Acidentes do Destino
14 Acerto de Contas
Notas iniciais
Após Athena ter dispensado todos e finalmente esclarecido sobre o mistérios das três garotas, Afrodite resolveu tirar satisfações sobre algo que o estava incomodando e muito, parou na quarta Casa Zodiacal, ouvia coisas sendo quebradas.
— Mas o que este maluco está fazendo?
Entrou na casa após passar pelo salão das cabeças, entrou na área residencial no subsolo, Máscara da Morte estava transtornado, quebrando vários objetos na parede da sala de estar, seus olhos aquamarines se estreitaram passeando por todo aquele holocausto que o canceriano propagava, além das palavras desconexas que dizia, e sem pensar duas vezes, pois sua paciência para aqueles showzinhos já tinha terminado, acabou elevando seu tom de voz!
— MÁSCARA DA MORTE, PODE PARAR AGORA! — fez seu cosmo explodir fazendo com que o dono da casa cambaleasse pra trás.
— Cáspita, Peixes! Que horas você entrou na minha casa?
Afrodite se sentiu ainda mais furioso, como aquele irresponsável nem tinha ao menos sentido sua presença? Que raios de guardião ele era? Pegou no braço do canceriano de forma bruta e o jogou no sofá agachando na mesma hora para que seu rosto ficasse na mesma altura do dele, colocou o dedo quase entre os olhos de Máscara da Morte, que por sua vez esfregava o braço sentindo o aperto do pisciano.
— Você cala a boca italiano, que agora você vai me escutar!
— Afrodite que violência é essa? Doeu!
— Doeu é? Você deveria ter pensado nisso quando segurou o braço de Calisto. Você viu como está marcado? Sabia que você podia ser tudo, mas covarde?
O canceriano levantou no sofá, mas imediatamente Afrodite segurou seus ombros, empurrando para baixo fazendo com que se sentasse novamente, ouviu alguns impropérios em italiano.
— EU AINDA NÃO TERMINEI DE FALAR! Eu te conheço muito bem. O que mais você fez? Vamos, fale!
Com os lábios tensionados e com ganas de meter a mão na cara do pisciano, Máscara da Morte estende o braço pegando um cigarro acendendo com o próprio dedo, soltou toda fumaça na cara do sueco que só fechou os olhos e voltou seu olhar irritado.
— Fui debochar da cara delas na prisão! — puxou mais um trago soltando para cima, ergueu os braços em rendição, se levantou para se servir de um whisky.
— Está me saindo pior que a encomenda, hein? Elas são apenas mulheres comuns Máscara! Por que isso? — Afrodite se sentou no sofá aceitando uma dose da bebida.
— Naquele momento no sabia que eram somente semplisce mulheres, o mestre disse que eram inimigas, i tu sabe che… gosto de cutucar meus inimigos.
— O velho e sádico Máscara da Morte… — O pisciano tomou mais um gole da bebida revirando os olhos. — Você não cansa de errar tanto?
O canceriano apoiou o corpo na janela da varanda da sala, seu olhar se perdeu na vista da praia abaixo do Monte zodiacal, calado ficou colocando seus pensamentos em ordem, pelo menos é assim que Afrodite interpretou aquele momento, respeitando o silêncio do amigo.
— Ela sabe de todos os meus erros…. ela….falou na minha cara, sem medo, olhando no fundo dos meus olhos. — esfregou a boca com os dedos — Io depois de Athena nunca, havia ficado tão envergonhado. Non sei como consertar o que fiz, sabe que no sou bom nisso. — Voltou a fitar o melhor amigo.
Que tal pedir desculpas? Já é um começo. — Afrodite pousou o copo na mesa de centro e bateu as mãos nas coxas — Bem, eu tenho que ir! — se levantou e se aproximou do canceriano. — Só espero que não seja covarde de novo! — Deu dois tapas leves na face do Cavaleiro e saiu da casa, deixando Máscara da Morte com suas reflexões.
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Assim que toda a confusão fora esclarecida e todos liberados para retornarem às suas casas, Kanon fez questão de que Koga passasse a noite no templo de Gêmeos. Depois de tudo pelo que ela passou naqueles dias, o geminiano só pensava em como sua Koga estaria cansada e faminta, e que tudo o que ela poderia estar querendo naquele momento era se sentir protegida e ele mostraria que estava ali para isso.
