Acertando as Contas com o Passado

23 Capítulo 23 – Decisões, decisões


Notas iniciais
Penúltimo capítulo!! E eu nem acredito que consegui fazer essa fic! Bem, capítulo com cara de terceiro ato de filme de romance. Boa leitura e eu volto no final para explicar uma coisinha!

Após toda a confusão com SecNav, a situação de Gibbs na Direção ficou insustentável. Não importava o que ele fazia e quão certo ele agia, Davenport resolveu que era uma boa hora para ignorar e negar todas as solicitações vindas da NCIS.

Era mesquinha a sua atitude, contudo, o prejudicado não era ele, e sim toda uma Agência e suas operações. Se continuasse desse modo, coisas ruins aconteceriam. E ainda faltavam quinze dias para as férias de Vance terminarem.

Quando a situação chegou a um ponto de termos de chamar Ducky para tirar um cadáver da do escritório da Direção, Vance retornou, claramente insatisfeito de ter que encurtar suas férias, mas ou era isso, ou a Marinha perdia seu secretário ou a NCIS seu Diretor interino.

Jethro, usando das últimas gotas de sua paciência passou todos os problemas e atualizações para Leon e, antes mesmo que este o liberasse de sua função de diretor, ele já estava na sala os agentes tirando as coisas de Tony da sua mesa.

Com a equipe agora completa, estava mais fácil dividir as tarefas, ou como Palmer muito inocentemente comentou, todos faziam um pouco, menos Gibbs, ele só dava ordens. Confesso que tive pena dele quando um tapa bem dado ecoou na casa onde estávamos colendo as evidências. O pobre coitado nem viu o que o atingiu. Mas nos olhou com uma cara de quem sentia uma dor enorme! Vendo seu sofrimento, fiz uma nota mental de comentar com Jethro sobre isso.

Os dias e as noites passaram voando quando pegamos outro caso em conjunto com o FBI, acabamos por andar por todo o estado da Virgínia atrás de um serial killer, depois de duas longas semanas praticamente sem dormir e vivendo a base de cafeína, pegamos a assassina. Sim, uma das raras vezes em que uma mulher era serial killer, pena que o crédito foi todo para a equipe de Fornell.

Com o caso encerrado, juramos que ganharíamos nem que fosse um dia de descanso, afinal, foram várias horas de trabalho emendadas por todos, porém não foi o que aconteceu.

Retornamos à Agência no meio da tarde, todos cansados e abatidos após essa longa caçada e, assim que sentamos em nossas mesas, Vance apareceu.

— Boa tarde a todos. – Ele começou.

— Não tô vendo boa tarde nenhuma. – Tony disse em um sussurro.

— O que disse, Agente DiNozzo?

— Que está uma tarde muito agradável, senhor. – Não preciso dizer que ninguém acreditou.

— Então, pegaram a assassina. É raro ver mulheres que cometem crimes seriais. Bom trabalho.

Agradecemos com um aceno de cabeça e nos concentramos nos nossos relatórios, eles deveriam passar pela conferência do Diretor da NCIS antes de serem encaminhados para o FBI. Mas Vance não saiu de nosso campo de visão, e quando a sua presença começou a incomodar, Gibbs foi direto ao assunto.

— Algo que queira nos comunicar, Leon? Ou você só está aqui para matar tempo?

— Na verdade, sim. Tenho um comunicado a fazer.

Todos largamos nossos teclados e canetas para encará-lo. Mil e uma possibilidades passando por nossas cabeças. Cada um tinha um olhar pensativo. Na minha, a primeira ideia que veio foi que Secretário Davenport finalmente conseguira nos mandar para o Oriente Médio.

— E qual seria?

— Vocês estão lembrados que SecNav comentou que seria necessária uma reunião para definir o futuro da Agente Shepard na Agência?

Eu até me lembrava, mas jurava que depois do ocorrido no escritório, ele iria me deixar mais algum tempo na expectativa.

— Sim.

— Pois bem, a conferência foi marcada. Amanhã ás dez da manhã. Toda a equipe está convocada e isso inclui a Srta. Sciuto. Tenham uma boa tarde.

Ele subiu as escadas de forma lenta, como se esperasse que algum de nós tivesse alguma reação desagradável. Conseguimos segurar nossas caras de surpresa até o momento em que ele fechou a porta de sua sala.

— O que será que irão definir? Valeria outra aposta? – Tony murmurou para si.

— Você não aprendeu nada com a última vez que fez uma aposta, Tony? – Ziva soa exasperada. – Deve ser algo importante, pois ele quer todos nós dentro do MTAC.

— McGee foi mais prático e tentou hackear os e-mails de Leon, mas não tinha nada que nos desse uma pista.

Eu estava somente acompanhando as teorias que vez ou outra eles lançavam. No fundo tinha medo do que Vance e Davenport iriam fazer. Já havia perdido as esperanças de poder voltar à Direção, ainda mais depois de colocar o Secretário para correr. Mas temia ser mandada como Agente à Bordo ou Agente infiltrada sem base fixa.

