— Elas estão naquela pequena floresta próxima ao Santuário e eu estava fazendo minha ronda quando as ouvi, elas planejavam detalhadamente e eu ouvi tudo.

Shion passou a andar de um lado para outro massageando as têmporas, “Será que essas meninas insolentes seriam capazes disso? Será que elas inventaram essa história toda de outra dimensão? Mas é claro, por isso elas sabem tanto a nosso respeito”, eram os pensamentos que rondavam a mente Patriarca.

— Maldição!!!! — ele bradou — Ainda bem que Athena foi para o Japão. — virou para o guarda — Tragam-nas imediatamente até aqui.

O guarda fez uma reverência e saiu às pressas, chamou mais dois colegas pelo caminho e foram em direção onde as brasileiras se encontravam não tardando a chegar até o local.

— Ali!!! — Gritou ele já segurando Luisa — Peguem essas traidoras. — Os demais fizeram o mesmo com Calisto e Koga.

As três se olharam assustadas e sem entender a atitude, elas tentavam se soltar do agarre dos homens, mas eles eram muito mais fortes e as arrastavam pelo caminho.

— O que vocês estão fazendo seus doidos? — A canceriana perguntou já sentindo as lágrimas correndo por seus olhos, o seu braço que já estava machucado parecia queimar com o agarre do soldado. O soldado bem indiferente ao sofrimento da garota apertava ainda mais o braço machucado, ouvia ela reclamar, mas não estava nem aí, era uma traidora da deusa, olhou para as garotas interrompendo o passo.

— Vocês terão uma conversinha com o Grande Mestre suas traidoras, ainda bem que ouvi os planos de vocês — O guarda respondeu com um certo orgulho na voz e um sorriso triunfante.

— Por que está nos chamando de traidoras? — Dessa vez, Koga quem perguntava já querendo peitar o soldado.

— Quietas! — Bradou o soldado

Elas se calaram no mesmo instante ainda mais que um deles apontou uma lança no pescoço da escorpiana. Elas se olharam e engoliram em seco, a coisa estava séria de verdade, foram arrastadas pelas escadas dos Templos do Zodíaco, sendo interceptadas por Aldebaran.

— Guardas o que está acontecendo? Soltem as meninas, são convidadas de Athena! — O taurino já se aproximava de Luísa sendo impedido por um dos soldados.

— Estas garotas são inimigas de Athena, temos ordens expressas do Grande Mestre para levá-las até ele!

— Oi???? — Koga estava estarrecida com aquele absurdo! — Inimiga de Athena?? não sou inimiga de ninguém! — A virginiana olhava para Aldebaran como se pedisse socorro.

— Ah, mas eu sou de você, seu imbecil!!! — Calisto já tentava chutar a canela do guarda que a empurrava de um lado para o outro com brusquidão.

— Fica quieta!!!

— Debas, não somos inimigas, você sabe! — Luísa queria sair correndo e abraçar o Cavaleiro de Touro.

— Calma meninas, deve estar havendo um engano, vou com vocês, não se preocupem.

O taurino acompanhou as três juntamente com os guardas que as levavam arrastadas sem dó!

Kanon estava sentado no sofá de casa quando se levanta ao ouvir as vozes das garotas alteradas.

— Bombom? Mas o que….?

— KANOOOOON! — Koga gritava para dentro da casa de gêmeos. — Anjãoooo me ajuda!!!

O geminiano quase caiu no chão ao ver sua paixão ser arrastada pelos guardas do Santuário como fosse uma delinquente qualquer.

— O que está acontecendo aqui?

Aldebaran fez sinal de calma para o companheiro, sabia que ele era explosivo e isso não ia ajudar em nada.

— Um grande mal entendido meu amigo, vamos acompanhá-las e escutar o Grande Mestre.

Kanon queria esbofetear o soldado que arrastava Koga, podia mandá-lo para a última dimensão do universo e ainda do avesso!

