Acidentes do Destino

10 Barugo no Shaka, o santo trollador


“Om Mani Padme Hum;

Om Mani Padme Hum;

Om Mani Padme Hum”



O mantra Om Mani Padme Hum, é conhecido por ser um dos mantras mais eficazes da meditação matinal, que pode levar o praticante de um estado impuro para puro. E seria com este mantra que Koga acordaria todas as manhãs. Era impressionante como Shaka conseguia reverberar aquele som por todo o seu templo e principalmente dentro do cérebro da virginiana.

— Mas esse homem não sabe o que é dormir?….. Que horas são? — Com muita dificuldade Koga abre os olhos preguiçosos sentindo o gosto de guarda-chuva usado na boca, pegou seu relógio de pulso na mesinha de cabeceira. — Ahhhh fala sério Shaka de Virgem são quinze para as seis! Isso já é demais!

Infelizmente por acordar a vida inteira de madrugada, Koga não conseguiria voltar a dormir, mesmo sendo um domingo, se levantou para fazer sua higiene matinal e se trocar, queria tomar um café preto e de preferência expresso, mas esta última vontade sabia ser impossível, pois o dono da casa não era adepto a modernidades.

Chegou na cozinha já abrindo a geladeira, Koga não era chata pra comer, muito pelo contrário, sabia apreciar toda a pirâmide alimentar mas, mas, mas….. o que esse homem era? Um ruminante?

— Bom dia minha flor de Lótus. — a virginiana se virou e Shaka, meu Deus, como esse homem era….impressionante! Estava de Sari laranja com boa parte do seu peitoral a mostra, era sentido a aura maravilhosa que ele emanava, mesmo Koga não sendo amazona, nem nada, sentia em todas as suas células uma paz que poderia ser palpável.

Já Shaka conseguia sentir todo o ranço matinal de sua hóspede, algo não estava bem na aura daquela garota. — O que aconteceu Koga, há algo de errado?

— Bom dia Shaka. — alguns segundos se passaram assim, sem ela abrir a boca ou se mexer, o dourado aguardava alguma ação de sua hóspede pacientemente com seus olhos fechados, ergueu uma sobrancelha, quem sabe ela se motivava a fazer alguma coisa, ele abriu a boca para proferir algo, mas. — Shakaaaaaaaaa, não tem nada pra comeeeer? — Uma sentença manhosa de Koga que fez escapulir uma risada do homem mais próximo de Deus.

Ele sorrindo para ela, desviou de seu corpo para abrir a geladeira e pegar algumas coisas que estavam prontas. — Venha menina, vamos comer. — Koga apenas seguiu com os olhos e o corpo murcho sendo arrastado até a mesa da copa.

Shaka pegou uma cumbuca, duas xícaras e pratos, todos eles com belos motivos indianos, tudo muito lindo! Entregou para Koga uma toalha de mesa vinho cheia de arabescos dourados, o virginiano não era adepto a luxos, mas o pouco que ele tinha era de muito bom gosto, tudo tão maravilhoso para servir….aquela pouca comida, ele queria o quê? Que ela virasse um faquir?

— O que é isso? — Koga apontou alguns bolinhos que Shaka tirou de uma vasilha junto com um pão mais fino que folha de papel, o loiro sem dizer nada voltou para a cozinha e trouxe uma jarra de água com bastante gelo dentro. — Nossa você tá com sede, hein? — O virginiano apenas lhe sorriu em resposta.

— Isso é Vada. — colocou o bolinho no prato dela, serviu um pouco de arroz na cumbuca e tirou do montinho uma folha de pão. — Esse pão se chama Chapati, tenho certeza que irá gostar!

Shaka com aquele jeito sereno e acolhedor tirou um pouquinho do mal humor de Koga, claro que ela queria mais era comer um bom pão francês com queijo e presunto na chapa, uma fatia boa de bolo de fubá e aquele cafezinho fervendo mas, estava naquele lugar, tinha que aproveitar, manter a mente aberta. Então abriu a boca e colocou o bolinho que era menor que a palma da sua mão inteirinho dentro da boca, o que ela não esperava era que aquele singelo bolinho era uma mistura de batata, lentilha completamente condimentado com pimenta malagueta, pimenta do reino e uma porção boa de gengibre, a virginiana mastigava sentindo todas, e quando digo TODAS as suas papilas gustativas, sua tez negra ficou terrivelmente avermelhada, da sua testa escorria uma boa parte de suor, sorrindo de boca cheia pegou a jarra d'água inteira para si e sem cerimônia tomou o líquido dela mesma.