Durante todo o caminho até a terceira casa do santuário, Koga se manteve calada. Estava nervosa, sim, pela expectativa de passar a noite com seu adorado General Marina, mas o que a mantinha em silêncio era o cansaço extremo que sentia. Mal tinha forças para manter os olhos abertos e se conseguiu chegar até o terceiro templo do Santuário, foi graças às forças que Kanon transmitia através de sua mão que não soltava a dela de jeito nenhum.
— Se você não fosse tão orgulhosa, teríamos chegado bem mais rápido, e você não teria se cansado ainda mais. — O geminiano reclamava pelo fato dela não ter deixado que ele a carregasse até sua casa.
— Seria um exagero, completamente desnecessário. Além do mais, eu só estou um pouco cansada, nada que um bom banho não me recupere.
Enquanto discutiam se era ou não exagero da parte do marina, Kanon a guiou direto para seu quarto, entrando no banheiro e enchendo a banheira. Koga apenas se recostou na pia e ficou observando os movimentos do loiro até que este se voltou para ela com um sorriso carinhoso.
— Pronto, Bombom. A banheira já tá cheia e a água tá quentinha. — Se aproximou dela e pegou com as duas mãos em seu rosto, lhe deu um beijo demorado, roubando o fôlego da bela morena, antes de seguir para a porta do banheiro sem olhar para trás. — E eu vou sair daqui antes que não consiga mais…
A virginiana ficou ainda alguns segundos olhando para a porta fechada do banheiro e com as duas mãos apoiadas na pia atrás de si, tentando acalmar os batimentos cardíacos, e entender o porquê dele não ter ficado ali com ela.
— E eu pensando que teria ajuda para lavar as costas… — resmungou enquanto tirava as roupas e entrava na banheira.
Alguns longos minutos se passaram, Kanon estava sentado no sofá com os cotovelos apoiados nos joelhos, batendo um dos pés no chão de forma nervosa, o que não passou despercebido pelo seu irmão mais velho.
— Kanon? Algum problema? Cadê a Koga? — Saga olhou em volta não enxergando a hóspede de virgem.
— Está no banho Sa. — disse um pouco mal humorado.
O mais velho olhou novamente para os lados como se estivesse procurando por algo — Eu perdi alguma coisa? Por que cargas d'água não está dentro daquele banheiro com ela?
Kanon olhou fixamente para o irmão espremendo os lábios, como se quisesse falar, mas algo o impedia.
— E entãooo???? — Saga gesticulava as duas mãos esperando alguma resposta plausível, pois aquele não era o Kanon que conhecia.
O mais novo revirou os olhos e jogou a franja para trás, se ajeitando melhor no sofá, fez um bico com os lábios alinhando seus pensamentos, até que por fim estalou a língua esfregando o rosto com as mãos, suspirando profundamente.
— Eu quero fazer as coisas diferentes desta vez, eu fui um cara muito cafajeste com Thetis, tudo bem que ela mereceu, mas Koga não, ela é diferente, não sei dizer o que, mas sinto que com ela eu tenho que ir com cautela, quero fazer as coisas com calma.
Saga ergueu uma das sobrancelhas, pensava em chamar Máscara da Morte para exorcizar aquele ser que possuiu seu irmão, mas Kanon romântico parecia ser mais legal que o outro, então levantou os ombros e deixou por isso mesmo. — Bem, então eu vou descansar, boa noite para os pombinhos e Kanon?
O caçula virou o rosto em direção do mais velho que estava com um sorriso rasgado — Sexo só com camisinha!
— Ahhh, vai se ferrar Saga. — Kanon pegou a almofada que estava do seu lado e jogou com toda força no rosto do irmão que conseguiu desviar facilmente.
Koga havia terminado seu longo banho de banheira e vestia somente um roupão branco felpudo, já tinha penteado os cabelos, estava limpa e cheirosa.