— Calma bombom, nós vamos resolver tudo, isso não passa de um grande mal entendido, vai ficar tudo bem. — dizia acompanhando a virginiana que o olhava tentando acreditar nas suas palavras.

Quando passaram em Câncer, Máscara da Morte seguiu com o olhar as garotas serem sacolejadas e arrastadas pelos guardas, adorou ver aquela balbúrdia, bem que ele tinha avisado, mas ele era sempre o malvado, pessimista, agora todos iam morder a língua. Cravou os olhos em Calisto que o olhou e logo desviou o rosto ao ver o sorriso sádico do canceriano. Ele pensou um pouco e resolveu seguir a procissão, estava louco para saber o que estava acontecendo.

Shaka já havia sido avisado pelo cosmo por Aldebaran da situação e aguardava as garotas passarem pelo seu Templo, estava tão intrigado quanto o taurino, pois ele mais do que ninguém sabia que elas eram inocentes, mas deveria ouvir o que o Grande Mestre tinha a dizer.

Chegando na Casa de Aquário Calisto avista Camus e Milo que vinham em direção à saída da casa.

— Mas que merda é essa? — Milo veio como furacão em direção às garotas.

— CAMUS!!!! — Calisto voltou a sacolejar o guarda que ficou tão nervoso com a canceriana que desferiu um tapa em seu rosto — EU MANDEI FICAR QUIETA TRAIDORA!

— Seu filho da mãe! Covarde! — Luísa ficou tão fora de si com a atitude do guarda que se soltou daquele que a segurava e deu um chute no saco e após deu um soco no nariz do guarda que acertou a amiga, o homem gemia e não sabia se segurava no meio das pernas ou estancava a hemorragia do nariz. “Não fiz aulas de Karatê a toa, seu mané”, pensou enquanto sorria satisfeita pelo seu feito.

Boa Luísa — Milo vibrou! — recebendo um olhar de repreensão do amigo, que ainda estava imparcial com aquela situação toda, mas o ignorou ainda mais quando viu que o guarda que antes segurava Luisa estava pronto para desferir um tapa nela, ele segurou o braço do homem e o olhou sério.

— Já chega disso! — sua fala foi o suficiente para que o soldado compreendesse e ele não era louco de enfrentar um Cavaleiro de Ouro.

Assim todos subiram até o Grande salão do Décimo Terceiro Templo.

— Aqui estão elas senhor — Um dos soldado falou enquanto jogavam as mulheres no chão que caíram sentadas sobre o piso duro.

Shion as olhava por cima com desgosto, os Cavaleiros de Ouro formavam as fileiras dentro do salão, infelizmente dali em diante não poderiam intervir até ouvir tudo que o Grande Mestre teria a dizer.

— Então, quer dizer que as mocinhas pretendiam nos enganar? — o muviano falou com os olhos brilhando de raiva, os olhos azuis fuzilavam cada uma delas.

— M-me desculpe, mas não….- Luisa interrompeu tentando pedir uma explicação decente sobre a situação

— Já falei para não interromper quando eu estiver falando. — Shion gritou dessa vez fazendo com que as três chegassem mais perto uma da outra, Milo e Kanon estremeceram e se olharam aflitos.

— Grande Mestre, mas o que está acontecendo? — Shaka com seu jeito calmo perguntou tentando apaziguar os ânimos.

— Essas três — apontou o dedo em riste para elas — Estavam planejando um ataque ao Santuário. O soldado ouviu tudo, elas estão mancomunadas com outro Deus contra Athena!

Os Cavaleiros de Ouro começaram um burburinho mal acreditando nas palavras do ariano mais velho, Máscara da Morte deu uma olhada e um sorriso cínico para Camus falando por cosmo “Viu? Eu avisei!“

Aldebaran olhava para sua hóspede que chorava copiosamente e balançava a cabeça veemente para os lados. Kanon estava visivelmente arrasado com o que ouvira.

— Temos que ouvi-las mestre! — Shaka voltou a falar com o Patriarca.

