o teto — Até uns dias atrás, jamais pensei que muitas coisas não existissem, quando penso que nada mais me surpreende, vem o destino e pah….mostra que estou errada — voltou a rir, assim que a chaleira chiou, anunciando que a água já estava no ponto, Luísa deu um pulinho de susto, colocando a mão no peito, ficou envergonhada com sua reação e com a falta da mesma do escorpiano, logo ela se
virou se sentindo mais boba, foi até o fogão para desligar a boca, pegou a chaleira e despejou a água na térmica, tudo de forma automática para ele não perceber seu constrangimento.
A castanha sentia que todos seus movimentos eram seguidos por Milo, de certo modo, sentia como se fosse um escorpião espreitando sua presa.
— Então você é escorpiana como eu? — Perguntou parando atrás dela, Luisa ao sentir o hálito quente dele contra seu pescoço sentiu todos seus pelos arrepiarem e o coração acelerar. Por que ele tinha que ficar tão perto assim?
— S-sou sim! — Respondeu, fechou os olhos tentando controlar a respiração que já começava a acelerar, depois de alguns instantes assim, virou-se para ele e o encarou, mesmo sentindo as pernas bambas por estarem tão próximos. — Por quê?
— Então por que não escolheu ficar em escorpião? — o dourado gostava de ser assim, direto.
Luisa arregalou os olhos, não esperava por essa pergunta, como explicaria para ele os motivos sem parecer uma adolescente apaixonada?
— B-bom eu não me identifico contigo — tão logo as palavras saíram de sua boca arrependeu-se, é claro que ele não acreditaria nessa mentira deslavada. “Nem para mentir tu serve Luisa?”, recriminou-se em pensamento.
O dourado riu internamente com a resposta, estreitando os olhos aproximou-se mais dela e levou uma das mãos até o rosto de Luisa afastando a franja que caía sobre os olhos dela — É difícil dois escorpianos não se identificarem, não é? — Milo ficou esperando uma resposta e ficou admirando os olhos azuis tão claros dela, não tinha reparado como eram lindos e misteriosos, acabou se perdendo. Ficaram assim enfeitiçados um no outro por um tempo que não saberiam precisar, até que a escorpiana lembrou-se da pergunta, se desvencilhando do toque, virou de costas para ele, pegou seu chimarrão se retirando da cozinha quando parou e o olhou por cima do ombro — Deve ser porque meu ascendente é capricórnio — riu marota e seguiu seu caminho, porém, mal deu dois passos e o ágil Cavaleiro se colocou na frente, impedindo que passasse.
— Não precisa fugir de mim! Eu não mordo. — Foi se aproximando novamente enquanto ela dava alguns passos para trás, até que Luísa subitamente parou e ele fez o mesmo intrigado.
— Eu sei que não. Não tenho medo de ti! — ela deu um passo à frente e ele ficou imóvel, ergueu o rosto encarando novamente Milo — Pode me dar licença , por favor?
Ele se afastou vendo-a sair e deixando-o perdido em seus pensamentos, principalmente com as últimas palavras que ela havia proferido, fora que a desculpa do ascendente não colou, o que seria então?
x.x.x.x.x
Calisto quase se arrependeu por ter deixado Luísa sozinha com Milo, quase… Mas ela precisava de empurrãozinho, não é mesmo? A canceriana se divertia pensando no nervosismo da amiga e nas besteiras que ela poderia falar, estava tão distraída que nem percebeu quando passou ao lado de alguém que segurou forte em seu braço, sem deixar ela prosseguir.
— Hey, me solta! Que isso? — tentou soltar o braço sem êxito. — Quem é você?
Saindo das sombras que estava, o homem alto e de olhos tão cristalinos quanto um cubo de gelo a encarava com um sorriso sádico.
— Ora, ora se não é a mal educadinha que passou pela minha casa sem minha permissão.
A castanha começou a tremer diante do olhar cortante do temido Cavaleiro de Câncer e sem pensar direito levou a outra mão ao pescoço, onde queria que ele ficasse ali por muitos e muitos anos. Voltou o olhar para ele, sentia que sua pressão estava caindo. “Agora não, agora não, não posso desmaiar nos braços dele!”, respirou fundo tentando se controlar.
— Me desculpe...senhor, eu...eu não queria ter sido mal educada, eu somente não te vi.
Máscara da Morte pressionou ainda com mais força seu braço, se aproximando perigosamente de seu rosto, enquanto que Calisto jogava seu corpo para trás tentando se afastar.