— Nossa, nessas horas que a gente dá a devida importância para um bom banho. — pegou suas roupas sujas que já estavam devidamente dobradas e colocou num saquinho para poder lavar depois ou se for o caso jogar no lixo mesmo pois estavam fedendo a peixe, ela levou a sacolinha até o nariz e fez um careta de horror — Urghh pelo amor, que fedor, não, vai pro lixo mesmo! — Embolou e jogou na lixeira do banheiro, se voltando para espelho novamente, puxou as bochechas, a testa — Nossa Teresa você está um caco.
— Koga?
A virginiana ouviu a voz de Kanon do outro lado da porta, sentiu aquele frio na barriga de ansiedade. — Anjão?
— Já terminou? Trouxe seu jantar.
— Ahm, já sim, um minuto — Apertou o laço do roupão abrindo a porta em seguida, olhou para Kanon vendo suas pupilas dilatarem e o pomo de Adão descer pela garganta devagar.
— Bombom você está linda! — disse meio embolado deixando a virginiana sem graça.
— Ah que isso, eu to um horror, olha essas olheiras? — disse rindo nervosa, já pegando a bandeja das mãos do geminiano que não conseguia tirar os olhos dela
— Pra mim você está perfeita.
Logo se sentaram numa pequena mesinha redonda de dois lugares que tinha no quarto, Koga repousou a bandeja se sentando logo em seguida. — Anjão você não vai me acompanhar?
— Si...sim, já volto. — o marina afastou a cadeira rapidamente quase deixando ela cair, estava tão nervoso e desengonçado que Koga estava achando graça, pois jamais imaginou que o Kanon de Dragão Marinho fosse daquela forma, tão inseguro. O loiro ajeitou a cadeira de volta colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Desculpa Bombom, acho que hoje tive muitas emoções. — ele sorriu e saiu às pressas do quarto como um adolescente envergonhado para buscar sua bandeja deixando Koga rindo baixinho daquele homão desastrado.
— Minha nossa, quem diria… — a morena sorriu, apoiando o queixo na mão esperando Kanon voltar.
Os dois jantaram uma sopa bem deliciosa, a morena estava com tanta fome que acabou repetindo o prato três vezes, para alegria do cozinheiro, assim que terminaram, o geminiano não deixou ela ajudar com a louça, mesmo porque via o quanto os olhos dela estavam pesados, assim que ele voltou, Koga já estava deitada na cama, brigando com o sono pois seus olhos abriam e fechavam pesadamente, ele deitou-se ao lado dela e a trouxe para seu peito.
— Agora aproveita e descansa minha morena. — Dando um beijo no topo da cabeça de Koga
— Nossa Anjão, que delícia de jantar! Você que cozinhou, né? Já podemos casar. — a virginiana, estava com tanto sono que sua fala parecia de uma bêbada, suspirou e logo relaxou deixando o sono a levar.
Kanon passava os dedos delicadamente nas costas de Koga, pegou seu queixo e levantou para beijar seus lábios. — A hora que quiser Teresa, boa noite meu amor. — levantou o braço e apertou o interruptor para apagar a luz.
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No dia seguinte, Calisto descia as escadarias preocupada com Luísa, queria saber como ela estava, se havia melhorado da febre. Ela descia as extensas escadarias refletindo sobre tudo que tinham passado naqueles últimos dias, mas assim que entrou na Quarta Casa rompeu os passos assim que pisou no salão principal, entrou passo a passo olhando para os lados para ver se encontrava com o guardião e pedir permissão, não queria mais encrenca para o seu lado.
— Máscara da Morte? — gritou em direção ao fundo do salão que era sombrio e frio. — Máscara da Morte, está aí? É a Calisto, eu posso passar?
Sentiu uma pressão de ar atrás si fazendo se virar na hora, segurou um grito pois achava que era um vulto, ou até mesmo um fantasma.
— O que faz na minha casa ragazza? — A face de Máscara da Morte apareceu em segundos na sua frente, a castanha achou que ia perder os sentidos com aqueles olhos inquisidores, a vontade de chorar voltou com toda força, mas mesmo assim o enfrentou.
— Eu só quero passar Máscara da Morte, vim em paz!
— Sei…. — o canceriano sem cerimônias alguma pegou o braço que havia machucado e ergueu a manga da blusa para verificar se o que Afrodite disse era verdade ou se estava exagerando, mas assim que seus olhos pousaram no vergões não conteve o espanto. — Por Athena…. — agora entendeu o porquê do nervosismo dos companheiros, o braço dela estava com o desenho perfeito de seus dedos em um tom roxo quase negro, realmente tinha exagerado na força.