Lancei um olhar para todos, e, de repente me senti sufocada. Minha vida estava para ser decida por dois homens que mal conheço. Eu não gostava daquilo. Senti a necessidade de sair do prédio. Eu precisava de ar e precisava organizar o turbilhão de emoções que estava sentindo.

Jethro vendo que após a notícia ninguém na equipe conseguiu concentrar propriamente nos relatórios, acabou por nos dispensar até o outro dia. Disse que fizemos por merecer e que necessitávamos descansar.

Um por um, pegamos nossas coisas, e agradecemos a folga repentina.

Eu estava a meio caminho do meu carro, quando ele me alcançou. Eu precisava ficar sozinha naquele momento, mas ele parecia querer conversar.

— Eu agradeço a folga.

— Todos estamos precisando. – Ele disse pegando as chaves do meu carro de minha mão.

— Meu carro. Eu dirijo. – protestei

— Você não está em condições.

— Está tão cansado quanto eu.

— Tem muita coisa aí dentro da sua cabeça, Jenny. Você não vai se concentrar na estrada.

Não disse nada e entrei no banco do carona. Pelo visto a caminhonete dele passaria a noite no estaleiro.

Não consegui conversar nada durante o trajeto que, milagrosamente, Jethro fez respeitando todos os limites de velocidade e sinais de pare. Vez ou outra ele me lançava um olhar preocupado e, quando eu não respondia a eles, ele simplesmente pegava a minha mão e a beijava.

Quando paramos na frente do meu prédio, suspirei fundo e comecei a dizer tudo o que me importunava.

— Você sabe que eles vão decidir o meu futuro e talvez até o nosso futuro amanhã, não sabe?

— Do que você tem medo?

— Não é medo, Jethro, é certeza. Vance não vai largar a direção. Davenport está mordido com o que fizemos a ele. Juntando dois com dois, não fica difícil de saber que a decisão já foi tomada.

— Nada está certo ainda.

— Como você pode saber? Nas últimas duas semanas mal paramos na base! E se eles se reuniram e decidiram tudo quando estávamos fora?

— Jen, pare de se precipitar.

— É a realidade. A realidade nua e crua. Jethro, quando me mandaram concluir a maldita missão, eu sabia que no fundo, no fundo, aquilo tudo era uma armação para me tirar da direção. Leon sempre quis o cargo, e, quando eu fui escolhida, o nome dele também estava na lista. Foi uma questão de tempo até que ele arranjasse a desculpa perfeita. Qualquer um poderia ter feito o que eu fiz nos últimos três anos... Eu estava pronta para achar um bom agente já baseado no Europa para seguir Zukov. E apenas me apresentar para o ato final, mas aí o Secretário interveio, disse que minha presença era estritamente necessária, pois eu conhecia o caso. Foi aí que eu não tive mais escolhas. Como eles, eu achei que morreria na operação. Mas não, eu voltei e baguncei tudo. Agora eles têm a desculpa perfeita. Não posso voltar à direção, pois isso causaria um escândalo jornalístico. E também não vão me deixar ficar na Washington já que, qualquer coisa estranha que acontecer com a equipe, eles sabem que eu vou defender da maneira certa. É o fim, Jethro. Eu sei. É o fim de tudo. A única coisa que vai impedir de eles não me mandarem para longe é se eu me demitir.

Por mais que eu tentasse, eu não consegui não chorar quando a realidade bateu. Era o fim da minha estadia. Era o fim da minha carreira. Era o fim do futuro que eu queria. No fundo, no fundo, acho que eu e Jethro não fomos feitos para sermos felizes para sempre.

Jethro não disse nada. Apenas me abraçou apertado por um longo tempo. Acho que ele tinha chegado à mesma conclusão que eu. Não importa se nós já tivéssemos resolvido nossos problemas. A NCIS sempre nos separaria.

Não sei por quanto tempo ficamos ali abraçados pensando no futuro. De repente, ele me soltou, saiu do carro e abriu a porta para mim. Quando pegou a minha mão e me guiou para dentro de casa, ele apenas jurou o seguinte:

— Eu não vou deixar que a NCIS nos separe de novo, Jen. Dessa vez, vamos lutar.

Foi com essa promessa que eu fui deitar. Contudo, nem ele ou eu conseguimos dormir. Eu tinha muitas ideias passando em minha cabeça. E todos estes pensamentos só me levavam a uma única decisão. Se me designassem para qualquer outro lugar que não fosse perto o suficiente daqui, Davenport teria a sua vitória, pois desta vez, eu entregaria o meu cargo. Não vou sacrificar a minha felicidade, não desta vez.

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Eu vi a reação de cada um deles quando Vance deu a notícia sobre a conferência. Vi DiNozzo começar a especular. Vi McGee ficar assustado e Ziva receosa do futuro. Mas de todas as reações foi a de Jenny que mais me chamou a atenção. De repente ela ficou sem lugar. Passou a olhar para um dos, agora, colegas de equipe como se os visse pela última vez. Seu olhar distante, vazio.