— Não importa, se eu estou ou se não estou, para passar tem que pedir permissão! Estamos entendidos?
— Si..sim. — Calisto estava com vontade de chorar. Nunca tinha sido tão intimidada na vida por ninguém, mordeu os lábios tentando controlar suas lágrimas, além do mais seu braço estava doendo e muito!
— Mon cher? Está tudo bem? — Camus entrou no corredor para usar o lavabo quando se deparou com a cena um pouco estranha entre os cancerianos.
O canceriano deu uma risadinha anasalada soltando o braço de Calisto que saiu correndo desviando até de Camus, querendo sumir.
— O que falou para ela, Máscara da Morte? — o aquariano perguntou com o cenho franzido e preocupado. — Por que ela saiu correndo assim?
— Só coloquei ela no devido lugar, como vocês deveriam fazer. — O canceriano se aproximou do mago do gelo, se impondo — Ainda não sabemos NADA sobre elas, e vocês estão abrindo suas casas! Tomara que ninguém se arrependa no final! — Saiu dando um empurrão com o ombro no do aquariano fazendo ele dar um passo para trás.
x.x.x.x.x
Koga percebeu quando Calisto saiu em disparada segurando o braço para fora da Casa de Touro, estranhou pois a amiga era tão alegre sempre, e parecia estar com cara de choro. O que será que tinha acontecido?
— Por que não vai conversar com ela? — Shaka disse sem ela dizer um piu.
— É melhor eu ir mesmo. — Koga concordou se levantando e indo atrás, passou pelas pessoas fingindo que nada estava acontecendo, sorrindo de volta para quem olhava pra ela, até conseguir sair e descer as escadarias. Calisto estava logo à frente, quase na casa de Áries.
— Amiga? Tá tudo bem? — a virginiana sentou ao lado de Calisto, que passava a mão no rosto para esconder as lágrimas.
— Não, não está… — falou chorosa — O Máscara da Morte é um grosso, falou um monte pra mim e me machucou. — Levantou a manga da camiseta mostrando o vergão roxo com as marcas de dedo.
Koga arregalou as orbes violetas, assustada. — Mas você falou alguma coisa para ele?
— Eu passei pela casa dele sem permissão mais cedo, assim que deixei você em gêmeos. Eu fiquei tão assustada Koga, você sabe que eu tenho medo das cabeças e acho que dele também, que quando percebi já estava correndo para fora de lá, e aí ele me disse que estava lá, que eu tinha violado as regras, que eu era mal educada… ele é um ogro Koga. — Calisto abraçou a amiga, sentida. — Ele é tudo que a gente leu, ele é um sádico, desalmado, violento! — A castanha encarou novamente os olhos da amiga em súplica — Promete que nunca vai me deixar sozinha com ele?
— Claro Cali. — afagou os cabelos da canceriana — Não se preocupe. — abraçou ela mais forte. — Agora vamos amiga, enxuga as lágrimas. Estamos realizando um sonho, estamos em Saint Seiya! Vai, quero um sorriso. — Calisto, meio sem vontade sorriu e as duas voltaram para a festa.
x.x.x.x.x
Koga ficou feliz que logo que subiram, Seiya puxou Calisto para cantar, assim ela se distrairia daquele mal infortúnio do Máscara da Morte. Protetora como era, Koga mastigava vários xingamentos e não tirou os olhos do Cavaleiro de Câncer que ficou num canto, fumando e bebendo sei lá o que sem tirar os olhos de Calisto. Deu graças que a amiga era tão distraída que nem estava percebendo, mas se ele tentasse qualquer coisa mandaria Shaka dar um jeito!
— Tá gostando da festa? — Kanon falou no cangote da virginiana, tirando vários arrepios. Respirando fundo, Koga se vira para o loiro com a cara fechada, mais para disfarçar o que ele causava nela, do que por estar irritada.
— Você não pode chegar como uma pessoa normal e me perguntar isso de frente? Tem que ficar falando assim, tão perto do meu pescoço?
— Na verdade até poderia, mas não teria tanta graça. Nem pra mim... — Kanon passa a ponta do dedo indicador pelo braço arrepiado de Koga. — e muito menos pra você. — conclui com um sorriso torto.
A virginiana acompanha o percurso do dedo dele com os olhos violetas, sem forças para reagir, hipnotizada pelo tom rouco e baixo da voz de Kanon. Então ela faz o que brigava internamente para não fazer, pois sabia que estaria perdida se fizesse isso, mas foi incontrolável. O encarou nos olhos verdes e sua boca secou imediatamente.
