Acidental

24 Capítulo 25


Acordei me sentindo um pouco tonto, olhei para o relógio no criado mudo e me espantei. Eu tinha dormido 16 horas. Fui para o banheiro ainda grogue mais aos poucos fui me espertando, vesti uma roupa e fui para a cozinha procurar alguma coisa pra comer.

- Boa tarde – disse Bill sentando na mesa almoçando.

- Boa tarde – falei pegando e prato e me servindo.

- Mamãe ligou do hospital – disse ele e eu congelei.

- O que foi¿ — perguntei quase em pânico.

- Não foi nada grave – me tranqüilizou ele – A Tessa teve uma melhorar significativa e foi transferida para um quarto normal.

- E vamos poder chegar perto dela¿ — perguntei.

- Sim – disse ele sorrindo.

- Então vamos – falei levantando mais ele agarrou meu braço me sentando de novo – O que¿

- Come – disse ele sério.

Bufei pra ele mais voltei a me servir, Bill estava certo eu não serviria de nada ficando doente, eu tenho filhas pra cuidar e não queria Tessa preocupada comigo quando ela acordasse.

Chegamos ao hospital e vimos mamãe, Gordon, o pai da Tessa e a mãe dela conversando. Eles não pareciam tão desesperados quanto antes e tinha uma atmosfera mais otimista no ar.

- Oi – disse Bill.

- Olá – falei.

- Está se sentindo melhor Tom¿ — perguntou dona Belinda.

- Sim senhora – disse sorrindo – Como está a Tessa¿

- Melhorando – disse ela – O médico disse que o corpo dela está se recuperando rápido e que não vai demorar pra ela acordar.

- E quando vamos poder ve-lá¿ — perguntou Bill.

- Eles estão fazendo alguns exames e depois a enfermeira vem avisar quando podemos ve-lá – disse Robert, pai da Tessa.

- Bom eu vou ver as gêmeas – avisei.

- Eu vou com você – disse Bill.

Eu poderia segurá-las no braço o quanto fosse sempre seria igual à primeira vez.

- Já escolheu quem vai ser quem¿ — perguntou Bill enquanto segurava a outra no braço, ele faltava babar nelas.

- Vou esperar a Tessa acordar – falei olhando o rostinho sereno da minha filha, ela estava dormindo segurando um dedo meu com sua minúscula mão.

Meia hora depois um enfermeira veio nos chamar, poderíamos visitar a Tessa. Minhas pernas tinham virado manteiga de repente.

Pov Tessa

Eu estava num lugar escuro, tudo era escuridão. Eu não enxergava, não sentia, não ouvia, não entendia... Nada. Eu pensava e tudo e nada ao mesmo, não conseguia me concentrar para descobrir como eu tinha vindo parar aqui. Eu andava através da escuridão sem nunca chegar a lugar nenhum.

Eu devia está apavorada por que eu odeio escuro, mais eu não estava. Era como se ele fosse parte de mim e não era uma coisa ruim, era uma sensação boa, mais era errada. No meu intimo eu sabia que não deveria está aqui, como se minha presença fosse muito importante em outro lugar, mais eu não tinha ideia de onde e nem por que.

Depois de muito andar, cai no chão, mais não de cansaço mais sim de tédio. A tristeza tomou conta de mim ao imaginar nunca sair daqui, abracei minhas pernas contra o peito e comecei a chorar. A dor tomou conta de mim eu sentia medo, infelicidade e um desespero esmagador.

Quando eu estava quase me perdendo no mar dessas sensações, um vento quente soprou. Como se eu tivesse acabado de acordar e abrisse a janela por onde entrava o calor da manhã.

Um rosto veio a minha mente. Olhos castanhos, pele clara, uma boca carnuda com um piercing no canto da boca que o deixava muito sexy.

Tom ...


Seu nome saiu por entre meus lábios me fazendo erguer a cabeça em choque. Seu nome ecoava meu redor, levando o medo e o desespero, clareando minha mente.

A primeira noite no Rio de Janeiro, a descoberta da gravidez, a ida até a sua casa, a sensação do seu corpo, as gêmeas, a briga, o acidente na escada... Tudo.

Minhas filhas, minhas princesas. Como eu pude esquecer elas, como eu pude esquecer o Tom. Levantei e comecei a correr, eu não fazia ideia do por que eu comecei a correr já que eu não chegava a lugar nenhum, era tudo preto, silêncio... Sozinha.

Dessa vez eu parei por causa do cansaço, meu peito ardia a cada respiração, os músculos do meu corpo estavam doloridos pelo esforço, então cai no chão voltando a chorar.