Aquele Cavaleiro de Virgem filho da mãe, que era o mais próximo de Satanás trollou a sua hóspede do jeito mais maldoso, inconcebível, dissimulado como só ele conseguiria ser.

— SHAKAAAAAAA!!!! — Koga mal conseguia falar, pois não sabia se xingava ou se continuava dando goles gigantescos naquele jarro de água

— Minha flor de lótus, nunca menospreze a comida do seu prato, há tantas almas famintas nesse mundo que dariam a vida só para comer um pedacinho de Vada.

Continuou olhando Koga impassível com seu sorriso pleno e sereno, enquanto Koga mentalizava o mantra que acabara de aprender para não sair esganado o Cavaleiro de Virgem.

“Om Mani Padme Hum”

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Calisto acordou devido a claridade que entrava pela janela, ficou feliz de não ser despertada pelo alarme do celular, dava até gastura só de lembrar que precisaria sair correndo para algum estúdio de gravação ou para a editora que trabalhava free-lancer, nada como a sua cama e o seu travesseiro num domingo de manhã!

Respirou fundo, a fronha de seu travesseiro, estava tão cheirosa, não lembrava de ter trocado o amaciante mas com certeza iria comprar aquele para sempre, abriu os olhos castanho devagar, a vista ainda estava turva e sem seus óculos nada ajudava, ainda bem que seu quarto era pequeno e sabia andar nele de olhos fechados, então se levantou e foi até o banheiro dando de cara com a …… parede?

Num rompante a canceriana abriu os olhos e girou em torno de si, não reconhecendo nada a sua volta, sentiu um gelo na barriga tendo certeza por alguns segundos que tinha sido sequestrada, e admirando o bom gosto na decoração do quarto do seu sequestrador…. Camus?

Sentiu o corpo relaxar e a alegria inundar sua alma, os breves minutos de confusão e pânico foram recompensados pela felicidade de estar dormindo no quarto de hóspedes de ninguém menos que:

— Camus de Aquário, ahhhhh Mon petit! — A canceriana ergueu os braços e desceu rapidamente fazendo um yes, sua higiene matinal foi feita às pressas, abriu a porta e saiu correndo para sala.

Lá já estava sentado o aquariano de robe felpudo, usava um óculos de leitura, virou devagar as páginas de um jornal, estava se atualizando das notícias atenienses.

— Bon jour mon cher? Dormiu bem?

“me belisca, me belisca, me belisca, mon cheeeeeeer?!?!”

— Dormi sim, senhor Camus!

— Coloquei a mesa para nós lá fora, se não se importar? E por favor, me chame só de Camus.

— Claro senh.. quer dizer Camus, vou adorar!

A Casa de Aquário como as outras provia de uma grande varanda que saia da sala principal, a vista para o mar era incrível e Camus adorava fazer seu desjejum lá.

A castanha se sentou achando tudo muito lindo, já tinha café e leite na mesa, ela sem cerimônias logo se serviu do café preto e puro como gostava, estava muito quente então ao dar o primeiro gole teve que quebrar o processo para assoprar.

— Bon Jour mon petit! Essa é nossa nova hóspede? Bom dia!

Calisto ao escutar aquela voz, teve que segurar o anel da xícara de porcelana mais forte, covardemente ficou olhando para mesa sem erguer o olhar, aquela que servia deliciosos croissants em uma cestinha de palha esperava a sua resposta, a castanha fechou os olhos que começavam a marejar, pois era muita emoção juntos num coração só, assim que os abriu, olhou para cima reconhecendo aquela que fazia parte de todas as suas histórias, que tinha um carinho especial, era a linda greco-francesa Marie.

— Marie? É mesmo você? — Calisto já foi se levantando e arrumando a postura para ficar diante da ariana que praticamente criou o cavaleiro francês. — Eu não sabia que você existia mesmo.

Marie era uma mulher de postura altiva mesmo tendo o corpo esbelto de uma francesa, já tinha mais de cinquenta e poucos anos, tinha cabelos castanhos e olhos cor de mel, ficou sem entender a pergunta da moça.

— Sou eu querida, sou Marie, serva da Casa de Aquar…

Sem terminar a frase Calisto abraçou a serva de Camus com todo o seu amor, Marie olhou um pouco transtornada para o Cavaleiro de Aquário que segurou a risada, ele também não estava entendendo nada, mas naquela altura do campeonato, quem estava? Camus ficou achando curiosa aquela cena, mais curioso ficou, ao ver os vergões roxos em formatos de dedos que saía por baixo da manga do vestido de Calisto.