Para Kanon também não foi diferente. Era a primeira vez desde o dia em que a morena pousou sobre ele, que olhava diretamente nos olhos violetas tão de perto. Logo olhou para a boca dela e foi se aproximando, quase a tocando... Foi quando um leve alarido os tirou do transe. Athena acabava de chegar junto de Aiolia e Marin, e automaticamente, tanto o geminiano quanto a virginiana deram um saltinho para trás. Ela assustada com a própria atitude em público, e ele frustrado justamente por estarem em público.
— A-acho que está acabando a maionese da mesa. Vou... vou repor. — Koga falou nervosa e correu para a cozinha, deixando o loiro para trás olhando a travessa cheia de maionese na mesa.
x.x.x.x.x
Marin, Aiolia e Saori chegaram bem depois dos demais, os dois primeiros foram se juntar com os amigos logo após pedir licença para a deusa, já Saori foi até onde estavam Luisa e Aldebaran conversando com Mu.
— Athena, achávamos que não viria mais. O que a senhorita prefere comer? — O taurino disse já cortando alguns pedaços de carne.
— Desculpem a demora, mas não deixaria de participar desse churrasco ainda mais sendo para minhas convidadas. — Sorriu ternamente — Hmmm, eu quero salada e carne. — Pegou um prato e serviu alguns pedaços que o taurino cortava.
— Athena?! — Mu chamou assim que Luisa foi para perto de Koga assistir o show de Calisto e Seiya — Conseguiu descobrir alguma coisa sobre as meninas?
— Mu...- soltou o prato e virou para o ariano — Já falei que não há necessidade de se preocupar tanto assim, elas não representam perigo algum. — o ariano ainda estava desconfiado, ficou ainda mais sério com tranquilidade da deusa.
— Minha preocupação não é essa, mas sim em como elas nos conhecem tão bem!
Saori voltou a sorrir passando a mão de leve no braço do ariano o confortando — Isso tudo será explicado aos poucos, não adianta pressioná-las — Mu encarou os olhos verdes da deusa e suspirou profundamente relaxando o corpo.
— É verdade saberemos em breve — ele respondeu resignado.
Athena voltou a pegar o prato se sentando numa mesinha próxima a varanda para acompanhar o show, estava feliz por estar proporcionando aos seus defensores uma vida tranquila.
x.x.x.x.x
— Hmmmm...tava só te observando dona Koga — Luisa disse assim que se aproximou da amiga — Kanon tá te cercando, hein!? Acho que ele tá apaixonado.
— Apaixonado?! Deixa de bobagem Lu — Revirou os olhos, sorrindo com a brincadeira da amiga — E não é só o Kanon que tá cercando, pensa que não vi você e o Milo conversando? — Agora foi a vez dela rir com o jeito desconcertado de Luisa. — O que ele queria?
— O que todos estão fazendo, me sondar.
— Falando nisso — A virginiana agora estava com um semblante sério. — O Mask maltratou a Calisto agora a pouco.
a escorpiana arregalou os olhos e levou uma das mãos em frente a boca, virou para olhar Calisto, sabia que ela estava disfarçando muito bem. — O que ele fez com ela? — falou baixo sem tirar os olhos da canceriana.
— Parece que mais cedo, quando estávamos voltando para nossas casas, ela passou por Câncer e não pediu permissão para atravessar, ele veio pedir satisfações e acabou machucando o braço dela, ela falou que ele foi extremamente grosseiro.
A escorpiana agora fechou o cenho em indignação. — Mas isso é um absurdo!!!! Tudo bem que desconfiem da gente, mas isso já é demais, não pedimos para vir para cá! — Cruzou os braços encarando o Cavaleiro de Câncer com ódio — Temos que falar para Saori!
— Temos que ver primeiro com Calisto, Lu, não sabemos se ela quer se expor.
— Mas...mas! Ela tem que fazer alguma coisa, não pode deixar por isso mesmo!
— Aconteceu algo meninas? — Shun perguntou ao notar a cara preocupada das duas, elas se olharam sem saber o que fazer, Luísa sentia sua língua formigar de vontade de falar impropérios sobre o Cavaleiro de Câncer enquanto Koga disfarçadamente pedia calma a amiga.
— Meninas! Dei uma pausa da cantoria! Está gostando Shun? Não sabia que Seiya tocava tão bem violão, uauuu! — Calisto dizia animada, percebeu a cara estranha das amigas, voltou a ficar séria — O que houve garotas?