— Ouvir nada! — Máscara gritou — Temos que deixá-las apodrecendo nas masmorras.

— Acalmem-se senhores! — Mu pediu chegando no salão junto com o discípulo, também não acreditara quando Shaka o avisou, conhecendo seu mestre sabia que ficaria cego e poderia fazer algo descabido com as garotas.

Shion voltou a sentar em seu trono, apoiando a cabeça no encosto fechando seus olhos para concentrar seus pensamentos, respirou fundo e falou mais calmo.

— Já decidi, levem-nas para o Cabo Sunion.

— O QUE??? — Kanon no mesmo segundo que o mestre terminou a frase correu para frente do trono desesperado. — Mestre, elas irão morrer lá! — apontou o dedo para as três, e depois olhou para Koga que suspirava fundo tentando segurar o pranto, o geminiano sentia-se impotente, voltou-se para o mestre em tom de súplica. — Shion, por Athena não faça isso. — O Grande Mestre o fuzilou com o olhar fazendo-o se calar.

— Esta é minha decisão.

Alguns dourados olhavam as três com pesar baixando os olhos e até mesmo virando o rosto para outra direção, outros sorriram com satisfação em vê-las arrastadas. Elas choravam, gritavam, esperneavam, dizendo o tempo todo que estavam sendo injustiçadas.



Cabo Sunion

As amigas já estavam trancadas e choravam abraçadas, tinham certeza que iriam morrer ali, tentavam entender como tudo tinha mudado tão rápido, num dia estavam preparando um churrasco para elas e no outro as trancaram no Cabo Sunion.

— Eu sabia que estava muito bom para ser verdade — Koga após chorar tudo que podia agora se revoltava! Diferente de Luísa que tentava escalar algumas rochas desesperada com a água que subia rápido demais, chegando no seu peito.

— Como eles puderam fazer isso com a gente? — Calisto falava choramingando e por ser a mais baixa das três, a água já lhe chegava ao pescoço, tendo de ficar de ponta de pé.

— O Shion, justo ele tomar uma decisão tão dura contra nós. — a virginiana dizia enquanto se aproximava da canceriana para ajudá-la a ficar com o rosto fora d’água. — Aqui, Cali. Se apoia em mim. — olhou para Luísa com pesar, a amiga estava completamente em pânico.

— Eu...já disse que...não sei n-glupt… cof cof...nadar. Me ajuda! — a escorpiana tentava se manter em pé, mas a força das ondas não deixava ela firmar na pedra ainda somado ao seu pânico estava engolindo muita água.

— Luisa! — Koga segurou Calisto de um lado e puxou Luísa para se segurar no seu ombro pois era a mais alta de todas, mesmo assim ficou preocupada pois assim que a maré subisse com certeza a água subiria quase até seu rosto.

Algumas horas se passaram, as meninas estavam mudas, sentiam-se cansadas, para Luísa e Calisto não dava mais pé, Koga estava sendo uma heroína em sustentar as duas, fora que a noite já estava alta e a água gelada demais, fazendo-as bater o queixo de frio.

— Hey psiu psiu? Meninas? Estão aí? — ouviram a voz de Kanon do outro lado das grades da pequena janela que dava para o mar, só dava para ver os olhos verdes do geminiano e ainda muito mal devido à escuridão.

— Anjão! Você veio? — Koga sentiu seu peito aquecer ao ouvir a voz

— Anjão mas que merda de apelido é esse? — Calisto disse tentando segurar a gargalhada sem engolir água.

— Ah, é melhor que o seu que é Medusão! Besta!

Luísa começou a rir da discussão das amigas, não sabia se era porque estava engraçado, ou porque era trágico, conseguindo contagiar as outras garotas.

— Meninas, eu não posso ficar muito tempo aqui! Eu vim para deixar algumas coisas para vocês, daqui a pouco a maré baixa, vou amarrar nas grades essa mochila, tem comida, toalha, cobertor e água, tentarei trazer mais amanhã, porém Shion pesou na vigília da prisão, está difícil passar pelos guardas.

