Acertando as Contas com o Passado

19 Capítulo 19 – Voltando a ser Agente de Campo


Notas iniciais
E como o próprio título diz, a Jenny volta ser agente de campo. O caso ficou meio bobo, mas como esse não é o foco da história, deu pro gasto. Boa leitura!!

Ducky e Palmer já estavam lá, e a cena não era lá muito agradável de se ver logo pela manhã. O corpo do então desconhecido estava parcialmente decomposto, sem os dedos, com o rosto desfigurado e usava o uniforme da Marinha. A única pista de sua identidade era saber que, pela patente na roupa, ele era um tenente da inteligência. Quem o matou claramente não queria facilitar a identificação do cadáver.

— McGee e Ziva, fotos do local. Jenny recolha e catalogue as evidências, trabalho mais pesado para quem está chegando. Você se lembra como se faz isso, não é?

— Claro, DiNozzo, eu lembro.

— E então, Ducky, alguma dica do que aconteceu com nosso amigo.

— Bom dia, Anthony. A causa da morte ainda é desconhecida. Mas posso dizer preliminarmente que ele foi torturado, vê as mãos quebradas, bem como essas marcas no torso, ele foi espancado, mas não posso afirmar que foram a causa da morte até conseguir realizar a autópsia. Senhor Palmer, por favor, me ajude a transportá-lo.

— E quanto a você, algo?

— Pegadas, duas no mínimo, vieram da estrada de terra abaixo. – Eu disse mostrando a trilha de marcações que tinha feito. – Vou segui-la para ver se encontro qualquer outra evidência ou sinal de algum veículo – informei.

— Vai precisar de ajuda, Jenny? – McGee se ofereceu.

— Acho que não, Tim, muito obrigada. E segui a trilha.

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Andei pelo que pareceu meia hora beirando uma estrada de terra poeirenta seguindo os rastros de um corpo que foi arrastado. Quando achei que tinha perdido a trilha, encontrei marcas de pneus. Pelo que parecia era de um utilitário, mais, somente Abby após fazer sua mágica.

Fotos, anotando as evidências que encontrei, achei algo mais interessante. Como manda o protocolo, liguei para o restante da equipe.

— Pessoal, vocês vão querer ver isso aqui... sigam a estrada de terra, até mais ou menos 1,5 km do ponto onde estão.

Quando eles chegaram, eu já estava com a evidência ensacada e pronta para voltar ao prédio.

— Qual é a novidade?

— Acho que tenho o nome da nossa vítima. Sua credencial da Marinha estava bem aqui – apontei para um local no meio da clareira, de onde eu recolhi as credencias. Se o DNA confirmar, o cadáver que Ducky levou é o Tenente George Franklin, Inteligência Naval.

— Isso é um começo. Todos terminaram? Vamos voltar para o estaleiro.

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Quando chegamos ao prédio, Abby já estava esperando por toda nossa pescaria, como ela chamou, e não parou de falar que o Gibbs parecia estressado...

— Por quanto tempo vai ser isso? Não que eu não goste de vocês aparecendo por aqui, é que, se continuar desse jeito acho que ele vai dar um treco. – Ela dizia enquanto teclava em seu computador, tomava um gole de seu Caf-Pow! recém chegado e colocava as pegadas que achamos para serem identificadas no sistema. Ou seja, Abby sendo hiperativa como sempre.

— São dois meses, de início, Abs. – Respondi.

— Você vai ajudá-lo, não vai, Jenny? — ela parou me pegando pelos ombros — afinal você sabe mais do que ele no quesito liderar a Agência. E a propósito, para quem não era agente de campo a tanto tempo, suas fotos estão excelentes e as evidências super bem catalogadas.

— Fico feliz em saber disso! – Fui sincera – sabe que é fácil de sentir falta de ir à campo. Burocracia pode te matar de tédio!

— É por isso que eu tô te pedindo para ajudar o Gibbs! Ele não nasceu para ficar o dia inteiro assinando papéis e indo almoçar com políticos e recebendo ordens de pessoas que nunca foram a uma guerra, Jenny!

— Ele já sabia disso, Abby, e disse que vai me jogar os problemas... e, claro, eu vou ajudá-lo!

— Que bom! – outro abraço de urso. – agora eu vou terminar isso aqui, antes que o Diretor em Exercício Gibbs venha até aqui e reclame que não estamos fazendo nada.

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E então, Ducky, o que tem para mim?

— Olá novamente, Anthony? Como foi em campo? Tudo correu bem?

— Sim. Sem problemas.

— Ótimo. Tenho novidades quanto ao nosso Tenente. A srta. Sciuto já confirmou a identidade, ele é realmente o Tenente George Franklin. E a causa da morte foi envenenamento. Está vendo essa marca circular aqui? Bem atrás do pescoço? Foi por aqui que o veneno foi injetado.

