Acidental

23 Capítulo 24


Pov Tom

Eu nunca pensei em casar ter filho, uma mulher me esperando em casa depois de chegar de uma turnê, uma criança correndo em minha direção me chamando de papai.

Na verdade eu tinha pavor dessas coisas, às vezes eu me considerava uma péssima pessoa então quem poderia garantir que eu não seria uma péssimo pai e um péssimo marido. Eu não conseguia ser fiel a mim mesmo quem dirá a pessoas que ficariam ao meu lado pra sempre.

Eu estava feliz com a vida que eu levava antes da Tessa aparecer, me sentia abençoado, mulheres diferentes a cada noite, bebidas, dinheiro, a banda, viagens. Mais quando eu a conheci aquilo pareceu perder a graça.

Quando ela saiu correndo do hotel naquele dia eu pensei que nunca mais a veria de novo e senti um desconforto no estomago, naquele dia eu pensei que era por causa da ressaca e quando os dias passaram e vi que estava errado, mais não quis dá o braço a torcer e por isso voltei a ser o Tom que sempre fui e convenci a mim mesmo que não precisava dela e nem de ninguém.

Então ela apareceu na minha casa e voltei a sentir o velho desconforto no estomago e isso me fez ficar com raiva dela por vir atrapalhar minha vida de novo, mais quando soube o motivo da visita eu perdi a cabeça. Eu pensava que não bastava ele vir na minha casa mexer com a minha cabeça de novo ainda queria dar o golpe do baú.

Mais depois ver ela tão frágil, indefesa e com medo de mim eu fiquei atordoado. Vi a mãe dela voar pra cima de mim e ela me proteger contra ela, mesmo eu gritando aquelas coisas pra ela ainda tentava me proteger.

Depois daquele dia as coisas ficaram numa boa. Às vezes eu acordava e pensava que tinha sido tudo um sonho, então eu sentia ela agarrada a mim e me sentia confuso. Por que eu gostava de saber que não tinha sido um sonho, mais tinha medo da realidade e foi esse medo que me fez perder-lá.

Muitas pessoas podem não acreditar em destino e isso faz com quê elas pensem que a vida pode ser vivida do jeito que ela quer que seja mais isso não é possível. Pode ser destino ou a mão de Deus mais a vida será quase sempre diferente do que você espera e é por isso que a tendência do ser humano é cometer erros que às vezes podem ser reparados outras vezes não. Mesmo se você pudesse montar num quadro como seria a sua vida, que graça teria, qual seria a vantagem nisso, por isso que dizem “ “Viva cada minuto como se fosse o ultimo”. Você nunca sabe quando pode ser o ultimo e isso às vezes deixa a desejar.

Depois que voltamos eu passei há aproveitar cada minuto com ela, já tínhamos cometidos tantos erros que eu não sabia quando eu poderia cometer mais um erro e afasta — lá de mim. E olha no que deu, mesmo que não tenha sido eu o culpado da separação, ela estava no hospital passando por um parto difícil, arriscado e sozinha. O médico tinha dito que eu não poderia assistir o parto das minhas filhas por que a qualquer momento a coisa poderia se complicar e eles teriam de agir rápido e eu provavelmente só iria atrapalhar.

- Tom lá vem o médico – disse Bill me acordando dos meus devaneios.

Todos se viraram para ver o doutor vindo caminhando em nossa direção.

- Bom o parto foi difícil, mais foi tudo bem – todos respiraram aliviados inclusive eu, mais o medo ainda rodava a minha mente – Só tivemos um pequeno probleminha com o nascimento da ultima gêmea por que Tessa sagrou muito e ficou sem forças, por isso tivemos que fazer uma cesariana as pressas, a bebê vai ter que ficar na incubadora por algumas horas mais fora isso ela está ótima.

- Podemos vê-las¿ — perguntou o pai da Tessa.

- Claro, daqui a pouco, as enfermeiras estão limpando-as e depois vem chama vocês pra irem ve-lás – respondeu ele.

- E Tessa¿ — perguntei depressa.

- Bom com a Tessa a situação é bem mais complicada – disse ele ficando sério de repente – Ela perdeu muito sangue, teve uma hemorragia séria no útero e estava sem nutrientes necessários para manter ela e duas crianças. Fizemos tudo o que está ao nosso alcance agora é esperar e ver o que vai acontecer.

- C-como assim esperar e ver o que vai acontecer¿ — perguntei confuso.

- No momento ela sedada, agora vamos ter que esperar o efeito da anestesia passar pra ver se ela vai acordar – disse ele.

- E se ela não acordar¿ — perguntou a mãe da Tessa.

- Eu não posso me basear por hipóteses senhora – se explicou ele – mais se ela não acorda é por que o corpo dela não está forte o bastante e como eu disse antes, só o que podemos fazer é esperar.