— Tu enganou Poseidon, não consegue passar por soldados rasos? — a escorpiana ironizou

Kanon revirou os olhos ao escutar ela debochar de si.

— Garota e quem disse que ele colocou soldados rasos para guardar vocês? Agora mesmo quem está pra lá e pra cá é o Cavaleiro de Capricórnio.

— Shura?!?!? — Koga colocou as duas mãos no rosto soltando ambas que afundaram na mesma hora — Meninas!! Ai meu Deus! — teve que mergulhar para pegar as amigas e levar para a superfície.

— Calma Koga! Eu sei nadar. — Calisto foi nadando até a grade onde Kanon estava. — Ow Anjão passa a mochila pra cá! Obrigada.

— Bombom? Fiquei feliz que está bem! Eu volto amanhã pra ver vocês e trazer mais coisas, fiquem bem! — Kanon beijou a mão e soltou o beijo em direção a Koga que corou instantaneamente.

Assim que ouviram as braçadas do geminiano de longe, Luísa olhou para a amiga que a segurava e gargalhou — Puffffff, BOMBOM?! Kkkkkkkkkk!

Koga com ódio da gozação da escorpiana soltou ela novamente na água segurando sua cabeça no fundo, deixando ela submersa alguns segundos.

— Koga ela vai morrer! — Calisto voltou a nadar em direção da amiga.

— Vai nada! — Koga respondeu irritada puxando Luísa pelos cabelos deixando-a tomar ar. — Sua vida está em minha mãos peçonhenta! — O olhos violetas de Koga chegaram a brilhar.

Luísa estreitou os olhos e fez um bico — Depois é meu signo que é vingativo!

Calisto olhou para as duas e deu risada. — Nós vamos ficar loucas….

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As três dormiram abraçadas uma nas outras, ainda bem que a maré baixou deixando o chão de pedra somente com algumas poças d'água. Calisto estava sentada no chão mesmo, tentando pentear os cabelos longos com os dedos.

— Meu Deus meu cabelo está cheirando peixe! — Calisto segurava as longas mechas e cheirava fazendo uma careta de nojo.- Arghhh, tem até um pedaço de alga.

— Acho que agora a gente consegue ver o que seu Anjão trouxe. — Luísa se virou para pegar a mochila. — Toalhas, graças a Athena! — Já foi se enrolando e secando o cabelo.

— Meninas falando em Athena, vocês ouviram que ela está no Japão? Tenho certeza que se ela estivesse aqui não deixaria o surtado do Shion trancar a gente. — Koga estava em pé apoiada nas grades da prisão tentando tomar um pouco de sol.

— A gente tinha que dar um jeito de avisá-la, achar alguém que pudesse fazer isso por nós. — Calisto completou pegando uma barra de chocolate, estava faminta, precisava de açúcar.

— Será que Kanon vai conseguir voltar? Vocês ouviram o que ele disse? Estamos sendo vigiadas pelos próprios dourados. — Koga estava com um semblante cansado, também pudera, ficou segurando as amigas quase uma noite inteira para que não se afogassem.

— Como se isso fosse necessário! Qualquer guardinha de meia tigela pode olhar a gente. — A escorpiana disse voltando a ficar irritada com aquele absurdo.

— É amiga, mas para eles nós somos inimigas, estamos de conchavo com algum Deus, isso porque aquele soldado ouviu a gente mirabolando as nossas histórias e achou pêlo em ovo!

— Que absurdo isso! Nós de conchavo com um deus — A escorpiana falou cruzando os braços — Isso é irônico e surreal ao mesmo tempo.

— Guarda filho da mãe. Ah, mas se eu saio daqui nem sei o que faço com ele — A virginiana falou com os olhos violetas brilhando de raiva.

Calisto ficou observando as duas discutindo sobre o assunto pensou que a poucos dias estavam nesse mesmo lugar se divertindo, brincando, sonhando, como isso foi acontecer? Suspirou se aproximando da grade, Koga resolveu enrolar uma toalha e fazer de travesseiro, precisava tirar pelo menos um cochilo pois a próxima noite seria igual.