— Mon cher? — o aquariano interrompeu aquele momento de emoção da canceriana que sorria boba admirando Marie.- O que são essas marcas no seu braço?

Marie do jeito que era protetora virou Calisto para enxergar melhor os roxos.

— Mas o que é isso menina? Quem fez isso com você? Camus? — Olhou para o aquariano quase o fuzilando com olhar, como ele deixou uma visita ser maltratada daquela forma? Nem parece que foi criado por ela! — Vou buscar uma pomada!

Calisto olhou para Camus envergonhada. Não tinha percebido que as marcas estavam aparecendo, não queria dizer nada. Iria deixar aquela confusão com o Cavaleiro de Câncer por aquilo mesmo, mesmo porque, pensava que a errada era ela mesma por ter passado sem permissão.

— Foi Mascara da Morte aquela hora que nos encontramos no corredor, non é verdade mon cher? — Era óbvio que Camus já sabia, mas queria ouvir da boca dela. A canceriana nada disse e se sentou na cadeira para Marie passar a pomada.

— Querida, precisa nos dizer quem fez isso com você, olhe está quase preta a sua pele, pobrezinha. — Calisto baixou os olhos e assentiu para Camus.

— Oras, aquele crustáceo covarde, ele vai ver só! — Calisto ainda não tinha visto Camus nervoso, sentiu na pele a temperatura a sua volta cair muito e seus pelos eriçarem pelo frio. Os olhos vermelhos chegaram a brilhar, ela segurou as mãos de Camus para se acalmar.

— Camus, por favor, deixa para lá. Nem está doendo mais... Aaaiiiiiiiiiiiiiiii! — Marie apertou o roxo de propósito no final da frase da canceriana, fazendo o aquariano ficar mais enfurecido com o Cavaleiro da quarta casa.

— Non se preocupe con nada mon cher, con nada….. vamos tomar o café da manhã.

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Diferente das meninas, Luísa acordou cedo por si só, mesmo porque o aroma de café que saía da cozinha estava maravilhoso! Ela e Aldebaran tomaram um delicioso desjejum e logo foram juntos até a arena a convite do taurino.

O taurino deixou sua hóspede sentada nas arquibancadas bem de frente a uma pequena estação de aparelhos de musculação, que naquele momento estava sendo usada pelas amazonas.

Luísa ficou encantada com a força de vontade das três mulheres, até cansou só de observar, elas eram lindas e assim que perceberam sua espectadora deram tchauzinho para a escorpiana que respondeu da mesma forma, sorrindo para as três.

Não demorou muito para outros Cavaleiros chegarem, até Algol lhe acenou de longe, até que ele era simpático.

— Bom dia Lu! — Shun apareceu subindo as escadas laterais da arquibancada com uma toalha branca apoiada no ombro tomando água de uma garrafinha.

— Bom dia Shun! Nossa, vocês não dormem em serviço, mal acordam e já vão se exercitar, parabéns! Bom dia Ikki, Shiryu! — Os bronzeados foram chegando e se sentando em volta de Luísa que estava amando ter a companhia de seus heróis logo de manhã, logo Aldebaran também veio se juntar e a convidou para uma rodada de exercícios.

— Ahm, acho que não Deba, nem estou com roupa apropriada, e….bem, nem gosto de fazer exercícios mesmo sabendo que faz muito……..bem……..a……..saúde. — Milo havia chegado na arena com o corpo encharcado de suor, os cabelos presos num coque desleixado deixavam os escorpiano ainda mais sexy, Luísa quase teve uma parada cardíaca com ele jogando água atrás da nuca para se refrescar. — …..e que saúde, meu Deus! A escorpiana foi abrindo, abrindo, abrindo a boca cada vez mais, a tonalidade do rosto foi do alvo ao vermelho intenso rapidamente que alguns chegaram a se perguntar se ela havia usado a velocidade da luz.

— Gente, alguém pega um babador pra moça! Ahahahahahah — Seiya tirava com a cara da escorpiana que estava roxa de vergonha, ainda bem que Milo estava tão entretido no treino que nem percebeu a algazarra que acontecia nas arquibancadas.

A castanha jogou de brincadeira uma toalha na cara de Seiya, queria tanto que ele calasse a boca!

— Nossa, mas o que já está acontecendo nesta linda manhã? — Calisto chegava junto com Camus e Hyoga. — Luísa que aconteceu com você, insolação? — a canceriana dizia tentando segurar a risada da desgraça da amiga.