A castanha bufou fazendo com que Calisto e Koga se entreolhassem porque conheciam a amiga, pra ela fazer isso é porque estava prestes a soltar fogo pelas ventas. Luisa era do tipo divertida, estava sempre pronta para fazer os outros rir e por vezes parecia uma hiena porque ria da mínima bobagem que conversavam, pode-se dizer que ela é uma pessoa calma, mas quando fica brava torna-se explosiva. A escorpiana para não disparar tudo para Shun saiu dali pisando duro.
— O que deu nela? — O virginiano perguntou estranhando a reação da castanha
— Ah, ela deve ter se estressado com algo — Calisto respondeu já imaginando o motivo, olhou por trás de Shun e Koga avistou o Cavaleiro de Câncer a encarando, ela se arrepiou toda até o corpo chacoalhar, tinha pavor daquele homem!
— Cali? — Koga interrompeu os pensamentos da canceriana. — O Shun acabou de dizer que o Aldebaran serviu a sobremesa, vamos?
— Sim, vamos…. vamos sair o mais rápido daqui! — Calisto pegou na mão dos dois e puxou pra dentro da casa, sentia o peso do olhar do canceriano nas suas costas.
— Nossa, mas tudo isso é vontade de comer doce? — Shun diz se divertindo por ser arrastado pela canceriana.
Aldebaran e Luísa capricharam nas sobremesas, ela até fez uma bandeja de brigadeiros, doce que a virginiana mais gostava, simples, delicioso e puro...
— Hummmm eu adoro chocolate — Kanon novamente espreita a virginiana
— Ah, minha Nossa Senhora da Concórdia e Perpétuo Socorro! Você não cansa não? — Koga se vira para encarar os olhos verdes de Kanon que riu da reação dela.
— O que eu fiz? Eu nem cheguei perto do seu pescoço dessa vez. — Kanon passou um braço pela cintura de Koga e a puxou para o lado, abrindo espaço para chegar na bandeja do doce, mas não a soltou.
A negra sentia o calor que emanava do corpo forte e seu coração parecia bater na garganta. Seguia os movimentos dele que levava um brigadeiro à boca e mastigava lentamente, com os olhos fechados, se deliciando. Sabia que ele a estava provocando deliberadamente mas não encontrava forças para resistir.
— K-Kanon. — o chamado saiu como um sussurro trêmulo, e o geminiano a olhou com um brilho diferente nas orbes verdes.
— Hum?
— Você... — ela pigarreou e se remexeu tentando se afastar, mas a mão que a segurava se manteve firme no lugar. — P-pode me soltar?
— Posso. — respondeu, mas não se moveu.
— Então me solte. Eu preciso...
— O que? Pegar mais brigadeiros na cozinha? Mas a bandeja está cheia, como pode ver. Ou fugir dos olhos dos outros? Mas também não tem ninguém por aqui, agora. — Koga olhou para os lados onde até alguns segundos atrás estavam Calisto e Shun.
— Aqueles dois... — resmungou.
— Eu não vou deixar você fugir de mim agora. — Kanon a virou de frente e aproximou o rosto do dela, perigosamente.
Os olhos violetas de Koga se arregalaram com o movimento rápido do Marina e um "Uff" escapou quando sentiu-se esmagada pelo peito forte.
— O-o que você est... — a boca de Kanon cobriu a dela, a impedindo de continuar falando e a surpreendendo. À princípio, Koga se manteve estática, mas logo as mãos espalmadas no peito do geminiano subiram pelos ombros musculosos e se entrelaçaram no pescoço, por baixo dos fios dourados dos cabelos dele.
Ao sentir seu beijo ser correspondido pela bela cacheada, Kanon a estreita mais em seus braços e aprofunda o ósculo, explorando a boca cálida enquanto percorria as costas dela com uma das mãos e com a outra, acariciava a pele de ébano do rosto macio.
— Hummm... acabo de declarar chocolate o meu doce favorito! — falou rouco o geminiano com a testa colada na dela, observando os grandes olhos violetas que se abriam lentamente.
— O meu também... — Koga falou, suspirando.
— Gostaria muito de provar também. Posso?
Num sobressalto, os dois olham para a direção da voz de Shura. O espanhol tinha um sorriso no canto dos lábios quando caminhava se aproximando da mesa de sobremesa e pegando um brigadeiro.