Eu queria voar encima daquele médico e sacudi-lo até ele dizer que ela iria acordar, que ela iria ficar mais eu não conseguia nem respirar direito. Eu só fiquei lá parado olhando e sumir por duas portas sem poder agir, pensar.

- Ela vai ficar bem Tom – disse Bill parado na minha frente.

- E se não ficar¿ – a pergunta infantil fugiu dos meus lábios antes que eu pudesse segurar.

- Ela vai ficar bem – disse ele firme e me abraçou.

Eu sempre me fiz de forte, inabalável, mais Bill me conhecia e sabia que nesse momento eu estava com mais medo do que eu deixava transparecer. Ele sempre soube que apesar de todas as minhas burradas eu amava a Tessa como eu nunca eu amei outra mulher, talvez minha mãe, mas esse era um amor diferente do que eu sentia pela Tessa.

Alguns minutos depois uma enfermeira veio avisar que já podíamos ir ver as gêmeas. Bill foi praticamente me carregando já que eu não tive ação nem para levantar da cadeira. Fomos andando por um corredor até pararmos em frente a uma janela de vidro de onde podia ser ver vários berços de bebês, poucos estavam ocupados.

Ela entrou na sala e foi até um berço onde tinha um bolinho de pano rosa, pegou o bolinho no braço e veio até a janela mostrando uma menininha quase carequinha que estava dormindo chupando o dedinho.

Senti uma paz envolver meu corpo vendo aquela coisinha mínima, tão inocente. Eu não conseguia falar, eu tentava falar alguma coisa mais nada parecia adequado o bastante para falar na presença dela. Minha vista ficou embaçada de repente e pisquei, eu estava chorando.

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- Ela linda Tom – disse Bill me tocando meu ombro.

- É – foi só o que saiu.

Ao meu lado dona Belinda fez sinal pra enfermeira trazer a outra. E outra enfermeira trouxe outro bolinho rosa trazendo um bebê completamente acordado. Ela estava quietinha, olhando para o nada. Mais quando a enfermeira virou a cabecinha dela para ela nos ver, seus olhos azuis idênticos aos da Tessa se fixaram em mim como se me reconhecesse.

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Eu não sabia se chorava ou sorria ao mesmo tempo e por alguns segundo esqueci como puxar o ar para os meus pulmões. Não sabia se já tinha se passado minutos, horas, dias. Eu não conseguia não parar de olha – las. Elas pareciam tão surreais, de repente aquelas duas pessoinhas que chutavam a minha mão quando eu falava com elas na barriga da Tessa eram ainda mais reais do que antes.

Minhas filhas eram a única coisa que conseguia me manter são, sem elas acho que teria me entregado ao desespero quando o doutor veio avisar que o efeito da medicação já tinha passado e a Tessa ainda não tinha acordado. Eu a via através do vidro ligada a vários aparelhos que eu não conseguia nem contar, ela parecia está morta se não fosse o seu peito subindo e descendo devagar, sua pele era branca como papel, os lábios roxos como se estivesse num dia frio, olheiras pretas e fundas ao redor dos seus olhos.

As gêmeas não saiam do hospital por que tinham que mamar e tinha toda uma operação para elas ou a Tessa não pegarem algum tipo de infecção. Mais elas não mamavam só do peito da Tessa por que o doutor disse que isso poderia interferir na recuperação da dela já que ela ainda estava muito fraca, então as vezes elas tomavam leite doado.

Eu passei praticamente 3 dias no hospital, comendo, tomando banho e dormindo por lá mesmo até que mamãe e Bill me convenceram a ir pra casa tomar um banho e descansar um pouco. Os pais da Tessa iam pra casa a noite e voltavam de dia. Não nos falávamos muito, nossa única comunicação eram os olhares de desespero que trocávamos e sabíamos como aquilo era difícil pra todos.

Eu não sabia como andava o mundo fora daquele hospital, mais Bill disse que todos sabiam o que estavam acontecendo e várias fãs estavam torcendo pela recuperação da Tessa.

Às vezes é estranho ser famoso por que quando as fãs não te dão apoio parece errado, mais quando elas te apóiam está tudo certo. Como é que receber o apoio de pessoas que eu nem conheço importam tanto pra mim ou pra nós famosos¿

Fui pra casa depois de fazer a minha mãe prometer várias vezes se o estado da Tessa mudasse era pra ela me ligar na hora. Bill foi comigo para se certificar de que eu iria mesmo descansar. Depois de comer comida de verdade, tomar um banho que parecia lavar a alma e deitar na minha cama que nunca pareceu tão macia depois de 3 dias dormindo numa poltrona dura, eu praticamente desmaiei.