— Me solta Máscara da Morte, o que é? Vai me machucar de novo? — ela puxou o braço com força, tinha ódio de si pois sentia suas lágrimas escorrerem pelo rosto, por que tinha que ser tão sensível?
— Calisto eu…., eu confesso que exagerei. — O canceriano se aproximava dessa vez com mais calma, mas a moça assustada dava um passo para trás cada vez que sentia ele se aproximar. — Deixe eu arrumar isso, por favor? — A canceriana sem ter mais para onde ir pois bateu as costas na parede, ficou sem reação ao ver que ele pegou em seu braço só que desta vez com delicadeza, ela não conseguia deixar de encarar os olhos azuis tão claros que pareciam dois cristais, se ele não fosse tão turrão e ogro poderia até achá-lo bonito. — Podemos sentar no chão? Vai demorar um pouquinho. — Sem esperar que ela respondesse ele se sentou puxando ela junto, ergueu novamente a manga da blusa. — Você vai sentir esquentar, mas depois vai passar. — ele a orientava com a voz tão calma, que parecia ser outra pessoa, não aquele monstro de três minutos atrás.
O canceriano queimou o cosmo dourado, depositando toda aquela aura nos vergões negros do braço de Calisto, ela sentiu exatamente o que ele havia avisado, como se ele estivesse passando uma brasa quente em seu braço fazendo escapar um grunhido de dor e mais algumas lágrimas do rosto alvo, ele percebeu que ela estava se sentindo desconfortável, mas não sabia o que dizer, como se portar, na realidade estava envergonhado.
— Me desculpe, não queria te machucar mais, mas eu já estou terminando. — continuava com o tom baixo e calmo na sua voz.
Calisto sentia que estava em transe, num sonho, será que ela caiu da escada e não percebeu? Deve ter batido a cabeça bem forte! Aquele homem bruto, que nem pensou duas vezes antes de machucá-la agora estava arrependido e se desculpando? Era muito pra sua cabeça. Não falou nada só ficou observando o rosto dele enquanto trabalhava no seu machucado.
Máscara sentiu ser observado, ergueu o rosto para encarar as orbes castanhas da mulher a sua frente. Queria falar com ela, conversar, mas nada saía, ele não era um homem tímido, muito pelo contrário, sempre foi comunicativo, engraçado. Por que com ela não conseguia ser ele mesmo? Seria culpa? — Pronto, terminei, seu braço está novinho em folha! — Tentou sorrir.
— Obrigada … — o sorriso também saiu forçado, a canceriana não sabia como agir, se falava mais ou se apenas iria embora. Se levantaram juntos e na subida quase bateram os corpos, Calisto para não se machucar acabou perdendo o equilíbrio, fazendo com que o canceriano a amparasse, a canceriana segurou forte em seus braços para ajudar a se erguer e deu uma risada gostosa, pois ficou sem graça com toda aquela situação, o que fez ele sorrir.
— Quaseee que eu caio. — Riu mais um pouco — Ainda bem que me segurou, senão teria que me aguentar mais umas horas aqui, me consertando.
— Imagina, seria um prazer — Coçou por trás da nuca, meio sem jeito, porém assim que percebeu o que disse, ficou sério e se calou.
Calisto sorriu ao verificar o braço curado, não era de reclamar de dor, mas aquilo estava incomodando bastante e agora não sentia mais nada, se aproximou do Cavaleiro de Câncer e lhe deu um beijo no rosto.
— Obrigada Máscara, de verdade … obrigada.
— De nada Calisto — Sentiu-se envergonhado com o gesto tão carinhoso da canceriana que agora saía da sua casa.