— Não achamos nenhuma seringa ou agulha na cena.

— Longe de mim fazer o seu trabalho, DiNozzo, mas então aquela não é a sua cena de crime principal.

— Pensei nisso, Ducky. Já sabe qual veneno?

— Abigail logo saberá.

— Ok, muito obrigado!

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— Atualizações.

— Nada de novo – Ziva começou.- Tenente George Franklin, 40 anos, casado com a também tenente Lisa Franklin, atualmente à bordo do USS John Paul Johnson, que está fazendo um exercício no mar do Japão, sem filhos. Sem ficha criminal. Um marinheiro de destaque que já foi enviado duas vezes para o Iraque.

— Morava em casa própria, sem dívidas, hipoteca em dia. – McGee continuou — Registros telefônicos sem nenhuma ligação suspeita, histórico do GPS do celular, mostra que era um homem de hábitos regulares quando estava em terra.

— Estava trabalhando em um projeto de criptografia avançada para proteger as comunicações entre os navios. Por isso tinha acesso irrestrito a todos os sistemas utilizados pela Marinha. Trabalhava com a Sub-oficial Burkley, que foi a última a vê-lo com vida. Seu superior mandou um resumo do que poderia ser. – Sherpard finalizou mostrando os documentos na tela.

— Nada de suspeito na vida. Ziva, Shepard, vão atrás da Burkley. McGee, aprofunde no que ele estava trabalhando.

— Sim, DiNozzo. – McGee responde,

— Vocês duas? – ele se dirigiu a nós.

— Ela já está aqui. Na sala de reuniões.

— Vocês duas vão falar com ela, enquanto eu vou ver o que Abby quer, ela acaba de me mandar uma mensagem.

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— Abs?

— Vou ser rápida, porque acho que não temos muito mais para esperar.

1º o veneno – é de uma víbora de Russel, encontrada no oriente médio. É altamente mortal.

2º o carro – pelas marcas de pneus das fotos, é um Tracker, último modelo.

3º as pegada – todas elas compatíveis com sapatos fornecidos pela marinha. Uma era feminina, outra masculina.

— Algo mais?

— Sim, se forem atrás da pessoa que tem essa cobra, tenham cuidado.

— Nenhum registro de alguém que possa ter acesso a essa cobra.

— É uma cobra muito perigosa para se ter como pet, quem a tiver, veio de contrabando, imagina o sofrimento do bichinho?

— Certo, Abs, muito obrigado. – Disse enquanto entregava o segundo Caf-Pow! do dia para ela.

Espero que Ziva e Jenny tenham mais sorte com a Tentente Burkley.

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— Tenente Burkley, você trabalhava com o também tenente Franklin em um projeto para a inteligência que dizia respeito à segurança das comunicações da Marinha? – Ziva começou a conversa.

— S-s-sim. – A tenente soava mais nervosa do que chorosa, apesar de que ela tentava a todo custo parecer surpresa com a morte.

— Algo que você tenha notado de diferente no comportamento do Franklin.

— Nada, Agente David, ele sempre fora muito calmo, focado no trabalho. – ela remexia e mexia as mãos.

Neste momento recebi uma mensagem de Tony sobre as descobertas de Abby.

— Tenente, saberia dizer se o Tenente Franklin tinha acesso a cobras ou se por acaso tinha alguma de estimação?

Quando terminei a pergunta, Burkley ficou pálida e não soube o que responder. Entregando a sua culpa.

— Foi sua ideia ou te obrigaram a participar?

— Eu precisava do dinheiro que a empresa de tecnologia estava oferecendo. Eu estou grávida. Porém, Franklin não quis acertar o suborno, meu Deus, eram quinhentos mil para cada um. Então, meu marido teve a ideia, não era para ele ter morrido. Ele entrou em choque. E antes que pudéssemos fazer algo...

— Ele morreu e vocês acharam que abandonar o corpo dele no meio do Parque Rock Creek era uma boa ideia?

— Não estávamos pensando.

— Claro. Ninguém pensa o que fazer com um corpo até que um apareça, não é mesmo?

Ela não me respondeu.

— Precisamos da localização do seu marido. – Ziva disse.

— Nunca.

— Você pode nos ajudar e ter a pena reduzida, podendo ver seu bebê de tempos em tempos ou pode ficar presa para sempre, e nunca conhecer o seu filho, ou filha.

— Não direi nada.

— Vai ser da forma difícil. Não diga que não avisamos. – Ziva disse enquanto nos encaminhávamos para a sala do esquadrão.