— Psiu, psiu?

— Hã? — Calisto procurou de onde vinha aquela voz, sussurrou para que não chamasse atenção — Quem está aí?

— Sou eu Calisto, Algol!

A canceriana não podia acreditar, abriu um sorriso que mostrava todos os seus dentes. — Algol, estamos aqui! — Colocou a mão para fora, não sabia se isso ajudaria, mas não custava tentar. De repente o loiro surge na sua frente como um passe de mágica.

— Oi Cali, oi Luísa, Koga está dormindo, depois deixem meu alô para ela. Meninas trouxe algumas coisas para vocês. — Entregou uma sacola para Calisto. — Quero que saibam que eu e alguns outros Cavaleiros não concordamos com essa prisão, sabemos que não são inimigas.

— Você não pode falar com Saori, digo Athena? — Luísa perguntou em tom de desespero, só de pensar que em algumas horas a maré voltaria a subir lhe dava arrepios.

Algol baixou os olhos azuis um pouco constrangido. — Não Luísa, eu não tenho autoridade para falar diretamente com a deusa, apenas Cavaleiros de Ouro e mesmo assim devem pedir permissão para Shion, eu só poderia falar com ela diretamente se fosse de extrema importância.

Calisto segurou a mão por cima de Algol para que ele olhasse para ela. — Mas nós somos de extrema importância, somos hóspedes da própria deusa, nós não pedimos para morar no Santuário, por favor Algol, sei que você pode pensar em alguma coisa, não quero morrer aqui! — O Cavaleiro de Prata soltou sua mão passando entre as grades para puxar a nuca da canceriana, com gentileza fez ela encostar sua testa na dele e encarar seus olhos.

— Eu nunca irei deixar você morrer aqui! Agora eu preciso ir senão podem dar falta, que Athena esteja com vocês!

— Ela podia estar mesmo! — A escorpiana murmurou para si.

O Cavaleiro de Prata sorriu de lado e desapareceu de novo como um passe de mágica.

— Caramba Cali, o Medusão tá apaixonado mesmo por você! — Luísa se divertia.

Calisto sorriu sapeca para amiga. — É, acho que sim.

— E você, está gostando dele? Ele é muito bonito e gentil, partidão!

— Eu acho ele tudo isso sim! — A castanha respondeu sorrindo para escorpiana, ela gostava do prateado, da companhia, do papo, era muito bonito sim, mas…….., não tinha dado aquele chazan! Só de lembrar dele fazendo ela de presa com aquele escudo da medusa, pensar que ela quase virou pedra, fazia com que a canceriana não conseguisse entregar seu coração, se culpava por isso, pois via que ele tentava se aproximar, até demais com aquele beijo roubado, porém ela sentia não corresponder.

— Sei...te conheço Calisto, tu não está apaixonada por ele. — Luísa a olhava desconfiada.

— Apaixonada não, mas quem sabe não é mesmo, sempre irá existir um amanhã.



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O entardecer chegava ao fim e as águas já batiam na cintura de Calisto e nos quadris de Luísa e Koga, as meninas não tinham mais assunto e nem mais planos para poder sair dali, tentaram de tudo até morder as grades, mas nada adiantava, estavam a espera de um milagre.

— Nem acredito que teremos mais uma noite daquelas! — Koga olhava para o horizonte desanimada, suspirando profundamente, ela se sentia um caco, roupas molhadas novamente, sem banho, cheirando a peixe, tudo que ela queria agora era um chá quente servido pelo Buda loiro e sua cama com Kanon de companhia claro!

— EU COMI TODOS OS CHOCOLATES????? — Calisto quase entrou dentro da mochila para tentar achar pelo menos uma barrinha, já sentia a abstinência tomar seu corpo, então naquele momento ela não teve dúvidas do que fazer, se ajoelhou olhou para a estrela mais brilhante do céu, juntou as mãos e rezou em voz alta.