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A virginiana sentia todos os seus músculos doerem, as juntas até chegavam a ranger conforme ela foi se espreguiçando. — Ai ai tudo dói. — falou mais para si, abriu os olhos tentando assimilar onde estava, olhou para o lado se deparando com as belas costas largas cheia de cicatrizes de Kanon, ela fixou o olhar ali achando aquelas marcas bem sexy. — Meu pai amado, Kanon está dormindo do meu lado. — ela delicadamente levantou o lençol e logo baixou com brusquidão, colocando a mão na boca e arregalando os olhos, — Não pode ser — falou bem baixinho, levantou com mais cautela ainda e virou o rosto para ver melhor — Pelos deuses, mas que bundinha! — o geminiano estava dormindo só de cueca, Koga ficou um bom tempo analisando todas as curvas do geminiano, a bunda, as coxas as pernas grossas, mordeu os lábios. — Eu devo ter sido uma santa na vida passada, certeza!
— Bombom? — Kanon com a voz mais grossa que o normal se virou devagar para ficar de frente para ela, de forma bem preguiçosa, os longos cabelos loiros bem mechados devido ao sol, caiam de forma bagunçada no rosto e em volta do travesseiro, uma bela cascata cor de mel, a pele levemente bronzeada, contrastavam com seus olhos cor de jade que abriam preguiçosamente. — Dormiu bem?
“Kanon como você é gostoso!” — ela passou a mão delicadamente no rosto dele para tirar o cabelo de frente dos olhos, assim que o fez ele segurou para dar um beijo na palma de sua mão. — Dormi sim meu anjo.
Logo ele com a mesma mão a puxa para cima de si para lhe dar um abraço e encaixar seu rosto na curva do pescoço moreno sentindo o cheiro característico de lavanda da virginiana. Por sua vez, Koga assim que subiu por cima do corpo másculo de Kanon conseguiu sentir perfeitamente a ereção matinal de seu companheiro, fazendo passar um milhão de pensamentos em sua cabeça, numa velocidade que até os Cavaleiros de Ouro invejariam, desde: “pula daí” até “ vai lá e aproveita garota!”
Kanon beijou-lhe o pescoço tirando arrepios profundos até chegar nos lábios carnudos que ele tanto amava, por instinto Koga que estava montada nele mexeu seus quadris fazendo ele despertar daquele momento delicioso e logo se virou para que ela saísse de seu colo.
— Mas? — Koga um pouco frustrada ficou sem entender porque ele fez isso. Será que ela havia o machucado? Será que ele não gostou? Pelos deuses, o que será que aconteceu?
O tórax de General Marina subia e descia, sua boca estava seca, ele estava fazendo um esforço hercúleo para não pular em cima dela e tomá-la de uma só vez, mas ele havia prometido para si que com ela seria diferente, seria especial, ele mordeu os próprios lábios se questionando se não iria se arrepender porque o tesão estava forte demais.
— Bombom, eu quero ir com calma. — soltou de uma vez, se sentia ridículo, sentia como se fosse um princesinha virgem e não o homem viril que era.
Koga entreabriu os lábios, será que ela estava ouvindo direito? Será que ela foi teleportada para outra dimensão enquanto dormia? Kanon estava negando fogo???
Ele a puxa de novo para deitar o rosto em seu peito que ainda estava esbaforido. — Bombom….e-eu espero que entenda, que eu quero que as coisas com você sejam diferentes, sejam especiais. — Koga ergueu o rosto para encarar os olhos jades de Kanon, estava sem palavras pois tinha certeza que daquele mato saíria cachorro naquela manhã mesmo, ela respirou profundamente sem deixar o olhar cair. — Tudo bem Anjão, vamos fazer com calma.
“-Nããããããããooooooooooooo! Eu devo ter sido o diabo na outra encarnação!”
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Luisa naquela manhã acordou mais disposta, embora não estivesse mais com febre e a garganta não doesse mais, passou o restante do dia anterior deitada, só levantou para tomar um banho e comer. Ouviu algumas batidas na porta de seu quarto, ao abrir encontrou uma sorridente Calisto.
— E aí amiga, está melhor? — a canceriana perguntou enquanto sentava na cama da amiga.
— Estou sim, pronta para outra — riu — Esses dias presa me roubaram as forças, essa foi por pouco, hein!?
— Não fala isso nem de brincadeira, não conseguia fazer tua febre baixar. — A canceriana falou séria.
— Eu só lembro de alguns flashes — bateu o indicador nos lábios e olhou para cima e depois voltou a olhar para a amiga — Como saímos de lá? Quem me trouxe?
Calisto olhou de uma lado para o outro como fosse contar um segredo de estado, sussurrando no pé do ouvido da amiga.
