Acampamento De Férias
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Alicia Pov.:
Eu me encontrava ainda ao lado de fora do banheiro masculino, ouvindo o choro de um garoto, que na minha opinião seria o Daniel. Pedi mentalmente para que ninguém me visse entrando no banheiro ou até que nenhum garoto estivesse ali dentro, a não ser o próprio Daniel. Entrei de fininho lá dentro e fui em direção ao barulho de choro que ele fazia.
– Daniel? É você que está aí dentro? – Chamei por ele. Logo vi que a porta estava sendo aberta. Fiquei um pouco nervosa, mas tentei agir naturalmente.
– Sou eu sim – Respondeu. O mesmo abriu a porta do banheiro. Me assustei quando eu o vi daquele jeito, com o cabelo todo bagunçado, olhos inchados de tanto chorar. Sem ao menos eu pronunciar algo, ele me abraça e eu correspondo.
– O que houve para você estar assim? – Perguntei assustada. Eu jamais o vi dessa forma.
– Eu vi a Maria Joaquina quase beijando o Jorge. Jamais admiti que gosto dela, pois não sei como expressar os meus sentimentos por ela. Mas já vi que ela não sente mais nada por mim – Comentou o Daniel. Olhei para ele incrédula, mas o que?
– Daniel larga a mão de ser frouxo – Respondi. Ele me olhou incrédulo com a minha resposta. Sei que não fui muito sensível, porém chorando ele não vai conquistar a Majo. Que por sinal ama o Daniel, mas homem é homem, sempre fazendo burrice.
– Que sensibilidade – Falou ironicamente. Olhei para ele com uma cara de tédio.
– Desculpa Daniel, sei que fui meio grossa. Mas olha para mim – Chamei atenção dele. O mesmo me olha. Vi em seu olhar mágoa e tristeza. Coitado! – Ela te ama. Sei que eu não deveria contar isso, mas ela admitiu para mim e para Valéria que te ama de verdade.
– Sério isso? – Perguntou esperançoso. Sorri para ele como resposta – Mas como irei conquista-la? – Fez novamente uma pergunta.
– Chorando que não vai – Respondi debochada – Ergue essa cabeça vai, fale para ela o que sente. Não precisa ter vergonha – Disse o incentivando. O mesmo sorriu e foi lavar o rosto.
– Quando chegar a hora certa eu irei falar sim. Prometo que não irei demorar – Falou o Daniel. Apenas assenti e sai do banheiro. A Valéria e Maria Joaquina devem estar se perguntando o porquê da minha demora.
Valéria Pov.:
Fiquei pasma quando eu vi o Otávio em minha frente. Para quem não sabe irei explicar como eu conheci ele. Foi no início deste ano, quando eu ainda namorava o Davi. Eu estava voltando de a pé do cinema, eu tinha ido com a Alicia e com a Margarida. O Jaime meio que ficou brabo por eu não ter o convidado, mas ele entendeu depois. Continuando, eu voltei sozinha para casa, porém perto da minha casa tem um barzinho onde aqueles adolescentes de 17 anos ficam bebendo altas horas. Um deles é o Otávio, que assim que me viu veio atrás de mim. O mesmo tentou abusar a força, por sorte o Mário estava ali com o seu pai. Os dois me ajudaram.
– O que veio fazer aqui? – Perguntei brava. Eu o odiava com todas as minhas forças.
– Vim por causa de você amorzinho – Respondeu Otávio. Ele acariciou o meio rosto, fui mais rápida e tirei sua mão do meu rosto. Como podia ser tão ridículo?
– Não quero que você se aproxime de mim – Falei. Eu estava um pouco nervosa, no entanto eu não queria demonstrar isso a ele.
– Por que não? O que irá fazer se eu me aproximar? – Perguntou em um tom sarcástico. Sem ao menos responde-lo fui pagar o meu sorvete. Não quero perder o meu tempo com quem tentou abusar de mim.
– VALÉRIA FERREIRA. VOCÊ AINDA IRÁ EMPLORAR POR MIM – Gritou o mesmo. Eu nem se quer olhei para trás. Aquele garoto certamente me dá um medo, pois não sei do que ele é capaz de fazer comigo.
Autora Pov.:
Maria Joaquina encontrava-se sentada na lanchonete, já impaciente com a demora de suas amigas. Esperou mais um pouco e logo avistou Alicia vindo em sua direção.
“Ótimo, já estava na hora dela aparecer” – Pensou a Patricinha.
– Que demora Alicia, eu já estava mofando aqui – Disse a Maria Joaquina. A mesma já estava um tanto quanto cansada de esperar por suas amigas.
– Desculpa Majo. Eu tive alguns probleminhas para resolver, porém não é nada que queria saber – Comentou Alicia. A morena notou que Valéria não estava na mesa, então resolveu perguntar – Onde está a Valéria?
– Foi pagar o sorvete. Ela também está demorando bastante – Respondeu a Maria Joaquina. Alicia apenas assentiu.
– Voltei meninas – Falou Valéria.
– Você demorou bastante – Disse Alicia de braços cruzados. A sapeca ficou meio nervosa para contar o que houve a segundo atrás.
– É que tinha uma fila enorme – Tentou se explicar. A Valéria estava tentando disfarçar para que suas amigas não perguntassem o porquê da demora. Ainda mais quando o assunto de trata de Otávio. O garoto que quase destruiu sua vida.
– Vamos sair daqui – Sugeriu Alicia – Vou sair com o Mário depois – Sorriu alegre. Alicia só considerava Mário como um grande amigo, porém o Mário a considerava muito mais que isso.