— Nossa, tô morrendo de rir! — Luísa começou a ficar emburrada, por que toda vez ela que tinha que ser alvo de chacota? Fez um bico e virou a cabeça pro lado.

— Mon cher, quer que eu te ensine algumas técnicas? — Camus dizia enrolando uma faixa nos punhos.

— Obaaaaa quero sim! Tchau torradinha! — Calisto desceu os degraus da arena saltitando animada.

— Bah, uma hora é bonequinha, agora é torradinha, era só que me faltava!

— Torradinha hahahaha — Pegaso ria do apelido e da cara da escorpiana

— Para Seiya, não tá vendo que tá deixando ela sem graça? — Shun retrucou

— Tá, tá desculpa. — Seiya fingiu estar arrependido porém não conseguiu conter uma boa gargalhada da cara da escorpiana.

Luisa agradeceu o virginiano e saiu dali para tietar Marin. Foi para perto de onde elas estavam treinando, logo chegaram Orphee e Daidalos seus outros favoritos, sentia-se no céu por estar vendo de perto todos seus ídolos.

Passou-se um tempo e eles pararam o treino e foram até onde a escorpiana estava.

— Meninos, deixa eu apresentar para vocês uma das convidadas de Athena. — Marin falou para os companheiros. — Essa é a Luisa — virou-se para a castanha — Esses são…

— Daidalos e Orphee — Completou inconscientemente.

— Oh, é claro que você já os conhece, que cabeça a minha — A prateada respondeu e olhou para os companheiros que fizeram uma cara de quem não estavam entendendo porque ela já sabia seus nomes e ainda por a companheira estar agindo normalmente. — “Depois eu explico para vocês” — Completou via cosmo

Luisa chegou perto de Daidalos e Marin, olhou para os lados e cochichou:

— Que Camus e Dohko não me ouçam, mas vocês são os melhores mestres do Santuário.

A conversa foi interrompida com a chegada de Algol

— Bom dia a todos! Bom dia Luísa, dormiu bem? — A castanha depois daquela confusão toda com Calisto não poderia imaginar que o temido Cavaleiro de Prata de Perseu poderia ser simpático.

— Dormi sim! Obrigada Algol! Mas o que?

Calisto chegava choramingando perto da amiga, Camus “treinando” a canceriana e usando 0,5% de seu cosmo acabou congelando seu cotovelo numa película finíssima, mas como ela já estava lanhada do dia que chegou ardeu muito!

— Ai ai ai, meu cotovelo! — Calisto assoprava a parte do braço ferido, Camus nem ligou, era muito drama por muito pouco!

Algol aproveitando da situação segurou seu braço sem pedir permissão para olhar o “dano” ocorrido. — Calisto isso aqui não foi nada!

— Mas tá ardeeeeeendo — Falou de forma manhosa para o prateado, que lhe sorriu e beijou seu cotovelo igual se faz com criança.

— Pronto, agora vai sarar! — a canceriana ficou corada com o gesto carinhoso, olhou para os demais que estavam se divertindo com a situação, porém, ela achou que eles estavam mesmo era de gozação com o seu sofrimento, tirou o braço de forma brusca dos lábios de Algol.

— Obrigada, não precisava! — Irritada, ela girou o corpo para sair de lá, se afastou a passos firmes.

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Koga se despediu de Shaka logo depois de se recompor de toda a pimenta que havia ingerido. O virginiano não poderia acompanhá-la aonde quer que fosse pois seus pupilos já haviam chegado em seu Templo para o início do treino diário, mesmo sendo um domingo. Não se importou muito, iria passear próximo às doze casas e depois encontrar com as amigas, queria contar o que acontecera entre ela e Kanon durante o churrasco na Casa de Touro.

Seguiu por um caminho de terra, estava achando tudo tão lindo! Mais alguns minutos andando ouviu o som de alguém treinando, aquela voz ela poderia reconhecer a quilômetros de distância. Ficou atrás de uma árvore admirando o rosto bonito de Kanon, os cabelos soltos grudados nas costas devido ao suor. Como era lindo!

— Vai ficar quanto tempo escondida? — O loiro se virou com um sorriso bondoso para a morena — Bom dia, Koga!

— Er…. bom dia! Eu não estava escondida, só não queria te atrapalhar! — A morena saiu das sombras das árvores e meio sem jeito se sentou numa pedra próximo ao geminiano. Não tinha ideia de como agir.