— Foi Milo que te trouxe, — Olhou para os olhos arregalados de Luísa e abriu um sorriso mostrando todos os dentes, então fez um biquinho de pena — Tadinho ficou todo preocupado com você.
— O quê? — Luisa arregalou tanto seus olhos azuis que achou que iriam saltar.
— Amiga, acho que ele tá gamadão. — Calisto já fazia uma cara de sonhadora. — ele te segurou com tanto zelo, ficava olhando pro seu rosto todo preocupado, será que ele gosta de você também?
— Para de falar bobagem Ca. — A escorpiana disse, mas em seu íntimo rezava para que a amiga estivesse certa — Onde será que ele está agora? Quero agradecer.
— Isso, agradece dando uns beijinhos — Calisto fez um bico e imitou um beijo estalado.
— Besta — jogou o travesseiro na cara da amiga fazendo as duas gargalharem.
Depois que cessaram a brincadeira, a escorpiana notou que os roxos no braço de Calisto haviam sumido e ao questioná-la como, a canceriana contou como o guardião da Quarta Casa havia mudado de atitude.
— Hmmmmm...então além do medusão, fisgou o sirizão também, é? — disse com um sorriso malicioso fazendo com que a amiga retribuísse a travesseirada na cara arrancando mais gargalhada das duas.
Mais batidas foram ouvidas na porta, mas dessa vez era o taurino que foi ver como sua hóspede estava.
— Aldebaran — Luisa levantou e abraçou o taurino — Obrigada por tudo que tem feito por mim até agora.
— De nada pequena — ele retribuiu o abraço.
— Eu também quero — Calisto falou manhosa e deu um salto da cama se juntando no abraço.
— Ciumenta — A escorpiana mostrou a língua para a amiga.
— Não sou ciumenta só tenho excesso de amor — Calisto fingiu estar ofendida.
— Vocês duas não existem — o taurino ria das duas.
— Ah, Debas? — Luisa falou assim que soltaram o abraço — Tu sabe onde Milo está? Eu queria agradecer ele por ter me trazido e tals.
— Ele saiu em missão com o Aiolos hoje cedo, mas passou aqui e deixou um abraço para você e ficou feliz em saber que estava bem.
— Poxa, tomara que ele não demore. — Luísa disse pensativa quando arregalou os olhos para amiga em repreensão pois a canceriana a imitava dando uns beijos em Milo.
O dourado riu e fingiu que não percebeu nada, conversou mais um pouco e se retirou. As duas continuaram numa conversa animada onde a canceriana falou que no dia anterior haviam dito para Shion e os demais como os conheciam e que escreviam sobre eles. “Tomara que Milo não queira saber se já escrevi com ele”, Luisa pensou.
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Calisto assim que deu um oi para Mu e Kiki sem deixar de dar um apertão nas bochechas fofas do menor, olhou para o horizonte, respirou fundo confiante, tinha uma missão a cumprir. Olhou para o braço curado desenhando um sorriso, olhou vagamente para trás feliz pela amiga salva, Koga nos braços do novo amor, agora ela, ahhhh, tinha um assunto inacabado com um certo alguém e iria resolver HOJE ou não se chamava Calisto de Paiva!
Arregaçou as mangas, ajeitou as sandálias gladiadoras e foi a passos firmes terminar o que nem havia começado. Após uma boa caminhada, já estava com a testa suada e os pés doendo, mas depois do Cabo Sunion aquilo não era nada! Olhou para o seu alvo e respirou profundamente, estava de cara com o perigo, ou melhor, ao dormitório dos
Cavaleiros de Prata!
Subiu as escadas do pequeno prédio de três andares, abriu a porta temendo o pior, mas aquilo era muito mais do que imaginava, se lembram da vila do Chaves? Aquilo era hotel cinco estrelas!
— Como esses caras vivem aqui? — estava dentro do Atrium olhando de cima abaixo, haviam varais com cuecas e roupas estendidas por todos os lados, sujeira, fumaça de cigarro, caras gritando, algumas baratinhas correndo para dentro das frestas dos azulejos. — Urghhhh, que nojo!