As três garotas foram saindo da lanchonete. Assim que pisaram para fora de lá, deram de cara com o Paulo e o Kokimoto, que estavam chegando para comer várias guloseimas. O Peralta estava um tanto quanto nervoso por ver a “sua” garota. Ele mesmo não queria admitir que a ama, pois acha isso “nojento”. A Valéria também estava nervosa com a presença do garoto. Ela já admitiu na cara dele que o ama, mas que queria esquece-lo.
– Valéria – Chamou o garoto. A mesma nem se quer conseguia olhar para ele – Vamos conversar por favor – Implorou o Peralta. A Maria Joaquina, Alicia e o Kokimoto observavam a cena, sem pronunciar uma palavra se quer.
– Por que Paulo? Para dizer na minha cara o quanto eu sou inútil por gostar de alguém que só quer brincar com os meus sentimento? – Respondeu Valéria. A sapeca estava bastante magoada com Paulo, por tudo que ele fez. O mesmo beija a sua melhor amiga em sua frente e depois vem dizer que está arrependido?
“Peralta idiota” – Pensou a garota.
– Me desculpa por tudo que eu fiz para você. É de você que eu gosto e não da Alicia – Disse o Paulo. A Valéria sentiu o seu coração acelerar quando ouviu o que o Peralta disse. Por um minuto ela pensou em ceder, porém pensou bem no que responder. Se ela o ama, teria que provar isso, sem brincar com os seus sentimentos.
– Prove então. Ou caso contrário me esqueça Paulo. Só não demore muito, pois como diz o ditado “a fila anda” – A garota piscou para o mesmo. Alicia e Maria Joaquina gostaram do que ouviram de sua amiga. Agora é só ver se o Peralta que disse que “nunca iria se apaixonar”, irá provar o contrário disso.
Valéria e suas amigas saíram andando, até que a “marrentinha” como o Paulo a chama. Sente um braço a puxando. Ela por um momento se assusta com isso.
– Pode ter certeza Valéria Ferreira. Você não irá me escapar tão fácil assim. Irei provar tudo que for possível para te ter em meus braços – Sorriu o Peralta. A Valéria sentiu seu coração quase pular do peito para fora. Ela não estava acreditando no que ouviu. Será mesmo que esse é o Paulo Guerra ou um clone?!
– Veremos Guerra – Ameaçou o Paulo. A mesma sai andando com suas amigas, deixando o garoto para trás. Deixando assim só o Kokimoto e Paulo sozinhos.
– Cara o que você tem? Aposto que bateu a cabeça em algum lugar e está delirando – Disse o Japonês.
– Eu não estou delirando. Essa garota me deixa louca, de um jeito que eu não sei te dizer. Eu admito que se apaixonar por alguém é uma loucura, porém aquela Marrentinha me fez ver que isso pode ser um tanto bom e doloroso. O lado bom é que esse coração de pedra aqui finalmente amoleceu. O lado doloroso é que eu estou sentindo na pele que é difícil ficar com a pessoa amada sem a magoar – Respondeu o Peralta. O Kokimoto olhou para ele incrédulo com as palavras do amigo
– Agora me diz quem é você e o que fez com o Paulo Guerra que eu conheço? – Disse o Koki um tanto quanto assustado com o que ouviu.
– Acreditando ou não, continuo sendo o mesmo Paulo. Não vai mudar nada em mim, só os sentimentos. Mas não se esqueça que eu ainda quero aprontar e muito – Sorriu com um tom pervertido.
– Agora gostei de ouvir. Hoje a noite teremos que por o nosso plano em ação. Vamos zoar um pouquinho com os nossos adversários – Falou o Kokimoto.
– Claro. Agora vamos comer, a minha barriga está roncando – Reclamou o Peralta. O japonês assentiu. Os mesmos entraram na lanchonete.
Jaime Pov.
Cá estou eu, entediado e abandonado pela sua melhor amiga. Olhando por um lado, estou feliz pela Valéria. Ela está tão feliz ultimamente, prefiro mil vezes a minha sapeca alegre do que triste. Ver ela triste me parte o coração, ela é como uma irmã para mim. Confesso que pensei possivelmente em gostar dela mais que uma simples amiga, mas eu sei que não daria certo. Se eu a beijasse novamente, iria pensar que estaria fazendo um “incesto”, até por que não se deve beijar uma irmã e para mim eu a considerava mesmo uma irmã. Pode até não ser de sangue, mas é de coração.
– E aí cara. Ta fazendo o que deitado nessa cama? Levanta. Ta um dia lindo lá fora – Disse o Mário. Eu estranhei o fato dele estar mais feliz que o normal.
– Desembucha, você está muito mais feliz que o normal – Falei enquanto eu estava me ajeitando para sentar em minha cama. Ele me olhou com um sorriso de orelha a orelha.
– Como você sabe que estou diferente? – Pergunta.
– É obvio que você está diferente, com esse sorriso de bicho abobado no rosto qualquer um nota – Respondi. O mesmo me olha com uma cara nada boa – Tá foi mal. Agora me fala, qual o motivo desse sorriso?
– Alicia. Eu e ela vamos sair hoje a noite – Cometou. Eu já imaginava que esse era o motivo. O Mário é gamadinho pela Alicia.
– Que bom cara. Torço por vocês. Vê se não faz bobagem que nem o Paulo fez com a Valéria – Avisei ele
– Pode deixar – Respondeu Mário. Que ainda mantinha um sorriso gigante no rosto.
Paulo Pov.
Já estava de noite, eu e o Koki estávamos ajeitando as coisas para colocar o nosso plano em ação. Logo notei que a Valéria também estava no plano, a mesma me mataria, porém não posso abandonar o plano agora.
– Está preparado Paulo? – Perguntou o Kokimoto. Apenas assenti. É HOJE QUE AS COISAS VÃO ESQUENTAR.
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