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— McGee, trabalho para você! Preciso que você ratreie o carro do marido da Tenente Burkley, ela não quer cooperar com a localização dele. – Eu disse enquanto chegava perto da sua mesa.

— É para já.

— Acho que esse até foi fácil, para um primeiro dia! – DiNozzo comentou.

— Ainda não acabou, Tony – Ziva – não temos o marido.

— Ele vai aparecer!

E ele apareceu. Três dias depois eu um hotel de beira de estrada. Não se entregou de primeira e armado atirou contra nosso carro.

Depois de um tiroteio, na verdade foi mais para um faroeste de quinta categoria, porque ele não tinha mira nenhuma, conseguimos imobilizar James Burkley e levá-lo preso. Só então o caso acabou.

— E então, novata? Como se sente após o seu primeiro caso? – tony me deu uma cotovelada na altura dos ombros.

— Já te disse que não foi o primeiro caso, DiNozzo!

— Mas foi com essa equipe! Então você paga a rodada, afinal é sexta-feira!

— Tem como sair disso?

— Não! – Os seis me responderam

— E tente levar Jethro com você, Jennifer. Seria bom ele sair um pouco, bom para ele e para nós. – Ducky me falou.

— Vou tentar tirá-lo de lá! Mas não prometo nada! Nos encontramos, aonde?

— As crianças ainda estão escolhendo, daqui a pouco entram em acordo e nos mandam uma mensagem.

— Ok. Então, até daqui a pouco, Ducky. Pessoal! – Gritei em direção ao elevador onde Tony e Ziva discutiam aos brados onde deveríamos ir.

Rumei para a sala do Diretor com dois intuitos, tirar o diretor de lá, e também fazê-lo provar do próprio veneno das interrupções fora de hora.

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Não me importei em bater nem ser anunciada. Fiz exatamente como ele fazia quando a situação era invertida. Simplesmente abri a porta e entrei.

Ele estava tão concentrado no relatório em sua frente que só reparou que tinha alguém dentro do escritório quando eu parei na sua frente de braços cruzados.

— Vai demorar muito isso aí? – Perguntei

— É sempre bom bater. – ele me respondeu.

— Hahaha! Deixe de ser cara de pau, Jethro, você nunca bate!

— Bato sim, pergunte ao Leon quando ele voltar!

— Então a implicância era comigo?

— Pode-se dizer que sim... – ele me lançou um sorriso.

— Muito bem, agora você está provando do próprio veneno. – Disse em um tom triunfante.

— E o que te traz aqui, Agente Shepard? – Ele fez a mesma pergunta que eu fazia quando ele me interrompia – Creio que o caso foi finalizado.

— Quem traz as atualizações é o Agente DiNozzo, eu só fui designada para te chamar para o happy hour. Pela regra, ainda sem número, do DiNozzo, o novato paga a saída de sexta depois do primeiro caso.

— Então é você quem vai pagar?

— Vou ter que desenhar para você entender, Jethro? Sim. Eu.

— Não beba muito, tenho uma papelada para você resolver para mim no final de semana, não quero nem saber dessa burocracia de processo interno contra agente. Serviço seu. – e ele me passou um relatório que tinha, por alto, umas trezentas páginas.

— E o que diabos eu tenho que fazer com isso? – Perguntei indignada.

— Você ocupou essa sala há um tempo, deve saber melhor do que eu. – seu sorriso irônico estava me irritando. – Porque eu não faço a menor ideia!

— Quando eu ocupei essa sala, com certeza era a decoração era melhor! – Olhei em volta para toda aquelas fotografias de boxeadores dispostas nas paredes.

— Claro que era. Se não me engano, eram fotografias de Paris e mais alguns lugares, não? Fico me perguntando, por que Paris? — ele me sorriu do mesmo jeito que sorrira sem eu porão alguns dias atrás.

— Não sei. Deve ter algo a ver com um agente que dividi algumas noites de tocaia, mas acho que você não deve conhecê-lo. – brinquei com ele.

— Posso não conhecer, mas sei que ele não está aqui, então...

— Então, você vai ou não?

— Não estrague o momento, Jen...

— Nesta sala, não. Como você vai se concentrar se algo acontecer aqui dentro? Sua cabeça já não sai de Paris...

— Você é estraga prazeres, Shepard.

— Estou salvando a sua pele. – Disse em seu ouvido. – Quem sabe mais tarde você possa me recompensar por isso?

— Vou pensar no seu caso, mas primeiro alguém prometeu pagar a rodada.

E saímos rumo ao bar que a equipe tinha escolhido.

Notas finais
Ah, essas crianças da NCIS brigam por qualquer coisa! Ah, esse casal... Muito obrigada por lerem! bjs