Calisto se encontrou com algum daqueles cavaleiros que saia de seu quarto com apenas uma toalha amarrada na cintura e um escova de dente pendurada nos lábios, o cara tinha pinta de porcão, ainda mais quando ficou comendo ela com os olhos de forma totalmente depravada. — Rumm — Calisto pigarreou — Senhor cavaleiro, eu estou procurando Algol de Perseu, saberia me dizer qual é o quarto dele? — tentou sorrir simpática, mas não estava dando.
— Terceiro andar, quarto 15. — O cavaleiro respondeu com uma voz rouca. — Se quiser me visitar, docinho — bateu no número da porta — Já sabe onde me encontrar.
O sorriso falso de Calisto sumiu na hora, mostrando todo seu semblante enojado — Er… cla..claro, com licença. — Saiu andando rapidamente sabendo que ele não tinha parado de olhar para sua bunda, assim que virou para subir as escadas parou e abriu a boca, podia imaginar tudo, mas não aquilo.
No primeiro piso Misty o Cavaleiro de Lagarto, que era impossível não reconhecer, penteava uma cabra com um laço rosa. — Mas o que? — Ela subiu as escadas devagar, o cavaleiro nem ligou para sua presença, conversava e dava beijinhos no seu pet.
— Quem é a cabra mais linda do papai? — fazia uma voz fininha horrível como se quisesse imitar a voz humana da cabra — Sou eu papis Misty, Marilda.
Calisto subiu mais um lance de escada, coçando a cabeça e falando consigo mesma — Acho que eu vim mesmo parar num manicômio!
Finalmente chegou aonde queria, depois de tudo que passou, não ia deixar barato! Bateu na porta com brusquidão, logo ouviu passos rápidos e a porta se abriu, juntamente com os olhos espantados de Algol.
— Calisto, o que faz aqui? Está tudo bem? — falou a olhando de cima abaixo. — Entre por favor!
A castanha novamente desenhou seu sorriso falso e cruzou os braços entrando no quarto que espantosamente era o contrário daquela pocilga, era muito limpo e arrumado.
— Quer alguma coisa? Um café?
— Não Algol, obrigada, eu quero mesmo é conversar com você, agora que passou esse susto.
O escorpiano se sentou na cama de solteiro e sorriu pra ela com malícia, estendendo a mão para que Calisto sentasse na cadeira ao lado.
— Ah, não precisa me agradecer sobre o lance na prisão, eu fiz aquilo porque — passou a mão de leve na coxa da canceriana que já estreitou os olhos sentindo ódio. — Eu gosto de você.
Calisto tirou a mão dele com a ponta dos dedos como se seu toque fosse o mais nojento do mundo. — Gosta tanto de mim que fica espalhando o apelidinho carinhoso que me deu no dia que nos conhecemos?
O prateado arregalou os olhos, na mesma hora, sentiu sua bochecha esquentar, ele tinha sim falado daquele apelido para alguns amigos, mas não sabia que tinha sido disseminado pelo Santuário. — Olha Calisto eu comentei sim com alguns amigos, mas eu jamais pensei que eles. — sua boca foi calada pelos dedos da canceriana.
— Shiuuuu Algol, na boa, eu não tenho mais vinte anos, já sou mulher feita e esse tipo de joguinho comigo não rola! Você pensa que está aonde? No colegial? — olhou para o cavaleiro que mordia os lábios sem graça.
— Eu não fui para o colegial…. — falou cabisbaixo achando que isso poderia amolecer o coração da carangueja.
Ela fez um biquinho de pena e segurou o rosto do cavaleiro com as duas mãos os aproximando perigosamente, Algol achou que já tinha vencido aquela batalha e que Calisto já estava na sua, a castanha roçou seu nariz no dele e o olhou, deu um selinho em seus lábios e depois sussurrou em seus ouvidos — Por isso é um ignorante, passar bem Algol de Perseu, até nunca mais!
Se levantou e olhou para o prateado que estava com uma cara confusa, ela foi até a porta e lhe disse em tom de escárnio — Você é muito moleque para mim! Adeus! — saiu batendo a porta.
Desceu as escadarias daquele manicômio é só olhou para trás quando estava a muitos metros de distância, bateu uma mão na outra. — Missão cumprida! — saiu saltitando com seu jeito serelepe cantando alto toda feliz!
Continua…
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