Depois do beijo que trocaram na noite anterior, e que Shura apareceu com uma atitude esquisita, logo Calisto reapareceu para pegar mais doces e a levou de volta para perto dos outros, não restando mais oportunidades para que eles se entendessem.

— Nossa vocês treinam arduamente mesmo! Impressionante!

Ele sorriu. Sabia que estava deixando ela sem jeito por estar quase seminu, estava somente com um shorts curto e sandálias gladiadoras, só.

“Meus Deus, meu Deus, o senhor estava inspirado quando moldou essas coxas, eu consigo catalogar todos esses músculos…”

O loiro se aproximou e se sentou ao lado da morena. Tinha deixado ao lado da pedra, uma mochila com um cantil de água e algumas bolachas.

— Você quer? Fui eu que fiz. — Koga estava de verdade faminta. Depois daquele bolinho feito pelas mãos do próprio satanás não tinha conseguido ingerir mais nada.

— Eu aceito sim, só uma. Não sabia que vocês sabiam cozinhar, achei que só as servas faziam a comida?

— Isso é verdade, mas algumas coisinhas sei fazer, pelo menos para sobreviver. – o geminiano riu de um jeito fofo.

— Hummmm, tá uma delícia! Depois quero a receita para minha confeitaria, Kanon.

Saga arregalou os olhos. Kanon?! Então ela achava que ele era seu irmão mais novo?

— Como você descobriu que eu sou o Kanon? Já consegue ver a diferença de personalidade tão rápido?

— Oras, eu sei porque o Saga não iria se exibir assim. — apontou ele inteiro.

Mais uma risada gostosa que fez Koga rir junto.

— Ainda bem que eu não preciso me levantar e mostrar meu traseiro, não é mesmo?

— Bom, eu não ia achar nada ruim olhar esse traseiro de novo... — a virginiana rapidamente colocou a mão na boca se repreendendo, acabou pensando em voz alta.

— Não por isso, bela morena. Mas sinto lhe informar que você está enganada! — Saga se levantou e baixou um pouquinho o shorts mostrando a nádega branquinha e sem marca nenhuma.

— SAGA?! — Os olhos violetas se arregalaram e ela corou instantaneamente. “Então era por isso que ele estava agindo tão naturalmente, como se o beijo não tivesse existido.” – pensava ao mesmo tempo aliviada e constrangida.

Mas o que os dois não esperavam é que bem próximo dali Kanon que estava voltando da faxina da biblioteca os observava, e o ciúmes que sentiu abruptamente fez ele agir sem pensar.

— Saga seu maldito! — esbravejou de longe fazendo os dois se virarem em sua direção. O mais novo estava irado, entrando em ebulição.

— Calma irmão, não é nada disso que está pensando! — Saga sabia que o caçula perdia as estribeiras quando ficava nervoso daquele jeito.

— Traíra! Traíra! — Kanon voou pra cima do irmão rolando pelo chão arenoso. Koga não tinha ideia do que fazer. Se gritava, se pulava ali no meio, se clamava por ajuda divina — Eu te disse. Eu te disse ontem, Saga! Meu próprio irmão me trair assim?

— Não é nada disso, Kanon! — O mais velho puxou o cabelo do irmão fazendo a cabeça dele ir para trás, já Kanon socou-lhe a costela tirando o ar de Saga.

— Cavaleiros! Por favor!!! Parem com isso! — Koga ficou realmente aflita quando enxergou alguns respingos de sangue pelo chão. — Ah, mas que droga! — Reuniu toda a coragem que tinha e se jogou no meio dos dois, afinal, não seria a primeira vez que apartaria uma briga daquela forma.

Kika e Andy, seu irmão caçula, sempre se atracavam daquela forma, mas a diferença é que eles não tinham a metade do peso e da força daqueles dois.

Os gêmeos jamais, em todas suas vidas, poderiam imaginar que aquela garota iria se enfiar no meio da briga, estapeando do jeito que conseguia, puxando os cabelos loiros. Óbvio que não estava machucando nenhum dos dois, o que ela conseguiu mesmo foi fazê-los gargalhar em voz alta da afobação e da cara assassina dela.

Kanon não se conteve e mesmo machucado abraçou a morena com todo carinho do mundo, estava apaixonado por aquela virginiana certinha e bravinha.

Saga, percebendo o momento dos dois conseguiu se desvencilhar e se levantou.

— Acho melhor deixar vocês se entenderem sozinhos. Tchauzinho cunhadinha!

— Cunhadinha? — Koga olhou para Kanon sem entender muito, ele esperou um minutinho até o irmão sair de vista. — Do que ele está falando Kanon?

Continua...