Eu já vira aquele olhar. Há nove anos atrás em Paris, quando ela levantou do assento do avião e, ao sair, pouco antes da comissária de bordo fechar a porta, olhou para mim. Era o mesmo olhar, a mesma dor.

Ela fez menção de se levantar e sair, mas permaneceu sentada fingindo digitar algo. Ela não era única, ninguém mais faria nada. Então dispensei a equipe. Eles mereciam uma folga.

Todos saíram antes de mim. Mas ainda a alcancei no estacionamento. Peguei as chaves de seu carro de sua mão e a levei para casa. Ela tinha que colocar para fora o que tanto a importunava. Mas sendo a teimosa e cabeça dura que era, dificilmente isso aconteceria.

Durante tudo o trajeto ela não falara nada. O que era incomum. Ela sempre tem uma piada ou uma tirada para fazer. Mas não, seu olhar distante e sua expressão vazia me preocupavam. Fiz o possível para chamar a sua atenção, para lhe dizer que tudo ficaria bem, mas ela não me olhou. Comecei a temer a decisão que ela estava tomando.

Por fim, quando chegamos, ela se abriu. Disse tudo o que pensava. Tudo o que sentia. Ela realmente quebrou a sua fachada de mulher poderosa, forte e controlada. Eu só a vir chorar duas vezes até hoje. Quando eu fui baleado e fiquei entre a vida e a morte durante nossa tocaia na República Tcheca e quando a pedi em casamento. Duas situações completamente diferentes da que estávamos vivendo hoje.

Por fim, ela terminou. Não havia nada que eu pudesse dizer naquela hora. Dizer que tudo ficaria bem era mentira. Só havia incertezas. Então a abracei. Mostrei a ela que eu ficaria ao seu lado independentemente do que aconteceria no outro dia.

Passou o tempo suficiente para que ela se acalmasse e se parasse de chorar. Eu sabia que ela não queria ser vista chorando pela rua. Quando tive a certeza absoluta de que ela estava relativamente bem, sai do carro, abri a porta para ela e quando fitei os seus olhos verdes só pude dizer aquilo que ela já sabia:

— Eu não vou deixar que a NCIS nos separe de novo, Jen. Dessa vez, vamos lutar.

Eu tinha decidido. Sempre soube que a carreira dela era importante para ela. A minha foi, até aquele dia, um meio de fazer justiça para Shannon e Kelly através dos casos que concluí. Sempre tentei o meu melhor para que as famílias tivessem, à sua maneira um fechamento. É certo dizer que queria que todos os casos acabassem com boas notícias, mas o que não era possível ter um final feliz, que pelo menos houvesse justiça. Mas se, de algum modo, a mandassem para outro lugar do mundo, para longe de mim, eu não hesitaria em sair. Depois destes três meses sei que DiNozzo saberia liderar a equipe muito bem. Talvez já fosse hora de sair mesmo.

Era a minha promessa a ela. Eu a acompanharia aonde quer que ela fosse.

A noite foi difícil, longa. Ela não dormiu. O tempo todo quis perguntar o que se passava em sua cabeça, mas preferi deixá-la quieta. Eu a conhecia muito bem para saber que ela não me contaria a sua decisão agora. Seria de uma única vez e seria de surpresa.

Notas finais
Eu sei que ficou meio melodramático esse capítulo. Meio não, inteiro. É estranho pensar na Jenny chorando e no Gibbs abrindo mão de tudo. Mas eu vou explicar o que me levou a isso: A Jenny, bem, ela sempre foi forte, mandona, de cabeça erguida e tudo, mas, minha opinião, ela se arrependeu de tudo, daquele plano de 5 passos dela, a primeira vacilada foi no episódio "Lost and Found" quando ela conversa com Gibbs na casa dele e pede, nas entrelinhas, para ele ficar. e a segunda vez que se percebe isso, é no último episódio em que ela aparece, quando ela conversa com Franks. Ela realmente estava disposta a morrer para salvar o Jethro e, em algumas partes, é fácil ver que e ela se arrependeu de algumas coisas. Então, achei justo que neste capítulo, quando o futuro dos dois está para ser decidido, que ela quebrasse essa faceta de durona e mostrasse que tem sim um lado sensível. E o Gibbs, bem, não é muito claro como ele entrou na NIS/NCIS, mas é perceptível que foi para fazer justiça. E eu o coloco pensando em abandonar tudo pela Jenny, pq, ora, toda fanfic que leio, ela sempre foi a culpada por tê-lo deixado em Paris, mas ele também, nunca foi atrás dela. E se ele tivesse ido? Então, esse "e se ele tivesse ido" eu o traduzo como, agora, ele ir atrás dela onde ela for... Se vai ser preciso esse sacrifício dos dois no restante da fic? No próximo capítulo eu conto! Ps.: Minhas explicações quase que ficam maiores que o capítulo em si! o.O Obrigada por ler!!