— Santa Athena, que você me ouça, mande seu Cavaleiro trazer mais chocolates para esta sua serva que irá lhe agradecer eternamente, faço tudo que quiser minha deusa! — Sem esperar a canceriana levou um tapão na cabeça fazendo ela perder o equilíbrio — AIIIIIII, por que me bateu Luísa?

— Isso é coisa pra pedir para a deusa? tem que rezar para ela nos tirar daqui e não ficar pedindo chocolate! — Luísa estava mais raivosa que o normal, a canceriana massageava a região onde levou o tapa.

— Credo que mal humor, tá assim por que não comeu chocolate?

— ÓBVIO QUE EU NÃO COMI CALISTO, VOCÊ COMEU TODOS!

— Gente, gente se acalmem! — Koga tentou separar as amigas que já faziam movimentos que iam se engalfinhar.

— Psiu? Luísa?

A escorpiana olhou para o lado e viu o Cavaleiro de Ouro da oitava casa segurando nas grades da prisão.

— Oi...oi Milo! — Luísa parou de dar atenção para Calisto para se aproximar da grade.

— Oi Calisto, Koga! Bem nem vou perguntar como estão. — Disse sem graça. — Trouxe mais coisas para vocês! Entregou uma sacolinha para Luísa, consegui trazer uma sopa quente, parece que vai esfriar esta noite.

— Obrigada Milo, fo..foi você que cozinhou?.

— Não, minha serva, mas ela faz sopas ótimas! — Os dois se encaravam, Luisa o olhava com um semblante decepcionado e tristonho que fez Milo ter ganas em explodir aquelas grades, o que faria com muita facilidade, mas não poderia jamais ir contra as ordens do Grande Mestre, as garotas iriam passar maus bocados aquela noite, tanto é que Shaka iria visitá-las na madrugada para aquecer a água, senão elas teriam uma grande chance de não sobreviver. Ele segurou a mão de Luísa e puxou mais para perto. — Queria pode fazer mais….

— Ah, mas você pode! — Koga sem pudor algum interrompe o momento dos escorpianos, separando as mãos para ficar de frente ao dourado. — Você pode pedir para os cavaleiros de bronze chamarem Athena, tenho certeza que ela não sabe de nós!

— Milo, você sabe que somos inocentes e tenho certeza que ela também! Sei lá, ela pode ler nossa mente, aliás por que Shion não o fez? Ele poderia verificar nossa sinceridade, alguma coisa tá bem mal explicada! — Calisto ficou ao lado das amigas com a mão na cintura.

— Ele não leu, pois Athena deu uma ordem expressa e irrevogável para ele e nenhum de nós fazermos isso!

— Vo..você consegue ler mentes? — Luísa ficou perdida no meio da conversa.

— Não sou tão bom quanto Mu e Shaka, mas dá pro gasto. — piscou para escorpiana.

— Ai minha nossa senhora. — Luísa virou a cabeça para o lado oposto segurando o peito, pensava em tudo que já havia imaginado fazer com o loiro e ele conseguindo ver tudo.

Milo ouviu uma pedra rolar na ribanceira, tinha que sair dali, pois Máscara da Morte estava fazendo a ronda noturna e não estava nem um pouco afim de dar as caras ao Yomotsu — Meninas preciso ir embora, mais tarde Shaka virá também! Fiquem tranquilas vou dar um jeito de falar com os garotos, eles podem inventar uma desculpa para ir ao Japão! — Falou com pressa já se despedindo.

— Ixeeee, imagina se o Milo lê sua mente Lu! Hahahahahahaha — Koga riu de dobrar o corpo.

— Humm é até capaz de quebrar essa barreira entre vocês, vai que ele quer experimentar tudo isso que você imagina! — Calisto zombou dando um peteleco na cabeça da escorpiana.

— Vocês são muito engraçadinhas! Podem parar com isso!



Continua...