Kanon, instintivamente, ficou à frente de Koga enquanto Shura, depois de degustar o doce, olhou seriamente para ele. "Parabéns cabrón! Nem tive tempo de lutar mas está claro que ela está na sua!" — Falou através do cosmo, e com um sorriso franco, acenou para Koga que não compreendeu nada do que se passava entre os cavaleiros...
x.x.x.x.x
Luisa estava encostada numa das pilastras em frente a Casa de Touro, quando ficava irritada preferia se afastar para não descontar sua raiva em quem não devia. Ela olhava para cima, em direção a grande lua cheia, estava perdida em seus pensamentos que não notou a aproximação de Milo que havia ido atrás dela por ter percebido quando ela saiu irritada. Isso o intrigou e muito.
— O que aconteceu? — Ele falou, fazendo com que ela desse um pulinho com o susto que tomou.
— Aiii, que coisa! — Virou para ele e tornou a fechar o semblante — Tu tem que parar de ficar aparecendo do nada, quase me mata de susto. O que quer? — Falou mais ríspida do que gostaria
— Ei, calminha ai! — Milo levantou as duas mãos para o alto na defensiva — Respira bonequinha.
Luisa arregalou os olhos e num rompante de ciúmes se lembrou que era dessa forma que Milo chamava carinhosamente Suzana na fic de Koga, não conseguia mais controlar seus pensamentos mesmo sabendo que era uma bobagem “Aquela lobinha metida a deusa, sem sal, lambisgóia, songamonga”, quanto mais lembrava e xingava a dita cuja mais fechava a cara. — Não me chame de bonequinha!!! Nem te conheço direito, não te dou essa intimidade. — Voltou a encostar na pilastra, cruzou os braços e fez um bico infantil.
Milo ria internamente com o semblante irritado e infantil de Luisa, no fim das contas não eram tão diferentes assim.
— Por quê? Você parece uma bonequinha! — Milo falava se divertindo do rosto que já mudava de cor.
— Não me chame de bonequinha! — Luísa bateu o pé no chão, estava vermelha de nervoso e raiva, como esses apelidinhos bregas são irritantes!
— Bonequinha, bonequinha, bonequi….
A escorpiana bufou e novamente saiu pisando duro em direção ao seu quarto, pedia paciência para todos os deuses ao mesmo tempo que xingava Milo, Suzana, Koga e sabe-se lá mais quem de todas as formas possíveis e imagináveis.
x.x.x.x.x
A noite já ia alta quando o pessoal começou a se despedir. Luisa que após um tempo no quarto voltou à festa mais calma, agora se despedia das amigas na sala enquanto aguardavam Camus e Shaka.
— Amanhã precisamos conversar direito sobre o que aconteceu hoje! — a escorpiana falou baixinho para as amigas.
— Concordo com a Lu, não podemos deixar isso passar batido — a virginiana quem falou agora
Não conseguiram conversar mais porque nesse momento Máscara da Morte parou perto delas e lançou um olhar mortal para Calisto que fez com que tremessem, ele só não se demorou porque Aldebaran chegou fazendo com que o canceriano saísse. O brasileiro percebeu o mal estar e tensão.
— Aconteceu alguma coisa meninas? — perguntou, sério
Luisa baixou o olhar, Calisto e Koga se entreolharam. Não sabiam o que responder.
— N-não Aldebaran — Calisto respondeu — É que temos medo dele pelo que ele fez e pelas cabeças na Casa de Câncer — Deu um sorriso tentando disfarçar o real motivo.
O taurino arqueou a sobrancelha, não acreditou muito nas palavras dela, sabia que tinha mais além disso, mas resolveu não falar nada. Tentaria sondar e descobrir o verdadeiro motivo. Logo Camus e Shaka surgiram e Luisa e Aldebaran os acompanharam até a saída do Templo Zodiacal.
— Obrigada Debas pelo churrasco, foi tudo magnífico! — A castanha agradeceu e abraçou o dourado. — Agora acho que vou descansar, está tarde!
— Não precisa agradecer pequena, nós nos divertimos também. E sim, vamos descansar. Dorme bem e boa noite. — Falou e entrou em seu quarto
Luisa entrou no seu, separou o pijama e foi tomar um banho, precisava relaxar, eram muitos acontecimentos em pouco tempo. Foi para o banheiro, tirou a roupa e deixou que a água quente caísse sobre seu corpo. Fechou os olhos e ficou pensando em tudo o que conversou com Milo, e agora que a poeira tinha baixado sentiu-se ridícula por sua reação mais cedo, agora tinha certeza que ele a chamaria de bonequinha sempre.
Continua...
Fale com o autor